Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Bem-vindos ao "Caça ao Voto". Entramos na última semana de campanha a dar tudo por tudo na análise sobre quem está a ganhar e perder votos nos últimos dias. Temos já daqui a nada o Miguel Pinheiro, o diretor do Observador, e Rui Pedro Antunes, o editor de política. Depois vamos à estrada. Hoje, estrada e rio. Vamos hoje estar junto de dois dos jornalistas do Observador que acompanham as diversas caravanas partidárias. Vamos estar na estrada e no rio. Já vou explicar tudo mais daqui a pouco. No primeiro voto, ouvimos hoje Manuel Ruiz, é estudante de teatro, vota pela primeira vez e até vai estar numa mesa de voto no próximo domingo. Vamos ouvir a conversa com Vicente Figueira também daqui a pouco. A fechar, Tiago Dores, o arquiteto, o empreiteiro da análise política com graça. A sessão de esclarecimento do Tiago Dores hoje promete. Vamos falar de futuro, passado e presente. E que tal? Este "Caça ao Voto" começa agora. Bem-vindos, só lá para meio da semana vamos saber quantos eleitores votaram antecipadamente neste domingo. Estavam inscritos mais de 315 mil que não tiveram direito a dia de reflexão. Ainda assim, lá foram votar. Já reflexão profunda é o que não falta nos comentários dos senhores que se seguem. Vamos a contas a quem ganhou e perdeu votos neste fim de semana e nesta segunda-feira. Chamo o Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador. Miguel, queres começar por quem ganhou ou por quem perdeu?
Eu penso por quem está a tentar ganhar, não votos, mas margem de manobra, que é António Costa, que hoje deu uma enorme pirueta. Nós falamos muito das piruetas de André Ventura, e bem, de facto são muitas e com nota artística elevada por vezes, mas agora foi a vez de António Costa, que veio agora dizer que admite perfeitamente, com certeza, que a seguir às eleições vai ter que falar com o Bloco de Esquerda. Diz que nunca recusou conversar com o Bloco de Esquerda. Até teve muita pena que o Bloco de Esquerda tenha descolado da geringonça e que está ansioso e cheinho de vontade de se voltar a sentar à mesma mesa com Catarina Martins. E até disse mais, até disse que está disponível para falar não só com o Bloco de Esquerda, como com todos, menos o Chega. Com todos, mas quer dizer, António Costa não tem um projeto para o país que é radicalmente diferente da direita? O projeto de país dele não é radicalmente diferente do CDS, da Iniciativa Liberal, mesmo do PSD. Isto parece um daqueles jogos só para não perder vidas. Ficará no poder negociando com qualquer um. Não é suposto ser assim, é suposto ter uma ideia para o país e querer concretizá-la. E se tem votos, concretiza. Se não tem votos, vai à vida dele. Agora, ficar ali simplesmente a gerir o governo negociando com todos, não nos leva a lado nenhum. Acho eu.
Vamos ouvir agora a opinião do editor de política especialista em Minecraft, Rui Pedro Antunes. António Costa anda à procura de ganhar vidas, Rui Pedro?
Sim, já na entrevista ao Observador na sexta-feira, António Costa tinha dito que poderia negociar com qualquer partido e, portanto, que a solução de geringonça Bloco e PC já era algo que ele não podia apresentar aos eleitores e, portanto, a partir daí tudo era possível. E ele dizia na altura que era iniciativa a iniciativa, mas que não excluía partido nenhum. Prefere sempre a esquerda, porque é um homem vindo da esquerda, mas se tiver que ir à direita, como se exclui à partida o Chega, todos os outros ficam incluídos. Porque ele com a extrema-direita não negocia. Portanto, nesse aspecto, parece-me que ele tem essa estratégia, como já tinha dito, de ir negociando. Agora, fala como se fosse diploma a diploma, que é: "bom, está aqui um diploma para haver mais 30 creches." Não é isso. Um diploma inclui também o orçamento e documentos estratégicos para o país. Portanto, acho que nesse aspecto deram-lhe essa margem. Ele tinha dado uma entrevista ao Expresso que dizia o seguinte: "No dia em que eu precisar da direita para governar, este governo acabou." Ele entende como o governo acabou, a partir de agora está livre para negociar com quem quiser, conforme as circunstâncias. E foi isso que fez. Não sei se isso lhe dá votos ou não.
