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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.

A pergunta padece de um princípio de errados.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

Sócrates tem novo advogado.

Também ouvi dizer.

Ouvi dizer, não foi? Vamos continuar assim num registo muito criativo, Paulo.

Seguramente. Vamos ter pelo menos alguma centricidade do que resta do julgamento de José Sócrates. Não sabemos se vamos ter uma sentença no final ou não, ou se isso vai prescrever tudo pelo caminho, mas pelo menos temos algum espetáculo garantido até lá. O escolhido é José Preto, foi ele o advogado que defendeu Bruno de Carvalho, por exemplo, o presidente do Sporting, naquele caso do ataque à academia de Alcochete. Defendeu também um espião acusado de vender segredos de Estado aos russos, Carvalhão Gil. E José Preto tem opiniões singulares, diz que os jornais são placares de Bordéis. E chegou a apresentar um habeas corpus para pedir a liberdade imediata de Carvalhão Gil, por razões gastronômicas. Invocou a qualidade da comida servida na prisão de Monsanto, onde seu cliente estava detido e, segundo o advogado, a comida era péssima, gorda, mas abundante, o que tornaria os reclusos obesos e daí o pedido de emergência de libertação. Portanto, com esta criatividade, podem vir aí mais umas manobras dilatórias muito originais. Vamos ter espetáculo garantido. Justiça, não sei se vamos ter.

Nem precisamos de ficção com esta realidade.

Entretanto, a UGT não vai fazer greve à greve.

Não, a uma greve não se pode fazer greve.

Pois é, pergunta minha.

Ou será que se pode fazer? Podia desconvocar a greve, mas a UGT é uma central sindical de palavra e nem as palavras do primeiro-ministro e da ministra do Trabalho a demoveram. Mas houve diálogo e o próprio secretário-geral da UGT disse que a audiência foi construtiva. O problema é que não foi suficientemente construtiva para evitar a tal greve, que já está agendada para dia 11 de dezembro. Ambas as partes dizem querer continuar a trabalhar, mas só trabalhar até certo ponto, porque depois mete-se a greve. Na construção de pontes, toda a gente falou de construção de pontes, é preciso construir pontes, é necessário que haja diálogo. Faltou betão armado para concluir a obra. Portanto, é uma ponte feita de boas intenções e de palavras, mas essas, como se sabe, leva-as o vento, não tem grande sustentação.

Filipe Melo, Paulo. Filipe Melo vai retratar-se do caso do beijinho no Parlamento?

Vamos ver. Ainda não sabemos, mas a decisão da Comissão de Transparência da Assembleia da República, que no fundo é a entidade que analisa estes casos, concluiu, analisado tudo, que os factos são inequívocos, até porque o próprio deputado do CHEGA os confessou. Estamos a falar daquele momento em que da mesa da Assembleia, Filipe Melo, deputado do CHEGA, através de gestos, mandou beijinhos para o lado esquerdo do Parlamento, não se sabe muito bem pra quem, talvez para...

Isabel Moreira.

Isabel Moreira, foi pra ela. Depois fez aquele gesto a mandar calar com o dedo nos lábios, a mandar calá-la. Enfim, ele acabou por confessar estes atos e a Comissão da Transparência recomenda, de facto, que Filipe Melo peça desculpa em plenário, que se retrate e que pense bem se deve voltar à mesa da Assembleia. São apenas recomendações, mas vamos ver. No fundo, isto é, entre aspas, o tribunal destes casos. Portanto, há aqui uma decisão de tribunal, se quisermos, aqui com aspas, obviamente, do órgão que decide estes casos.

Coloca na consciência do deputado, basicamente.

Exatamente. Não define nenhuma penalização, mas coloca na consciência. Vamos ver agora o que o CHEGA e o André Ventura fazem, porque André Ventura diz que o que o distingue dos outros políticos não é não ter casos no seu partido, mas é quando eles acontecem.

A forma como os resolve.

A forma como os resolve e como aponta, às vezes, a porta da rua aos envolvidos. Vamos ver se é o caso agora de Filipe Melo ou então vamos ver se André Ventura e o CHEGA já se aburguesaram no sistema e já não ligam a estas coisas.

Ainda sobre o CHEGA, Bruno, o entendimento com o PS é uma PPP?

É uma parceria precária de partidos, ou então periclitante. Para já, avançaram para uma parceria de portagens e propinas, outra PPP. Menos portagens, algumas portagens, e não ao aumento das propinas. E estamos apenas no primeiro orçamento deste governo. Por isso é ainda uma PPP de alcance modesto, mas com um simbolismo bastante vincado. Era um pouco como o próprio aumento das propinas proposto pelo governo. Não era uma subida colossal das propinas, mas era mais um sinal, é um aviso. Isto vai continuar a subir. CHEGA e PS resolveram dar sinal em sentido contrário, ao mesmo tempo que instalaram via verde em partes da A2 e da A6 e também em toda a autoestrada das Beiras Litoral e Alta. Não é uma via verde, aqui é uma via verdíssima. E para essa união do PS e do CHEGA, ainda está verde, pode amadurecer até o ano que vem e para já temos a agradecer a esta união entre PS e CHEGA, um novo termo: populismo rodoviário.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.

A pergunta padece de um princípio de errados.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer