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Começa agora mais uma Boa Moeda, Má Moeda, sempre com o Paulo Ferrari. Paulo, as tentativas de fraude online são cada vez mais elaboradas.
Elaboradas, mais sofisticadas.
Enganadoras. Fizeste o gestinho com as mãos, com os dedos. Mais maquiavélicas.
É João Mãozinhas, bem conhecido no reino dos moleantes.
Oh, meu Deus!
Pois, vamos lá ver o que é que os moleantes-
Toda uma reputação para a água abaixo que uma pessoa anda a construir.
É verdade.
Em segundos.
Este alerta veio ontem do Ministério Público, precisamente, que lança o alerta: cuidado com o phishing. Phishing é o nome que se dá a uma técnica de, de facto, através de meios eletrónicos, levar as pessoas a clicar num link, a ir para um site, que depois acaba por partilhar dados de acesso, neste caso, a contas bancárias. E sobretudo, cuidado com isto, se são clientes da Caixa Geral de Depósitos.
É, é um TFX.
Exatamente. O Ministério Público alertou precisamente ontem que está em curso uma campanha, uma ação de apropriação indevida dos dados de acesso de clientes da Caixa Geral de Depósitos. Esta campanha foi identificada já no início de 2024, portanto já lá vão umas semanas, mas as autoridades dizem agora que aumentou nos últimos dias, também nas últimas semanas. E então o gabinete de cibercrime da PGR, da Procuradoria-Geral da República, divulgou ontem uma nota, o que também não é vulgar, haver notas sobre este tema da PGR, e explica como é que estas tentativas estão a ser feitas. Passa pelo envio indiscriminado de mensagens SMS ou por WhatsApp, nas quais são reportados falsos problemas de segurança ou incidentes na conta bancária. Portanto, alertam o cliente: há um problema de segurança na sua conta, e exigem a verificação por parte do cliente. As mensagens depois contêm um link, como é evidente. As pessoas são levadas a clicar nesse link para aceder online à conta bancária, mas que, na verdade, estão a encaminhar o cliente bancário, neste caso, para uma página falsa que usa elementos e o grafismo habituais da Caixa Geral de Depósitos. Portanto, quando lá chegam, as pessoas pensam que estão, de facto, perante o site da própria Caixa ou o home banking da própria Caixa. Isto também funciona através de links que estão em anúncios falsos, que estão disponíveis em motores de busca na internet. E o Ministério Público diz que esta nova campanha é uma iniciativa, de facto, de engenharia social mais agressiva. Engenharia social é como se chama este tipo de práticas.
Engenharia social.
Engenharia social. Levar muita gente a determinado tipo de ações ou de comportamentos através das redes sociais. E o Ministério Público diz que isto é mais agressivo, pretende gerar efeitos imediatos, lucros ilícitos muito altos também, com prejuízo das vítimas, como é evidente, porque além de sites fraudulentos especificamente desenhados para computadores, isto é, páginas de internet normais, eles criaram também, neste esquema, igualmente sites construídos para serem abertos em telemóveis e que simulam o aspecto visual da app móvel da Caixa.
Cada vez mais sofisticado.
Exatamente. Já é um outro nível, de facto, de sofisticação e tentativa de engano dos clientes.
São as tais mãozinhas, mas não às minhas.
As mãozinhas, neste caso, para bater código.
Pois, é.
Para eles construírem, de facto, este tipo de sites ou, neste caso, para simular a app. Todas imitam a aparência da Caixa aos olhos do utilizador. Diz o Ministério Público, parece que quem a ori, está perante a aplicação da própria Caixa para telemóvel. E desta forma, os criminosos pretendem, de facto, induzir as vítimas a passar-lhes as credenciais e o acesso às contas bancárias. Depois, esta fraude tem outras camadas também. Com o objetivo de transferirem dinheiro para outra conta após obterem as credenciais de acesso, os autores destes esquemas abordam ainda as vítimas depois por telefone, para acederem ao código de autenticação que habitualmente é exigido para a confirmação de algumas operações, como transferências bancárias, por exemplo, e fazem crer que estão ligados à segurança informática do banco e que têm conhecimento dos últimos movimentos da conta. Dizem à vítima que foi detetada uma transferência significativa ou voltada de suspeita a partir daquela conta e pedem à vítima, obviamente, que confirme a autenticidade dessa transferência. Eles sabem, obviamente, a partir daqui, que essa transferência não existiu e perante esta informação, o cliente bancário nega, de facto, ter feito essa transferência.
E fica preocupado.
E pede o cancelamento imediato dessa transferência, fica preocupado.
E é aí que começa a passar toda a informação.
Exatamente. Quem está do outro lado diz que só podem cancelar, os criminosos só podem cancelar essa transferência por conversação telefónica e, obviamente, passando para eles o código de autenticação que a vítima vai receber por SMS e por aí fora. E, portanto, há aqui várias camadas.
Olha.
E conselhos: ignorar e apagar as mensagens que chegam do banco. Os bancos não fazem isto, os bancos não mandam SMS, não mandam mensagens a pedir para as pessoas verificarem a conta ou alterarem os dados de acesso e por aí fora. Avaliar sempre os casos de telefonemas que serão alegadamente oriundos dos bancos, seja gestor de conta, área de segurança e por aí fora. Neste caso, o melhor é pedir um contacto e ligar de volta, dizer: "Dê-me um contacto que eu ligo de volta". E partir sempre do princípio de que os bancos não contactam os clientes a pedir estes dados e, em caso de dúvida, sempre contactar o banco. Um contacto que se conheça lá, sem fazer nada, sobretudo sem clicar em links ou preencher dados ou passar dados. Portanto, a sofisticação é cada vez maior.
E a atenção tem que ser cada vez maior. Bandidagem.
Sem dúvida. Bandidagem, moleantes.