Fez reset.
Quanto a quem ganha votos, eu diria que foi o bloco central. Aproveito de ser segunda-feira e estarmos um bocadinho ainda no rescaldo do que foi este fim de semana de muita loucura. Eu acho que a discussão acaba por ser bipolarizada entre PS e PSD. E a pergunta que todos querem saber neste momento não é se o Bloco tem 19 deputados ou se tem 10, se tem 12, se tem 17, se o CDS consegue meter dois ou não mete nenhum. O que as pessoas querem saber é quem é o próximo primeiro-ministro de Portugal. E essa discussão foi bipolarizada. E os que vão votar também têm muito presente isso. Ou seja, diz-se muitas vezes: as eleições para a assembleia é para escolher deputados, mas os próprios partidos indicam o candidato a primeiro-ministro e não é ao acaso, é para as pessoas saberem previamente qual desses deputados é que depois irá para o governo, sendo que o partido até poderia, no limite, escolher uma pessoa que não fosse deputada. E portanto, nesse aspecto, eu acho que conseguiram bipolarizar completamente. Acho que agora António Costa veio falar e dizer que está disponível, mas é mais uma: "Eu sempre estive, eles é que foram embora. Eu falo com todos." Mas sem dar grande importância, porque eu vejo muito mais o Bloco de Esquerda e a CDU numa de pick me, pick me, convergência. E vamos reunir dia 31. Agora juntou-se também Rui Tavares. Dia 31 reúne com todos, desafio todos, todos os partidos de esquerda. Vejo-os muito mais desesperados a quererem chamar a atenção dos partidos grandes Do que o contrário. António Costa conheço, ainda ontem a reação dele na rua: "Catarina Martins a mim não me dá lições nenhumas." Foi muito mais agressivo. Parece-me que os dois partidos estão no jogo deles e depois logo vão à piscina dos pequeninos. Quando precisarem de mais alguém, agora estão no jogo de um para um. Depois, se o jogo for dois para dois ou três para três, logo vão brincar com eles. Mas neste momento querem é saber deles próprios e vamos deixá-los falar. Obviamente, numa entrevista, António Costa não tem grande margem para recusar fugir a isso, mas tem sido até um bocadinho humilhante ver Bloco e às vezes também o PCP agora a quererem insistir muito numa nova geringonça.
Miguel, no meio disto tudo, fiquei sem perceber quem é que para ti anda a ganhar e a perder votos.
Quem anda a perder votos, quem sente que está a perder votos, um dos que sente que está a perder votos é o CDS, que está a começar a sentir como naqueles filmes em que as paredes se vão aproximando e o personagem do filme está ali e vai ser esmigalhado.
Havia um concurso na SIC, não era?
Também havia.
Eu só tenho a referência assim.
Que era com o José Figueiras, não era?
Isso já não vi.
É uma referência por causa do 11 de Setembro, só por isso.
Mas acho que era com o José Figueiras ou com aquele humorista, o Marco Horácio.
Talvez. Desculpa, Miguel, são questões realmente importantes para interromper o raciocínio.
