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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
Hoje falamos de arranjar problemas onde não os há, mudar tudo para que tudo fique na mesma, os suspeitos do costume, mas começamos com a porta assim já meio fechada.
Já meio fechada, no LIVRE, Bruno. As primárias não são básicas?
Já foram. As primárias já foram básicas. Agora as primárias vão ser sofisticadas. Isto para evitar possíveis tentativas de manipulação, diz o líder do LIVRE, Rui Tavares. O partido quer estar aberto à sociedade, mas vamos lá ver, isto não é bar aberto. Há vontade, mas não há vontadinha. É aquela velha história, uma pessoa dá a mão e eles querem logo o braço. E o LIVRE já se escaldou com essas aberturas, como vimos nas europeias com o candidato Paupério. E agora o partido quer garantir que não há abusos e candidatos a usarem a sigla do partido como barriga de aluguer. Nisto há que dar razão a Rui Tavares. O partido é aquele que mais se tem esforçado para não se fechar à sociedade civil. Agora não pode ser condenado por encostar a porta em vez de a deixar toda escancarada.
Paulo, António Lacerda Sales fez a principal intervenção política no chamado caso das gémeas?
É, o ex-secretário de Estado é, de facto, quem aparece como principal protagonista da interferência política no assunto. Bom, em linguagem corrente, foi ele basicamente o autor da cunha, que permitiu que as meninas furassem a fila e tivessem um tratamento de privilégio no que toca à rapidez com que tudo se passou. É isto que diz o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito que foi aprovado, que reflete as conclusões do PS e do PSD/CDS, e contraria aquela proposta da versão preliminar que tinha sido apresentada pelo Chega e que foi chumbada. As conclusões aprovadas limitam danos no Palácio de Belém. O documento fala de uma intervenção especial da Casa Civil, sem que, diz também o relatório, tenha sido verificada alguma ilegalidade. Tudo, claro, tendo como pivô principal Nuno Rebelo de Sousa, o filho do presidente, que fez aquela triste figura na audição parlamentar. Moral da história: confirma-se o que há muito os dados públicos já indiciavam e mostra que ficar calado à espera que a tempestade passe, como fez Lacerda Sales, pode não levar a lado nenhum, e foi o caso.
Bruno, o bailinho da Madeira vai dar uma volta de 360 graus?
É bem capaz de acontecer, Maria João. E com isso queremos dizer mesmo é 360 graus, que é voltar ao mesmo sítio onde a Madeira estava há uns anos, com maioria absoluta para o PSD. Vejamos os resultados eleitorais de Miguel Albuquerque. Em 2005, conseguiu maioria absoluta com 44%. Em 2019, baixou para 39% e já precisou do apoio do CDS no Parlamento Regional. Em 2023, obteve 43%, em coligação com o CDS, e em 2024, 36% e apenas 19 deputados regionais. Esta semana, os madeirenses voltam às urnas e as sondagens indicam que estarão tentados a dar uma maioria absoluta ao PSD, que será a melhor maneira, pensam os eleitores, de não voltar às urnas tão cedo. Isto para votar nas regionais, bem-entendido.
Claro. De resto, têm o calendário apertado.
Temos todos. E agora é que se vai tirar a limpo aquilo que pesa mais: a erosão, eu diria até natural, do PSD, o único partido que governou a Madeira, ou então o desgaste, também natural, dos madeirenses, que devem pensar que estão dentro daquele filme do feitiço do tempo, que não conseguem sair do mesmo dia. Será que com uma maioria absoluta quebram o feitiço?
Pois, vamos ver. É no domingo. Um pouquinho mais à frente: foi para isto, Paulo, que se fez o 25 de Abril?
Também foi para isto, obviamente. E para isto, para quê? Para ser comemorado, por exemplo, e para que sejamos todos suficientemente adultos a ponto de acharmos normal que o Parlamento possa celebrar a data, como faz anualmente, mesmo depois de ter sido dissolvido, que vai acontecer amanhã ou depois.
Amanhã.
Amanhã. Mesmo depois dessa dissolução do Parlamento e a três semanas de um ato eleitoral. Nem se entende muito bem quais foram as dúvidas que possam ter sido levantadas nos últimos dias dentro dos partidos sobre essa magna questão: como é que vamos fazer a sessão parlamentar do 25 de Abril no próximo mês com o país em campanha eleitoral? Basicamente, fazendo.
Claro.
Não há grandes dúvidas. O PS e o PSD estão de acordo sobre esta normalidade. Vamos ver é se os burocratas da Comissão Nacional de Eleições não levantam questões daquelas que costumam servir apenas para que a própria entidade dê a dada provas de vida. A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.