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Boa moeda, má moeda. Começamos pela má. A prestação da casa que volta a subir este mês.
Volta a subir e as taxas Euribor continuam também ligeiramente acima e estas contas, mês a mês, vão sendo cada vez mais pesadas. O mês está a começar ainda, se quisermos, e então essas contas são para os contratos que são revistos agora em agosto. Para quem tem Euribor a 12 meses, estamos a falar daquele empréstimo típico de 150 mil euros, 30 anos, um ponto percentual de spread, e então Euribor a 12 meses, que já não é revisto precisamente há 12 meses, há um ano, a última revisão foi em agosto do ano passado, vai haver um acréscimo de 63 € na prestação por mês.
Estás a ver isso? Há casos.
Há certos e determinados casos aqui no estúdio que se enquadram aqui neste perfil dos 12 meses. Para quem tem contratos indexados a Euribor a seis meses e, portanto, há seis meses também não são revistos, esses vão subir 41,5 € face a fevereiro, neste caso, e a Euribor a três meses, que tem revisões de três em três meses, vai ter uma revisão de 20 € acima. E pronto, não há muito mais a dizer.
É a vida.
É a vida. Ultimamente, não com esta subida dos últimos dois ou três meses, mas com a instabilidade dos últimos dois ou três anos, cerca de 85% dos novos empréstimos é feita com taxa mista. Isto é, durante três a cinco anos a taxa é fixa e depois a partir daí passa a variável indexada a Euribor. Isto compara, imaginem, em maio de 2022, por exemplo, há quatro anos, 80% eram feitos com taxa variável. Houve aqui uma inversão completa daquilo que é a prática do mercado, porque as pessoas obviamente preferem talvez pagar um bocadinho mais no início, mas ter um sono mais descansado.
Entretanto, Paulo, a Apple vai começar a alugar os seus produtos?
É um produto financeiro novo. Em vez de comprar, fazemos o leasing do iPhone, do Mac, do iPad.
Também aluga carregadores.
E há um problema com os carregadores da Apple.
Há sempre um problema.
E à velocidade que eles lançam novos produtos, se calhar o aluguer.
É isso.
É capaz de poupar algum.
Desculpem, mas a garganta talvez não está nada bem.
Está a falhar-te a voz.
Mas é isso. Vou dizer isto até que a voz me doa.
Queres aguinha, Paulo?
Sim, por favor.
Bebe um bocadinho de água. Nós vamos continuar aqui a falar sobre a Apple.
Vamos falar sobre os carregadores, pode ser?
Sim, eu já vou para o terceiro carregador para o telemóvel. Mas já comprei aquelas coisinhas para se pôr para o cabo não partir junto às extremidades.
Isso é bom. Então quem tem animais domésticos prudentes...
Já estou bem da garganta, mas continuem.
Já estás bem?
Mas continuem, estou a gostar.
O problema da Carla são os animais domésticos, não são os cabos.
Ah, é?
É.
Eu esse problema não tenho.
Tens de pôr uma mordaça na Alice.
Não, mas eles partem-se. Este cabo está bonito.
Conto à minha amiga Alice.
A Alice é amiga da Apple.
Gosta muito.
Mas cá está então. É um serviço novo lançado nos Estados Unidos e neste momento só disponível nos Estados Unidos, mas é previsível que depois seja estendido a outros países. Chama-se Apple Upgrade e no fundo faz o leasing dos produtos em vez de vendê-los. Em vez de comprarmos o iPhone, o Apple Watch, o iPad ou o Mac, ficamos com os produtos através de pagamentos mensais. O equipamento não é nosso, pertence sempre à marca. No final do contrato, o aparelho pode ser devolvido ou pode ser comprado mediante um pagamento adicional, valor residual, como acontece com os leasing de automóveis, por exemplo. Ou então pode ser trocado por um modelo mais recente. Eu acho que é isto que a Apple tem na cabeça, que as pessoas vão trocando e, no fundo, estamos aqui a transferir aquilo que, por regra, é a compra de um equipamento, por mais uma despesa mensal. Nós cada vez mais temos serviços de que pagamos todos os meses e este seria mais um. Só para termos uma ideia, um iPhone pode ter contratos de 12 a 24 meses de duração e um iPad ou MacBook tem contratos maiores, prazos de 24 a 36. No caso do iPhone, as prestações começam, vou já aqui fazer o câmbio para euros, começa nos 15,64 €, 10,40 € para o Apple Watch e se formos para o MacBook, 21,70 €.
Durante 12 meses. Depois é fazer as contas.
É isso mesmo, é fazer as contas. Neste caso, ainda só nos Estados Unidos, mas provavelmente pode ser uma tendência. Deixamos de comprar estes equipamentos, que trocamos regularmente e ficam regularmente obsoletos.
Passo dois anos para um telemóvel, para muitas pessoas é razoável.
É razoável, sim. Muitas empresas que os fornecem aos funcionários, aos trabalhadores, renovam de dois em dois anos.
Ponham os olhos nisto.
Sem dúvida.