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Olá, bem-vindo ao "Brainstorming", o magazine de criatividade da Rádio Observador, onde esta semana olhamos para um dia que parece pequeno no calendário, mas que de facto é gigante no significado: o Dia Mundial da Criança. Esta semana lembra-nos que crescer não devia ser uma corrida nem uma competição de resistência. Devia sempre ser um direito acompanhado de proteção, atenção e espaço para brincar. E talvez seja precisamente isso que mais nos toca neste dia: a infância como um território onde ainda se pode errar sem dramatismo, correr sem agenda e rir sem justificação. Um lugar que os adultos passam a vida a tentar recuperar, normalmente só quando já têm reuniões, impostos e notificações em excesso. Portanto, malta mais nova que eventualmente ouça isto, aproveitem. Hoje, por aqui recebemos o Hugo Bento, diretor de marketing da Brisa, para falarmos de mobilidade, comunicação e da forma como a marca também pode aprender a ler o país em movimentos. O que, convenhamos, é uma habilidade útil quando se trabalha num país onde até o trânsito parece ter memória própria. Antes da conversa, vamos às notícias da semana. E por aqui há humor com personalidade, campanhas que sabem ocupar o espaço certo e também, lá mais para o final, vamos olhar para uma marca que escolheu atualizar-se sem perder a estrela principal.

Será que beber Vimeiro Gás atenuou o mau perder da Inês?

E começamos pela água do Vimeiro, que lançou uma nova campanha para a Vimeiro Gás, reforçando o posicionamento da marca como a segunda água com gás mais vendida de Portugal. A comunicação mantém a linha criativa iniciada em 2025 e volta a apostar no humor. Desta vez, com a Joana Marques, Inês Lopes Gonçalves e Ana Galvão a protagonizarem os novos spots.

Será que beber Vimeiro Gás faz as piadas da Ana Galvão ficarem um bocadinho melhores?

Nos filmes, o produto surge através de situações com humor seco, ao contrário da água, observações muito próprias sobre o consumo, autenticidade e escolhas assumidas. A assinatura "Quem bebe, percebe" fecha a ideia com aquele tom de cumplicidade ligeiramente provocador que a marca vem a cultivar ao longo dos últimos anos. É como quem diz que às vezes a verdadeira sofisticação é simplesmente saber estar sem fazer demasiado alarido. E no espírito do Dia da Criança, esta é uma campanha que também nos lembra que no marketing há lugar para o jogo, para a leveza e, principalmente, para a inteligência de quem sabe comunicar sem perder o sorriso. Boa Vimeiro.

Vimeiro Gás. Quem bebe, percebe.

Saltamos agora para outro líquido, este providenciado para a Super Bock, que adapta o mote "Há quantas rodadas não apareces?" para o muito atual "Há quantos arraiais não apareces?" Numa campanha criada pelo escritório, este spin off surge para assinalar a sua presença nos santos populares. A marca, patrocinadora oficial das festas de Lisboa, leva a comunicação para mupis, outdoors, totens e também estações de metro, para além do Instagram e do TikTok, com o apoio de influenciadores e coordenação da live content da Dita e também da LTM. A criatividade joga com o espírito das festas e também com o modo como os arraiais vivem da repetição feliz de tradições. Há sardinhas, há marchas e há sempre aquela pergunta que todos reconhecem, dita com a leveza de quem já sabe a resposta. Afinal de contas, e fica a pergunta: há quantos arraiais é que já não apareces? Tal como no Dia Mundial da Criança, também aqui há uma ideia muito simples por trás de todo o ruído. As melhores memórias constroem-se quando o espaço é dado para a alegria, para a brincadeira e para a partilha. Boas festas. Destas, não das do Natal. Mais uma edição do "Brainstorming" e nesta temos o prazer de conversar com o Hugo Bento, é diretor de marketing da Brisa. Seja muito bem-vindo aqui ao "Brainstorming". Começamos desde já com o grupo Brisa, que tem várias marcas, como por exemplo Via Verde, Colibri, também Controlauto. Todas fazem parte do dia a dia dos portugueses. Temos vários pontos de contacto nas nossas vidas. Do ponto de vista da comunicação e estratégia, há alguma coisa que une estas marcas, há algum fio condutor ou funcionam independentemente? Fala-nos sobre isso.

Olá, Hugo. Primeiro, obrigado pelo convite. É um gosto estar aqui.

É um gosto receber também.

Começando pela conversa, é ótimo puxares esse tema, porque até eu, quando cheguei ao grupo, tinha essa sensação de como é que estas peças ligam todas, como é que isto funciona, onde é que está aquele fio condutor que une estas marcas todas. E a verdade é que esse fio condutor tem a ver com o facto de que, como dizias, todas estas nossas marcas cruzam conosco diariamente, estão presentes a resolver problemas das pessoas, por isso são realmente relevantes. E se encontrarmos aqui este fio condutor, tem a ver com a mobilidade. Na verdade, tornar a mobilidade das pessoas mais simples, mais segura, mais sustentável, é realmente o que une todas estas marcas. Desde marcas como Brisa Auto-Estradas, que está mais vocacionada para infraestrutura, mas garante que nós temos uma infraestruturaTop. É em Portugal. Das melhores infraestruturas de autoestradas que se conhece a nível mundial. Depois tens uma Controlauto que tem o papel de garantir que os veículos que circulam são veículos mais seguros, por isso também está relacionado com a segurança rodoviária. Depois há outras duas marcas do nosso grupo, Via Verde e a Colibri, que estão mais direcionadas para a experiência rodoviária. Estão mais direcionadas para facilitar a tua mobilidade, para que tu nem tenhas que pensar nela e ela acontece. É quase invisível para ti, mas estás a ganhar tempo. Não paraste numa portagem, não paraste para encontrar um lugar de estacionamento, por isso estamos a facilitar essa mobilidade.

Não perdemos tempo à procura de um parquímetro.

Exatamente, nem de moedas. E depois há a Colibri, que veio transformar o paradigma de uma área de serviço, que sabemos que tinha uma conotação não muito boa. Ainda em alguns casos assim é.

Há trabalho para fazer ainda.

Mas a verdade é que a Colibri foi para um outro patamar e daí nós termos arriscado chamar áreas de conforto, porque realmente reposicionamos completamente e transformamos isso.

Do ponto de vista do utilizador, posso confessar-te que foi refrescante a primeira vez que fui a uma casa de banho de uma área de serviço e ouvi passarinhos cantar. Foi, de facto, uma experiência do ponto de vista do utilizador, que não é normal e que me soube bem na altura.

É isso mesmo.

Eu sei que não será o vosso maior foco eventualmente, mas foi uma coisa que me marcou e que se calhar terá marcado também outras pessoas.

É uma história engraçada, porque isso é o que mostra como parte do consumidor para dentro. O primeiro papel foi garantir que a experiência era boa, que as pessoas se sentiam bem recebidas, bem-vindas, qualquer tipo de pessoa. Variedade de oferta, variedade de espaços para crianças, para famílias, para quem quer só parar para fazer uma chamada rápida e trabalhar. E depois chega a haver o ponto de haver pessoas que se queixam: "No outro dia parei na Colibri, não sei onde, e os passarinhos não estavam a passar."

Agora que estou a pensar nisso, se calhar também me lembro disso, porque deve ser um pain point as áreas das casas de banho. Gostava também de olhar agora, em particular, para a Via Verde, porque segundo sei, comemoram 35 anos. É uma daquelas marcas que, como estavas a dizer, utilizamos sem pensar. E o facto de utilizarmos uma marca e utilizarmos um serviço sem pensarmos, pode ser uma desvantagem também? Ou não veem isso dessa forma?

É uma pergunta muito interessante, porque é curioso quando o maior sinal de sucesso da Via Verde é realmente ser invisível. Porque ninguém está à espera de pensar como é que eu vou passar na portagem sem parar, como é que este pagamento que eu acabei de fazer vai acontecer e como é que o dinheiro vai chegar a quem tem que chegar. É suposto tudo isso ser invisível. É suposto o consumidor usufruir só de "está feito". Foi o mais rápido possível, foi o mais simples possível. Eu peguei na aplicação Via Verde, ele ajudou-me a identificar onde é que é mais fácil eu estacionar. Ajudou-me a estacionar. Até me avisou que ali o estacionamento só se paga até à hora X. Por isso, tudo isso é suposto ser tão simples, tão fácil, que é quase invisível.

