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Começa agora mais um Boa Moeda, Má Moeda, sempre com o Paulo Ferreira. Hoje falamos do consumo privado, Paulo, que deu um pequeno empurrão à economia.

Deu, sim senhor. Foram divulgados ontem os dados preliminares do terceiro trimestre da economia, do crescimento do PIB, mas já se sabe que o consumo privado foi um dos fatores que levou a este crescimento. A economia cresceu 1,9% em termos homólogos, ou seja, comparando o terceiro trimestre deste ano com o do ano passado. Se olharmos para a evolução em cadeia, do terceiro trimestre face ao segundo, imediatamente anterior, o crescimento foi de 0,2%. O INE explica que houve dois fatores essenciais: um foi o investimento. O PRR não será estranho a isto, certamente. Mas o outro foi o consumo privado, ou seja, os gastos das famílias todas.

Estamos a falar do verão, não é?

Estamos a falar do verão, que, por regra, é uma altura em que o consumo privado é maior. Mas quando olhamos em termos homólogos, isso conta pouco, porque no ano passado também houve verão. Aí a sazonalidade fica, de alguma forma, anulada. Portanto, este 1,9% deve-se também a que houve mais rendimento no bolso das pessoas. Já havia algum alívio das taxas de juro e, portanto, nas hipotecas. No verão, muitas famílias começaram a sentir algum alívio na hipoteca face ao aumento dos últimos anos. Havia a expectativa, obviamente, de em outubro vir bónus com o IRS, por exemplo, os pensionistas com aquela prestação extraordinária, que era dinheiro que ainda não estava no bolso, mas que se sabia que ia entrar no bolso. Portanto, houve aqui um alento. Depois, o impacto que isto tem na economia pode ser maior ou menor da procura interna, dependendo se estamos a comprar sobretudo produtos importados. Se compramos produtos importados, o impacto económico é menor, porque a produção não é feita cá. Se é produção nacional, tanto melhor, porque não só o consumo está a promover o fabrico e o valor acrescentado em Portugal. Mas é uma boa notícia. Agora, o crescimento económico e o ciclo económico não pode ficar só com este motor, porque é inflacionista, de alguma maneira, também, se se prolongar a prazo. Portanto, tem que entrar depois ainda mais o investimento e, sobretudo, as exportações. O melhor crescimento económico é o que vem das exportações. Mas é uma boa notícia.

É, sem dúvida. E vem aí mais concorrência para o mercado das telecomunicações.

É verdade, é daqueles mercados muito importantes com que todos nós lidamos. Todos nós somos consumidores ou da Nos, ou de MEO, ou da Vodafone, ou da Novo, por exemplo.

Quem vem aí?

Vem aí a Digi. Vai começar já no dia 4 de novembro. É uma empresa romena de telecomunicações. Tem entrado em alguns mercados, nomeadamente em Espanha, e tem gerado muita concorrência com preços mais baixos, pacotes mais baixos.

Ainda bem. É preciso.

É uma boa notícia. Isto anda a ser preparado há algum tempo, como é evidente. Imagina-se que a entrada num mercado destes não é de um dia para o outro. Aliás, esta operadora, primeiro, já não começa do zero, começa com a compra da Novo, que é o quarto operador. Por regra, não nos lembramos muito dele, não opera no país todo, mas já está instalado há algum tempo. E esta Digi chegou a Portugal à boia do leilão da rede 5G, que foi feito pelo Estado em outubro de 2021. Foi uma das que venceu uma linha de frequência 5G para poder operar no 5G e agora está obrigada, obviamente, a alargar a sua oferta. É o que vai fazer. Portanto, vai apresentar pacotes genéricos de televisão, telemóvel, por aí fora.

Internet.

Internet.

A partir de segunda-feira.

A partir de segunda-feira. Espera-se que seja competitiva.

Que seja competitiva. Eu fixei empresa romena.

É uma empresa romena, é verdade. É curioso, porque não é dos países mais dinâmicos que nós identificamos na Europa, mas espera-se que venha com os seus preços atrativos e a questão da fidelização dos dois anos. Se ela vem ou não vem.

Vou buscar agora o operador.

Pronto, então se calhar espera pela próxima semana para perceber não só a oferta da nova empresa, como as mudanças que pode provocar na oferta das outras empresas. Boas notícias. É isso mesmo.