Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Está no ar a Boa Moeda, Má Moeda, Paulo Ferreira. Vamos aos certificados de aforro.

Vamos lá. Tem sido uma verdadeira estrela na captação de poupanças de muitos portugueses. Desde há um ano, um ano e pouco, as taxas de juro começaram a subir. As taxas de juro e a inflação.

Por quê, Paulo?

Porque este tipo de poupanças, basicamente, que imobilizam dinheiro a curto e médio prazo, uns meses, trimestres ou um ano ou dois, basicamente, com baixo risco. O risco dos certificados de aforro é dívida pública. Estamos, no fundo, a emprestar dinheiro ao Estado. É um risco semelhante ao do depósito a prazo, com uma rentabilidade que é, à partida, conhecida. Quando as pessoas fazem a aplicação, já sabem quanto é que aquilo vai render. Dentro deste tipo de aplicações, nomeadamente a comparação com os depósitos a prazo, é seguramente das melhores pelas taxas que oferecem. Foi uma corrida que começou em 2022 ou que foi muito notada em 2022. Houve um aumento no ano passado de 7,2 mil milhões de euros, no fundo, dos investimentos em certificados de aforro por população. Isto já tem um valor recorde de 20 mil milhões, o dinheiro que as pessoas têm aplicadas neste produto. Só no ano passado foram abertas 80 mil novas contas de aforro, precisamente para investir. É obrigatório abrir uma conta nos CTT para comprar certificados de aforro. São emitidos pelo Estado, é dívida pública, no fundo, o Estado, em vez de emitir obrigações do Tesouro, que são compradas por bancos, seguradoras, por aí fora, no mercado internacional, neste caso, são comprados cá e são indexados às taxas Euribor, portanto, têm ido à boleia disso.

Estão a subir, não é?

Exatamente, vão muito à boleia. Isto a propósito de que o Miguel Marin, que é o novo presidente do IGCP, da agência, precisamente, de gestão do Tesouro e dívida pública, que faz a gestão da dívida pública e que, no fundo, emite os certificados de aforro, esteve ontem no Parlamento e disse que não está a prever alterações no sistema de cálculo dos juros dos certificados de aforro, e isso é uma boa notícia, porque vão continuar a ir à boleia das Euribor, que estão a subir. No fundo, é o Estado a garantir aos aforradores que há estabilidade naquele produto. Muitas vezes estamos habituados que o Estado põe, tira, avança, recua, muda regras. Aqui há uma estabilidade e isso é muito bom para financiar, de facto, esta dívida pública.

O problema é que para subscrever esses certificados é preciso ir a um balcão dos CTT para abrir a conta, não é?

Não é fácil.

É um processo complicado.

Complicado, implica-

Burocrático, vá

...burocrático, implica uma grande vontade de o fazer, se quisermos. Isso tem sido o grande handicap dos certificados de aforro. Brevemente foi anunciado, vai ser possível fazê-lo online, o que já é um avanço.

É um avanço, sim.

Mas nós perguntamos muitas vezes: "Mas por que é que não posso ir ao meu banco e subscrever certificados aforro?" O presidente do IGCP, Miguel Martin, deu ontem uma explicação para isso, faz sentido. Os bancos não estão interessados em comercializar aos seus balcões certificados de aforro, cobrando, obviamente, ao Estado uma comissão por isso, porque é o produto que faz mais concorrência aos depósitos.

Claro, exatamente.

E, portanto, no fundo, estão-

Faz isso também, enfim.

A desviar o cliente dele pra outro.

Exatamente, a canibalizar os seus próprios depósitos. Mas esta estabilidade afirmada ontem pelo Estado é positiva pra um produto de poupança.

Que é estrela, como tu disseste.

Estrela, e está a interessar cada vez mais pessoas.

Olha, e qual é a má moeda, Paulo Ferreira?

Má moeda. Ontem ficámos a saber também, cálculos da OCDE, sabíamos já, aliás, que a economia portuguesa foi a que mais cresceu no ano passado na zona euro, mas ontem ficámos a saber, por dados da OCDE, que quando comparamos o rendimento per capita em Portugal com a pré-pandemia, nós ainda estamos abaixo. Portugal é dos poucos países em que o rendimento per capita ainda não chegou sequer aos dados de 2019. A OCDE aponta os países que são uma exceção na tendência, que é de estarem todos acima. A exceção então são República Checa, Dinamarca, Finlândia, Espanha e Reino Unido e Portugal, claro. Atrás de Portugal, só mesmo a Espanha, que ainda tem muito para recuperar. Só pra termos uma ideia, o rendimento real das famílias em Portugal ainda está cerca de 4% abaixo dos níveis pré-pandemia e a Espanha está cerca de 8% abaixo ainda. Portanto, aqui há algum caminho ainda de rendimentos pessoais para percorrer. É aquela velha máxima: o país está melhor, mas as pessoas nem por isso.

Exatamente. Paulo Ferreira, o Boa Moeda, Má Moeda. Amanhã uma nova edição, sempre depois das 19h30 ou então a qualquer hora em podcast.