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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.
E esta quarta-feira falamos de conflito fiscal, o Estado ao volante, saber ler e escrever. Mas Bruno, começamos com fitas e filmes. Carlos Moedas aumentou ou não aumentou?
Para esclarecer, estamos a falar do apoio aos festivais de cinema.
Sim, calma. É bom esclarecer. Não há aqui bullying.
Como sabem, e se não sabem, deviam saber, a Câmara de Lisboa apoiou a organização do Festival Tribeca, aquele do senhor Robert De Niro.
Agora diz-se Tribeca, não é? Soube dizer-se Tribeca.
Eu acho que sim.
Sim, eu sei, Tribeca.
O Tribeca.
Como pode ser Tribeca?
O Tribeca.
É uma zona de Nova Iorque, não é?
Sim.
É um bairro.
Bem bonito.
Ok.
Sim, é por aí. É ali às perto.
Aquele festival do senhor De Niro.
De Niro.
"Are you talking to me?"
Esse mesmo.
Apoiou a câmara este festival com a magnífica quantia de €250 mil, para um total de €750 mil de apoios públicos. É muita massa.
Tatim.
Tatim. Não, neste caso é muita massa a cair. Não sei se foi pelo esgoto. E quando a massa é muita, há alguém que não recebe tanto e queixa-se. E perante as queixas, o que fez o edil de Lisboa? Afirmou que aumentou o orçamento da cultura para poder ajudar mais festivais, como o LE Fest, organizado por Paulo Branco, ou o já histórico Doc Lisboa. Mas a A Pordoc, a associação que organiza o festival de cinema documental, diz que aumentos nem vê-los, pelo menos desde 2017, nem da Câmara, nem da EGAC. De então para cá, a verba fica-se pelos €100 mil, um valor que foi confirmado pelo Observador. Carlos Moedas aumentou sim, mas foi a história do aumento. Aumentou o verbo, mas a verba manteve-se.
Pronto, é uma forma de aumentar.
Também é, é verdade. Diz-se: quem conta um conto...
Aumenta um para o aumento.
Um conto, um conto de reis.
Antigamente, exatamente, o conto era uma unidade de medida.
E como isto anda tudo ligado, Paulo, continuamos com graves dificuldades na literacia funcional.
Continuamos, parece que sim. É o que diz um estudo da OCDE sobre literacia entre a população adulta. Os portugueses revelam grandes fragilidades, estamos aqui a falar da população entre os 15 e os 65 anos. Mais de 40% apenas consegue resolver tarefas básicas de interpretação de informação escrita, escrita ou numérica, e estamos basicamente no fundo da tabela da OCDE. Este estudo testava a capacidade para interpretar textos, entender e manipular números e resolver problemas aplicados a situações básicas do dia a dia. Uma elevada percentagem dos portugueses que não vai além dos níveis mais baixos de proficiência, independentemente da área avaliada. Temos, portanto, a geração mais bem preparada de sempre, lado a lado com a geração muito mal preparada, como sempre. São basicamente dois países lado a lado.
E entretanto a culpa é sempre do motorista.
É sim, Carla, mas por uma boa causa. Isto é, para a culpa não morrer solteira nem ficar para tia, casa com o motorista, que pelo menos tem trabalhinho. A não ser que o perca depois de casar com a culpa. Toda a gente se lembra do atropelamento mortal provocado por um carro onde seguia o então ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. Já na altura, o único pronunciado para julgamento foi o condutor, o motorista. O carro seguia a 163 km/h quando atropelou um funcionário que fazia as limpezas na autoestrada, mas nem o ministro nem o chefe de segurança foram responsabilizados. Agora a Assembleia da República vem reforçar a responsabilização dos motoristas, que passam a ter de comunicar sempre que conduzirem em marcha de emergência e têm de identificar quem lhes deu a ordem. Também passam, os motoristas, a ser responsáveis pelo estado de conservação dos veículos e pela condução. O que até é normal.
Isto também tinha que fosse outra pessoa.
Mas também são responsáveis pela velocidade, passam a ser responsáveis pela velocidade a que circulam. Se houver acidente, o motorista já sabe, lá terá de levar a culpa ao altar, se for caso disso.
Paulo, então e até quando vamos conseguir manter o braço de ferro fiscal com Bruxelas?
Pois há, de facto, uma divergência entre aquilo que diz a Comissão Europeia sobre os apoios fiscais que são dados aos combustíveis e aquilo que o governo está a fazer. O governo quer manter, quer prolongar algumas reduções de impostos que foram decididas há dois anos, quando os preços dispararam, mas Bruxelas entende que já não há motivos para que os países mantenham esses apoios, porque os preços, entretanto, como sabemos, já foram regressando à normalidade. Lisboa argumenta que não quer provocar agora uma subida dos combustíveis por via fiscal e aponta a incerteza que por aí anda em relação à cotação das matérias-primas, com os vários conflitos que vão aparecendo. Portanto, vamos ver se Portugal passa impune a esta violação das regras europeias ou se mais tarde ou mais cedo acabará por ter que ceder.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.
Benfica, Bolonha. As Águias lutam por pontos na Champions. Esta quarta-feira, a partir das 19h30, emissão especial com relato em direto do Benfica, Bolonha.
Boa, Águia! Boa, Benfica!
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