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Todas as semanas temos uma edição extra do "Aprender a Comer" aqui na Rádio Observador, com a nutricionista Mariana Chaves a responder a dúvidas de nutrição dos nossos ouvintes. Mariana, a Margarida tem uma dúvida que vamos tentar esclarecer no episódio desta semana: comer pêssego ou nectarina é igual? Algum deles é mais saudável que o outro? É a pergunta da Margarida.
É a pergunta.
Mas eu também tenho esta dúvida.
Do ponto de vista nutricional, são muito parecidas. Aliás, a nectarina é um tipo de pêssego. Isto é importante dizer.
Às vezes até é difícil de distinguir, não é? Na bancada.
Exato. Por fora não tem aquela pelugem, é uma pele mais lisa.
É um pêssego careca.
É um pêssego careca. Mas é verdade, aqui eu acho que depois há o conceito de que de repente são todos diferentes. Tens o pêssego amarelo, tens o pêssego peludo, tens a nectarina, tens o pêssego paraguaio.
Gosto muito dos paraguaios, são aqueles mais achatados.
Mais achatados. Tens o pêssego rosa também. E dentro do paraguaio tens o rosa e tens o normal.
Bem, aí já me perdi.
Tens uma variedade enorme de pêssegos, fruta da época. E aqui a verdade é que a principal diferença entre o pêssego e a nectarina resulta de uma característica genética. Ou seja, que faz com que haja diferença na pele, lisa ou aveludada. Portanto, olhando para os nutrientes, até porque temos que pensar, também há uma diferença aqui pequena, que é em tamanho. Em regra, o pêssego é ligeiramente superior, maior do que a nectarina. Pronto. Mas depois, as comparações que nós temos em tabelas de nutrientes e minerais, as diferenças são mínimas. Eu vou claro dizê-las, mas só para dizer que é muito semelhante. Portanto, se estamos a falar de um pêssego de 150 g, mais ou menos, terá cerca de 63 calorias e 2,3 g de fibra, enquanto que uma nectarina terá 55 calorias e 2,1 g de fibra.
Não é muito significativo.
É igual, exatamente. Hidratos de carbono e açúcares iguais. Portanto, nunca escolheria por aí a diferença.
As calorias. Não é pelas calorias que são diferentes.
Nem pela fibra. Acho que olhamos para elas e temos que pensar o que é que nos apetece no momento.
A nectarina é mais doce?
Olha, pode parecer mais doce, eu concordo. Não quer dizer que tenha mais açúcar, porque a nutricionista ao dizer isto, "mais doce", vem logo esta conclusão de que teria mais açúcar. Não. A nectarina parece ligeiramente até ter um bocadinho, nada menos, de açúcar do que o pêssego, mas o que eu acho é que nós sentimos como mais doce, dependendo, primeiro que tudo, de se está mais madura ou não. E depois também tem a ver com a acidez, que acho que a nectarina tem tendência a não ser tão ácida. E uma fruta menos ácida pode nos fazer parecer que é mais doce, mas tendo praticamente a mesma quantidade de açúcar. Ou seja, a acidez é que vai aqui dar o ar da sua graça, que nos faz pensar em mais doce. Ou seja, a ausência de acidez, faz-nos pensar em mais doce. Isto é um bom exemplo de como o nosso paladar nem sempre funciona como uma tabela nutricional.
Não é assim líquido.
As pessoas muitas vezes dizem: "Porque eu sinto, porque eu sei, porque me soube".
Mas o paladar engana-nos.
O paladar pode nos enganar. Este é um bom exemplo de como o nosso paladar nem sempre funciona como uma tabela nutricional. Eu acho que isto é muito importante as pessoas entenderem. Agora, também é um exemplo de que o nosso paladar pode ser afetado por outras coisas que não o sabor doce, como, por exemplo, a acidez.
E influenciar nessa sensação.
Totalmente. Portanto, quando nós dizemos: "Eu estou viciado no sabor doce" e que está um bocadinho de sumo de limão em cima. Se calhar, nós vamos conseguindo dessensibilizar a nossa sensação de doce. Vai-nos saber um bocadinho menos doce porque está ácido, mas isso pode ser um bom caminho.
Vamos então olhar aqui um bocadinho para as vitaminas. Algum deles tem mais vitamina, a nectarina ou o pêssego?
Vamos tentar encontrar aqui alguma coisa. Os pêssegos, na comparação, têm ligeiramente mais vitamina C e vitamina E, e a nectarina tem um pouco mais de vitamina A. Ainda assim, estamos a falar de uma informação totalmente genérica. Por quê? Porque, como eu disse há pouco, pêssegos há imensos.
E varia, se calhar, de qualidade para qualidade.
