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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.
Paulo Ferreira e Júlio Magalhães. Esta sexta-feira falamos de luz sobre bispos, reformas francesas, dinheiro calmante, mas Paulo, começamos por dúvidas fluviais. Não somos dúvidas quaisquer.
Não, estas são fluviais.
São fluviais.
Exato. E para perguntar quem é que tem razão nesta polémica sobre a Transtejo, é o Tribunal de Contas ou é a administração demissionária?
Os administradores bateram ontem com a porta depois daquele relatório demolidor do Tribunal de Contas.
Demolidor como poucos. É verdade, apresentaram a demissão, mas deixaram claro que as conclusões e essas críticas demolidoras dos juízes são injustas, de acordo com a visão deles, são injustas e infundadas. Primeiro ponto positivo dos administradores: assumiram responsabilidades sem hesitação e apresentaram a demissão. Depois defenderam as opções que tomaram sobre aquela encomenda de navios elétricos e das respetivas baterias e explicaram publicamente todo o processo e toda a racionalidade que seguiram para desenhar o processo dessa forma. Tudo isto é muito raro na nossa administração pública, mas assim é que deve ser feito. Marina Ferreira, ex-presidente, Luís Maia e Ricardo Figueirola, dizem ainda que este caso mostra como é muito difícil fazer inovação na administração pública e eu acho que isto devia fazer-nos pensar.
E nada como dinheiro para resolver os problemas.
Costumamos dizer que dinheiro faz dinheiro, não é?
É, hoje vou fazer de Paulo Ferreira.
Estás um bocadinho crescido para isso, estás um bocadinho alto. Estás bem.
E eu segunda-feira levo biscoitos.
Na segunda-feira-
Faz o três toques.
Faz o três toques, exatamente.
Boa.
Neste caso, acalma os nervos, que era o que eu queria dizer. Não faltam declarações a dizer que a Europa está sólida, que desde 2008 aprendeu com os erros e hoje nada abala o nosso sistema. A verdade é que a falência do banco americano levantou alerta, logo se foi dizer que não havia problema nenhum, mas no dia a seguir o segundo maior banco suíço abanava de novo as estruturas e punha os mercados em estado de alerta. Ontem acalmaram com a injeção de dinheiro do Banco Central Suíço, mas um especialista internacional, ouvi ontem, veio dizer que as consultas que se seguem podem trazer mais cisnes negros. O dinheiro acalmou os nervos dos mercados, mas vamos ver se traz de novo confiança aos investidores nas operações bancárias. Para já, o sistema europeu, garantem, é sólido, mas o melhor mesmo é não termos opiniões definitivas.
Muito prudente, Júlio. E o governo francês vai mesmo conseguir impor o aumento da idade de reforma de 62 para 64 anos?
Pelo menos vai tentar. Ontem aprovou a lei por decreto e assim evita submetê-la a uma votação final à Assembleia Nacional.
O governo Macron utilizou essa possibilidade constitucional de legislar por decreto, evitando assim esse risco de ver a medida chumbada no Parlamento. A primeira-ministra Elisabeth Borne confirmou na Assembleia essa decisão, que já estava nas páginas de jornais quando ela falou, e imediatamente os deputados da esquerda começaram a cantar a Marselhesa, o hino nacional francês, enquanto seguravam cartazes contra o aumento da idade da reforma dos tais 62 para os 64 anos. É um grande teste ao país, que nas últimas semanas assistiu a grandes manifestações nas ruas e a greves contra esta medida. E este é um tema comum à generalidade também dos países europeus, sobretudo aos mais envelhecidos, como Portugal.
E por cá, finalmente, uma decisão discernida do bispo do Porto.
A notícia mais recente é que suspendeu três padres suspeitos.
Ele foi um dos bispos neste processo de abusos sexuais que mais penalizou a Igreja Católica com declarações e tomadas de posição demasiado ligadas ao conservadorismo. Custou-lhe admitir a realidade dos factos, contrariou, hesitou, disse o que não devia, mas parece que finalmente entrou no carril certo. E fez bem, recebeu os nomes, fez a avaliação e a respetiva investigação. Creio que terá ouvido os visados e tomou a decisão que se impõe: afastar os padres suspeitos e deixar que o que se segue decida quem é quem neste processo, o que fez, o que não tem responsabilidades e a que se deve sujeitar no futuro depois de todas as conclusões. Andou bem desta vez o bispo do Porto ou, como se costuma dizer, acertou o passo.
Júlio Magalhães e Paulo Ferreira com as perguntas que marcam a atualidade.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.