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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta parece que um parecido de errados?

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

Então Bruno, nunca vamos ter regionalização em Portugal?

Parece que não. Já foi assunto, já foi referendada, mas aos poucos foi desaparecendo do mapa das preocupações políticas. Muito de vez em quando lá se ouve falar em regionalização como uma solução possível para as assimetrias de um país que continua tombado para o litoral e que normalmente só se lembra do interior quando há fogos. Os autarcas, através da Associação Nacional de Municípios Portugueses, querem discutir o tema, mas o primeiro-ministro já disse que este não é o tempo da regionalização. Não será nenhuma bala de prata, mas visto que as desigualdades continuam a acentuar-se, também já não mete tanto medo quanto metia há uns anos, quando foi a referendo, que havia aquela ideia que depois era só os caciques espalhados por todo o país. A verdade é que o país continua a ter problemas mesmo sem os supostos caciques gerados pela regionalização. O governo central não quer ouvir falar em regionalização nesta legislatura, diz o Montenegro, só lá para 2029, e quando lá chegarmos, talvez a discussão volte novamente a ser adiada.

Claro, que não nos doa a cabeça daqui até lá.

Até lá, sim. Que venha o aeroporto primeiro, não é?

Exato.

E entretanto, a política contaminou definitivamente o Festival da Canção.

Pois, contaminou, não é? E o resultado está à vista. De facto, a RTP decidiu não alinhar no boicote a Israel, no Festival da Eurovisão, e agora o que temos é um conjunto de artistas portugueses, claro, que concorrem cá ao Festival da Canção, que se recusa a ir à competição internacional, caso vençam a competição nacional, porque é assim que as regras funcionam há muitas décadas. Obviamente, estão no direito deles de não querer ir, ninguém os pode obrigar a ir a um evento que não querem. Bom, mas então por que simplesmente não desistem do festival português? Uma das regras, de facto, é que o vencedor vai representar o país lá fora.

Pois, isso já se calhar é pedido demais.

Pois, se não querem cumprir a regra, é legítimo que não queiram, não participam. É um bocadinho aquele fumar sem inalar.

Do Bill Clinton.

Do Bill Clinton. Neste caso, não parece que seja uma boa solução para a polémica.

E vamos perceber também, no fundo, como é que vai funcionar o televoto, porque há aqui artistas e intérpretes que já disseram que não vão, mas há, por exemplo, os Bandidos do Cante já afirmaram que vão se vencerem. E portanto, isto também pode ter influência depois no televoto, porque se os portugueses quiserem que Portugal seja representado na Eurovisão, podem votar num grupo que tem essa posição.

Ou seja, pode estar a votar sem tudo menos na canção.

Exatamente. E pode perder-se aqui-

O que também acontece com alguma frequência.

Lembrei-me agora da Suzy, "Quero Ser Tua". Enfim, vamos avançar no Festival da Canção.

João, que não sabe sino.

Não sei se se lembram dessa canção, mas pronto, vamos avançar.

Pensava não me lembrar.

Bruno, no Porto constrói-se mais do que no resto do país?

Muito mais, é o conselho com mais pedidos de licenciamento de novas casas, isto de acordo com o Jornal de Notícias. A taxa de conversão do investimento projetado em oferta efetiva é de 75%, quando a média nacional se fica pelos 50%. E nos últimos 10 anos, o Porto licenciou 50,9 fogos por mil habitantes, o que também está bastante acima da média nacional, de 21,9, e também dos conselhos vizinhos de Matosinhos e Gaia. Por si só, também não resolve o problema da habitação, até porque este empenho construtivo significa que é no Porto que o metro quadrado é mais caro. Mas o que mostra é um conselho a trabalhar muito na oferta, que continua a ser o grande problema do mercado de habitação em Portugal. É a falta de oferta. O Porto dá um bom exemplo.

Falando em exemplos, a indústria automóvel alemã já não é o que era?

É, os tempos estão a mudar, e estão a mudar muito depressa. Pela primeira vez em 88 anos, a Volkswagen vai fechar uma fábrica no seu próprio país, na Alemanha. A fábrica de Dresden pode ter a produção suspensa já a partir de amanhã, isto é o que diz o Financial Times. Ora bem, em causa estão 250 postos de trabalho, mas sobretudo o simbolismo desta medida é o que está a ser sublinhado. Há novos concorrentes no mercado global, sobretudo chineses. Há uma nova tecnologia e a transição do combustível para o automóvel elétrico, e o gigante alemão, que aliás é acompanhado nisto por outros fabricantes, sobretudo europeus, não soube ou não pôde adaptar-se a tempo e com a rapidez com que os chineses, por exemplo, estão a entrar no mercado. E obviamente que isto terá impacto na economia europeia e o impacto não será positivo, claro.

Como não quero que vos falte nada, fiz aqui uma referência a uma canção que nos marcou na Eurovisão. Não foi se calhar a nossa melhor prestação neste festival.

Já estou com medo, João.

Mas não conheces a canção da Suzy? "Quero Ser Tua".

Pode ser que agora ouvindo.

Estou a dizer que a nossa produtora Beatriz Canato.

Ouvindo.

E isto é o quê? 2008?

Acho que é depois já. 2014.

Já, depois.

A Beatriz Canato confirmou aqui.

2014?

Uhum. Pronto.

Eu nesse ano estive muito ocupado.

Eu também.

Era só para ter este referimento.

Eu infelizmente lembrava-me disso.

Estava a mudar fralda.

Infelizmente.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta parece que um parecido de errados?

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.