Mas a imagem é essa. Imaginem Francisco Rodrigues dos Santos e a parede a aproximar-se, a parede simboliza a pressão do voto útil. O líder do CDS voltou hoje a falar daquilo que diz ser o elefante na sala. Eu pensei que depois do debate dos partidos sem assento parlamentar, a expressão elefante na sala fosse varrida do léxico político português durante algum tempo, mas não. Francisco Rodrigues dos Santos foi recuperar a expressão e pra ele o elefante na sala é o bloco central e a dizer que o PSD tem sido sempre mais de colaboração do que da oposição ao PS e querendo passar a mensagem de que um voto no PSD é um voto incerto que pode ir para António Costa e que se votarem no CDS, ele lá estará qual grilo falante para impedir que Rui Rio caia nas mãos do Partido Socialista. Mas nós ouvimos Francisco Rodrigues dos Santos a falar e estamos a imaginar os pesadelos noturnos dele com o voto útil. Faltam muito poucos dias. As sondagens estão a dar ali um ombro a ombro entre PSD e PS. Quanto mais isso acontecer, mais vamos ver eleitores a saírem dos pequenos partidos para tentarem ajudar o partido líder do seu espaço político e, portanto, o CDS está a entrar na zona mais perigosa de todas. Vão ser estes últimos dias até às eleições e não sei como é que Francisco Rodrigues dos Santos vai evitar sucumbir a esta pressão de voto útil.
Rui Pedro.
Para mim, quem perdeu votos foi, mais uma vez, André Ventura, porque há uma normalização do discurso. André Ventura já se tornou num... Conseguiu reduzir aquele odioso que todos os partidos tinham relativamente a ele e que o fazia estar sempre nas notícias. Não há um movimento vermelho ambulante de pintar lábios vermelhos, não há grupos de manifestantes em cada cidade por onde ele passa. Faz perguntas a PSD, a CDS e à Iniciativa Liberal que ficam sem resposta. Faz provocações ao PS que ficam sem resposta. Tirando o Bloco de Esquerda, que também não sabe muito bem o que há de fazer na primeira semana a atacar o Chega, ninguém quer saber de André Ventura. E, portanto, há aqui uma certa normalização ou relativização de André Ventura, porque normalização não existe, que o está a fazer perder palco. Só mais uma coisa, ainda por cima ontem vestiu um camuflado, eu não sei se isso fica muito bem, se os militares acham isso muito bem ou não, mas pode até estar de certa forma a ofender uma parte do eleitorado dele, se assim o considerar, porque ex-combatentes ofereceram um camuflado. Ainda por cima disse que era o comandante Ventura. Quem normalmente utiliza essas expressões de comandante remete logo pra Fidel Castro. Pessoas com camuflado é Hugo Chávez. Portanto, são pessoas com quem André Ventura não se identifica. E depois muito na ala dele, por exemplo, nos amigos do Chega, do Vox, tem algum saudosismo do general Franco, portanto, seria mais o general Ventura do que propriamente o comandante Ventura. Mas nesse aspecto foi uma terminologia muito à esquerda por parte do comandante André Ventura. Acho que precisa aqui de umas polémicas pra voltar a ter palco mediático.
Rui Pedro Antunes e Miguel Pinheiro regressam amanhã a este Caça ao Voto para fazer contas a quem anda a ganhar e a perder votos. Já a seguir vamos para a estrada e para o rio. Para o rio, porque Alexandra Machado está a acompanhar o líder do LIVRE, mas já lá vamos. Está no rio Tejo. Vamos começar bem mais a norte, vamos até Podence, terra de caretos, daquele carnaval em que os rapazes aproveitam a fatiota colorida e as máscaras demoníacas para chocalhar as moças. É lá que vai estar António Costa daqui a pouco e é lá que está a jornalista do Observador, Rita Tavares. Olá, Rita. Eu ouvi aqui um som que me parecia um careto, mas não sei se já temos a Rita Tavares conosco. Ela está em Podence, no Conselho de Macedo de Cavaleiros, terra do Carnaval de Podence, que hoje será um pouco antecipado. Bom, se não temos ainda a Rita, se calhar vamos tentar ir até ao rio Tejo, onde está Alexandra Machado a acompanhar um passeio do LIVRE, a acompanhar Rui Tavares, que está nesta altura a fazer um pequeno passeio no rio Tejo. Também não. Não temos nem Rita Tavares, nem Alexandra Machado. Vamos Fazer aqui um ponto, um compasso de espera, como se diz no futebol, para tentar ter as repórteres do Observador que estão na estrada. São duas das jornalistas do Observador que estão na estrada a acompanhar as caravanas da campanha eleitoral. Vamos ter que deixar para outra vez. Parece que sim. Alexandra Machado agora no rio, é isso? Será que já temos Alexandra Machado?
