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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.

Então, Ibastava.

Até quando é que nos vamos rir com este indicativo?

Ainda é novidade.

Ainda é novidade. Estamos contentes com este indicativo e também com uma taxa para a esquerda perder agora alguns argumentos. Era isso que bastava.

É verdade, basta uma taxa às vezes. Depende da taxa, como é evidente, neste caso estamos a falar da taxa sobre os lucros extraordinários das empresas de energia, que o governo vai reativar. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, fez esse anúncio e promete taxar de forma especial os ditos lucros extraordinários, seja lá o que isso for. Isto à semelhança do que aconteceu em 2022, na altura pela mão do governo socialista e quando houve outro surto inflacionista decorrente da guerra da Ucrânia, em que também houve uma subida dos preços da energia. Ainda não há detalhes agora sobre esta nova taxa, que o governo diz que vai aperfeiçoar. Ora bem, no caso de 2022, este mecanismo terá rendido pouco, não há uma divulgação da sua receita, e foi apenas a Galp que pagou essa taxa em Portugal. Mas o objetivo primário também disto não é conseguir aumentar a receita fiscal, é antes, se quisermos, um movimento mais político para distribuir esforços numa altura em que os consumidores pagam mais pelo combustível e por outros produtos. E no fundo, também há aqui uma inteligência da parte do governo, retira aqueles argumentos sobre o grande capital que lucra com os preços mais elevados, digamos que desarmadilha um bocadinho aquilo que é o discurso corrente dos partidos mais à esquerda.

E vamos ter um SIRESP novinho em folha?

Novinho em folha. Pelo menos temos esse anúncio novinho em folha. O anúncio está feito, sobre a renovação de SIRESP. Agora, se o anúncio vai ou não resolver os problemas, vamos ter que esperar. E vamos ter que esperar sentados, porque estas coisas demoram. O governo apresentou ontem o seu plano com base em mais um grupo de trabalho. E preparem-se, é que vão ser 10 anos, isto não está ali ao virar da esquina, vai custar 800 milhões de euros para ter a tal rede de comunicações de emergência do Estado que funcione quando dela precisamos, que por regra é quando as outras comunicações falham, em situações de emergência, de incêndios, tempestades e por aí fora. Esta vai ser mais uma tentativa, mais uma das feitas nos últimos anos. Já se investiu, já se nacionalizou a rede, porque o problema eram os privados, já se fizeram mais estudos e grupos de trabalho. Enfim, já se tiveram planos. Vamos ver se é desta que a coisa funciona. Daqui a 10 anos cá estaremos para dar conta disso.

Vamos. E afinal, ainda não sabíamos a extensão do que se passa ou do que se passava na esquadra do Rato.

É verdade, não sabíamos. Ontem ficámos a saber mais, é evidente, e o que vamos sabendo é muito perturbador. Ontem foram detidas mais de 16 pessoas, 15 polícias e um civil, a suspeita são tortura praticadas na esquadra lisboeta do Rato. E já antes tinham sido detidos nove agentes sob a mesma suspeita. É muita gente, são 25 pessoas, 24 dos quais agentes da polícia. Vinte e cinco pessoas envolvidas, a saber, uns a praticar, outros a saber. Estamos a falar aqui de crimes hediondos praticados sobre pessoas indefesas, na maioria toxicodependentes, estrangeiros, sem-abrigo, e algum tipo de suspeitas de crimes horríveis mesmo. Trata-se de tortura, violação, abuso de poder. Muitas agressões eram filmadas e partilhadas, o que também diz da forma como estas pessoas olhavam para estas práticas. Lá está, não estamos a falar apenas de duas ou três maçãs podres, como se costuma dizer, que contaminam. É muita gente que sabia disto. Há ali pelo menos um pacto de silêncio. E o único aspecto que nos dá esperança nestas coisas é que as próprias autoridades atuam, mesmo quando se trata dos seus pares e o anúncio feito ontem pelo ministro da Administração Interna, também pode levar a dar alguma tranquilidade sobre o funcionamento da justiça.

Sobre a tolerância zero que foi aqui afirmada.

A tolerância zero. Mas, de resto, a dimensão disto, de facto, é muito assustadora.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.