Eu não consegui encontrar especificações sobre o pêssego amarelo, o outro, o que estávamos a falar, aveludado, o paraguaio, muito menos, que esse não há quase informação, e sobre o rosa. Portanto, eu acho que estamos a falar de diferenças tão pequeninas, que não faz sentido pensar: "Eu hoje preciso de vitamina C, então obrigatoriamente eu tenho que escolher o pêssego X". A mensagem tem que ser: escolha aquele que gosta mais. Acho que é ótimo escolhermos pêssego nesta altura do ano, que é a altura da época do pêssego, e até podemos deixar algum congelado para outras alturas para matar a saudade. Mas a mensagem é essa, o pêssego é um alimento saudável, supersaudável.
Então podemos trocar um pelo outro sem qualquer preocupação, pelo menos com as vitaminas.
Exatamente. Seja no pequeno-almoço, seja na sobremesa, acho que é totalmente isso. Acho que a diferença mais prática até para a culinária, porque isto nós dizíamos, era não só o tamanho, mas também o fato de ser mais firme. E o outro pêssego tem tendência a ser mais macio ou mais mole, vai se desfazer um bocadinho mais. Portanto, se calhar nas sobremesas e nos iogurtes pode fazer diferença, mas eu acho que seria mesmo por aqui. E é ótimo para nós trazermos como snack, para juntar num iogurte, para fazer um crumble. Fica aqui as ideias, um sumo, para comer mais verdes num sumo e poder pôr o pêssego, que é mais doce, fazer um gelado caseiro com banana madura.
Já agora, o pêssego tem alguma particularidade em relação ao intestino? Há aqui evidências científicas do seu impacto neste órgão?
Tanto o pêssego como a nectarina são frutas que normalmente comemos com casca. E com isso nós conseguimos aproveitar melhor a fibra que existe nesse alimento. Aliás, nós fizemos um programa só sobre o impacto do pêssego no intestino, chama-se "Será o pêssego bom para um intestino feliz?" Podem ir ouvi-lo e aproveitar para aprofundar um bocadinho mais sobre isto, em que nós falamos dos tipos de fibra que encontramos no pêssego, que não é só um tipo de fibra, mas também o facto de às vezes alguns tipos de fibra e alguns tipos de açúcares podem fermentar um bocadinho mais no intestino para quem é mais sensível. Mas eu diria que é sempre um alimento bom para o nosso intestino, sempre saudável, apesar que não tem o mesmo impacto de comer ameixas, que é onde nós temos mais evidência, nas ameixas secas, também pelo tipo de fibra que têm. Mas há uma questão aqui também muito prática, que é importante terem atenção, que é a quantidade, que temos que falar sobre isto. Porque nós quando falamos que uma porção de fruta é o limite da quantidade de fruta que devemos ter numa refeição, isso acho que já falámos aqui várias vezes. No que toca a um pêssego, às vezes há pêssegos que são demasiado grandes, vamos dizer assim. A referência tem que ser a bola de ténis, e há muitos pêssegos que são superiores.
São mais.
E como dizia, os pêssegos, que há de vir a época deles. Também é importante nós pensarmos não só nas variedades de pêssego, mas também no tamanho do pêssego, para que estejamos a cumprir as quantidades que precisamos. Claro que está que uma criança pequenina, que tem uma mão mais pequenina, como já falámos aqui das quantidades referentes à mão, vai ter umas necessidades de pêssego que se calhar um bocadinho mais pequenas do que um homem com 1,80 m de altura. Nós damos uma referência para a população em geral da bola de ténis, mas isto é ajustável às necessidades de cada um e se calhar o homem de 1,80 m pode comer o pêssego inteiro e a criança vai ter que partir ao meio.
E aquele mito do pêssego e a água? Até acho que já falámos disto no "Aprender a Comer". É mito, não é?
É mito.
Até porque grande parte do pêssego é água.
É água.
Eu não me lembro se era beber água depois de um pêssego.
Não, era mais sobre a melancia.
Também é.
Exatamente, mas não há qualquer tema. Bebam antes, durante, depois, está ótimo. É como dizes, grande parte do pêssego é água.
Claro. Pêssego e nectarinas são nutricionalmente muito semelhantes. Já aqui percebemos, ótimos também por serem da época nesta altura e estarem com boa qualidade. Deixaste aqui uma coisa que me deixou curioso, de facto, cortá-lo aos bocadinhos e congelá-lo pode ser uma boa solução para depois, na época em que não estejam tão bons, a gente os possa usar nas nossas receitas. Pêssego ou nectarina foi a pergunta que a Margarida enviou à Mariana Chaves. Envie também as suas: marianachaves@observador.pt. Uma vez por semana aqui no "Aprender a Comer", esclarecemos os nossos ouvintes. Até para a semana, Mariana.
Até para a semana, Nelson.