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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

Tem muito groove esta música, não tem?

Então, Bruno, os dados estão lançados?

Já estão lançados há muito tempo, Vanessa, e o resultado é conhecido desde segunda-feira. O prazo da concessão dos cassinos da Póvoa, de Espinho e do Algarve termina hoje. Como ainda não há resultados do concurso público para essas concessões, o governo viu-se obrigado a prorrogar os prazos por três meses. Uma medida que foi promulgada pelo Presidente da República na segunda-feira. No comunicado em que informou os portugueses sobre a promulgação, a Presidência da República fez questão de referir que o Primeiro-Ministro Luís Montenegro, cuja empresa familiar prestou serviço a uma das concessionárias, a Solverde, não participou na deliberação. Tudo isto demonstra a importância do escrutínio e da transparência. Se nunca tivesse havido notícias sobre a famosa empresa familiar de Luís Montenegro, provavelmente agora não teríamos um comunicado da Presidência da República deste teor. O Primeiro-Ministro até poderia não ter participado à mesma na decisão, mas tudo seria muito menos transparente. É uma mensagem importante para aqueles que se candidatam a cargos públicos e que acham que, por exemplo, a divulgação da lista de clientes é um pormenor. Agora imaginem que um dos clientes do futuro presidente da República era precisamente uma destas concessionárias. Levantava aqui um problema. Paulo, mais vale assumir os problemas do que insistir no que não funciona.

Sem dúvida, Rui. Mais vale sempre assumir o que corre mal, enfrentar a dura realidade. E o novo controle de entradas no aeroporto é um bom exemplo disso. O sistema não está a funcionar há muitos meses, basicamente desde que foi instalado ali por alturas de final de verão, e é obviamente insustentável. Já era há muito tempo, mas cada dia que passava tornava-se mais insustentável ainda manter aquelas filas de três, de cinco, de seis horas, para que as pessoas que chegam de fora da área Schengen possam entrar formalmente no país. O Ministério da Administração Interna demorou tempo, de facto, mas acabou ontem por tomar uma decisão que parece acertada. Mais vale, de facto, cancelar por três meses o funcionamento do sistema europeu do que manter aquele estado de coisas. Vamos ver agora se este tempo de três meses é suficiente para pôr o sistema a funcionar, para funcionar o que nos últimos meses não funcionou. Nunca se percebeu muito bem por quê. E vamos ver também como é que o governo vai lidar agora com as perguntas da Comissão Europeia, porque o sistema é europeu, visa a proteção, já agora, de todos os países da área Schengen, porque cada país é uma porta de entrada. Portanto, há aqui algumas questões para responder, mas para já vamos ver se o regresso ao sistema mais manual vai pelo menos facilitar a vida àqueles que só querem fazer a sua vidinha e entrar no país.

E Bruno, a aposta do PS em Seguro é segura? É trêmula, mas aos poucos e um pouco contrariados, os socialistas e socialistas de relevo lá vão manifestando o apoio a António José Seguro. Agora que já se sabe quem são mesmo os candidatos, são 11, apesar dos 14 nomes no boletim de voto, que não há volta a dar, que não vai aparecer agora um candidato numa manhã de nevoeiro como estas que temos tido. É verdade. Aqui na esquerda, Seguro é mesmo a única hipótese real de haver um candidato de esquerda na segunda volta. E desta vez foi a antiga ministra-adjunta e dos assuntos parlamentares, Ana Catarina Mendes, a anunciar publicamente o apoio ao antigo secretário-geral do PS, com este argumento de que a segunda volta não pode ser disputada apenas pela direita. O apoio a António José Seguro não foi uma reação espontânea de muitos socialistas. Alguns tiveram de engolir o sapo, mas pode ser que a eventual passagem à segunda volta ajude a uma melhor digestão.

Deixamos as presidenciais, vamos à Justiça e a uma pergunta. Paulo, é sempre preferível esclarecer do que ficar em silêncio?

Sempre, também. É sempre melhor esclarecer e a Procuradoria-Geral da República veio de facto ontem dar explicações publicamente e veio dizer que sim, que há um inquérito a compras feitas pela Marinha e dizer que não, Govemo Mel não é arguido neste caso. Assim fica tudo mais claro neste caso e a campanha eleitoral pode prosseguir sem ruídos e sem dúvidas sobre eventuais responsabilidades, neste caso, de um candidato. No fundo, já que as investigações são tão lentas e se arrastam durante anos, muitas vezes chega quase a uma década, bem, pelo menos que os esclarecimentos sejam rápidos. O processo continua, como é evidente, a investigação não está fechada, nem se sabe quando é que vai estar fechada. Mas pelo menos já sabemos que não há aqui uma interferência da Justiça, involuntária, certamente, mas não há uma interferência da Justiça aqui num processo eleitoral e político.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.