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Cá estamos mais uma vez para o "Boa Moeda Investimento". Voltamos aos PPR. Estamos na época típica dos PPR, Pedro. Bom dia. E vamos agora olhar para aquilo que são os erros mais comuns que os investidores cometem sobre os Planos Poupança Reforma. Provavelmente vamos fazer isto em dois episódios. Vamos ao primeiro erro, Pedro.

Bom dia, Paulo. Bom dia a todos. É verdade, continuamos na época dos PPRs, novembro e dezembro é o pico, é quando as pessoas se lembram e vêm até fim do ano tentar ter o máximo de benefícios fiscais possíveis e pagar menos impostos. E isso é sempre positivo. Então, os maiores erros. Nós já sabemos que os PPRs são uma das melhores ferramentas de poupança e de investimento em Portugal e também são os produtos onde às vezes cometem maiores erros, porque não conhecendo todos os benefícios, podemos não aproveitá-los e, no fundo, isso é um erro que nós temos.

Até porque, por regra, como tem um bom benefício fiscal de entrada, as pessoas focam-se nessa vantagem e deixam de olhar ou ponderar todo o resto à volta.

Sem dúvida. Porque normalmente nós pensamos é mais nos benefícios a curto prazo. O longo prazo é mais difícil de ser materializado e de pensarmos nele. Por isso, o que pensamos é sempre: "Eu vou ganhar agora € 300 ou €400 de dedução no IRC, no IRS", desculpem, mas esquecem-se depois dos outros. Então, o primeiro erro é escolher o PPR errado. Ora, a maior parte das pessoas escolhe o seu PPR no banco onde tem as contas. Ou seja, os bancos, como sabemos, têm milhões de clientes e nesta altura as pessoas vão ao banco.

Põem as equipas comerciais a trabalhar essa parte.

Exatamente. E os bancos também põem as equipas comerciais a trabalhar e normalmente é pouco visto o perfil, qual é o perfil do investidor. E por isso, muitas vezes as pessoas vão ao banco, não comparam, nem analisam quais são os diferentes PPR que existem no mercado e por isso há que perceber qual é o tipo de comissões, quais são as estratégias e quais são as rentabilidades. E quando estamos num banco, nós não temos tempo para analisar isso, porque dizem-nos: "Ah, então é o PPR que já fez o ano passado", ou então: "Ponha aqui, ponha ali".

Ou aquele cinema ou e-mail do gestor: "Então, já fez o PPR deste ano?" Por esta semana.

Exatamente.

E as pessoas ok, põe lá mais X euros.

Exatamente. E muitas vezes não pensam é que têm que perceber que há produtos com comissões mais baixas, com melhores estratégias e com melhores rentabilidades. E pior, há muitas pessoas que estão presas ainda aos PPR Seguros. Cerca de 80% dos PPRs são de seguros. Ora, os seguros têm capital garantido, mas têm rendimento zero. Ou seja, o pior PPR não é aquele que sobe pouco, é aquele que não sobe rigorosamente nada. E uma grande parte dos PPRs, infelizmente, não sobe nada.

Portanto, fica a ser levado, comido, entre aspas, pela inflação.

Exatamente. O maior erro é dizer: "Ah, eu vou pôr ali os 1.500 € ou os 2 mil e deixa estar". Não, não é deixa estar. Aquele dinheiro tem de ser rentabilizado e nós temos que nos preocupar em rentabilizar. Por isso, este é que é o primeiro erro, que é escolher o PPR errado e deixar aquilo estar.

Erro número dois.

O número dois é não aproveitar os benefícios fiscais. Ora, como disseste, e bem, todos os anos, milhares de portugueses, nesta altura do ano, é que tentam aproveitar os benefícios fiscais. Mas também há milhares de portugueses que não o fazem. E não o fazem e perdem entre 300, 350 ou máximo de €400, simplesmente porque não reforçam o PPR. Ou seja, quando eu constituo um PPR num ano, eu tenho benefício fiscal naquele ano, mas no ano seguinte eu tenho que reforçá-lo para continuar a ter esse benefício fiscal.

Isto é, todos os anos o benefício se renova também. Se nós queremos utilizar o benefício fiscal no mesmo PPR, todos os anos é preciso é reforçar o capital que temos.

É preciso reforçar, exatamente. Ou seja, não é por eu ter feito um PPR que depois eu vou ter todos os anos o benefício. Tenho que ir reforçando e vou ter os 20% com o máximo dos €400, dependendo da idade. Ou seja, isto é mesmo dinheiro que o Estado devolve, o Estado está a dar, no fundo, 20% de rentabilidade sobre aquele dinheiro que nós estamos a aplicar todos os anos, que é até os €400. Por isso, não aproveitar isto é deixar ter 20%. Ou seja, temos que pensar numa conta. Se tivermos menos de 35 anos, se pensarmos que temos, em média, €350 durante 20 anos, são €7.000 que o Estado nos está a dar. Ou seja, não devíamos deixar de aproveitar esta oportunidade em termos de rentabilidade.

Muito bem, vamos só ao terceiro erro, erro três.

O terceiro erro: achar que o dinheiro fica preso até aos 65 anos. Nós já falámos aqui várias vezes, questão do nome do produto, que é um produto muito bom, mas fica muito associado, remete para a reforma, remete para os 65, para os 70 anos, agora a idade da reforma ainda por cima está a aumentar e vai aumentar, qualquer dia vamos trabalhar até aos 75 anos. E este é um dos maiores mitos, é que o dinheiro fica preso. Ora, há PPRs com liquidez diária, que são os fundos PPR. Uma coisa são os seguros PPR, mesmo assim, em determinadas condições, podem ser levantados, mas os fundos PPR podem ser levantados no dia seguinte. Ou seja, eu faço uma subscrição hoje, eu posso resgatá-lo no dia seguinte, se não declará-lo para efeitos de benefícios fiscais. E mesmo que o declare, posso levantar sem penalizações em caso de desemprego, doença grave minha ou do cônjuge, isso é muito importante, pagar as prestações do crédito à habitação e depois, claro, na reforma. Ou seja, o problema não é o PPR, o problema é não conhecer as regras. E a falta de conhecimento, que é isso que acho que nós estamos também a tentar levar a todo o público, leva a erros que são cruciais na nossa vida financeira. O facto de não aproveitarmos os benefícios, o facto de às vezes termos ideias preconcebidas que o PPR é um dinheiro que fica preso, ou então que eu vou ao banco e escolho só um PPR que não é claro para mim.

Não comparas, quer dizer.

Estes erros são erros de falta de conhecimento, que depois têm um custo muito grande a longo prazo. Mais uma vez, nós estamos formatados para pensar no curto prazo. E por isso pensamos: "Ah, pronto".

Mas a ideia aqui é até pensar no longo prazo, que estes produtos de poupança funcionam muito melhor a longo prazo.

Exatamente. Por isso estes erros podem custar-nos milhares de euros. Neste exemplo simples, não aproveitarmos 350 € em média de 20 anos, são 7.000 € de bónus que o Estado está a dar. Isto é mesmo um incentivo.

Sem dúvida. Muito bem, e é para tentar que mais pessoas evitem esses erros que vamos falar, ou que estamos aqui a falar destes erros, Pedro, e vamos continuar para a semana com mais erros sobre o PPR.

Vamos embora. Vamos a isso.

Fica por aqui esta edição do "Boa Moeda Investimento". Até para a semana.

Obrigado, bom fim de semana.