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Começa agora mais uma Boa Moeda, Má Moeda. Já estão abertos os pedidos de moratórias no crédito nas regiões atingidas pela tempestade, Paulo.

É verdade. Famílias e empresas, neste caso importa-nos mais aqui as famílias, que foram afetadas pela tempestade já podem, de facto, pedir a suspensão temporária do pagamento das prestações de crédito. A moratória entrou em vigor já na sexta-feira e produz efeitos a 28 de janeiro, portanto, tem efeitos retroativos, precisamente desde o dia da tempestade. E o que é que faz? No fundo, faz uma pausa no pagamento do capital, de juros e de encargos durante três meses. O que está previsto agora é três meses, o Governo admite a hipótese de depois prolongar este prazo. O pedido para isto é feito diretamente junto de cada banco, onde está o crédito em causa, que as pessoas querem fazer essa pausa. Os bancos ficam obrigados a responder no prazo máximo de cinco dias úteis, depois do pedido feito. E aqui o objetivo, obviamente, é dar algum fôlego financeiro temporário aos agregados familiares nesta altura, que pode ser de mais aperto. Como é que funciona a moratória? O plano de pagamentos é automaticamente estendido pelo mesmo prazo da moratória, ou seja, pausa três meses e acrescentam-se três meses no final do prazo, seja qual for o prazo do empréstimo. Não há custos adicionais, não há possibilidade de comissões cobradas pelos bancos para despachar esta moratória. Quem é que fica de fora? Clientes que já estivessem em incumprimento há mais de 90 dias, no dia 28 de janeiro, não podem aderir, e contribuintes que não tenham a situação regularizada junto da Autoridade Tributária e a Segurança Social. As famílias devem enviar à instituição financeira uma declaração de adesão, preferencialmente por e-mail, acompanhada dos comprovativos da regularidade fiscal e contributiva, a dizer: "Tenho os meus impostos em dia". Se há pagamentos em atraso ou não, o banco sabe, não é preciso informá-lo, é evidente. E depois chegar os cinco dias à espera.

Mas, Paulo, por que tu dizias em off que é melhor pensar bem antes de recorrer a esta facilidade?

Porque, à partida, as pessoas pensam: "Ok, tenho aqui três meses". As pessoas só devem recorrer, de facto, se precisarem, neste momento, de uma folga financeira. Isto é, se aquela prestação inerente àquele empréstimo fizer a diferença. Agora, se as pessoas mantiverem o seu rendimento, se não tiverem custos decorrentes da tempestade ou se os custos que até têm com obras e por aí fora, se tiverem algumas economias para os pagar, devem manter o plano de pagamentos, porque assim evitam que mais tarde estes três meses sejam acrescentados. Ou seja, não é aproveitar isto de uma forma cega, tipo: "Já que posso agora estar três meses sem pagar, vamos a isso." Até porque os três meses, depois no final, também pagam juros e por aí fora. Portanto, só mesmo se precisarem. Não encarem isto como uma borla, porque é uma falsa borla, de alguma maneira.