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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Estamos a dois dias das eleições para os indecisos vão ser decisivos?
É isso mesmo que nos dizem todos os sinais, a começar pelas sondagens. Sabemos que a corrida está renhida, que há empates técnicos que se mantêm. Sabemos também que o número de eleitores que ainda não decidiu o seu voto ou que diz que já decidiu, mas admite mudar até ao dia das eleições, é muito elevado e portanto, este é o campo perfeito para que os indecisos se tornem absolutamente decisivos. É o voto deles que pode causar surpresa no domingo. No fundo, se estes votos se concentrarem todos num sentido ou noutro ou que podem ajudar a alargar vantagens que já existam e que nós ainda não sabemos que existem. Para isso, antes de mais, é preciso que estes eleitores se decidam. Se decidam, antes de mais, a ir votar. E aqui não há desculpas. Hoje o tempo ainda está de chuva, mas as previsões dizem que o sol vai brilhar em quase todo o país no domingo. Depois regressa a chuva na segunda-feira. Parece que há aqui uma pausa eleitoral.
Uma trégua de São Pedro.
Uma trégua, o que é ótimo. E isto vai acontecer para todos os candidatos, mas depois nós sabemos que o sol vai brilhar para alguns e o céu vai estar carregado para outros. Isso é certo. Só ainda não sabemos quais são os que vão brilhar e quais é que são aqueles que se vão molhar, no fundo.
E assim, Bruno, o que é que vai acontecer na segunda-feira?
Bem, se houver resultados definitivos já na segunda-feira, se não houver grandes dúvidas sobre quem passa à segunda volta e se André Ventura for um dos candidatos a passar à segunda volta, então quase de certeza já sabemos quem será o próximo presidente. Será o outro que passar à segunda volta. E isto olhando para as sondagens que dão todas André Ventura derrotado contra qualquer outro dos candidatos na segunda volta. A não ser que aconteça uma surpresa nas semanas até à segunda volta e o adversário de Ventura, seja ele quem for, sofra um percalço de tal maneira grave que elimine o efeito da elevadíssima taxa de rejeição do líder do Chega. E se houver presidente, esta outra pergunta que podemos fazer, se houver presidente, significa que teremos já presidente para os próximos 10 anos ou, como já foi apontado, poderemos ter pela primeira vez um presidente da República a não ser reeleito. Há quem diga que o presidente da República que sair destas eleições sai mais fragilizado ou não com tanta força como os outros presidentes anteriores, que conseguiram todos a reeleição para um segundo mandato. Bem, mas aqui o que interessa não é tanto como se chega lá, mas o chegar lá. O presidente da República numa eleição para o segundo mandato é sempre o mais presidenciável dos candidatos, porque ocupou o cargo, que está no cargo. Portanto, na segunda-feira de manhã, se Ventura tiver passado à segunda volta, é provável que tenhamos presidente para os próximos 10 anos, olhando para a história da nossa democracia.
Ou seja, é mais fácil adivinhar o futuro daqui a cinco anos do que daqui a dois dias, não é, Bruno? É isso que estamos aqui a ver. Mas será que a primeira volta fica mesmo decidida no domingo, Paulo?
É bem possível que não, porque com os candidatos em confrontações muito próximas, como se adivinha, pode acontecer que de facto seja necessária a contagem final, quase final, dos votos à emigração para que, obviamente, haja certeza sobre os vencedores e vencidos. E nós sabemos que os votos emigrantes demoram a chegar, depois demoram muito a contar, são vários dias. Podemos ter uma noite de domingo longa, mas decisiva, isso pode acontecer de facto, ou então os dias que se seguem serão também longos, sobretudo para os candidatos, e o champagne deverá ficar mais algum tempo a refrescar. E quanto mais demorar, mais improviso vai ser necessário, nós sabemos. É muito provável que os emigrantes tenham que votar na segunda volta, que é uma volta disputada a dois candidatos, mas que tenham que votar usando o mesmo boletim de voto atual da primeira volta, que tem 14 nomes, os 11 que de facto concorrem e os três que foram anulados, mas que a incompetência não conseguiu retirar dos papelinhos. Portanto, há uma coisa segura, nós vamos ter animação certa nas próximas três semanas.
Bruno, mudamos agora de tema. Os europeus acordaram agora para a Gronelândia.
Acordámos todos, Maria João, e quem nos acordou aos berros, como é habitual, foi Donald Trump. A ideia de comprar a Gronelândia ou de ocupar a Gronelândia parecia apenas uma daquelas bizarrias de Trump, mas afinal parece que a Europa estava mesmo a ignorar a importância daquele território. A pedido da Dinamarca, sete países europeus vão enviar tropas para a Gronelândia para exercícios militares que visam responder, e isso, atenção, às ameaças russas e chinesas no território. Quem diria? O número de tropas não é impressionante. A França vai enviar, por exemplo, 15 militares, mas os países que anunciaram o envio, além da França, lembram-nos que afinal as coisas podem mesmo ser sérias, porque estão lá a Alemanha e o Reino Unido, por exemplo. Trata-se aqui, obviamente, de uma resposta à pressão de Trump, uma tentativa de a Europa mostrar que tem capacidade para se defender e que se preocupa, de facto, com a defesa. Mas lá está, foi preciso Trump gritar para a Europa acordar.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.