Já temos aqui.
Olá, Alexandra. Finalmente alguém aparece. E vamos começar então por ti.
Estou em pleno Tejo.
Exato. Estás num cenário bastante bucólico, sereno, com as águas do Tejo a deslizar, o vento frio a agitar os salgueiros numa tarde de sol, aí em Salvaterra de Magos. Está tudo assim tão sereno aí na caravana do LIVRE, Alexandra?
Curiosamente, está como as águas, está bastante tranquilo e o ambiente é bastante tranquilo. Rui Tavares hoje já disse por várias vezes que espera uma segunda semana de campanha tumultuosa, mas aqui na comitiva do LIVRE vão conseguir eleger para a Assembleia da República. E nesse aspecto, está bastante calmo. E este passeio no Tejo, aqui em Salvaterra, em plena Lezíria, também é para falar de outros temas que irás perguntar daqui a pouco.
Sim.
Um tema que é muito caro ao LIVRE, que é a ecologia, mas também dá este arranque para a segunda semana de campanha que Rui Tavares espera tumultuosa, como já referiu.
E porquê então o Tejo e este passeio aí no escarupim, Alexandra Machado?
O LIVRE diz ser o partido verde progressista da esquerda portuguesa, e é isso que tem tentado mostrar nesta campanha. E veio aqui ao Tejo por vários motivos, para fazer a ligação à ecologia, obviamente, ao ambiente, para falar dos recursos hídricos e da gestão que é necessário fazer com Espanha em relação aos caudais do Tejo. Rui Tavares já abordou rapidamente sobre esse assunto e aproveitou estar aqui no Tejo para voltar a reafirmar que não é a favor do nuclear. Aliás, esta situação do nuclear foi lançada por António Costa no debate televisivo e Rui Tavares fez questão agora à entrada para o Tejo dizer que o que o LIVRE defende é uma Península Ibérica livre do risco nuclear, e disse-o duas vezes. Portanto, aproveita o Tejo também para dizer que, como se sabe, o rio Tejo tem uma central nuclear em Espanha, em Almaraz. Portanto, Rui Tavares também aproveitou esta visita ao Tejo para falar do nuclear e para voltar a trazer à campanha a questão do nuclear, para rebater o que António Costa no debate disse que o LIVRE defendia o nuclear.
Obrigado, Alexandra. Alexandra Machado, a deslizar nas águas do Tejo, ali no concelho de Salvaterra de Magos, com vista para as aldeias avieiras. Faz boa viagem, Alexandra. Voltamos a Podence, agora sim, mais a norte, ao concelho de Macedo de Cavaleiros. Podence é a terra dos Caretos, daquele carnaval em que os rapazes aproveitam para chocalhar as moças. É lá que está a Rita Tavares. Daqui a pouco chega António Costa. Olá, Rita. Eu queria lançar-te um desafio, não sei se pode ser, uma vez que estás aí em terra de carnaval, e dava-te a escolher uma de três opções: vem aí o diabo ou vêm aí os diabos? Hipótese B: será que a geringonça ainda não faleceu e está de máscara pronta para chocalhar? Ou hipótese C: será que António Costa se sente chocalhado e quer aproveitar a presença aí em Podence para exorcizar fantasmas?
Olha, posso escolher todas?
Podes.
Eu acho que é um bocadinho de cada uma, na verdade. Acho que nesta altura do campeonato é um bocadinho de cada uma. De facto, é preciso chocalhar aqui parceiros, nessa característica que tu estavas a falar do Carnaval Podence.
Dos Caretos.
Da questão do chocalho para as conquistas. E acho que aqui António Costa, se vencer as eleições no dia 30, no dia seguinte terá de encontrar parceiros. Portanto, tem que chocalhar, mas ao mesmo tempo quer assustar, quer afastar da corrida eleitoral quem lhe possa fazer sombra. E neste momento Rui Rio está, segundo algumas sondagens, a fazer-lhe sombra. Portanto, é um bocadinho de tudo isso, de todas essas opções que tu colocaste aqui em cima da mesa, diria eu.
E certo é que na sexta-feira, aqui no Caso ao Voto, Rita Tavares anunciava que o PS ia intensificar as ações de rua. Vimos isso durante o fim de semana. Hoje já vamos ter chocalhos. O PS está a pôr a carne toda no assador, Rita.
Toda e mais alguma. Este fim de semana viu-se isso com muita intensidade. Aliás, eu e o Miguel Santos Carrapatoso, que está a cobrir a campanha do PSD, fizemos até um texto que já podem ler no site do Observador sobre o cruzamento das caravanas e é muito nítida essa competição que este fim de semana se notou entre as duas caravanas e na caravana socialista, em particular, porque essa sombra das sondagens e a perceção que isso pode criar no eleitorado assusta. E como assusta, António Costa pôs-se no terreno na máxima força, puxando muito a mobilização do Partido Socialista, muito naquele braço de ferro sobre quem é que consegue mais gente em Guimarães, em Espinho, que foram terras onde Rui Rio e António Costa estiveram com umas horas de diferença. Portanto, ali a fazer um braço de ferro para tentarem provar Que têm mais poder eleitoral e que têm uma capacidade mais forte de ganhar estas eleições. Convenhamos que nesta altura do campeonato é fácil perceber que a percepção que se cria é tudo.
Rita, esta tua intervenção com os chocalhos ganha ainda mais encanto.
É uma cor local. Percebe-se que não é mentira, que eu estou mesmo aqui.
É mesmo. Vamos a quilómetros.
Eu hoje de manhã estava a fazer contas para isso e nós já estamos muito perto dos 2 mil km. Hoje vamos até Bragança, onde está muito frio, já sabemos. E depois vamos para Vila Real para um comício e voltamos ao Porto, que é onde a caravana está sediada por estes dias na volta a norte. Portanto, já estamos perto dos 2 mil km nesta altura.
Rita Tavares em Podence, no Conselho de Macedo de Cavaleiros. Cuidado com os caretos, Rita, não te deixes chocalhar. Fomos ao encontro de duas jornalistas que estão na estrada, duas das jornalistas da equipa do Observador que está a acompanhar esta campanha eleitoral. Já a seguir, vamos ao meu primeiro voto. Manuel Ruiz tem 18 anos e vai não só votar pela primeira vez, como também vai estar numa mesa de voto. Este é o primeiro voto e a conversa com Vicente Figueira decorre na Escola Profissional de Teatro de Cascais. O Manuel Ruiz dá já uma garantia: vai mesmo votar.
Claro que sim, acho que é um dever de todos e é, no fundo, uma oportunidade para conseguirmos ter algum impacto e algum papel, mesmo que seja mínimo, na política e nas decisões que são tomadas por nós todos os dias.
Como é que te tens preparado para o dia das eleições?
Para além de ler as propostas e os programas eleitorais, também tentei informar-me das ideologias, portanto da base e do que está por trás destes programas eleitorais. Também vi entrevistas, vi os debates e acredito que quando se diz que os jovens não tomam ou não votam conscientemente, acho que isso pode não ser com todos. E acho que o problema dos votos com os mais jovens não é tanto um voto desinformado ou inconsciente, mas muito falta na escola de disciplinas, destes assuntos serem abordados de uma forma imparcial. E então os jovens acabam por decidir não votar ou porque acham que não vai ser uma decisão suficientemente informada, ou seja qual for o motivo. E então acho que esta abstenção dos jovens tem que ser pensada por todos e todos nós pensarmos o que é que podemos fazer para diminuir este problema.
E tu vais votar, mas não só, pelo que sei, vais também participar numa mesa, vais estar presente numa mesa de voto. Como é que te envolveste? Qual foi o ímpeto que se gerou em ti para que te envolvesses desta forma no ato eleitoral?
Eu já acompanhava e era simpatizante de um partido mesmo antes de ter 18 anos e recebi no e-mail a proposta, portanto necessitavam de pessoas e eu pensei: por que não? Acho que é algo que cada vez tem que ser mais valorizado e o dia de ir às urnas é algo mesmo importante, algo que tem que ser um dia de peso para todos nós, é o dia que se toma muitas decisões.
No futuro, vias-te a ser envolvido de outra forma, já que tens tão presente essa noção, pelo menos, a importância do voto e da política.
Sim, acredito que no futuro, e acho que Portugal e o mundo está a caminhar por aí, a participação cívica, através talvez de uma democracia mais direta, em que os cidadãos são diretamente informados e são eles que escolhem alguém para representar, mas são eles que efetivamente tomam as decisões. E acredito que esse é o caminho.
Tu estás a pensar votar no círculo, pensando quem são os deputados do teu círculo que te vão representar na Assembleia?
Eu voto pelo círculo eleitoral de Setúbal, sou de Santiago do Cacém, e a verdade é que não sendo, por exemplo, Lisboa, que tem a possibilidade de escolher deputados e partidos novos, que têm soluções inovadoras e que fogem dos partidos que costumam estar na Assembleia, não tendo essa possibilidade, as minhas opções de voto ficam obviamente limitadas. E fala-se muito da diminuição de deputados na Assembleia da República, mas a verdade é que eu sinto que quanto menos forem os deputados, faz com que os partidos pequenos nem sequer possam ter um único deputado e considero isso negativo. Acho que quanto mais pluralidade de opiniões, de ideias e de ideologias houver no Parlamento, mais positivo é.
Bom voto no dia 30, Manuel. Informado, já percebi que vai ser.
Muito obrigado.
O meu primeiro voto está disponível na íntegra no Instagram da Rádio Observador e do Observador. Está também disponível no site e no YouTube. E já a seguir, o homem que do nada faz uma pirâmide, ou mesmo um colosso, ou até um mausoléu. É o arquiteto das maravilhas do humor de inspiração política, Tiago Dolores.
Campanha eleitoral legislativas 2022. Minutâncias das bem parvas em torno das eleições
Bem-vindo, Tiago Dores. Entramos hoje na derradeira semana de campanha eleitoral.
É verdade, Ricardo.
Eu suponho que queiras perspetivar estes últimos e decisivos dias antes das eleições de 30 de janeiro.
Olá, Ricardo, de novo. Sim. Por um lado, poderei perspetivar a semana que principia, mas ainda antes disso, é inevitável rapar o fundo ao tacho da semana que ainda agora terminou.
Isso parece-me muito bem. Sabes por quê? Porque às vezes a melhor parte é essa mesmo que fica lá colada no fundo do tacho.
Nem mais, Ricardo. Exatamente. Às vezes a melhor parte é aquela que fica ali na fronteira do queimado. Mais caramelizada, digamos.
Temos masterchefs. Então que parte foi essa, Tiago?
Ricardo, curiosamente, foi a parte em que um caramelo que já está bastante queimado entrou na campanha. Falo do José Sócrates, como é evidente. Sócrates que deu uma entrevista ao Júlio Magalhães na CNN, na qual, relativamente ao facto de António Costa pedir uma maioria absoluta, disse o seguinte:
Quanto à maioria absoluta, deixe-me só dizer isto. António Costa pediu a maioria absoluta e você teve a última maioria absoluta do PS. Pois. O único conselho que eu daria é que para quem quer uma maioria absoluta, talvez devesse começar por não desmerecer a única que o Partido Socialista teve na sua história. Essa talvez fosse- Está a falar da sua maioria absoluta? Sim, aquela que eu tive em 2005.
Infelizmente, Tiago, foi desperdício de conselho por parte de José Sócrates.
Pois foi. Foi desperdício de conselho porque um dia depois António Costa garantia isto:
Eu não tive a oportunidade de ver.
Aceita o conselho que não se pode apagar essa maioria absoluta do PS?
Não tive a oportunidade de ver.
Não deve ter querido desmerecer a maioria deste município.
Eu não tive a oportunidade de ver.
