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Bem-vindos ao "Caça ao Voto". Hoje falamos de presente e futuro. Começamos por quem anda a perder e a ganhar votos na campanha, com a análise de Miguel Pinheiro e Rui Pedro Antunes. Vamos à estrada tomar o pulso à campanha junto dos jornalistas do Observador que andam por aí, nas estradas do país e das cidades, a acompanhar esta campanha eleitoral. Rita Tavares e Miguel Santos Carrapatozos, vamos conversar com eles mais daqui a pouco. Vamos também falar hoje de partidos unidos e desunidos. Temos ainda fact check e hoje uma acusação de Carlos Moedas a um vereador do Executivo de Medina, acusação de colaboração com a ocupação ilegal de edifícios. Temos ainda o baú das autárquicas. Vamos regressar a 2005, o ano das eleições para os independentes, para os candidatos arguidos. Vamos recordar essa história mais à frente. E a fechar, um hino de apoio a António Cardoso, o presidente e recandidato a Vieira do Minho. Um hino com ritmos latinos, ritmos calientes. Este "Caça ao Voto" começa agora. Os líderes entraram hoje em força na campanha em Lisboa. Francisco Rodrigues dos Santos, do CDS, e Rui Rio, do PSD, almoçaram com Carlos Moedas no Parque Mayer e António Costa esteve com Fernando Medina e Pedro Nuno Santos também apareceu no Cais do Sodré, mais ou menos à mesma hora do almoço do Parque Mayer. Medina, Pedro Nuno, todos no mesmo local. Medina e Pedro Nuno, eventuais candidatos à liderança do PS. Será que estamos aqui perante uma visão do futuro?
Pode ser mesmo de vista como uma leitura do presente. É que o Partido Socialista está todo junto a trabalhar pra aquilo que importa, que é a resolução dos problemas dos portugueses e pra melhoria da qualidade de vida e pro desenvolvimento do nosso país.
António Costa, que esteve com Fernando Medina no Cais do Sodré, em Lisboa, e depois rumou de comboio para Cascais, acompanhado por Pedro Nuno Santos. Vamos então à contabilidade e vamos saber quem anda a ganhar e perder votos com Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador, e Rui Pedro Antunes, editor de política. Rui Pedro, hoje começo por ti. Quem perdeu?
Pra mim, quem perdeu votos nem sequer é uma novidade, quem perdeu votos aqui.
Oh, diabo. Os ouvintes todos a fugirem para a Rádio Nova Era.
Que é Tiago Barbosa Ribeiro, porque ontem houve uma sondagem, já foi depois de termos falado aqui. Houve uma sondagem para o Porto em que coloca o candidato do PS com 17% dos votos, o que é quase assassino para as ambições do PS no Porto. Tiago Barbosa Ribeiro fez a vida negra a outras opções, como José Luís Carneiro, Eduardo Pinheiro, que era o favorito de António Costa. Portanto, mais uma vez, as estruturas locais acabaram por impor o nome da própria estrutura e o resultado está aqui. Aconteceu o mesmo com o PSD na Figueira da Foz, como também já falamos aqui, em que as estruturas locais impuseram o nome que não era o da escolha a nível nacional. E parece-me que temos o PS a três pontos percentuais apenas de Vladimir Feliz, do PSD. Tem 14% e o PS está com 17%. Isto quando há quatro anos Manuel Pizarro conseguiu quase 30%, teve 28,55. Portanto, o PS está em queda. Eduardo Pinheiro, por exemplo, ou outro candidato podia ganhar ali alguma notoriedade para daqui a quatro anos posicionar.
Quem?
Também não sabes quem é, mas mais importante que isso...
Não, não é isso. Ia ser um primo meu e eu estava a tentar...
Não, Miguel, tu és do Porto.
Eu fiz: "Uhum, eu sou do Porto. O Pinheiro podia haver aqui um..."
O Miguel é do Porto e pronto.
Mas há mais Pinheiros no Porto.
Vi conhecer o secretário de Estado da Mobilidade, que até numa conversa, eu acho que não cometo aqui uma inconfidência, informal com Rui Moreira, ele se referia mais ou menos a ele como uma espécie, numa entrevista que o Observador lhe fez, de Eduardo Pinheiro como uma espécie de vice-primeiro-ministro do Norte. É uma pessoa com muita influência ali no Norte. E parecia-me, pela conversa de Rui Moreira, isso aí agora já sem querer revelar aqui grande coisa, que podia eventualmente ser uma figura que mais tarde, quando Rui Moreira se retirar, mais facilmente havia ali um desvio do seu movimento pro PS. Portanto, o PS não só hipotecou estas eleições, como está a hipotecar uma eventual vitória no Porto daqui a quatro anos com Tiago Barbosa Ribeiro, que é o rosto desse eventual, vamos lá ver, fracasso.
