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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

Então e será, Bruno, que governo e PS estão condenados a entenderem-se?

É um daqueles casamentos forçados, Carla, e quando não há uma alternativa melhor. Ontem, aquilo que se percebeu pelo debate quinzenal, apesar de algumas críticas a José Luís Carneiro por parte do governo e de José Luís Carneiro ao governo, é que este governo não pode esperar muita colaboração do Chega e isto pode ter mudado decisivamente com as presidenciais e se não há Chega, só resta o PS. O problema é que ao PS, por muitas cartas que o secretário-geral do partido envie ao primeiro-ministro, também lhe convém fazer oposição, visto que é oposição. Claro que influenciar a governação estando de fora também pode ser visto como um triunfo, mas se as coisas correrem bem, é sempre o governo quem recolhe mais louros. Estão condenados a entenderem-se, mesmo que o entendimento seja, de certo modo, contrariado.

Paulo, e estes ecos desta aproximação chegaram a Madrid?

Chegaram longe, foram até à capital espanhola. Marcelo andava por lá em visita oficial e registou, de facto, que o líder do PS tenha mostrado abertura para aprovar um eventual orçamento retificativo que o governo venha a apresentar. O presidente da República gostou desse gesto e do que ele pode significar, mas tudo isto não deixa de ser irónico. Marcelo está a menos de um mês de deixar o cargo de presidente da República e parece que agora voltamos a um horizonte de alguma estabilidade política e governamental, precisamente quando ele já não estiver em funções. Não é que Marcelo não quisesse a estabilidade política ao longo destes últimos 10 anos, mas muitas vezes, como sabemos, não basta querer.

Bruno, os números da APAV devem preocupar-nos.

Sim, havendo um aumento do número de vítimas que recorreram à associação, significa que há muitos crimes e outras formas de violência, mas também é sinal de que as vítimas procuram ajuda, pelo menos aqui junto da APAV. Vamos aos números. A APAV apoiou 18.549 vítimas em 2025, um aumento de 11,5% face ao ano anterior, e um valor que representa uma tendência de crescimento contínuo nos últimos anos, quase mais 42% em relação a 2020. Estes casos apoiados correspondem a 35.341 crimes e outras formas de violência, e também um aumento em relação ao ano anterior, neste caso de 13,1%. Como também se vê nos dados gerais da criminalidade, aqui também é a violência doméstica que está no topo das situações reportadas. As mulheres continuam a ser as maiores vítimas. Cerca de 75,5% das pessoas que procuraram apoio junto da APAV são mulheres. E aqui fica uma palavra também para o trabalho desenvolvido pela APAV, que tem sido fundamental no apoio a pessoas que muitas vezes não têm mais a quem recorrer para apoio nestas situações de violência.

No apoio, na voz e na denúncia. Tem sido uma voz muito importante há muito tempo. Paulo, e quando houver um sismo a sério, como é que vamos responder?

Vocês sentiram?

Eu ia no carro.

Eu também. Eu estava a conduzir também. Quando houver um sismo a sério.

O que vai acontecer?

É daquelas coisas que nós preferimos nunca testar.

Não, não queremos.

Preferíamos nunca fazer esse teste.

Aliás, este ano está a ser uma coisa, parece as 10 pragas do Egito.

Exatamente.

Só faltava isso.

Mas sobre os sismos, temos que estar preparados para essa inevitabilidade. Os cientistas dizem, e não há ninguém que discorde disto, quem percebe da matéria, que mais tarde ou mais cedo vai haver um terramoto, que pode ser violento, obviamente, pode ser mais violento. Pode afetar o sul do país, não se sabe é quando. Ontem houve esses dois mais pequenos, daqueles que enfim, quase não foram sentidos. E quando for mais a sério, há um plano? O que fazem as entidades responsáveis pelo socorro, por exemplo, nos primeiros 60 minutos? E nos 60 minutos seguintes? Isso está definido, não está? É partilhado por todos? A reação a situações de emergência tem sido o que se sabe. Muito frágil ela própria, às vezes descoordenada. E gostávamos todos de saber, já agora, que está tudo planeado para o pior, quando e se o pior acontecer, mas não temos a certeza disso.

Pois não.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.