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Paulo, hoje começamos pelas regras para a concessão de crédito. Há mudanças e estão confirmadas.

Estão confirmadas. Já falamos disso aqui há uns dias, quando era ainda um projeto do Banco de Portugal, não se conheciam detalhes, e foi ontem confirmado, de facto, que vai ser reduzida de 50% para 45% a taxa de esforço pedida aos clientes bancários na concessão de crédito. O que isso significa? Que há uma parte de pessoas que neste momento ainda consegue comprar aquela casa daquele preço, obter o crédito em função dos seus rendimentos, que vai deixar de o fazer quando as novas regras entrarem em vigor. Estamos a falar daquelas pessoas entre os 45% e os 50%. Ou seja, até agora os bancos fazem as contas, e atenção que estas contas já são feitas testando um ponto e meio da Euribor acima do montante atual, do valor a que ela está agora, precisamente para prevenir que, se no futuro o juro subir a esse ponto e meio, que aquela família ou aquela pessoa continue a conseguir pagar, a suportar. E as contas que são feitas nessas condições é o montante desse encargo versus o rendimento mensal. Não pode ser mais de metade, os 50%.

Agora tem que ser menos de metade. Passa a ser menos de metade.

Exatamente, passam a ser só 45%. Significa que as pessoas que caem aí ou não podem contrair aquele crédito, ou então têm que ir à procura de uma casa mais barata, que no fundo encaixe nos seus rendimentos. Isto foi confirmado ontem pelo governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira. Ele considera também que há um risco de correção, e vou citar a expressão, de correção dos preços do imobiliário residencial. Ou seja, aquilo que para muita gente e para o mercado de uma forma genérica, seria uma coisa boa, que é a queda de preços de casas, para o Banco de Portugal é um risco, como é evidente. O Banco de Portugal tem que zelar pela estabilidade do sistema financeiro. Sabemos que as casas são a garantia dos bancos, na generalidade dos empréstimos à habitação, e se houver uma queda, sobretudo se for forte e acelerada, dos preços da habitação, aquilo que é o valor das garantias dos bancos também cai. Isso põe em causa ou pode pôr em causa a solidez do balanço dos bancos, como é evidente. Ele considera isso um risco, que no fundo é um alerta também, pode vir aí uma queda de preços do imobiliário de habitação. Vamos ver agora o que é que o mercado diz, mas para já, regras mais apertadas no crédito vão entrar em vigor proximamente.

Por falar em regras, há novas para a carta de condução. Isto interessa-nos, Paulo. Nós qualquer dia temos que fazer outro exame.

Tem que fazer outro.

Não me digas que agora a Farinha Amparo volta a estar licenciada para dar cartas de condução.

Não, não volta. Não volta, mas há aqui uma-

Há tantos que parecem

...há aqui uma simplificação e o diploma já foi. Exato. Eu tenho uma posição sobre isso que é muito pouco democrática, mas é melhor nem falar disso.

Diz, Paulo, partilha.

Não, eu acho que o direito universal à carta de condução é um risco.

Bem, há mesmo. Eu tenho um caso próximo.

Eu também não estou habilitado a uma série de coisas.

Tem duas mãos esquerdas. Dois pés esquerdos, duas mãos esquerdas.

É isso. Acho que às vezes devia ser feito um teste, para além do teste de condução, que é a habilidade das pessoas se desenrascarem.

Completamente.

Só porque em defesa das próprias, atenção, e de quem viaja com elas. Mas adiante. Novas regras, decreto do governo promulgado pelo Presidente da República. Vai passar a existir um regime que permite aprender a conduzir com um tutor, em alternativa àquela que é a única forma neste momento, que é a escola de condução, aulas práticas na escola de condução. Esses tutores têm que ter, pelo menos, 10 anos de carta de condução, ou seja, qualquer um de nós aqui pode ser tutor.

Mas depois quem é que fiscaliza?

Obviamente que há um exame. Atenção, estamos só a falar das aulas.

É como ensino doméstico. Se calhar tem mais dificuldades ainda. Bom, a confeção se calhar não é difícil, mas a ideia é que vais prestar provas se corresponderes.

Exato. O exame é igual para todos, é evidente. Quer tenhas tido aulas de condução tradicionais numa escola de condução. Aqui há tempos ainda se usava simulador.

Sim, eu fiz uma parte da minha carta com simulador.

Com simuladores, sim.

Não recomendo.

Tu também fizeste com simulador? Havia?

Havia.

Pensei que isso era uma coisa mais recente. Se calhar os simuladores não eram tão finos como são agora.

Mas ó Paulo, e depois como é que se tem noção se fizeste aquele X número de aulas?

Não interessa.

Não interessa? Tu é que te propões a exame.

Tu pões-te a exame e tens que ser tão hábil no exame como os outros. O que conta aqui é o exame, não conta como é que tu aprendeste a conduzir. Se sabes estacionar, se não sabes estacionar.

Se conheces os sinais de trânsito, as regras, as prioridades.

Atenção que isto é só para a condução, não é para o código. Estamos a falar só das lições de condução.

De condução. O código tens de ir às aulas.

Eu omito-me sobre isso. Em princípio, o exame de código mantém-se. São esses 10 anos de carta de condução. Depois há o exame de condução também. E aqui o candidato, antes de realizar o exame de condução, que é esse que define se ele vai ter a carta ou não, pode realizar um teste de aferição na escola de condução. No fundo, antes de se preparar o exame, vai lá ver se está ok. Não é obrigatório isto, é uma opção do candidato. Se não o fizer e se reprovar, só pode repetir o exame após quatro meses.

Eu estou a imaginar os instrutores, os instrutores não, depois os avaliadores.

Os avaliadores, os examinadores. Vamos ver. Obviamente que a Associação das Escolas de Condução já protestou em alguma coisa contra isto, porque é negócio.

E não é consensual.

Não é consensual, mas aqui o que conta, de facto, é: as pessoas estão ou não habilitadas a conduzir.

E devem ou não ter um disticozinho na parte de atrás: "Atenção que eu aprendi a conduzir em casa".

Outro dia, ia na A5 e vi à frente um carro que tinha uma folha, tipo um A3, na parte de trás do carro a dizer: "Recém encartada".

"Tenha paciência".

"Não buzine" ou qualquer coisa do género.

"Be kind", uma coisa assim, "estou em modo pânico".

Acho muito bem. É verdade, os primeiros tempos são péssimos.

Foi muito engraçado.