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Boa Moeda de Investimento, todas as semanas com Pedro Lino. Pedro, bom dia, mais uma vez. Cá estamos. Vamos olhar aqui para um tema hoje que é a criação de um fundo de emergência. Estamos a falar de finanças pessoais, portanto, a título individual ou familiar, se quisermos. Cria-se um fundo para fazer face àquilo que são as despesas imprevistas. Para que serve e como é que deve estar investido este fundo?

Bom dia, Paulo. Bom dia a todos os que nos ouvem. O fundo de emergência é o primeiro passo pra liberdade financeira. Se não criamos um fundo de emergência, não vale a pena estarmos a pensar a longo prazo. E o que é o fundo de emergência? O fundo de emergência é uma poupança que nós vamos criando, pode ser mensalmente. Aliás, eu acho que quando recebemos o ordenado, a primeira coisa que podemos fazer é pôr pelo menos 10, ou há quem defenda 20%, mas vamos começar devagarinho. 10% do ordenado numa conta à parte, porque o dinheiro que não se vê é o dinheiro que não se gasta.

Logo à cabeça, não é?

Logo à cabeça. O ordenado cai, ter logo um débito direto ou um plano de investimento, fazer o dinheiro sair, porque se ele não estiver, nós seguramente já não o gastamos. E é o quê? Trata-se de constituir uma reserva financeira que nos dá, depois, liberdade para que em momentos de estresse, em momentos de despesas que nós não estávamos a calcular, ou no caso de perder o emprego, ou necessidade até de mudar de emprego, despesas médicas, às vezes até para divorciar é preciso dinheiro.

Claro.

Porque, lá está, às vezes há famílias que não se separam porque não há dinheiro pra pagar dois contadores d'água, duas de eletricidade, duas rendas, etc. Por isso, esta reserva financeira é o primeiro passo para podermos pensar no futuro e depois no investimento. E deve ser uma prioridade, porque deve ser aquela que deve sair primeiro do nosso ordenado, que é pagar-nos a nós próprios pra garantirmos uma segurança no futuro.

Certo. Portanto, vamos criando este fundo então. Agora, o dinheiro está onde? Está numa conta bancária, há pouco disseste. Temos um débito direto automático, vamos imaginar que nos tira o dinheiro da conta à ordem, onde cai o nosso ordenado, e o coloca logo numa conta ao lado.

Ao lado.

Uma conta poupança. Este dinheiro deve estar onde? Em contas poupança bancárias, algum tipo de instrumento?

Não, esse dinheiro tem que estar em instrumentos financeiros líquidos. O que é que isso quer dizer? Que possam ser desmobilizáveis rapidamente e que possa ser acessível, no máximo, em um, dois dias, e que eu possa poder utilizar, porque pode ser pra emergências.

O tal conceito do fundo é isso, não é? Um fundo de emergência para tal despesa inesperada.

Exatamente. Se por acaso até há famílias que podem usar o cartão de crédito durante um ou dois dias enquanto desmobilizam, mas o cartão de crédito não deve ser utilizado como dívida, mas sim como recurso enquanto não é desmobilizado. Por exemplo, um certificado de aforro pode demorar alguns dias até estar creditado na conta, mas o cartão de crédito nunca deve ser usado nestas situações.

Porque tem juros altíssimos.

Porque tem juros altíssimos.

Na casa dos 20%, 18, 20%, alguns até mais.

Eu uso o cartão de crédito, mas pago 100% ao fim do mês, porque eu não vou pagar juros ao banco. Nem pensar. Aliás, se há uma coisa que nunca se pode fazer é ficar a dever cartão de crédito ao banco, porque é o juro mais alto e é isso que eles querem que fiquemos a dever. Nem pensar.

A margem deles é muito maior.

A margem deles é muito maior. Então onde é que deve estar esse dinheiro? Pode ficar em contas de depósito a prazo remuneradas. As contas à ordem, infelizmente, já não há contas remuneradas ou elas são raras, mas contas poupança remuneradas. Os certificados de tesouro, os certificados de aforro, algumas séries que têm um prazo de desmobilização. Por isso, o que eu aconselho, por exemplo, é quando chegarmos a um fundo de emergência de pelo menos seis meses de gastos fixos, porque também temos que falar sobre isso, é quanto é que é um fundo de emergência, mas quando chegarmos a esse prazo, a esses montantes, poder dividir e fazer: este mês faço um certificado de aforro, ora se isto tem um período de três meses de desmobilização, dentro de três meses faço outro, porque assim tenho sempre montantes que já estão disponíveis.

Que pode disponibilizar sem perder rendimento.

Exatamente. Fundos de mercado monetário. O que é que são fundos de mercado monetário? São fundos que investem em obrigações de muito curto prazo ou então em títulos de participação. São dívida de empresas com muito curto prazo.

Objeto de tesouro, até.

Objeto de tesouro.

Que são dívida pública de três, seis e 12 meses.

Exatamente, e que tem muita liquidez. Só houve um dia em 2008, quando foi a crise do Lehman Brothers, em que esses fundos baixaram ligeiramente, mas depois voltaram a recuperar. Ou seja, são fundos que acompanham normalmente a taxa do BCE ou a taxa da Reserva Federal americana, e por isso são de baixíssimo risco. Mas é mais do que isto. Mas há uma questão que acho que também devemos abordar, que é onde é que o fundo de emergência não pode estar investido. E não pode estar investido em produtos de risco, nomeadamente em ações, fundos de ações, PPRs de ações, criptomoedas, fundos imobiliários, que muitas vezes têm períodos de desmobilização de dois ou três meses ou seis meses, dependendo dos montantes.

Isto é, a partir do momento em que precisamos do dinheiro, demoramos esse prazo até conseguir sair do produto e ter o dinheiro de volta.

Exatamente. Por isso, quando se subscreve algum fundo, tem que saber se ele é desmobilizável ou não, tal como um depósito a prazo. Se eu posso desmobilizar com perda total de juros, perda parcial, isso tudo tem que ser negociado, porque às vezes há depósitos que até pagam ligeiramente menos, mas eu fico com 100% dos juros. Outros que pagam um bocadinho mais, mas se eu precisar de uma parte, até posso perder a totalidade.

Portanto, é preciso ler as letras pequenas.

É preciso ler as letras pequenas, isso é. Mas este fundo de emergência tem que estar em produtos de baixíssimo risco.

Muito bem.

E agora temos que ver quanto é que é.

Exato.

Quanto é que é o fundo de emergência. E aqui também a doutrina diverge. Há quem defenda três meses, seis meses ou 12 meses.

De despesas fixas.

De despesas fixas, exatamente. Se eu tiver despesas fixas com renda, água, eletricidade e alimentação, por exemplo, 1.000 € por mês, então se adotáramos os seis meses, tínhamos que ter 6.000 € de parte. Ora, eu recordo um pouco da pandemia, e da pandemia se calhar até precisávamos um pouco mais, porque foi um período de estresse. Eu acho que as famílias, se tiverem 12 meses, não perdem nada, desde que façam esta gestão de não ter o dinheiro em depósitos à ordem, porque o depósito à ordem é mesmo...

Não rende nada.

Não rende nada.

O que significa que os meses vão passando e a inflação lentamente vai comendo o dinheiro.

E a inflação vai comendo aquilo. E depois, este dinheiro deve estar, se por exemplo, 1.000 € a 12 meses são 12 mil, devemos dividi-lo em certificados de aforro, depósitos a prazo, e fazer essa gestão. Ou seja, o dinheiro não pode estar ali completamente parado.

Porque parado, lá está, a prazo, a inflação leva e, portanto, tem que ter rendimento.

Exatamente. E já agora, só um último ponto: todos os anos esse fundo de emergência devia ser atualizado, porque todos os anos temos aumentos de inflação, aumentos da renda, aumentos de eletricidade e água, por isso não é um valor estático. Ele deve acompanhar o aumento também das nossas despesas.

Muito bem, ficam aqui as dicas então para o fundo de emergência, quanto é que deve ter e onde é que deve estar investido. Todas as semanas com o Pedro Lino olhamos então para os investimentos no Boa Moeda Investimento. Voltamos na próxima semana. Até lá.

Obrigado, Paulo. Obrigado a todos.