Miguel Pinheiro.
Já o PSD apostou em Vladimir Feliz, que está na rota ascendente para daqui a quatro anos.
Está em ascendente relativamente a Álvaro Almeida.
Certo, está.
É que Manuel Pizarro teve quase 30 e temos Tiago Barbosa Ribeiro com 17. Álvaro Almeida teve entre 10 e 12, agora não me recordo, e Vladimir Feliz está a crescer, tem 14%.
Está naquele autocarro que as pessoas têm de sair para subir e que gasta apenas entre 80 a 100 litros a 100. Miguel, te temos bem entregues. Tu queres que eu te diga quem perdeu.
Então, acho que quem perde é o Teatro Nacional Dona Maria II, porque há aqui grandes talentos pro teatro que foram pra política. Tivemos aqui no PS António Costa, Fernando Medina e Pedro Nuno Santos unidos como uma família feliz. Há muitas séries de televisão assim. E dizer com a lata, é uma expressão feia, mas quer dizer com
Vindo-nos dizer que aqui no PS não se discute a sucessão, não somos como outros partidos. Quando o PS não faz outra coisa que não seja discutir a sucessão de António Costa e Pedro Nuno Santos não faz outra coisa que não seja fazer campanha pela sua futura candidatura à liderança do PS. Achei muito comovente esta comédia em três atos e por isso qualquer pessoa minimamente informada olha para isto e acha que o PS está a brincar com as pessoas. Vamos então a quem ganhou votos.
Quem ganhou votos, posso contrariar o Miguel?
Pode.
Acho que está no contrato, é obrigatório.
Quem ganhou votos, mais uma vez, e já contei também, não escolhi, mas é das pessoas que mais ganham votos, é António Costa.
Achas isto normal? Ir frontalmente à frente dos ouvintes desmentir-me desta maneira.
É rebeldia, é aquela rebeldia da juventude, Miguel.
Amanhã é quinta-feira e vamos ter o primeiro-ministro muito provavelmente a anunciar medidas de desconfinamento. E vai ter um tempo de antena.
Vai ser amanhã à tarde e deixa-me aproveitar para dizer que vamos transmitir em direto aqui na Rádio Observador.
Sim, porque faz parte precisamente desse tempo de antena institucional. Várias televisões, várias rádios vão estar todas a transmitir quem? António Costa, líder do PS, na qualidade de primeiro-ministro, a dizer às pessoas: "A nossa libertação está a chegar." Esse é um ponto. O segundo desses pontos é que hoje tivemos precisamente com duas figuras, aquilo que o Miguel dizia, com dois potenciais sucessores. António Costa é o rei do PS, portanto brinca, põe e dispõe das suas peças como quer, senta onde quer o Pedro Nuno, senta onde quer Fernando Medina. E de facto o PS para ele é um brinquedo e ele faz o que quer, só pode ganhar votos com isto. Ainda por cima é o primeiro-ministro que vai agora antecipar quase um fim da pandemia a três dias, imagine-se, das eleições. Não estou a ver forma que não ganhe votos. Depois se isso é legítimo, se é eticamente correto, é outra discussão, mas não tenho dúvidas que ganha votos.
Miguel.
Eu hoje acho que quem conseguiu ganhar alguns votos foi Carlos Moedas, porque finalmente assentou numa parte do discurso que tem que ter nesta campanha, se quer foi tarde, mas está muito focado no apelo ao voto útil e a tentar explicar às pessoas que um voto que não seja nele irá favorecer Medina, porque ele é a única pessoa que tem alguma hipótese de ficar à frente de Medina. Acho que é uma coisa que ele não explicou bem e está a presumir que as pessoas conhecem tudo. Devia ter explicado às pessoas que nas autarquias não é possível fazer aquilo que o PS fez no governo. Não é possível a geringonça, não é possível perder as eleições e depois somar os outros votos. Isso não é possível. Ele não pode ficar em segundo lugar e a seguir ir ter com a Iniciativa Liberal ou com o Chega ou com ambos e somar esses votos para ultrapassar Fernando Medina, não é possível. E aliás, mesmo que se fosse fazer isso, Fernando Medina iria ter com o PCP e com o Bloco e ganhava, mas eu acho que essa mensagem não passou muito bem, mas pelo menos agora está focado a dizer: "Eu estou quase lá", mesmo que não esteja, "Eu estou quase lá, votem em mim", a tentar mobilizar as pessoas para domingo, porque ele precisa desesperadamente disso para ter a hipótese de haver uma surpresa no domingo, tem que ser isto. Ele tem que levar toda a gente que não gosta de Fernando Medina a votar nele.
