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Começa agora mais um Boa Moeda, Má Moeda, sempre com o Paulo Ferreira. Paulo, as férias estão à porta, como é que estamos de preços?

Preparem-se para gastar um bocadinho mais estas férias. Mais do que aquilo que é suposto com a inflação nos 3,3%, é esse o valor de referência de média de subida de preços e serviços. Mas se olharmos aqui para algumas classes que têm a ver com férias, o aumento de preços do último ano foi maior. Estamos reportados aos dados do INE referentes a maio, portanto são muito fresquinhos. Estamos sempre a falar do aumento homólogo de maio para maio. Férias organizadas, mais 6,7%. Os pacotes de agência, se quisermos.

Com avião, estadia, não é?

Exatamente, isso tudo. Restaurantes e cafés, 6,5% também de aumento, hotéis mais 6%. Estamos aqui muito na casa dos 6%.

Portanto a duplicar a inflação.

A duplicar aquilo que é a inflação média. Aluguer de automóveis mais 10%, mais caros.

Mais 10%?

Uhum. Mais caros.

É ano e meio de férias.

E os combustíveis, nós sabemos.

Em casa estamos a pagar e a eletricidade também está cara.

Os combustíveis nós sabemos, 30%. Mas no caso dos combustíveis, a volatilidade é muito grande, daqui a um mês podemos estar a falar de uma coisa um bocado diferente. Vamos ver o que acontece ao preço do petróleo. Tudo aquilo que tem diretamente a ver com férias passadas, obviamente, fora de casa, está a subir. Há aqui uma exceção importante, que é o transporte de avião. Viagens de avião, em média, estão mais baratas 4%, mais baratas mesmo, portanto queda de preço de 4%, sendo que as nacionais menos 10% e as internacionais menos 2%. Depois há aqui uma média ponderada de 4%. Se fizerem férias e se quiserem pagar menos, vão de avião. Não vão de carro, vão de avião. Se quiserem ir para o Alentejo, o aeroporto em Beja.

Porto Covo, é isso? Comporta?

O Aeroporto Internacional de Porto Covo.

Porto Covo, claro, ou então vai até Beja, depois de automóvel é logo ali.

Subidinho, vai de bicicleta.

Claro.

E daqui pra Cacavels também fica muito em conta.

É este o panorama.

Ficamos no Aeródromo de Tires.

Já agora, fora das férias, sabemos que além dos combustíveis, há outras classes, nomeadamente os produtos frescos, que têm subido também na casa dos 30%. Peixe também, no último ano.

A sardinha.

Sardinha está mais cara este ano.

Ainda não comi sardinhas.

Ainda não comeu sardinhas?

Só ver isso. Sempre que chego ao Chile, “ah, já acabou, isso são uma loucura hoje”. Todos os dias não é uma loucura?

Não, é que agora já estamos aqui a 18 de junho, já é uma competição entre o que vai acontecer primeiro, se comer sardinhas ou entregar as declarações do IRS. Não te esqueças que é no fim deste mês.

Já?

Claro.

Já entregaste a tua?

Ainda não. Ainda faltam 12 dias.

Qual é a pressa? 18 de junho.

Ainda faltam 12 dias.

Falta tanto tempo.

Mas vamos olhar também para duas classes, já fora das férias, que tiveram quedas de preço. O calçado está mais barato 5%, de acordo com os dados do INE, e os serviços de acesso à internet estão mais baratos 23%, porque haverá efeito da concorrência também com a entrada da Digi. Portanto, contas feitas, atenção aos preços das férias. Já se tinha percebido que hotéis e restaurantes estão mais caros, de facto. No caso dos restaurantes, há aqui uma incorporação também daquilo que são matérias-primas mais caras.

Eu não fui de férias, fui de fim de semana grande e senti uma diferença enorme no restaurante. Foi uma pequena fortuna.

Isso nota-se claramente, são as matérias-primas. Os frescos aumentam nesta casa dos 20, 30% e o peixe também, obviamente que, como isso é uma matéria-prima importante dos restaurantes.

Eu dou por mim no supermercado a fazer várias vezes o double check na fatura, porque parece-me sempre que é muito mais do que aquilo que eu levo.

É verdade, sobretudo para algumas classes de produtos. E assim estamos.

Entretanto, e já que está tudo mais caro, parece que nunca é tarde demais para pedir um crédito. Pode dar jeito.

Pode dar jeito. Há aqui dados do Banco de Portugal.

Para jantar fora.

Para jantar fora ou, por exemplo, para crédito automóvel ou para crédito pessoal, que esse dá para tudo mesmo. São dados que o Banco de Portugal vai divulgando, detalhes das estatísticas regulares. E ontem divulgou alguns dados a dizer que, no fundo, os créditos não são só para jovens. São tendências, obviamente, financeiras do país. Em 2025, entre as pessoas que fizeram novos créditos, se olharmos para o crédito automóvel, metade dos créditos automóvel contratados foram de pessoas que tinham mais de 42 anos e metade do crédito pessoal, aquele que é para despesas gerais, tinha mais de 45 anos. Há aqui, de facto, um dado sobre o nível etário das pessoas que contraem créditos. Cada vez se pede crédito até mais tarde, isso é um indicador. E 10% dos novos devedores de crédito pessoal tinham mais de 65 anos. Isto não é um sinal de nada, nem é um risco, porque isto são créditos, ainda por cima, que têm um prazo, uma longevidade, que não é o prazo do crédito à habitação, que pode chegar aos 30 anos, às vezes até mais, mas são indicadores interessantes que, no fundo, há um bocadinho aquela ideia de quem pede crédito são, sobretudo, pessoas mais novas, em começo de vida, se quisermos.

Isto está a mostrar que não é bem assim.

Isto mostra que não é bem assim, que o endividamento vai atravessando todas as faixas etárias do país.