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Está na hora do Boa Moeda, Má Moeda, em que olhamos de forma descomplicada para a economia. Paulo Ferreira, qual é a boa moeda de hoje?
A boa moeda é o facto de termos cada vez mais empregos em Portugal por ocupar.
Que bom.
É bom. São dados do Ministério do Trabalho, do Instituto de Emprego e Formação Profissional. No final de 2021, só no setor da construção, por exemplo, que é aquele que tem mais vagas para ocupar, daquelas que são pedidas através do instituto dos chamados Centros de Emprego, havia 2500 vagas por preencher, isto é, empresas de construção que queriam contratar e estavam à procura de trabalhadores. E este setor está mesmo à frente do alojamento e da restauração, dos restaurantes. São dados que foram adiantados ao Eco pelo Ministério do Trabalho e que de facto demonstram este desencontro, se quisermos, entre a oferta de trabalho e a procura de trabalho.
Porque ao mesmo tempo há pessoas que procuram emprego.
Exato, nós não estamos com desemprego zero. Na mesma altura tínhamos cerca de 350 mil inscritos no Instituto de Emprego, inscritos como desempregados, e mesmo assim, nos mesmos centros de emprego há 16 mil vagas de trabalho, as tais 2500 da construção, mais uma série de outras para outros setores, vagas por preencher. Há várias razões que explicam quase sempre estas diferenças. Isto acontece sempre. Primeiro, uma parte dos desempregados já se chama desencorajado, é mesmo esse o termo, isto é, são pessoas que já não procuram emprego, que estão inscritas como desempregados.
Já desistiram de procurar.
Desistiram de alguma maneira, ou por questões de idade, próximo da reforma, por outra questão qualquer. Outros são desempregados, mesmo temporários, isto é, estão em transição entre empregos, despediram-se ou foram despedidos, ou saíram de um local e já têm outro em vista e já estão a caminho.
Estão naquela fase de transição.
Naquela fase de transição de outro emprego. E depois há também divergências óbvias entre habilitações e qualificações, entre aquilo que é pedido e aquilo que é oferecido, ou mesmo de condições de trabalho, ordenados.
Sim, o valor do salário também deve pesar.
O valor do salário também pesa nalguns casos, seguramente. Pronto, mas a boa moeda aqui é que há ofertas de emprego por preencher, que são cada vez maiores em setores que vão crescer seguramente, e é uma pressão também para o aumento de salários.
Então vamos à má moeda. Tem sempre que existir, portanto vamos a ela.
É verdade. É pena não estar cá o Júlio hoje, porque este tema é para ele.
Ele vai ouvir em podcast.
Exatamente. Dizem que estamos sempre abaixo da média da União Europeia, que estamos na cauda da Europa e aquelas coisas todas. Isso não é sempre verdade. Olhe-se, por exemplo, os preços dos combustíveis.
Pois, eu ontem fui pôr gasolina, ui, até me custou a olhar. Mensagem para o Júlio.
Quase 2 €. Exato, acho que cademos aos dois, se calhar. São contas feitas pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, a ERSE. A gasolina em Portugal está 17 cêntimos por litro acima da média da União Europeia. Isto no final do ano passado. Estávamos ali na tabela na oitava posição dos preços mais caros da gasolina da União Europeia.
Portanto, oitavo lugar em 27 é o tal ranking onde dispensávamos estar ali tão em cima.
Exato.
Não deveríamos estar nos lugares cimeiros.
Não neste. A culpa aqui grande parte é dos impostos, porque o mercado é o mesmo, a matéria-prima é a mesma, as empresas nos vários mercados também são as mesmas, muitas delas, muitas das marcas, como sabemos, portanto, há aqui um peso dos impostos também que dita isto. Só para ficarmos com inveja da Bulgária, que tem a gasolina mais barata, 50 cêntimos, é meio euro, atenção aqui. E não temos inveja nenhuma da Holanda, que tem a gasolina mais cara da União Europeia, 25 cêntimos acima da portuguesa. Portanto, cá está um ranking que vai ao nosso bolso.
Pior é que a nossa má moeda vai continuar a ser má moeda por uns tempos.
Vai. É melhor não alimentarmos esperanças em relação a isso.
Boa Moeda, Má Moeda com o Paulo Ferreira, sempre depois da síntese das 19h30 aqui na sua Rádio Observador e a qualquer hora em podcast.