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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

Esta terça-feira falamos de presidenciais, expulsões, telemóveis e uma noiva. Paulo, a nossa noiva da aviação já está pronta para ir ao altar?

Ainda não anda a ver os vestidos, basicamente, nem a escolher o local da boda e a escolher a ementa, mas os pretendentes já começam a aparecer. Apesar das notícias das últimas horas poderem colocar a noiva em embaraços. Mas, de qualquer maneira, ela aí está, não vai seguramente adiar o casamento por causa disso.

Escolheu o vestido.

Exatamente. O primeiro dos pretendentes a manifestar-se sem rodeios, é alto, loiro, olhos azuis. Está bem instalado na vida. É provavelmente o melhor partido de todos aqueles que poderão aparecer. Neste caso, falamos da TAP, obviamente, e do interesse que os alemães da Lufthansa vieram ontem manifestar ao governo português. Querem comprar até 20% da TAP. Vinte por cento é aquele limite que permite dispensar a operação de avaliação da Comissão Europeia e mais as avaliações de concentração e por aí fora. O CEO da empresa alemã esteve ontem com os ministros das Finanças, Miranda Sarmento, e dos Transportes, Miguel Pinto Luz, para conhecer basicamente as intenções do governo sobre esta privatização, que o anterior executivo de António Costa tinha previsto e depois acabou por não fazer, porque o governo entretanto chegou ao fim. O Corriere della Sera, jornal italiano que tem acompanhado este assunto com algum detalhe, diz que os 20% da TAP deverão valer cerca de 200 milhões. Ora bem, fazendo umas contas rápidas, isto coloca o valor da empresa à volta dos mil milhões de euros. Portanto, vamos comparar com os 3200 milhões que os contribuintes já meteram e que nos disseram que seriam devolvidos?

Vamos.

Se calhar não vale a pena. Não vamos.

É melhor não. E Bruno, o PS aposta numa segunda volta nas presidenciais?

Aposta, mesmo que seja arriscada, porque até hoje só por uma vez as eleições presidenciais foram decididas numa segunda volta. Ainda ninguém se esqueceu desse momento, um momento fulcral na história da democracia portuguesa, quando Mário Soares, que tinha partido para a campanha com as sondagens a darem valores abaixo dos 10%, ultrapassou Freitas do Amaral. De então para cá, não voltou a acontecer. Soares em 91, Sampaio em 96 e 2001, Cavaco em 2006 e 2011, e Marcelo em 2016 e 2021, resolveram tudo à primeira. Mas numa coisa o PS tem razão: dos candidatos mais falados até ao momento, nenhum tem a força e o carisma dos anteriores ocupantes do Palácio de Belém. E mesmo estes nem sempre venceram com margens muito folgadas. A direção do PS está convencida, é o que se pode ler num artigo da Mariana Lima Cunha no Observador, de que nem à esquerda nem à direita há candidatos capazes de atrair uma larga fatia do eleitorado fora da sua área política. Pelo menos não o suficiente para ganharem logo à primeira volta. E numa segunda volta, o PS confia que a tão famosa maioria sociológica de esquerda possa dar uma vitória ao candidato apoiado pelo partido. Isto significa que a fé na segunda volta tem muito que ver com o facto de o PS também não ter à disposição nenhum dos seus possíveis candidatos mais fortes, aqueles que teriam hipóteses de ganhar à primeira volta: António Costa e António Guterres.

Os Antónios. E Paulo, será que conseguimos afastar os nossos jovens dos telemóveis ou os telemóveis dos nossos jovens, qualquer coisa deste género?

Pois, exatamente, separá-los uns dos outros. Não é tarefa fácil.

O Luís hoje está para casar e divorciar.

Exato. Casamentos e separações, basicamente. Em relação aos jovens e aos telemóveis, não será então uma tarefa fácil. Isto terá que ser feito com regras muito rígidas. É isso que um grupo de cidadãos quer que aconteça nas escolas, que os ecrãs fiquem à porta e crianças e jovens possam brincar e socializar uns com os outros. Basicamente, como se fazia antigamente. Jogar, à apanha.

Nem sempre com bons resultados.

Nem sempre com bons resultados. De vez em quando havia umas cabeças partidas.

Sobrevivemos.

Sobrevivemos, acho que para alguns é mesmo isso.

Exato. Mas antigamente era isso, não havia telemóveis e brincava-se, basicamente, namorava-se e por aí fora. É o movimento Menos Ecrãs Mais Vida, que reuniu ontem com o Ministro da Educação, ou no Ministério da Educação, assim é mais correto, para apresentar a proposta, que, aliás, já vigora nalguns países. Isto não será nunca uma decisão fácil em termos políticos, nem isenta de inconvenientes e controvérsia, e a implementação também está cheia de desafios. Apenas proibir, obviamente, não serve, porque depois é preciso policiar o seu cumprimento e nós conseguimos imaginar o que é o pátio de uma escola com funcionários ou professores atrás de alunos que não querem cumprir e que só vão com o seu telemóvel. Portanto, o processo francês, por exemplo, onde isto já se vai aplicando nalguns testes, passa por obrigar os alunos a deixarem o aparelho logo à entrada e depois, para isso, é preciso cacifes, é preciso sistemas de segurança, para que os telemóveis fiquem seguros, para que se saiba o que é de quem e por aí fora. Enfim, é uma tarefa complicada à espera de uma decisão difícil.

Mas olha que as crianças às vezes se surpreendem.

E compreendem.

E compreendem. E Bruno, quantos imigrantes é que receberam ordem de expulsão em Portugal?

Digo-te já, João Miguel, no primeiro trimestre de 2024, as autoridades portuguesas emitiram 345 ordens de expulsão de cidadãos de países fora da União Europeia. É um aumento relativamente ao último trimestre de 2023, mas uma quebra acentuada se olharmos para o período homólogo nos anos de 2023 e 2022, em que foram registadas, respetivamente, 635 e 670 ordens de expulsão. Em comparação com os restantes países da União Europeia, Portugal é o quinto país que menos imigrantes expulsa. Menos do que Portugal, apenas Malta, Estónia, Eslováquia e Eslovénia. Em número de ordens de expulsão, a maioria dos países fica muito atrás de França, Alemanha e Bélgica, que acumulam mais de 50% do total de ordens de expulsão nos três primeiros meses deste ano, e que foi de 103.505. Mas há outro dado que consta do relatório do Eurostat que obriga a pôr em perspectiva a expulsão de imigrantes em Portugal. É que destas 345 ordens de expulsão, apenas 15 foram efetivadas. O que faz de Portugal o país da União Europeia que menos imigrantes expulsou neste período. Agora, isto tanto pode querer dizer que está tudo a funcionar muito bem ou que está tudo a funcionar muito mal.

Bruno Vieira Amaral e Paulo Ferreira com as perguntas que marcam a atualidade.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.