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"Grândola, vila morena, terra da fraternidade. O povo é quem mais ordena dentro de ti, ó cidade."

Há músicas e versos que não envelhecem, ficam. E há datas que não passam, como este 25 de abril, que mais do que uma página na história, é o nosso ponto de partida. Desde 1974, ganhámos voz e escolha, construímos um país mais aberto, mas percebemos também que a liberdade não é um destino fechado, é um processo contínuo, exige exercício, proteção e carinho.

"Grândola, vila morena, terra da fraternidade".

E a liberdade também trouxe bem-estar e saúde, por incrível que pareça. Temas que vamos explorar hoje com o Rodolfo Candeias, fundador e head coach do CFM, Contemporary Fitness Movement, porque há uma ligação curiosa entre liberdade e disciplina. Uma dá-nos espaço, a outra dá-nos direção. Mas antes de mergulharmos no treino, vamos às notícias que agitaram a criatividade esta semana com segurança, ambição e frescura.

Fraude e burlas, segundo a Rita. Phishing? São arápios que andam à pesca das nossas coisas lá nas internets. A mim não me enganam. Aqui não levam nada.

Começamos pelo MEO, que lançou uma campanha dedicada à segurança digital, sob o mote "Dá-lhes com a segurança do MEO".

É dá-lhes com esta, MEO.

A marca aposta numa linguagem simples e próxima para tornar temas como phishing ou fraude compreensíveis para todos. A campanha recorre a personagens reais, como uma peixeira ou um vendedor de automóveis, para ilustrar riscos que muitas vezes passam despercebidos.

Eu nunca é nessa, pá, estou prevenido. Aqui está. Para mim vão logo carinho. Carinho.

Com criatividade e planeamento da WPP e produção da Garage, a campanha multimeios estará presente ao longo do ano com o objetivo de consolidar o papel da MEO na literacia digital preventiva. Mais do que tecnologia, fala-se aqui de comportamento, de atenção, de consciência, no fundo, de práticas fundamentais ao exercício da democracia e da liberdade.

Grande tanga.

E agora mudamos de campo, mas mantemos o foco na imaginação. A Lego juntou à volta de uma mesa alguns dos maiores nomes do futebol mundial. São eles Cristiano Ronaldo, Messi, Vini Júnior e Mbappé. Nesta campanha global, os jogadores são transformados em craques da construção. E o objetivo, naturalmente, é a taça de campeão do mundo. Desenvolvida pela Wieden+Kennedy Amsterdam, a iniciativa cruza desporto e criatividade, acompanhando o lançamento da coleção Lego Editions para o Mundial de 2026. Porque, no fundo, liberdade também é Lego quando se imagina, cria e reinventa o jogo à nossa maneira. Mais uma edição do "Brainstorming" e nesta temos o prazer de conversar com Rodolfo Candeias. É head coach, treinador no Contemporary Fitness Movement. Sê muito bem-vindo aqui ao "Brainstorming". Rodolfo, vamos falar acerca deste projeto que agora tem uma nova marca, mas tudo começou há uns anos com o projeto CrossFit Montijo. Mantém as iniciais, mas o que está dentro deste ecossistema de treino e performance foi se transformando até chegar a este CFM de hoje em dia. Já vamos perceber em que é que consiste esta marca hoje em dia e o que é que vos levou a chegarem aqui. Primeiro, quero perceber como é que nasce o CrossFit Montijo e o que é que diferencia este projeto desde o início.

Olá, Hugo.

Olá. Bem-vindo.

Obrigado pelo convite.

É um gosto.

Foi um convite, de facto, extraordinário podermos ter esta conversa os dois e poder contar um pouco da história, que é o passado, o presente e aquilo que poderá vir a ser o nosso futuro, não sabemos.

Vamos a isso.

Relacionado com o CFM. A CrossFit Montijo nasceu de uma necessidade familiar. Ou seja, eu estive sempre ligado ao futebol e ao alto rendimento. Trabalhava com equipas profissionais de futebol e à altura eu tinha casa no Montijo, mas vivia em Lisboa e toda a minha vida era passada mais em Lisboa do que no Montijo. E os meus filhos chegaram ao quarto ano de escolaridade e tivemos que decidir se viríamos para o Montijo novamente ou se ficaríamos em Lisboa.

Isto foi em que ano, mais ou menos, só para ter ideia?

Isto foi em 2015, salvo erro. Finais de 2014 ou 2015. Penso que em 2015.

Ok.

Nessa altura, eu estava no Belenenses, pertencia à equipa do Sá Pinto, que estava lá na altura no Belenenses. Eu vinha já de 16 anos de futebol profissional.

Exigente e cansativo também, não é? Absorvente.

Sim, é um pouco diferente daquilo que as pessoas pensam. Ou seja, são oito dias por semana, não são sete, são oito.

Sem fins de semana, sem nada.

Sem fins de semana, porque estávamos nos jogos ou em estágio. E ter uma vida familiar com gêmeosEra muito difícil.

Ok.

Era muito difícil.

Imagino.

Na altura, eu sempre como sendo amante de esporte, ou seja, praticando e trabalhando para o esporte, sempre quis chegar àquilo que eu chamava os civis, ao mortal comum do dia a dia e não só o atleta de altíssimo rendimento que recebe um vencimento para desempenhar aquela função.

São desafios diferentes, não é?

Muito diferentes mesmo.

Há algum mais complicado?

Eu acho que é a predisposição para aquilo que a pessoa vai. Um atleta de alto rendimento vai predisposto para atingir o seu limite todos os dias ou ultrapassá-lo todos os limites, todos os dias. Peço desculpa. O civil tem uma perspectiva diferente da coisa.

Ok, e então pensaste que queres chegar aos civis, por assim dizer, como é que se chega aos civis?

Na altura, eu, para não estar sempre no clube também, para eu poder treinar também, fazia também ginásio, fazia piscina, corria, fazia essas coisas todas. E na altura abriu a CrossFit, a CrossFit 351, no Alto de Algés, que era perto ali do Estádio do Restelo, e fui experimentar. Já tinha visto o Neurosport e quando experimentei, não sei se foi em 2012, salvo erro foi em 2012. Eu fiz o mal e fiquei completamente doente. Eu disse assim: "Isto é a minha cara, eu vou fazer isto. Isto é loucura". E fiquei totalmente apaixonado. Daí a fazer a primeira formação que fiz internacional do CrossFit, foi em nem um ano, acho eu. Estava totalmente rendido e apaixonado à metodologia.

E depois, por que a ida para o Montijo?

Da passagem, ok.

Sim.

Quando os gêmeos chegam ao quarto ano de escolaridade e que temos que definir como é que íamos fazer as coisas, já vinha aquele cansaço de uns 16 anos de futebol e eles iriam precisar de um apoio totalmente diferente que eu não estava a dar, porque não estava a dar. E aí tivemos que decidir relativamente a todo o cansaço familiar que nós tínhamos acumulado durante aqueles anos. Resolvemos ou eu continuava no futebol, tínhamos que ficar a morar em Lisboa, eles iam pra um colégio em Lisboa e continuava a nossa vida como estava, ou seja, eu não pertencia muito a essa vida.

Ok.

Ou então eu queria ser um pai a tempo inteiro de outra forma que eu não estava a ser até o momento. E na altura optei por ser um pai a tempo inteiro e vi nada melhor do que utilizar o CrossFit e a metodologia do CrossFit para aplicar tudo aquilo que eu faço aos atletas de alta competição, mas para chegar ao mortal comum. Tenho aqui algumas ideias na minha cabeça, como é que eu posso juntar estas duas coisas e criar uma box minha de CrossFit que eu consiga dar um pouco mais que aquilo que uma box comum de CrossFit na altura dava.

Mas abrir uma box não é só abrir uma box. Não é só arranjar uma garagem, por assim dizer, ou um pavilhão e pôr uns pesos lá dentro e vamos embora.

Para veres, na altura foi mesmo uma loucura muito grande, porque eu primeiro estive estruturando aquilo durante muito tempo, durante muitos meses, estava trabalhando normalmente e estava a estruturar aquela ideia. A Raquel, a minha esposa, dizia que aquilo era um pouco de loucos, e se eu percebia o que estava a fazer.

É um bocadinho um salto no vazio, não é?

Sim. Quem está comigo está habituado um pouco a isso. O salto é sempre pro abismo. Os meus pais, o meu pai então ficou completamente louco, porque ama o futebol, é só futebol e ficou um pouco: "Não podes fazer isto nunca na tua vida com a carreira que tu tens".

Apesar de tu também abdicar de alguma estabilidade, não é?

Eu não tinha estabilidade.

Ok.

Não havia grande estabilidade. Eu tinha mesmo que tomar uma decisão.

Ok.

Eu tinha mesmo que tomar uma decisão naquela altura, o contexto familiar que se estava a viver tinha que ser tomada uma decisão. E na altura fiz o estudo pra área indicada, fui recorrer aos Censos, recorri à Câmara Municipal do Montijo, perceber onde é que poderia ser, onde é que não poderia ser, se havia muitos ginásios, que tipo de ginásios é que havia, o que é que se praticava na cidade, andei ali uns bons meses às escondidas a estudar aquilo.

Então não foi bem lamber a ponta do dedo, levantar para ver para onde é que o vento estava a soprar. Foi uma coisa estruturada e pensada desde o início.

Sim, porque não podia ser um salto assim tão grande ou no vazio, não podia deixar a carreira que tinha, deixar também as responsabilidades que tinha. Não faria qualquer tipo de sentido.

Então e quando é que abre a primeira box CFM CrossFit Montijo?

A primeira box CrossFit Montijo, nós adquirimos a marca CrossFit e depois juntamos Montijo, que era o nome da nossa cidade, e foi em dezembro de 2015, que foi quando nós fizemos a afiliação. Abrimos ao público no dia 13 de fevereiro de 2016. Num sítio, não sei se tu sabes onde é que era.

Não, não sei.

O primeiro sítio era perto dos barcos do Seixalinho, de onde vêm os barcos de Montijo para Lisboa, quem está a ouvir e conhece, era um sítio completamente desterrado do mundo, periferia do Montijo, em que toda gente disse que eu era louco, nunca iria conseguir ter êxito.

Mas tiveram êxito e foi logo desde o início que conseguiram perceber que o projeto CrossFit Montijo era mais do que uma simples box onde as pessoas iam treinar?

Eu vou te dizer, pra que conheças um bocadinho mais. Eu sou uma pessoa muito apaixonada. Tenho as emoções sempre muito à flor da pele e sou mesmo muito apaixonado e nunca tenho dúvidas. É bom às vezes termos dúvidas naquilo que estamos a fazer. Não, se eu estruturar a ideia, eu tenho que acreditar 100% nela, senão ela não vai resultar. E eu acreditei que conseguia fazer algo diferente com esta metodologia que eu acreditava, levando todo o meu know-how e o background dos últimos 16 anos para aplicar em pessoas que queriam praticar exercício físico, uns mais a sério, outros mais a brincar, mas eu ia chegar a todos. E se eu fizesse um bom trabalho no local onde eu tinha espaço, podia fazer barulho, podia estar à vontade, eu ia ter êxito.Porque na altura tive que me precaver. O que é que eu fiz? Em Espanha era loucura o Padel. Agora toda a gente sabe o que é Padel e faz Padel. Eu tive um campo de Padel há 10 anos dentro da CrossFit Montijo, porque era a minha tábua de salvação. Eu pus lá um campo de Padel e abri a box CrossFit no mesmo armazém, tudo ao mesmo tempo.

Foi all in.

Muita gente nem sabe isso.

Foi uma forma de fazer all in ou foi uma forma de arranjar ali uma boia salva-vidas, just in case?

Era uma boia salva-vidas e vou te dizer o que é que se tornou: 200 metros quadrados de relva sintética para iniciar o projeto, que hoje é muito conhecido nacionalmente e internacionalmente, CrossFit Kids e Teens Montijo.

Ok.

Passou rapidamente para 200 metros quadrados de relva sintética para as crianças.

Ou seja, dão treinos a adultos, dão treinos a crianças e é também por isso, já tinha feito a pergunta, mas agora reformulando ainda com mais substância, é por isso, é por juntar todas as idades, é por estar adaptado e aberto a todos os tipos de pessoas, que o projeto CrossFit Montijo é mais que uma simples box?

Eu acho que sim, porque cada box owner tem uma forma de pensar o seu negócio, a sua abordagem, mesmo que possamos estar a trabalhar dentro da mesma metodologia. Mas tens boxes que são mais ligadas a jovens e a treino só de alto rendimento ou só treino para competir. E tens boxes que estão ligadas, por exemplo, à CrossFit Beja, que está num local que tem um tipo de pessoas muito específicas, como temos a CrossFit Montijo, que desde o primeiro dia o objetivo era: se eu entrei eu, a minha mulher e os meus dois filhos, as pessoas que vieram a seguir era muito o casal ou casal com filhos. Era muito um contexto familiar que nós tentamos desde o início, que toda mundo se sentisse isso. Sentisse que estava em casa e que era uma família. E isto, de fato, acho que fez a grande diferença até ao dia de hoje.

Portanto, família na base de tudo, mas também há espaço para o treino de alto rendimento. Exemplo disso são o Rafael e o Rodrigo Candeias, os gêmeos, teus filhos e filhos da Raquel também, como já aqui disseste. Eles são atletas de alto rendimento. Como é que se dá também este salto? Foi preciso convencê-los, não tinham outra hipótese. Fala-nos um bocadinho acerca do percurso deles, mas também do que já conseguiram.

Quando nós mudamos para Montijo, eles foram pra escola e tudo bem. Eles praticavam judo de competição, faziam campeonato nacional na altura, da classe 2006, e faziam também natação de competição. E quando abrimos a box, eles começaram a praticar o CrossFit e aquele bichinho muito grande, logo de poderem trabalhar a parte mais do halterofilismo, dos pesos, e depois estar com a comunidade, com as crianças todas, foi, de fato, muito apaixonante. Daí a eles começarem a querer ir a menos aulas de judo e a menos aulas de natação, foi rápido.

Para os pais também foi conveniente.

Para os pais também foi conveniente, mas sempre porta aberta.

Ok.

Eles deixaram a natação primeiro. O judo tinha uma proximidade grande com o mestre deles e continuaram no campeonato nacional, até que dada altura, o mestre disse: "Ou vocês vão ser judocas a sério ou vão ser crossfiters a sério. Tem que haver uma escolha. Senão é uma brincadeira num ou brincadeira no outro. O que vocês querem?"

Ok.

Nessa altura, quando se tomou a decisão, eles tomaram a decisão de ficar só no CrossFit e nesse ano, eu não me recordo o ano, mas salvo erro, eles tinham 13 anos. A Raquel é melhor nestas coisas.

Sim.

Treze anos. Nós inscrevemos no campeonato mundial, o International Functional Fitness, ao qual o Rodrigo foi campeão do mundo e o Rafael foi vice-campeão do mundo dessa prova, com essa idade.

O que eles já conseguiram a nível de títulos?

Deixa-me só dar aqui um pequeno pormenor para as pessoas perceberem. O Rodrigo e o Rafael, porque isto pode dar força a muita gente também, eles são muito parte da marca. Temos a frase, como tu sabes, "só perdes quando desistes", que nasce deles. Eles foram bebês prematuros, 32 semanas, e todas as indicações foram que não poderiam fazer exercício físico, iriam ter sempre problemas cardíacos graves, pulmonares graves, e os médicos deram sempre uma grande contraindicação à prática do exercício físico, ao qual nós, com todo o cuidado e com todo o acompanhamento médico, iniciamos a tal natação, iniciamos o tal judo e fomos sempre acompanhando eles de perto, com a pediatra deles também, e conseguimos chegar àquilo que eles são hoje. Por isso é importante os pais não desistirem ou não arranjarem desculpas para que os filhos não possam seguir os seus sonhos e que não possam praticar atividade física, que é aquilo que lhes vai dar, de fato, a real força, seja física ou mental.

Ok. E, portanto, esses piores prognósticos, felizmente, não se concretizaram. Podem fazer esporte, praticam atualmente esporte de alta competição, inclusivamente já levaram CrossFit Montijo, agora CFM Contemporary Fitness Movement, já levaram a outros palcos, nomeadamente fora do país, não é?

Sim, eles conquistaram o espaço por apuramento, diversas fases, e foram aos CrossFit Games, em 2021. Foram os primeiros atletas a fazer todas as fases de apuramento, a cumprirem todas as fases e chegarem à grande final, que foi nos Estados Unidos, em Madison, ao qual, nesses quatro dias de competição, chegaram também eles à final da competição. E foi, de fato, surreal pra toda a comunidade em Portugal do CrossFit.

Era isso que ia perguntar. Há muitos atletas portugueses a conseguirem chegar às fases finais destes CrossFit Games?

Não. Contam-se pelos dedos de uma mão. E teenagers, foram só eles os únicos até hoje. Nunca nenhum atleta conseguiu chegar lá.

É difícil no dia a dia equilibrar estes dois mundos de alta competição com as famílias, as pessoas, o comum mortal que vai treinar para manter uma condição física aceitável ou para melhorar sua condição física?

Estás a falar mais em relação às outras pessoas.

Estou a falar como é que se equilibra dentro da box, dentro do projeto, nas metodologias de treino.

Equilíbrio em estudo.

Sim, como é que se equilibra isso tudo? São vários pratos numa balança, não é?

São mesmo. Imagina, dentro daquilo que o Rodrigo e o Rafael foram conquistando, tanto na base do CrossFit a nível mundial, como no halterofilismo, conquistando uma medalha que nunca tinha vindo para Portugal, outra medalha que não vinha há 43 anos para Portugal em campeonatos do mundo e da Europa, representando Portugal, tão jovens. Tu podes ter só um programa para tudo e para todos e vamos fazer assim.

Sim, era por isso que te estava a perguntar, porque quem nos estiver a ouvir, e há também vários mitos à volta do CrossFit, pensa: "Eu nunca me vou meter nisto porque vou estar a treinar ao lado de um campeão mundial que está a levantar uma barra com 100 quilos. Eu nunca vou conseguir fazer isso e, portanto, nunca me vou inscrever." É este o mindset ou não?

Eu acho que esse não é o da maioria, mas é o mindset ou aquilo que se vive mais na nossa sociedade.

Mas não é isso que acontece no dia a dia.

Obviamente que não. Nem na nossa box, nem em box nenhuma afiliada isso existe. Eles cumprem um programa de competição, que é feito para eles especificamente, que é o Shantars Athletes, ao qual temos muitos outros atletas que competem em nível nacional e internacional e que fazem essa programação à parte, com o fim de alto rendimento. E depois temos o CrossFit do dia a dia, que é este nome, que é uma marca que afeta as pessoas todas, um nome muito forte, que é aquilo que é o cross training, que é tu poderes correr, poderes levantar um peso, poderes empurrar um peso, poderes saltar para uma caixa, tu poderes fazer os movimentos funcionais do dia a dia.

Portanto, traduzindo e simplificando, não é mais do que cruzar atividades de treino. Não há que mitificar e que ter medo deste nome CrossFit. Já disseste que o projeto CFM, CrossFit Montijo, foi lançado em 2015. Dez anos depois, deram um salto para um projeto irmão, se assim se pode dizer, o Hirox Montijo, que nasceu em 2025. Para quem não sabe o que é o Hirox, explica-nos um pouquinho, muito rapidamente, muito telegraficamente, porque já estamos a ficar com pouco tempo. E como é que este novo projeto, que se junta ao mundo CFM, está a crescer.

Ao termos o CrossFit e estar a correr tudo muito bem, surge esta marca, a Hirox. E o que é a Hirox? A Hirox é uma corrida que tem 8 km, que vai sendo intercalada de quilômetro a quilômetro com exercício funcional. É só isto.

Ok.

É só isto. Depois o treino do dia a dia, nós fizemos uma box específica para poder colocar atletas que fazem e que se preparam para esta prova, mas não quer dizer que façam a prova. Utilizam só movimentos funcionais também, muito idênticos àquilo que se pratica no CrossFit, retirando duas coisas: a ginástica, que é de elevada dificuldade para as pessoas, e o halterofilismo, que é o levantamento de peso, embora na nossa programação da Hirox, nós contamos com o levantamento de peso, porque isso é que irá dar mais força.

Sobretudo para reforço muscular.

Precisamente.

Entretanto, e agora já em 2026, surge o projeto ou a marca CFM. Já existia CFM enquanto CrossFit Montijo, mas agora surge CFM enquanto Contemporary Fitness Movement, e é dentro deste chapéu de chuva que se juntam as marcas CrossFit Montijo e Hirox, e surge também um novo espaço único em Portugal e quem sabe no mundo. É assim ou há outro espaço semelhante que conheças?

No mundo, nós já fomos visitar tudo e não havia nada igual. No universo, não sei. Estou a brincar. Mas, de facto, é algo diferenciado. Nós ao termos a CrossFit, a box, e ao termos o outro espaço também, que era o Hirox, surgiu a oportunidade, no meio disto tudo, nós tínhamos aberto há nove meses, através de uma conversa de café com um amigo, de um espaço com 15.000 metros quadrados, uma antiga corticeira muito conhecida do Montijo em nível nacional, e que isto é que era bom, de facto, para ti, isto é que era bom para a tua marca, isto é que era bom para tu poderes colocar aqui dentro o CrossFit Montijo e o Hirox. Isto era excelente. Fui ver o local, ao entrar numa antiga corticeira.

E era mesmo aquilo.

Era mesmo aquilo. Aquilo era mesmo a nossa cara e era o ideal. Não podia ir para lá se não pudesse pôr à frente aquilo que era uma visão já de algum tempo, que era poder, de facto, chegar ao maior número de pessoas possível, que acreditassem, obviamente, naquilo que nós estamos a criar, na nossa missão, nos nossos valores. Mas aquele espaço é perfeito, porque estamos a falar de três armazéns monstruosos, que nós unimos entre eles por dentro, criando um espaço só de CrossFit para adultos, um espaço só de CrossFit para crianças e jovens, um clube para crianças e jovens, para estarem, para estudarem, para brincarem, e um wellness gym, que nada tem a ver com o conceito do ginásio tradicional, assim como um espaço monstruoso exterior para, de facto, nesse guarda-chuva, por baixo desse guarda-chuva, podermos utilizar todas estas ferramentas, porque eu chamo-lhe são ferramentas, são marcas, CrossFit ou Hirox ou outra coisa qualquer, são marcas. O importante é que aquilo que tu estás a fazer é que estás a levar o exercício físicoSeja numa vertente de competição, que já é outra história, ou numa vertente para o dia a dia, tu estás a dar funcionalidade às pessoas, estás a dar propósito às pessoas, estás a conquistar as pessoas por valores que hoje em dia me parece que já não existem muito, muito menos em grandes cadeias de ginásio. Todos os nossos treinadores sabem o nome de toda a gente e toda a gente sabe o nosso nome.

E é assim que se constrói a família também.

É assim que se constrói esta família, que é a CFM, a nova CFM.

Para quem ainda não conhece o projeto, vocês também estão presentes nas redes sociais. Quem estiver com medo, tiver vontade, mas ao mesmo tempo um bocadinho de receio de entrar neste mundo do CrossFit, do Air Rocks, da atividade física, o que tu podes dizer a essas pessoas?

Eu acho que o melhor é assim: cada caso é um caso, cada box é uma box. Se estão perto de nós e querem experimentar, podem vir experimentar. Isto não tem qualquer custo, não tem qualquer adesão, nem fidelização. É experimentar, trazer o marido, trazer o filho, estarem à vontade. Vão ter sempre um treinador que irá acompanhar a sua entrada no treino. Todos os treinos são acompanhados de forma personalizada. Enquanto no ginásio eu estou a treinar sozinho, na box de CrossFit, na minha ou nas outras afiliadas, estará lá sempre um ou dois treinadores a seguir todos os passos e a adaptar o treino à pessoa. Melhor que isto não posso garantir.

E é sempre um treino de grupo, e treinar em grupo também tem outra magia, não é?

Isto é um treino personalizado, mas em grupo, e tem a magia que estás a falar, que é a magia da comunidade, que é tu poderes ver o tal atleta, que naquele dia não está a cumprir o programa dele, mas vai treinar ao teu lado, e tu vês este atleta, trouxe uma medalha para Portugal e agora está aqui ao meu lado a apoiar-me e eu estou a apoiá-lo a ele e estamos os dois a fazer o nosso workout do dia. E eu acho que isto é fantástico, ter uma senhora ou um senhor, como nós temos, com 68, 69 anos, a treinar ao lado do Rafael, que tem 19 e que é campeão de tudo e mais alguma coisa. Eu acho que isto é fascinante.

Pela saúde, pela família, é assim que seguem em frente. Rodolfo, no final do "Brainstorming", fechamos sempre da mesma forma. Se pudesses escolher uma música ou escolhendo uma música com que identifiques o projeto CFM, Contemporary Fitness Movement, que música seria essa e por quê?

Há algumas músicas que vêm à mente, mas acho que relativamente àquilo que eu te falei da tal paixão, da tal faísca, daquilo termos começado do zero e ao fim de 10 anos vermos tudo aquilo que conquistamos, eu acho que talvez "Dream On", do Aerosmith. Não me lembro se o nome é Steven Tyler.

Steven Tyler é o vocalista, exatamente.

Acho que isto foi das primeiras músicas que ele escreveu. Não sei bem se ele sabia qual era o sucesso ou não que eles iriam ter, mas acho que a música que representa, até o próprio crescente da música, a intensidade que se coloca no final da música, acho que isso representa muito bem a CFM. Se fosse em português, mas aí era mais a CFM, mais a minha representação, era sem dúvida alguma o "Homem do Leme", do Xutos & Pontapés.

Boa. Fica por aqui a conversa com o Rodolfo Candeias, o timoneiro deste projeto, o homem do leme deste projeto CFM, Contemporary Fitness Movement. Obrigado por teres vindo ao "Brainstorming". Muito sucesso e até breve.

Muito obrigado pelo convite.

Praticamente a fechar este "Brainstorming", olhamos para a cadeia de supermercados italianos Bennett, que lançou a campanha Frozen Books, colocando livros dentro de arcas congeladoras. A ideia desenvolvida pela BBDO Itália é mostrar que boas histórias não têm prazo de validade. Ao colocar clássicos literários em arcas congeladoras, a Bennett transformou o supermercado num ponto de descoberta cultural, posicionando a leitura como um produto de conveniência, sempre acessível ao cotidiano. Tal como os alimentos, os livros também podem ser guardados e consumidos quando quisermos, porque a liberdade também se constrói no acesso à cultura e ao conhecimento e, claro, na capacidade de pensarmos por nós próprios. Entre segurança digital, criatividade e cultura, o fio condutor é mesmo a liberdade, a de escolher, de criar, de participar. E desde abril de 74 que caminhamos nesse equilíbrio. Nem sempre perfeito, é verdade, mas sempre em construção. Com o Rodolfo Candeias esta semana falámos precisamente sobre isso, sobre fazer acontecer, sobre disciplina e também sobre consistência. Afinal de contas, é isso que temos que fazer para honrar o que um dia foi conquistado. Para voltar a conquistar a sua atenção, o "Brainstorming" regressa à Rádio Observador já na próxima segunda-feira, às 21h30, como sempre, e fica também disponível em podcast, no site e na app do Observador, tal como nas principais plataformas. A ajuda à produção é da Inês Neto. A sonoplastia capaz de iluminar a noite mais escura é do Ricardo Pelarigo. Eu sou o Hugo Silva e até à próxima edição, lembre-se: a liberdade também se celebra, mas acima de tudo, exerce-se todos os dias. Até para a semana.

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja. Olha-se pra dentro e já pouco sobeja. Pede-se o descanso, por curto que seja. Apagam-se dúvidas num mar de cerveja. E vem-nos à memória uma frase batida. Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida. Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.