Não é uma desvantagem, então.

Eu não diria que é uma desvantagem, porque nós temos o cuidado de trabalhar o posicionamento da marca. E são coisas diferentes. Uma coisa é funcionalmente tu seres tão bom, tão cirúrgico, que entregas a tua promessa e as pessoas nem dão por ti. Quase que só dão por ti quando corre mal. Mas a verdade aqui é construir, encher de significado esta marca, construir esta marca, mostrar o que são estes benefícios. E daí o mote deste ano "Dá Via Verde ao que importa". Porque todo esse tempo que tu ganhas, podes aplicá-lo em coisas que são realmente importantes para ti.

E ao fim de 35 anos, pode dizer-se que já é quase uma marca e um serviço geracional. Eu lembro-me de pequeno, de ter Via Verde no carro dos meus pais e portanto, acho que acaba por ser um passo natural, nós também termos, porque já não sabemos, se calhar, fazer as coisas de outra maneira. Aliás, isso acaba por ser também um ponto comum a todas as vossas marcas. Acaba por ser paradoxal. As pessoas dão pouco por elas, mas isso também constrói notoriedade. E também marca aqui uma postura por parte do grupo Prisa.

Sim, e há vários exemplos nas nossas marcas, como dizias. Dou-te um exemplo que, felizmente, as pessoas cruzam pouco com eles. É um ótimo sinal. Brisa Autoestradas. Temos assistência rodoviária 24 horas por dia, sete dias por semana. Felizmente, a maioria das pessoas nunca se cruzou com eles. Não precisa deles, mas eles estão lá. Por isso, funcionalmente é suposto eles serem invisíveis. Quanto mais invisíveis eles forem, melhor o serviço que estamos a prestar, melhor a experiência que estamos a prestar. Mas isso não quer dizer que o que eles fazem, o que aquela marca garante, seja invisível. E aí é onde entra o papel da comunicação. Nós é que temos que colocar essas posições em destaque, aquilo que nós chamamos os heróis invisíveis, trazê-los, dar-lhes visibilidade, mostrar que eles estão lá, que essa preocupação existe, que é quase uma mão invisível que está lá. Se precisares.

Traz-nos conforto.

Ela vai ajudar, mas ela está lá. Garante essa segurança. Se nós não lhe dermos essa visibilidade, ficamos só invisíveis e aí é um risco.

Apesar de todos os serviços que vocês propõem aos clientes serem serviços funcionais, pode dizer-se que se trabalha cada vez mais a parte, pelo menos junto do público, do sentimento, a parte da emoção, do que propriamente a parte funcional de quantos veículos é que temos, de quanto tempo é que vai demorar exatamente a ter a assistência ou quantos quilómetros de autoestradas é que temos. O que importa é a emoção, o que importa é o tal conforto, a tal segurança de que falamos desde o início.

Eu acho que é uma combinação. Na verdade, é uma combinação dos dois, porque se funcionalmente não entregaresDefruda a expectativa e isso também é um sítio muito difícil de onde sair. Agora, aqui a verdade é que as emoções ficam. O que mais fica não é como é que o serviço foi cumprido. Ninguém fica aos saltos por ter ido fazer uma inspeção automóvel, ter conseguido marcar rápido, ter conseguido fazer a inspeção em 15 minutos e está feito. Ninguém sai de lá: "Uau!" As pessoas saem de lá, fez o que tinham que fazer, cumpriram. Agora, se o inspetor foi simpático, se o atendimento, o cuidado com a entrega da documentação, o cuidado em explicar se calhar alguma coisa, em fazer a pessoa descansar. "Só tem que pôr os piscas, só tem que ajudar com os pára-brisas, só tem que pôr o pé no travão." Esse tipo de coisas é o que marca, porque isso foi o que te criou uma boa experiência.

Em vez de ser aquele serviço tradicional da tradicional e antiga oficina portuguesa em que nos sentíamos todos um pouco menos confortáveis.

Em que te passavam um atestado. Faziam de conta que tu não tinhas que perceber o que ele te estava a dizer, que não era suposto tu interagires. E o que nós queremos não é isso. O que nós queremos é dar-te uma boa experiência, para quê? Para que tu tenhas uma boa sensação, que fiques com um bom sentimento. E isso vai contigo, isso tu vais passar a outros, vais dizer a outras pessoas.

Sempre foi assim dentro do Grupo Brisa ou tem evoluído cada vez mais nesse sentido?

Tem evoluído cada vez mais. O que eu encontrei no Grupo Brisa foi um conjunto de marcas e de pessoas muito preocupadas com o bem-estar, muito preocupadas com a experiência, muito preocupadas com as pessoas. O que nós temos ajudado a dinamizar foi trazer cada vez mais estas preocupações do consumidor para o centro, porque há uma coisa que nós temos no grupo que nos ajuda, que nos dá uma vantagem, que é, como te dizia há pouco, nós resolvemos problemas do dia a dia. Por isso, resolvendo um problema do dia a dia, se adicionares esta camada de experiência, esta camada emocional, é claro que estás numa posição muito mais forte do que se quiseres adicionar uma camada emocional, numa coisa que é pouco relevante.

E a vossa nova campanha da Colibri, a Boa Paragem, também vai muito ao encontro dessa abordagem emocional, certo?

Certo, porque na verdade, o que nós estamos ali a fazer, é esta brincadeira com uma coisa que é um trigger de vontade de comer. É completamente diferente vontade de comer, de ter fome. Uma coisa é tu teres fome e parares, porque tem que ser. Ou tem de ir à casa de banho, como há pouco dizias. Isso, sim, é um pain point. Por isso, se tenho fome, se tenho vontade de ir à casa de banho, eu vou em missão. Não vou porque aquele sítio é atrativo para mim, não vou porque tem uma oferta que eu gosto, não vou porque fiquei a sonhar com aqueles produtos e a qualidade, a experiência que eles me dão é completamente diferente. Eu tenho de ir ali, eu tenho de parar ali. Pode passar a ser uma boa parte da minha viagem. Deixa de ser um último recurso, deixa de ser "eu vou tentar evitar ir àquele sítio porque só tem sandes triângulo".

Então querem que passe mais a ser quase que um gênero de tradição? Quando vamos em viagem, vamos parar aqui.

Por que não passar a ser uma parte planeada da viagem? Também tem ligação com segurança rodoviária. O que nós sabemos é que nos últimos seis anos, reduziu em 50% o número de fatalidades nas nossas autoestradas. No último ano tivemos 18 fatalidades. É uma infelicidade, um morto é um morto a mais nas nossas autoestradas. Mas a verdade é que desde que nós começámos a investir mais fortemente na Colibri, as pessoas estão a parar mais e isso faz com que o teu nível de atenção quando voltas ao carro, o teu nível de concentração quando voltas ao carro para continuar a viagem, é superior. E isso está provado. Todos nós sabemos que quando fazes uma estirada de uma hora e meia, duas horas sem parar, tendencialmente a tua atenção vai baixar, a tua concentração vai baixar, provavelmente vais ficar mais sonolento. Tudo isto ajuda.

E, portanto, termos vontade de comer e vontade de parar também contribui para a segurança, por muito que não pensemos nisso. Estávamos a falar aqui do bem-estar. A boa disposição também é promovida por vocês, nomeadamente no que diz respeito à Controlato. Aqui nas vossas campanhas, com um tom mais humorístico, provam que os serviços são eficientes, mas também querem humanizar aqui, como já tinhas falado, a proximidade entre os técnicos que estão nos centros e as pessoas que precisam de fazer a inspeção aos seus carros.

Exatamente. E como dizíamos há pouco, a eficiência é a fasquia mínima. Ninguém vai a um centro de inspeções à espera de não ter uma inspeção realizada. Isso é o mínimo olímpico. É só para começarmos a falar. O que é que nós estamos a trazer? Nós estamos a trazer este layer que desarma, que nós também não estamos a dizer que a inspeção é o melhor momento do dia e as pessoas vão adorar e venham todos e façam mais inspeções, até porque não é possível. Por isso, nós não estamos a descredibilizar o que estamos a fazer. O que estamos é a adicionar um layer que mostra que nós reconhecemos a realidade das pessoas, sabemos que é preciso fazer. Tu tens que fazer aquela inspeção.

Mas pode não ser chato.

Exatamente. Podemos simplificar a tua vida, é fácil. Encontraste online, temos centros espalhados pelo país inteiro, muito provavelmente há um centro próximo da tua casa, marcas online, chegas, faz a tua inspeção e sais. Acabou.

Facilitado.

Cumpriste, funcionou tudo muito bem. E o toque do humor está aqui porque é desarmante, porque é o que te faz pensar numa coisa que seria super funcional, super chata, um peso, uma obrigação, de uma forma: "Ah, bom ângulo, não tinha pensado que eles podiam fazer isto por mim." Parecido com o que fizemos na campanha do Atenção ao Zé, da Brisa Autoestradas.

Teve destaque, inclusivamente, numa das edições do Brainstorm.

Obrigado por isso. Nós poderíamos ter ido pelo lado mais normal, vamos chamar assim, mais paternalista, mais do choque. O que é que percebemos? Isso não funciona, porque tem sido o que tem acontecido nos últimos anos e a verdade é que continuamos a ter comportamentos que não são aceitáveis na condução. O que é que nós fomos buscar? Fomos buscar este insight muito humano. O português tem esta capacidade muito treinada de apontar o dedo ao outro de uma forma muito mais rápida do que pensar em si próprio. E com esta forma leve, ligeira, divertida, estamos a chamar a atenção para o Zé, mas na verdadeTodos nós às vezes somos um pouco destes.

E assim cria-se também familiaridade com as marcas, com os serviços e com tudo o que vamos contactando no nosso dia a dia. Já vimos e já percebemos em que ponto é que estão neste momento. Gostava de olharmos também para o futuro. O que é que está no futuro da Brisa? Não sei se trouxeste a bola de cristal.

Recorremos a ela muitas vezes.

Imagino. Como é que querem ser vistos no futuro?

Nós continuamos e quereremos sempre ser um player muito relevante na mobilidade. O que nós sabemos é que o grupo Brisa, com 54 anos, já viu várias fases da mobilidade em Portugal. Já viu muitas transformações na mobilidade em Portugal, já viu muita coisa acontecer. A Via Verde há 35 anos atrás, foi um marco, foi uma inovação, foi quase mágico o que a Via Verde conseguiu fazer.

A evolução tecnológica também vos obriga a repensarem aquilo que fazem.

Claro, a evolução tecnológica, o que acontece nos outros setores, que em um bocadinho vou lhe chamar a Amazonificação. Hoje em dia as pessoas querem tudo super rápido, fácil, intuitivo, com uma experiência digital inacreditável. E essa expectativa está em tudo. Essa expectativa vai para uma Via Verde, essa expectativa vai para quando visitas uma loja Colibri.

E também por isso tem todo um ecossistema a funcionar também dentro da vossa aplicação. Certo? Com os serviços todos integrados e muito acessíveis. Eu recordo-me, antes tinham várias aplicações, agora acabaram por juntar tudo na mesma. Também têm feedback que isso é algo que vos guia para o futuro.

Seguramente, porque o que é que nós percebemos? O futuro da mobilidade vai ser diferente? Vai. A mobilidade vai sempre ser central? Sem dúvida. Se recuperarmos aqui há uns anos atrás, não é bom falar disso, mas pandemia, o que é que as pessoas mais falta sentiram? A mobilidade. Ninguém gosta de ter a sua mobilidade reduzida. Ninguém gosta de não poder mover-se como quer. O que é que nós estamos a garantir? Estamos a garantir que por onde quer que a mobilidade vá, ela vai sempre ser central na vida das pessoas. As pessoas vão sempre querer mover-se ou por lazer, ou porque vão para o trabalho, ou porque vão visitar entes queridos. Isso vai continuar a estar. E se é com veículos elétricos, se é com multimodalidade, se é com veículos autónomos, não sabemos. Sabemos que vai ser diferente e queremos continuar a fazer parte disso. E por isso é que este propósito de transformar a qualidade das pessoas através da mobilidade e através de uma mobilidade mais simples, segura e sustentável, é sempre válido, porque independentemente dos meios, independentemente da tecnologia, isto vai sempre ser válido, porque a tecnologia vai sempre ser o meio, não vai ser o fim. O fim é garantir que as pessoas consigam fazer a sua mobilidade com os meios que têm disponíveis da melhor forma possível.

Portanto, mobilidade, qualidade e conforto. Podemos resumir nestes três pilares.

E se somares esses três, experiência. Experiência diferente, que te faz sentir coisas boas, que te faz querer repetir e que te faz querer chamar outros para experimentar.

Hugo, no final das nossas conversas do "Brainstorming", faço sempre um desafio aos nossos convidados. Também te o faço a ti. Que música é que associarias ao grupo Brisa? E por quê?

Esta é tipo o que diz os teus olhos.

É quase.

Deu para preparar. Por isso, escolhi uma música que é contemporânea, por isso está agora na moda, mas acaba por fazer aqui um somatório que é aquilo que eu sinto que é o grupo Brisa. Escolhi a "Memória", que é este dueto da Carminho com a Rosalía. Por quê? Porque tem esta mistura que a Carminho traz de tradição, legado, que é o que nós temos de 54 anos.

Portugalidade também.

Portugalidade, que se combina com a Rosalía, que tem uma vontade de fazer coisas diferentes, de inovar, de ir mais longe, de conhecer outras realidades. Neste último álbum, ela canta em 13 línguas diferentes. Não há nada que mostre mais como ela coloca o consumidor no centro e quer se aproximar de diferentes culturas, de diferentes pessoas do que falar a língua dessas pessoas.

E junta diversos estilos musicais.

Exatamente. E é um pouco isso que nós tentamos fazer todos os dias aqui, levar o grupo Brisa de Portugal para o mundo.

Portanto, com memória, mas rumo ao futuro. Hugo Bento, diretor de marketing da Brisa, obrigado por teres vindo ao "Brainstorming". Muito sucesso e até breve.

Muito obrigado.

A caminho do final desta edição, damos os parabéns ao Canal Hollywood, que renova a sua identidade visual no ano em que celebra 30 anos de emissões em Portugal. 30 anos de Canal Hollywood. Esta atualização reforça o posicionamento no universo de cinema e séries. A nova imagem entra em vigor já a partir deste início de junho, em emissão, mas também nas plataformas digitais em Portugal, Espanha e nos PALOP. Preserva-se a icônica estrela, agora reinterpretada numa linhagem mais contemporânea. A mudança é acompanhada por uma campanha multimeios com o claim "Canal Hollywood, o cinema em casa", desenvolvida pelas equipas de marketing da Dreamia e da AMC Global Media Iberia, com presença em televisão, rádio, imprensa, outdoor e também digital. A nova identidade foi então criada pela Komodo Screen e combina a estrela com uma tipografia inspirada nos grandes estúdios, mantendo o azul como base da marca e reforçando a sua assinatura premium. É um refresh que mostra como se pode mudar sem perder o essencial, o que no fundo é uma lição muito próxima da infância. Crescer não devia significar deixar de ser quem se é, mas sim encontrar novas formas de continuar a ser.E ainda melhor. E é assim que fechamos esta edição do "Brainstorming", em que falámos de humor bem medido, de presença em festas e de uma identidade visual que sabe modernizar-se sem se descaracterizar. Com o Hugo Bento, da Brisa, falámos também de mobilidade, país real e da forma como as marcas se ligam ao quotidiano de quem anda sempre em movimento. No fundo, esta edição lembra-nos que o Dia Mundial da Criança não é só um dia para celebrar os mais novos. É também o convite para não esquecermos a importância da curiosidade, da leveza e da coragem de acreditar que o mundo pode ser um lugar um bocadinho melhor, até mesmo quando estamos presos no trânsito. No trânsito, no chuveiro, no ginásio, no trabalho, onde quer que esteja, o "Brainstorming" está sempre consigo no site do Observador e naturalmente nas principais plataformas de podcast. Tem também a nova edição garantida todas as segundas-feiras, depois das 21h30 na Rádio Observador. Com ajuda à produção da Inês Neto e a sonoplastia colorida e sonhadora, eu sou o Hugo Silva e até à próxima edição, lembre-se: no marketing e na vida, quem preserva a criança interior nunca deixa de encontrar boas histórias. Até para a semana. Bem-vindo ao Brainstorming, o magazine de criatividade e marketing da Rádio Observador, onde esta semana já se sente o aroma a relva misturado com tacos, hot dogs e poutine canadiana. É verdade, já falta menos de uma semana para o mundial começar. E não se trata apenas de futebol. É que este é aquele movimento de massas que transforma a rotina em rituais pré-jogo, a simples conversa em previsões informadas e qualquer sofá em bancada VIP do país e do coração. Porque quando o mundial está a chegar, Portugal entra logo num estado emocional muito próprio, mais fé do que lógica, mais entusiasmo do que prudência e muito mais capacidade de discutir 11 do que opções políticas, econômicas e estruturantes para o país. Afinal de contas, o que é mais importante? Mas o mundial também é acerca de marcas a entrarem em campo com a confiança de quem acha que um bom filme publicitário também pode marcar um gol na sua atenção. E é nessa linha que hoje vamos falar de campanhas que vivem do futebol, da cultura popular e da forma como este torneio consegue pôr o país e o mundo inteiro a sentir-se parte da jogada. Hoje também recebemos Vasco Mendes, partner de M&A da KPMG Portugal. Vamos falar de estratégia e da forma como outras equipes surpreendem e podem vencer no campeonato das startups. Mas para além da conversa, temos as habituais notícias da semana e por aqui há futebol a sério, emoção bem calibrada, nostalgia de marca e ainda uma plataforma que quer juntar o mundo todo numa só bancada digital. Que comece a partida. A Coca-Cola confiou-me uma missão ultrassecreta. E começamos com a Coca-Cola, que lançou em Portugal uma nova fase da sua campanha associada ao Campeonato do Mundo 2026, com Cândido Costa e José Mourinho como protagonistas. A presença da marca está garantida em televisão, outdoor, digital e redes sociais, e inclui ainda conteúdos em tempo real ao longo da competiçãoNas redes, Cândido Costa assume um papel central na narrativa e empresta a voz aos filmes. Mourinho surge em televisão, vídeo digital e outdoors, além da série José versus Mourinho, uma série criada para as redes sociais. A campanha vive do contraste entre a intensidade do torneio e a forma como os adeptos o sentem em cada pestanejo, em cada lágrima. E assim se percebe, quando o mundial está a chegar, as marcas também entram em campo com a ambição de jogar onde realmente importa: nas emoções. Boa Coca-Cola!

Dos pilares da vitória, eles vieram.

E agora a McDonald's e a sua campanha global para o mundial, que chega a Portugal a 9 de junho e aposta numa ideia simples: por detrás de grandes estrelas do futebol, existem pessoas comuns com memórias ligadas à marca. Em vez de falar apenas da competição, a campanha mergulha no lado universal da relação entre os fãs, a cultura popular e a McDonald's. O conceito ganha força através de nomes como Thierry Henry, Ronaldinho Gaúcho, David Beckham, Son Heung-min e Lamine Yamal. São mostrados não como figuras distantes, mas como consumidores com histórias reais e pessoais associadas à marca. Por exemplo, Thierry Henry recorda que ir ao McDonald's era um luxo especial quando era adolescente, porque os pais preferiam a comida caseira. É uma memória que dá à campanha precisamente aquilo que ela procura: verdade, proximidade e aquele detalhe humano que faz a diferença. Afinal de contas, no mundial e no marketing, o jogo mais interessante nem sempre acontece dentro das quatro linhas. Às vezes, acontece na memória de quem vê, sente e vive. Mais uma edição do Brand Storming. Nesta temos o prazer de conversar com o Vasco Mendes, é partner de M&A da KPMG Portugal. Seja muito bem-vindo aqui ao Brand Storming, Vasco. Falamos do Global Tech Innovator, que já abriu candidaturas para mais uma edição. O que distingue este projeto de outros programas com startups, este Global Tech Innovator?

Antes de mais, muito bom dia a todos. Nós acreditamos que o GTI, como nós o apelidamos carinhosamente na KPMG, é mais do que uma competição local, ou seja, acaba por funcionar como uma plataforma de projeção e de aceleração com alcance internacional, quando comparamos com outras iniciativas que vemos. Nós desde 2020, que foi quando começámos esta iniciativa, o objetivo era identificar startups com potencial, como referia, e obviamente fomentar e criar pontes entre os diferentes stakeholders do ecossistema, ou seja, investidores, líderes, parceiros, especialistas, e dar uma visão muito mais estratégica do que as iniciativas que costumamos ver aqui no mercado nacional.

Até porque não só nacionalmente, mas internacionalmente, acaba por ser um pouco, neste momento, uma selva de startups. Quase que nascem entre as pedras da calçada, mas depois conseguir, de facto, fazer com que as startups tenham e sigam os seus propósitos e os seus objetivos e se liguem às entidades que importam para os projetos seguirem em frente, nem sempre é fácil.

Sim, eu diria que esse é o principal desafio e o nosso papel, e o papel da GTI também é esse, é juntar, connecting the dots, como nós costumamos dizer, ou seja, pegar nas ideias. Obviamente, eu acho que é importante ressalvar que o GTI não está numa fase tão embrionária. O que eu quero dizer com isto? Nós não olhamos para startups que querem só validar a ideia, ou seja, nós estamos um pouco mais à frente. A startup já tem que ter uma ideia válida, já tem que ter passado pelo que nós chamamos a fase de proof of concept.

Claro.

E obviamente ter um pouco mais de maturidade pra não estarmos nesse espectro que falava há pouco das milhares de startups e ideias a fervilhar.

Claro.

Mas pouco tangíveis.

Tem que ser um pouco mais consistente do que isso. O nosso país também tem ganho alguma notoriedade, sobretudo no setor tecnológico, a nível europeu. O que os tem surpreendido mais no que diz respeito aos projetos que as startups apresentam no nosso país?

Aqui, obviamente, é um pouco fruto do que temos visto em termos de candidaturas pelos critérios que apresentamos. Mas eu diria, sobretudo, um equilíbrio muito grande entre sofisticação tecnológica e inovação, e obviamente onde nós, Portugal, dá cartas nesse aspecto, e obviamente a maturidade do negócio. O que nós queremos com isto? Nós queremos startups que, além da boa ideia e além da inovação, já tenham uma visão clara sobre o que querem fazer no futuro, sobre a estratégia e obviamente, capacidade pra competir nos mercados internacionais. Eu acho que isso pra nós é bastante relevante. O que nós queremos são startups que resolvem problemas reais, concretos e em que o impacto depois acaba por ser tangível e mensurável.

Há alguma área em que haja projetos mais-- área ou áreas em que tenham surgido projetos mais promissores?

Se olharmos para as edições mais recentes, obviamente, o tema do AI está em quase todas, seja porResolver problemas complexos, seja por reduzir o erro humano ou acelerar o crescimento. E isto tem uma aplicação, eu diria, quase transversal a todos os verticais.

Ok.

Do ponto de vista de verticais, e olhando aqui um bocadinho, pensando em quem foram os vencedores dos últimos cinco GTIs, estamos a olhar para temas em verticais como a cibersegurança, saúde, educação, energia, a identificação digital. Eu diria que estes têm sido os espectros onde temos visto boas candidaturas capazes de resolver problemas concretos e obviamente com impacto em geral.

Que são, ao fim ao cabo, também alguns dos pilares que têm desencadeado conflitos um pouco por todo o mundo, mais ou menos diplomáticos, mais ou menos bélicos. Para quem nos está a ouvir e se quiser candidatar a este GTI Global Tech Innovator, o que é que precisa de saber? Já falámos aqui acerca dos requisitos. Podemos mergulhar um bocadinho mais neste âmbito e saber também o que é que os vencedores podem conquistar neste Global Tech Innovator.

Claro que sim. Então, os critérios eu diria que são quatro grandes critérios para a análise das candidaturas. Estamos a falar de empresas que têm que estar sediadas em Portugal.

Ok.

Com menos de sete anos de atividade. Do ponto de vista de dimensão, o que procuramos é startups com receitas entre 1 milhão a 15 milhões, ou então empresas que tenham levantado capitais recentemente, no mínimo de 500, 1000 €. E obviamente também demonstrar crescimento constante e um pipeline que nós chamamos qualificado, ou seja, visibilidade sobre o que vão ser as receitas no futuro. Por fim, o último critério, não podem ser tidas maioritariamente por grandes grupos.

Ok.

Ou seja, os acionistas ainda têm que ser os fundadores, do ponto de vista maioritário. O formulário já está no nosso website, por isso peço-vos que descarreguem o formulário e preencham a informação toda sobre a tecnologia, sobre o modelo de negócio, visão de crescimento.

Tem sentido também um aumento no número de candidaturas, ou pelo menos na procura por este tipo de programas?

Nós vamos na quinta edição. Por isso a resposta é sim, obviamente, e temos feito também aqui um grande esforço com a nossa equipa de tentarmos promover. O GTI é uma iniciativa mundial, KPMG, e creio que na última edição estavam presentes cerca de 20 países.

Ok.

Por isso, sim, temos visto bastante tração. Em cima disso, e é importante dar nota de que o vencedor da iniciativa em Portugal vai beneficiar de 12 meses de consultoria gratuita com especialistas da KPMG. Este é já o terceiro ano que o fazemos. A própria About e a Etiak já beneficiaram deste apoio. E obviamente isto vai lhes dar exposição nacional e internacional e obviamente feedback qualificado. É interessante porque, pelo menos eu quero acreditar, que o próprio GTI permite dar mais robustez ao pitch das startups, ou seja, identificar algumas fragilidades que o pitch tenha, olhar um bocadinho para o que é o modelo de negócio, olhar também para o que é necessário escalar e para crescer nos mercados internacionais.

E o facto de passar a ter também o selo de qualidade KPMG também é algo que não é de somenos. Passa a ser relevante poder dizer: "Eu ganhei o Global Tech Innovator da KPMG". Isto é quase um selo de qualidade, não é?

Eu diria que sim, pelo menos eu quero acreditar que sim. Não nos podemos esquecer que obviamente quem ganha esta iniciativa em Portugal, depois também vai representar Portugal no concurso internacional, que tipicamente, e este ano também será assim, a final será na Web Summit em novembro.

Ok.

Isto também permite catapultar estas startups.

Portanto, também aqui uma possibilidade ainda maior de ter mais visibilidade, para além de ganhares consistência no que diz respeito ao projeto. Queria também olhar aqui para os projetos inovadores que têm tido. Acredito que também procurem que os projetos, para além de serem inovadores, também sejam sustentáveis. E também há critérios no que diz respeito a esta sustentabilidade dos projetos?

Eu diria que sim. Ou seja, o pilar central até pode ser a inovação, eu diria que é essencial, mas eu acho que tem que ter um complemento bastante forte das restantes áreas. Ou seja, para nós é importante que a equipa de fundadores tenha um business, ou seja, um modelo de negócio bem implementado e consistente, uma visão estratégica de médio prazo também bastante sólida. E obviamente também tentamos perceber se existe ou não capacidade para continuar a crescer e competir nos mercados internacionais.

Sempre quando falamos aqui de sustentabilidade, não estamos a falar só e apenas, ou especificamente, da sustentabilidade ambiental, mas da sustentabilidade do próprio projeto.

Do próprio negócio, sustentabilidade empresarial.

Exatamente. No ano passado, o vencedor foi a Etiak, é assim que se diz? O que é que vos convenceu que esta empresa seria capaz de competir internacionalmente e que também cumpria todos estes critérios de que aqui estávamos a falar?

Se calhar, dando aqui só um bocadinho de feedback de contexto sobre a Etiak. Nós estamos a falar de uma startup que desenvolveu uma plataforma de cibersegurança ofensiva.

Ok.

E que é alimentada por inteligência artificial e que cria agentes autónomos que, em conjunto com hackers éticos, fazem testes de vulnerabilidade em tempo real nos seus clientes. E com isto tentam identificar as vulnerabilidades dos próprios sistemas dos clientes.

Ok.

E isto acaba por ser uma temática que está em cima da mesa de quase todas as grandes empresas, e nós sabemos que têm existido bastantes ataques muito recentemente com muito impacto para as sociedades.

Sim.

E obviamente, a Etiak, em termos de produtoTinha o produto certo, na altura certa, diria eu. Do ponto de vista de maturidade, que falávamos há pouco, também já começava a apresentar alguns sinais de maturidade. Ou seja, estamos a falar de uma entidade que já tinha cerca de 1 milhão de euros de annual recurring revenue, por isso já apresentava aqui uma base sólida de recorrência na receita. Já estava presente em nove países com 50 clientes e na última ronda levantou cerca de 4 milhões. Tinha os indicadores na parte da inovação e na parte da maturidade que falávamos há pouco.

E comparava bem internacionalmente com os outros players.

Sim. É importante salientar isto: o espectro dentro do concurso acaba por ter vários verticais, ou seja, uma empresa de cibersegurança vai estar a competir numa final com uma empresa de Green Tech, com uma empresa de Edu Tech, com uma empresa de Health Tech. Por isso é importante perceber a dimensão da inovação e o painel que nós temos também permite isso, mas obviamente também perceber a escalabilidade e o potencial que a tecnologia tem que ter em cada um dos seus verticais.

Estávamos aqui há bocado a falar acerca da final que acontece na Web Summit. A que nível é que isto é um impulsionador de crescimento para as startups?

A Web Summit, acreditamos nós, é se calhar das principais plataformas para este ecossistema a nível mundial. Só para terem uma ideia, eu acho que em 2025 teve mais de 70 mil participantes, com milhares de investidores e milhares de startups lá reunidas.

Mais do que um polo de conferências, é um polo de networking, não é?

Sim, um melting pot, diria mesmo, quase. Porque toda a gente que participa no setor, no ecossistema, aliás, está lá, e é onde as grandes ideias também começam a aparecer. Por isso, eu diria que o facto de o GTI estar na Web Summit, entendemos nós, que a Web Summit é quase um catalisador para acelerar a notoriedade, obviamente, e o tema do mediatismo também é importante para estas startups. O facto de abrir portas com investidores e parceiros, e obviamente nós também lá ajudar neste caminho, que eu acho que é importante.

As candidaturas já estão abertas, certo? O formulário está no site da KPMG. Também poderão seguir os desenvolvimentos nas redes sociais. Mais alguma coisa a acrescentarmos acerca deste Global Tech Innovator deste ano, Vasco?

Eu diria que se calhar só explicar um bocadinho o processo, porque eu posso ter saltado.

Então vamos a isso.

Mas as candidaturas já estão abertas.

Quando é que fecham, já agora?

As candidaturas fecham a 3 de julho, por isso no próximo mês. Reunimos para o efeito um painel de especialistas que inclui pessoas da academia, pessoas do mundo corporate, especialistas também dos diferentes verticais e colaboradores da KPMG. E o nosso objetivo é avaliarmos, obviamente, as candidaturas, selecionarmos um conjunto de finalistas. Esses finalistas têm uma final, que é o GTI Portugal, em setembro, e o vencedor do GTI Portugal vai representar o país na final do GTI mundial, que vai ser realizada na Web Summit, em novembro.

Ok. Está tudo falado e apresentado acerca deste Global Tech Innovator, versão 2026. Aqui no "Brainstorming" nós terminamos as nossas conversas sempre da mesma forma. Vou desafiar-te a escolheres uma música que faça fit com este GTI, com o Global Tech Innovator, e tens que nos explicar porquê também, naturalmente.

Claro. Uma das músicas que eu estive a pensar é a "Start Me Up", dos Rolling Stones.

Ok.

Eu acho que o próprio título já é um hino às startups e o facto de conseguirmos elevar as startups, ou seja, um repto das startups para serem elevadas com a ajuda de alguém, acho que o GTI é uma boa plataforma para o fazer. Em cima disso, a energia e a vitalidade que a música transmite e a vontade de avançar, acho que também refletem muito bem este espírito.

Boa.

Por isso, se eu tivesse que escolher, em primeiro lugar, seria Start Me Up.

Vasco Mendes, partner de M&A da KPMG Portugal, obrigado por teres vindo ao "Brainstorming". Muito sucesso também para este Global Tech Innovator e para todas as startups que se candidatarem. E vamos lá a isto, vamos trazer a vitória para Portugal. Se não for nesta, numa das próximas edições.

Certamente.

Mais uma vez, muito obrigado por teres vindo ao "Brainstorming". Até breve.

Obrigado.

Quase no final do "Brainstorming", chamamos a jogo a FIFA e a DAZN, que anunciou o lançamento do FIFA+ em exclusivo na plataforma de streaming desportivo. E assim, criam aquilo que descrevem como a casa global do futebol. A integração junta conteúdos digitais da FIFA ao catálogo da DAZN e assim promete cerca de 8500 jogos em direto por ano. Isto além do arquivo histórico, programação original e acesso a torneios internacionais e de formação. Tal como no espírito do Mundial, aqui também a ideia é clara: juntar pessoas, alimentar a paixão e transformar o futebol numa experiência que nunca termina no apito final. E assim sendo, hoje no "Brainstorming" falámos de uma Coca-Cola que joga com a emoção, de uma McDonald's que procura a verdade nas memórias dos adeptos e de uma FIFA e de uma DAZN que querem transformar o futebol numa casa global ainda maior. Com o Vasco Mendes, da KPMG Portugal, olhámos para o potencial que pode ser descoberto e desenvolvido no Global Tech Innovator, até porque nos campeonatos e na vida, só se ganha com leitura, timing e decisões bem feitas. Quanto a nós, decidimos e confirmamos que o "Brainstorming" está de regresso na próxima segunda-feira, depois das 21h30, e fica também disponível para nos aproveitares no seu timing ideal, nas principais plataformas podcast e, claro, no site e nas plataformas d'O Observador.Com a ajuda à produção da Inês Neto e a sonoplastia goleadora do Tomás Ferreira. Eu sou o Hugo Silva e até à próxima edição, lembre-se: quando o mundial está a chegar, até a razão aceita ficar no banco para dar lugar à esperança. Vamos acreditar. Haja o que houver, dê por onde der, nunca estivemos tão perto. Vai dar Portugal. Até para a semana. Bem-vindo ao Brainstorming, o magazine de criatividade e marketing da Rádio Observador, onde esta semana já se sente o aroma a relva misturado com tacos, hot dogs e poutine canadiana. É verdade, já falta menos de uma semana para o mundial começar. E não se trata apenas de futebol. É que este é aquele movimento de massas que transforma a rotina em rituais pré-jogo, a simples conversa em previsões informadas e qualquer sofá em bancada VIP do país e do coração. Porque quando o mundial está a chegar, Portugal entra logo num estado emocional muito próprio, mais fé do que lógica, mais entusiasmo do que prudência e muito mais capacidade de discutir onzes do que opções políticas, econômicas e estruturantes para o país. Afinal de contas, o que é mais importante? Mas o mundial também é acerca de marcas a entrarem em campo com a confiança de quem acha que um bom filme publicitário também pode marcar um gol na sua atenção. E é nessa linha que hoje vamos falar de campanhas que vivem do futebol, da cultura popular e da forma como este torneio consegue pôr o país e o mundo inteiro a sentir-se parte da jogada. Hoje também recebemos Vasco Mendes, partner de M&A da KPMG Portugal. Vamos falar de estratégia e da forma como outras equipes surpreendem e podem vencer no campeonato das startups. Mas para além da conversa, temos as habituais notícias da semana e por aqui há futebol a sério, emoção bem calibrada, nostalgia de marca e ainda uma plataforma que quer juntar o mundo todo numa só bancada digital. Que comece a partida. A Coca-Cola confiou-me uma missão ultrassecreta. E começamos com a Coca-Cola, que lançou em Portugal uma nova fase da sua campanha associada ao Campeonato do Mundo 2026, com Cândido Costa e José Mourinho como protagonistas. A presença da marca está garantida em televisão, outdoor digital e redes sociais, e inclui ainda conteúdos em tempo real ao longo da competição. Nas redes, Cândido Costa assume um papel central na narrativa e empresta a voz aos filmes. Mourinho surge em televisão, vídeo digital e outdoors, além da série José versus Mourinho, uma série criada para as redes sociais. A campanha vive do contraste entre a intensidade do torneio e a forma como os adeptos o sentem em cada pestanejo, em cada lágrima. E assim se percebe que quando o mundial está a chegar, as marcas também entram em campo com a ambição de jogar onde realmente importa: nas emoções. Boa, Coca-Cola. Dos pilares da vitória, eles vieram. E agora a McDonald's e a sua campanha global para o mundial, que chega a Portugal a 9 de junho e aposta numa ideia simples: por detrás de grandes estrelas do futebol, existem pessoas comuns com memórias ligadas à marca. Em vez de falar apenas da competição, a campanha mergulha no lado universal da relação entre os fãs, a cultura popular e a McDonald's. O conceito ganha força através de nomes como Thierry Henry, Ronaldinho Gaúcho, David Beckham, Son Heung-min e Lamine Yamal. São mostrados não como figuras distantes, mas como consumidores com histórias reais e pessoais associadas à marca. Por exemplo, Thierry Henry recorda que ir ao McDonald's era um luxo especial quando era adolescente, porque os pais preferiam a comida caseira. É uma memória que dá à campanha precisamente aquilo que ela procura: verdade, proximidade e aquele detalhe humano que faz a diferença. Afinal de contas, no mundial e no marketing, o jogo mais interessante nem sempre acontece dentro das quatro linhas. Às vezes, acontece na memória de quem vê, sente e vive. Mais uma edição do Brainstorming. Nesta, temos o prazer de conversar com Vasco Mendes, é partner de M&A da KPMG Portugal. Seja muito bem-vindo aqui ao Brainstorming, Vasco. Falamos do Global Tech Innovator, que já abriu candidaturas para mais uma edição. O que distingue este projeto de outros programas com startups, este Global Tech Innovator?

Antes de mais, muito bom dia a todos. Nós acreditamos que o GTI, como nós o apelidamos carinhosamente na KPMG, é mais do que uma competição local, ou seja, acaba por funcionar como uma plataforma de projeção e de aceleração com alcance internacional, quando comparamos com outras iniciativas que vemos. Nós, desde 2020Que foi quando começamos esta iniciativa. O objetivo era identificar startups com potencial, como referia, e obviamente fomentar e criar pontes entre os diferentes stakeholders do ecossistema, ou seja, investidores, líderes, parceiros, especialistas, e dar uma visão muito mais estratégica do que as iniciativas que costumamos ver aqui no mercado nacional.

Até porque não só nacionalmente, mas internacionalmente, acaba por ser, neste momento, uma selva de startups. Quase que nascem entre as pedras da calçada, mas depois conseguir, de facto, fazer com que as startups tenham e sigam os seus propósitos e os seus objetivos e se liguem às entidades que importam para os projetos seguirem em frente, nem sempre é fácil.

Sim, eu diria que esse é o principal desafio e o nosso papel e o papel da GTI também é esse, é juntar, connecting the dots, como nós costumamos dizer, ou seja, pegar nas ideias. Obviamente, eu acho que é importante ressalvar que o GTI não está numa fase tão embrionária. O que eu quero dizer com isto? Nós não olhamos para startups que querem só validar a ideia, ou seja, nós estamos um bocadinho mais à frente. A startup já tem que ter uma ideia válida, já tem que ter passado pelo que nós chamamos a fase de proof of concept e obviamente ter um pouco mais de maturidade pra não estarmos nesse espectro que falava há pouco das milhares de startups e ideias a fervilhar, mas pouco tangíveis.

Tem que ser um bocadinho mais consistente do que isso. O nosso país também tem ganho alguma notoriedade, sobretudo no setor tecnológico, a nível europeu. O que os tem surpreendido mais no que diz respeito aos projetos que as startups apresentam no nosso país?

Aqui, obviamente, é um pouco fruto do que temos visto em termos de candidaturas pelos critérios que apresentamos, mas eu diria, sobretudo, um equilíbrio muito grande entre sofisticação tecnológica e inovação, e obviamente onde nós, Portugal, dá cartas nesse aspecto, e obviamente a maturidade do negócio. O que nós queremos com isto? Nós queremos startups que, para além da boa ideia e para além da inovação, já tenham uma visão clara sobre o que querem fazer no futuro, sobre a estratégia e obviamente, capacidade para competir nos mercados internacionais. Eu acho que isso para nós é bastante relevante. O que nós queremos são startups que resolvem problemas reais, concretos e em que o impacto depois acaba por ser tangível e mensurável.

E os profissionais ou os futuros profissionais portugueses também já conseguem começar a dar cartas ou também, por outro lado, se nota nestas startups que também há recursos humanos internacionais?

Curiosamente, ainda na semana passada falava com o antigo presidente de uma das principais associações do ecossistema e ele dizia uma coisa interessante, que é: as startups nacionais acabam por ter aqui uma componente e um desejo muito de serem escaláveis rapidamente e competirem no mercado internacional da forma mais rápida. O que eu quero dizer com isto? Se calhar, se olharmos para outros países da Europa em que as startups acabam por estar muito focadas nos mercados nacionais, porque são mercados de dimensão, Portugal consegue criar startups em que o mindset é orientado para serem competitivas a nível internacional.

Ok. Ou seja, somos um bom tubo de ensaio, mas começamos a ser cada vez mais um tubo de ensaio com ambições de crescimento e muitas, imagino também, com o sonho de serem unicórnios.

Isso sem dúvida, eu acho que é o sonho de todas. Depois há um longo caminho até o serem.

Claro. Mas há bons exemplos, felizmente, de empresas com muito sucesso, de startups que vingaram. Há alguma área ou áreas em que tenham surgido projetos mais promissores?

Se olharmos para as edições mais recentes, obviamente, o tema do AI está em quase todas, seja por resolver problemas complexos, seja por reduzir o erro humano ou acelerar o crescimento. E isto tem uma aplicação, eu diria, quase transversal a todos os verticais.

Ok.

Do ponto de vista de verticais, e olhando aqui um bocadinho, pensando em quem foram os vencedores dos últimos cinco GTIs, estamos a olhar para temas em verticais como a cibersegurança, saúde, educação, energia, a identificação digital. Eu diria que estes têm sido os espectros onde temos visto boas candidaturas capazes de resolver problemas concretos e obviamente com impacto tangível.

São, ao fim e ao cabo, também alguns dos pilares que têm desencadeado conflitos um pouco por todo o mundo, mais ou menos diplomáticos, mais ou menos bélicos. Para quem nos está a ouvir e se quiser candidatar a este GTI, Global Tech Innovator, o que precisa de saber? Já falámos aqui acerca dos requisitos. Podemos mergulhar um bocadinho mais neste âmbito e saber também o que é que os vencedores podem conquistar neste Global Tech Innovator?

Claro que sim. Então, os critérios eu diria que são quatro grandes critérios para a análise das candidaturas. Estamos a falar de empresas que têm que estar sediadas em Portugal.

Ok.

Com menos de sete anos de atividade. Do ponto de vista de dimensão, o que procuramos é já startups com receitas entre 1 milhão a 15 milhões, ou então empresas que tenham levantado capitais recentemente, no mínimo de 500, 1.000 euros, e obviamente também demonstrar crescimento constante e um pipeline, que nós chamamos qualificado, ou seja, visibilidade sobre o que vão ser as receitas no futuro. Por fim, o último critério, não podem ser tidas maioritariamente por grandes grupos.

Ok.

Ou seja, os acionistas ainda têm que ser os fundadores, do ponto de vista majoritário. O formulário já está no nosso website, por isso peço que descarreguem o formulário e preencham a informação toda sobre a tecnologia, sobre o modelo de negócio, visão de crescimento.

Tem sentido também um aumento no número de candidaturas, ou pelo menos na procura por este tipo de programas?

Nós vamos na quinta edição. A resposta é sim, obviamente, e temos feito também aqui um grande esforço com a nossa equipa de tentarmos promover. O GTI é uma iniciativa mundial, KPMG, e creio que na última edição estavam presentes cerca de 20 países.

Ok.

Por isso, sim, temos visto bastante tração. Em cima disso, e é importante dar nota de que o vencedor da iniciativa em Portugal vai beneficiar de 12 meses de consultoria gratuita com especialistas da KPMG. Este é já o terceiro ano que o fazemos. A própria About e a Ethiac já beneficiaram deste apoio. E obviamente, isto vai lhes dar exposição nacional e internacional e feedback qualificado. É interessante porque eu quero acreditar que o próprio GTI permite dar mais robustez ao pitch das startups, ou seja, identificar algumas fragilidades que o pitch tenha, olhar um bocadinho para o que é o modelo do negócio, olhar também para o que é necessário escalar e para crescer nos mercados internacionais.

E o facto de passar a ter também o selo de qualidade KPMG é algo que não é de somenos. Passa a ser relevante poder dizer: "Eu ganhei o Global Tech Innovator da KPMG". Isto é quase um selo de qualidade.

Eu diria que sim, pelo menos eu quero acreditar que sim. Não nos podemos esquecer que obviamente, quem ganha esta iniciativa em Portugal, depois também vai representar Portugal no concurso internacional, que tipicamente, e este ano também será assim, a final será na Web Summit em novembro.

Ok.

Isto também permite catapultar estas startups.

Portanto, também aqui uma possibilidade ainda maior de ter mais visibilidade, para além de ganhares consistência no que diz respeito ao projeto. Queria também olhar aqui para os projetos inovadores que têm tido. Acredito que também procurem que os projetos, para além de serem inovadores, também sejam sustentáveis. E também há critérios no que diz respeito a esta sustentabilidade dos projetos?

Eu diria que sim. Ou seja, o pilar central até pode ser a inovação, eu diria que é essencial, mas eu acho que tem que ter um complemento bastante forte das restantes áreas. Ou seja, para nós é importante que a equipa de fundadores tenha um business, ou seja, um modelo de negócio bem implementado e consistente, uma visão estratégica de médio prazo também bastante sólida e obviamente, também tentamos perceber se existe ou não capacidade para continuar a crescer e competir nos mercados internacionais.

Sempre quando falamos aqui de sustentabilidade, não estamos a falar só e apenas, ou especificamente, da sustentabilidade ambiental, mas da sustentabilidade do próprio projeto.

Do próprio negócio, sustentabilidade empresarial.

Exatamente. No ano passado, o vencedor foi a Ethiac, é assim que se diz? O que é que vos convenceu que esta empresa seria capaz de competir internacionalmente e que também cumpria todos estes critérios que aqui estávamos a falar?

Se calhar, dando aqui só um pouquinho de feedback de contexto sobre a Ethiac. Nós estamos a falar de uma startup que desenvolveu uma plataforma de cibersegurança ofensiva.

Ok.

E que é alimentada por inteligência artificial e em que cria agentes autónomos que, em conjunto com hackers éticos, fazem testes de vulnerabilidade em tempo real nos seus clientes. E com isto tentam identificar as vulnerabilidades dos próprios sistemas dos clientes.

Ok.

E isto acaba por ser uma temática que está em cima da mesa de quase todas as grandes empresas, e nós sabemos que têm existido bastantes ataques muito recentemente com muito impacto para as sociedades.

Sim.

E obviamente, a Ethiac em termos de produto, tinha o produto certo, na altura certa, diria eu. E obviamente, olhando para o tema da maturidade que falávamos há pouco, também.

Acaba por ser uma prevenção mais ativa do que só preventiva, pelo que estou a perceber. Ou seja, enquanto a maioria das empresas se preocupam em proteger o forte, por assim dizer, em criar muralhas mais altas, aqui temos um gênero de scouts que vão à procura de onde é que podem estar as vulnerabilidades.

De procurar as vulnerabilidades e obviamente identificá-las para conseguir corrigir, para que não hajam ataques futuros. Dar nota que também no tema da inovação preenchia os critérios. Do ponto de vista de maturidade, que falávamos há pouco, também já começava a apresentar alguns sinais de maturidade. Ou seja, estamos a falar de uma entidade que já tinha cerca de 1 milhão de euros de annual recurring revenue, por isso já apresentava aqui uma base sólida de recorrência na receita. Já estava presente em nove países com 50 clientes e na última ronda levantou cerca de 4 milhões, por isso tinha os indicadores na parte da inovação e na parte da maturidade que falávamos há pouco.

E comparava bem internacionalmente com os outros players.

Sim, obviamente, é importante salientar isto, o espectro dentro do concurso acabam por ter vários verticais, ou seja, uma empresa de cibersegurança vai estar a competir numa final com uma empresa de Green Tech, com uma empresa de Edu Tech, com uma empresa de Health Tech. Por isso, é importante perceber a dimensão da inovação e o painel que nós temos também permite isso, mas obviamente também perceber a escalabilidade e o potencial que a tecnologia tem que ter em cada um dos seus verticais.

Estávamos aqui há bocado a falar acerca da final que acontece na Web Summit.A que nível é que isto é um impulsionador de crescimento para as startups?

A Web Summit, acreditamos nós, é se calhar das principais plataformas para este ecossistema a nível mundial. Só para terem uma ideia, eu acho que em 2024, aliás, 2025, teve mais de 70 mil participantes, com milhares de investidores e milhares de startups lá reunidas.

Mais do que um polo de conferências, é um polo de networking, não é?

Um melting pot, diria mesmo, quase. Porque toda a gente que participa no setor, no ecossistema, está lá, e é onde as grandes ideias também começam a aparecer. Por isso, eu diria que o facto do GTI estar no Web Summit, entendemos nós que o Web Summit é quase um catalisador para acelerar a notoriedade, obviamente, e o tema do mediatismo também é importante para estas startups. O facto de abrir portas com investidores e parceiros e obviamente nós também lá ajudar neste caminho, que eu acho que é importante.

Já tivemos algum vencedor português da categoria internacional ou ainda não?

Não, ainda não tivemos, com muita pena nossa, porque temos, de facto, tido bastantes ideias muito boas em Portugal. Quem ganhou na primeira edição foi a Define AI. Depois tivemos a Musiversal, também era uma ideia excelente, que juntava os produtores de conteúdo musical com quem precisava desses conteúdos numa plataforma bastante interessante. Tivemos a Rauva, que acaba já por ser uma entidade que já tem licença bancária, inclusivamente, e que está a dar frutos nesse main, no tema dos pagamentos, no tema da faturação eletrónica. Tivemos há dois anos a Bout, que também é uma ideia bastante interessante, que é um saco box inteligente. E aqui também é importante salientar que o que o GTI procura não são só empresas focadas em software, mas obviamente empresas que também tenham um produto. No caso da Bout, estávamos a falar de um saco box em que podia monitorizar todos os treinos das pessoas e obviamente criar treinos gamificados, ou seja, criar iniciativas e desafios aos próprios utilizadores. E o ano passado a Ethiac, que falámos há pouco.

Este também pode ser um aliciente para quem quiser concorrer, poder tornar-se eventualmente o primeiro vencedor português da categoria internacional do Global Tech Innovator. As candidaturas já estão abertas, certo? O formulário está no site da KPMG. Também poderão seguir os desenvolvimentos nas redes sociais. Mais alguma coisa a acrescentarmos acerca deste Global Tech Innovator deste ano, Vasco?

Eu diria que se calhar só explicar um bocadinho o processo, porque eu posso ter saltado.

Então vamos a isso.

Mas as candidaturas já estão abertas.

Quando é que fecham, já agora?

As candidaturas fecham a 3 de julho, por isso no próximo mês. E reunimos para o efeito um painel de especialistas que inclui pessoas da academia, pessoas do mundo corporate, especialistas também das diferentes verticais e colaboradores da KPMG. E o nosso objetivo é avaliarmos, obviamente, as candidaturas, selecionarmos um conjunto de finalistas. Esses finalistas têm uma final, que é o GTI Portugal, em setembro, e o vencedor do GTI Portugal vai representar o país na final do GTI mundial, que vai ser realizada no Web Summit, em novembro.

Ok. Está tudo falado e apresentado acerca deste Global Tech Innovator, versão 2026. Aqui no "Brainstorming", Vasco, terminamos as nossas conversas sempre da mesma forma. Vou desafiar-te a escolheres uma música que faça fit com este GTI, com o Global Tech Innovator, e tens que nos explicar porquê também, naturalmente.

Claro. Uma das músicas que eu estive a pensar é a "Start Me Up", dos Rolling Stones.

Ok.

Eu acho que o próprio título já é um hino às startups e ao facto de conseguirmos elevar as startups, ou seja, um repto das startups para serem elevadas com a ajuda de alguém. Acho que o GTI é uma boa plataforma para o fazer. Em cima disso, a energia e a vitalidade que a música transmite e a vontade de avançar, acho que também refletem muito bem este espírito.

Boa.

Por isso, se tivesse que escolher, em primeiro lugar, seria "Start Me Up".

Vasco Mendes, partner de M&A da KPMG Portugal, obrigado por teres vindo ao "Brainstorming". Muito sucesso também para este Global Tech Innovator e para todas as startups que se candidatarem. E vamos lá a isto, vamos trazer a vitória para Portugal. Se não for nesta, numa das próximas edições.

Certamente.

Mais uma vez, muito obrigado por teres vindo ao "Brainstorming" e até breve.

Obrigado.

Quase no final do "Brainstorming", chamamos a jogo a FIFA e a DAZN, que anunciou o lançamento do FIFA+ em exclusivo na plataforma de streaming desportivo. E assim, criam aquilo que descrevem como a casa global do futebol. A integração junta conteúdos digitais da FIFA ao catálogo da DAZN e assim promete cerca de 8500 jogos em direto por ano. Isto além do arquivo histórico, programação original e acesso a torneios internacionais e de formação. Tal como no espírito do mundial, aqui também a ideia é clara: juntar pessoas, alimentar a paixão e transformar o futebol numa experiência que nunca termina no apito final. E assim sendo, hoje no "Brainstorming" falámos de uma Coca-Cola que joga com a emoção, de uma McDonald's que procura a verdade nas memórias dos adeptos e de uma FIFA e de uma DAZN, que querem transformar o futebol numa casa global ainda maior. Com o Vasco Mendes, da KPMG Portugal, olhámos para o potencial que pode ser descoberto e desenvolvido no Global Tech Innovator, até porque nos campeonatos e na vida só se ganha com leitura, timing e decisões bem feitas. Quanto a nós, decidimos e confirmamos que o "Brainstorming" está de regresso na próxima segunda-feira, depois das 21h30, e fica também disponível para nos aproveitares no seu timing ideal, nas principais plataformas podcast e, claro, no site e nas plataformas do Observador. Com a ajuda à produção da Inês Neto e a sonoplastia goleadora do Tomás Ferreira, eu sou o Hugo Silva. E até à próxima edição, lembre-se: quando o mundial está a chegar, até a razão aceita ficar no banco para dar lugar à esperança. Vamos acreditar.

Haja o que houver, dê por onde der, nunca estivemos tão perto. Vai dar Portugal.

Até para a semana.