Lá está, desperdício de conselho de Sócrates, uma vez que António Costa não teve a oportunidade de ver.
Exato. E já foi notado em diversas sedes que este é um problema antigo, o de António Costa não ver coisas que José Sócrates faz. O que pretendo assinalar aqui é que em verdade temos de ser justos e dar um desconto a António Costa. E não, não estou a falar de um daqueles descontos iguais à idade na compra de um par de óculos graduados que teriam sido úteis para Costa ver as mocambilhas do José Sócrates. Nada disso. Podia ser, mas não é. Eu refiro mesmo a dar um desconto no sentido de não sermos tão exigentes para com António Costa. E por quê?
É a pergunta que se impõe. Por quê, Tiago?
Era o que ia perguntar.
Estava aqui mesmo já para eu fazer.
Ótimo, Ricardo. Porque o olho humano só é capaz de ver aquilo que acontece nas frequências que se situam entre a frequência que corresponde à luz vermelha e a que corresponde à luz violeta. Tens um bocadinho de ciência. E quem diz o olho humano, diz o olho de Costa. Ora, o problema é que o José Sócrates trabalhava já mais ali para a zona de uma certa radiação gama. Estás a perceber? O Sócrates seria mais do gênero gama. Ou seja, já fora do espectro eletromagnético visível e, portanto, não era nada evidente o que ele andaria supostamente a fazer.
Em contrapartida, o que tu acabaste de fazer foi bem evidente, rapando como prometido o tacho nesta entrada da última semana de campanha.
E atenção, sem por uma única vez referir a tão batida piada dos políticos andarem todos à procura de tacho.
Incrível.
Diabo! Lá fui eu. Que pena, lá fui eu repetir a tão batida piada. Estava a ir tão bem.
Pois era.
Que chatice. Peço desculpa a ti, Ricardo, e peço desculpa também aos nossos ouvintes.
Acho bem que o faças. Eu estou certo que os nossos ouvintes te desculparão, mas só se nos trouxeres algo de verdadeiramente novo, diferente, algo prometedor, Tiago Dores. Como é que é?
Mas que é algo novo, diferente e prometedor? É isso? Espera. Então acho que estou na posse daquilo que os nossos ouvintes desejam. Ora escutem, ouvintes.
Se sentes que a tua vida melhorou durante os seis anos da Geringonça, faz sentido que votes num partido da Geringonça, como o PS, Bloco, PCP, PAN.
Certo. No entanto...
No entanto, se continuaste com o salário baixo, se és precário, se não encontras uma casa com renda acessível, passaste horas à espera de ser atendido no hospital, estás farto de injetar dinheiro na banca, se tiveste que abandonar o ensino por falta de rendimentos.
Sim, confirmo tudo isto. A minha vida não melhorou rigorosamente nada.
Se a tua vida não melhorou, faz sentido continuar a votar nos mesmos de sempre e esperar resultados diferentes?
Não faz sentido nenhum. Está na hora de mudar. Exigimos algo diferente.
Olá, o meu nome é Renata Cambra, sou a porta-voz do MAS, Movimento Alternativa Socialista, e serei a nossa candidata nas eleições legislativas de 2022.
Não, pois. Afinal, não. Afinal, parece que é só mais uma variante de socialismo.
E este último som até tinha aquele sonzinho de alterna, parecia uma coisa do antigamente.
Pois, na verdade, prometia muito, mas afinal, não.
Tu tinhas prometido algo de novo, diferente, prometedor.
É verdade. Peço desculpa, é verdade.
Meu Deus! Bom, motivo pelo qual nunca é demais referir que este espaço, e atenção a esta frase, é da exclusiva responsabilidade da organização interveniente. Neste caso, a organização chama-se Tiago Dores.
Campanha eleitoral legislativas 2022. Minudências desde bem parvas em torno das eleições.
E o "Caso ao Voto" regressa amanhã, depois do jornal das 15h, na Rádio Observador. Está sempre disponível em podcast. A sonorização é do Diogo Casinha e do Bernardo Almeida. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.