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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
E esta quinta-feira falamos de abanar para ver se cai, baixa velocidade ibérica. Se ele soubesse o que hoje sabe, seria muito diferente. Mas para começar, Paulo, será que as autoridades vão conseguir travar a onda de violência?
Essa é aquela pergunta que todos andaremos a fazer por estes dias. À medida que os dias, sobretudo as noites, se quisermos, vão passando sem que desapareçam os atos de vandalismo. Pior ainda, os distúrbios públicos vão acontecendo em zonas geográficas cada vez mais dispersas e mais diversas. Este é um grande teste para a segurança pública no país dos brandos costumes e que gosta de trazer ao peito o seu estatuto de ser um dos países mais seguros do mundo. A articulação entre as várias forças de segurança é fundamental. O contributo das secretas também é primordial, sobretudo para identificar movimentos orgânicos que não sejam visíveis à superfície. Até porque uma grande questão é saber se isto é espontâneo, se são protestos espontâneos ou se já passou para uma génese de movimentos relativamente organizados e articulados. E claro, a assertividade da intervenção pública e da polícia e o seu respaldo político são absolutamente centrais aqui. Qualquer hesitação ou sinal de fraqueza terá, certamente, os seus custos.
É isso mesmo. Bruno, e se o arrependimento matasse?
Carla, se o arrependimento matasse, eu estou em condições de dizer que estaria tudo bem com o presidente da Unidade Local de Saúde Santa Maria, porque ele não se arrependeu. É preciso contextualizar, porque a velocidade da informação faz com que nos esqueçamos destes casos. No final de agosto, Carlos das Neves Martins emitiu um despacho em que dizia pretender instaurar processos judiciais contra utentes ou outros cidadãos que criticassem publicamente, e nomeadamente nas redes sociais, de forma ofensiva, os profissionais daquela unidade de saúde. Dias depois, o antigo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, garantiu que Carlos das Neves Martins estaria arrependido dessa decisão. Agora, é o próprio Carlos das Neves Martins, que na Comissão de Saúde da Assembleia da República, disse não estar nada arrependido, que se fosse hoje não publicaria o despacho, preferia enviar uma ordem para o diretor do gabinete jurídico, mas não se arrependia. Seja como for, o arrependimento também não mata.
Sobretudo, sendo num hospital.
Pois, há logo serviços ali anti arrependimento.
Há logo outra segurança. Entretanto, Portugal e Espanha continuam desencontrados sobre a alta velocidade, Paulo.
Pois, isto em matéria de ligações ferroviárias, as relações ibéricas andam mesmo devagar, quando não estão paradas. Ontem realizou-se mais uma cimeira Portugal-Espanha, desta vez foi em Faro, no Algarve, e o desencontro de planos para o comboio de alta velocidade é absolutamente notório. Espanha já vai lá à frente, tem uma ótima rede de alta velocidade, mas não há maneira de termos ligações entre os dois países. A ligação a sul, entre Faro e Huelva, já estava no compromisso, isto é curioso, já estava no compromisso assinado por Durão Barroso e José Maria Aznar em 2003.
Meu Deus!
Na Figueira da Foz. Ainda se lembram destes governantes? Estes dois senhores governaram cá e lá.
A memória já me começa a falhar.
Exato. Mas imaginem, eles já disseram: "Vamos lá avançar com isto de Faro-Huelva". 21 anos depois nada aconteceu, obviamente. Surge agora de novo no documento assinado ontem entre os dois chefes de governo de Portugal e Espanha, embora sem prazo, mais prudente aqui, obviamente. E mais ao centro do território português, Espanha garante que vai levar a alta velocidade até Badajoz em 2030, mesmo a tempo, dizem eles, do Campeonato do Mundo, que vai ser feito em Portugal.
2030.
Portugal, Espanha e Marrocos. Mesmo a tempo desse Campeonato do Mundo, mas Portugal não tem planos, sequer, nem calendário para fazer a ligação alentejana. Até porque, realçou Luís Montenegro, a prioridade lusa é ligar Lisboa ao Porto. Portanto, quando se trata de comboios, vamos continuar a estar muito longe, apesar de estarmos tão perto.
Bonito. Que bonito isso. Foi mesmo bonito.
Badajoz à vista.
Cara melhora. Bruno, alguém quer abanar o governo?
Abanar, sacudir, agitar. Não vai dar. Questionado sobre se mantém a confiança em Paulo Rangel, após a polémica entre este e as chefias militares, aquilo a que o ministro dos Negócios Estrangeiros chamou um não caso, o primeiro-ministro Luís Montenegro disse: "Se há aqui alguém que quer abanar o governo e abanar a presença do ministro Paulo Rangel no governo, vá treinando porque tem muito que fazer." Mas afinal, que polémica é esta? Consta que Paulo Rangel terá tido condutas impróprias no aeroporto Figue Maduro, onde foi receber um voo de repatriamento de portugueses do Líbano. Alegadamente, o ministro terá insultado e destratado militares que lhe negaram o acesso a uma zona interdita daquele aeroporto. Este não caso, que pode ser mais caso do que não, já levou o PS a pedir uma audição parlamentar de Paulo Rangel, mas como vimos, o primeiro-ministro não se deixa abalar. Isto não abana quem quer, porque Montenegro não deixa.
Bruno Vieira Amaral e Paulo Ferreira com as perguntas que marcam a atualidade. Amanhã há uma nova edição, é sempre a seguir ao Jornal das 7.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.