Miguel Pinheiro e Rui Pedro Antunes regressam amanhã com mais uma análise a quem ganhou e perdeu votos. A seguir vamos para a estrada para continuar a falar de união e desunião. A esta hora em Lisboa anda o Miguel Santos carrapatoso, que esteve à hora do almoço com Rui Rio, Francisco Rodrigues dos Santos e Carlos Moedas, num almoço no Parque Mayer. E Miguel, falávamos aqui de união, desunião. Este foi um almoço de gente unida?
Olá, boa tarde, Ricardo. Boa tarde a todos. Um aviso só para eventuais barulhos, porque estou na estrada a seguir uma trotinete.
Literalmente na estrada, não é?
Exatamente, que vai perseguir um autocarro da Carris, é uma ação da Iniciativa Liberal, portanto algum ruído será sempre inevitável.
Deixamos só explicar que é uma corrida entre uma trotinete e um autocarro. Não confundir com a corrida entre um burro e uma Ferrari, que essa já foi há muitos anos.
Sim, a inspiração é evidente e a Iniciativa Liberal assume isso mesmo. Mas bom, estava a falar da ação de campanha de Carlos Moedas, que juntou finalmente, em período oficial de campanha, Francisco Rodrigues dos Santos e Rui Rio. Foi de facto um almoço onde se tentou passar a imagem de união. Houve discursos de apelo ao voto útil à direita, Francisco Rodrigues Santos primeiro e depois Rui Rio e também, como referiu Miguel Pinheiro, Carlos Moedas, que cada vez mais está a insistir na narrativa de que só um voto nele pode derrotar Fernando Medina. Mas o destaque, pelo menos que merece mais destaque, foi mesmo a intervenção de Rui Rio, que desatou a zurzir nas empresas de sondagem. E percebe-se porquê. Hoje mesmo vai ser conhecida uma sondagem, mais logo, às 20h, que dá de facto uma distância ainda considerável entre Fernando Medina e Carlos Moedas. Portanto, Rui Rio está aqui já a fazer algum controle de danos para manter a candidatura de Carlos Moedas à tona. Vamos lá ver se vai conseguir.
E Miguel, já falámos do almoço, agora também temos que falar do jantar, porque logo mais há um jantar em Odivelas onde vão estar Paulo Rangel e Miguel Pinto Luz. Aqui já podemos falar de desunião da família ou não?
É verdade. Há pouco vocês falavam da sucessão no PS e como António Costa consegue pôr e dispor das peças no Partido Socialista. Aqui Rui Rio não tem tanta mão no PSD. Aliás, nunca teve, segundo o próprio. E portanto, Paulo Rangel e Miguel Pinto Luz vão estar em Odivelas juntos, eles que estão a preparar uma mais do que evidente candidatura à liderança do PSD e, portanto, é o primeiro ato de muitos que aí virão. Rangel e Pinto Luz juntos para tentarem derrotar Rui Rio, se de facto Rui Rio for a votos. Ainda não é muito claro o que fará o líder do PSD. Neste momento, as contas ou o saldo que vai estando na cabeça da direção do PSD é mais 15 câmaras a mais em relação a 2017 e Rui Rio muito provavelmente será candidato ou recandidato à liderança do PSD. Portanto, vêm aí tempos muito animados. As autárquicas, neste momento, para o PSD, no caso, parecem só um pretexto para discutir a liderança do partido.
Miguel Santos Carrapatoso, aqui como percebemos, literalmente, na estrada, neste caso numa rua de Lisboa. Cuidado, não batam com a porta do carro. E conosco temos também a Rita Tavares, que hoje esteve no Cais do Sodré, a olhar para os comboios e a ver Medina, António Costa, Pedro Nuno Santos, todos juntos. Rita, sentiste ali alguma tensão ou sentiste muita união?
O que eu senti foi que ninguém consegue falar de outra coisa quando vê estes três juntos que não a sucessão a António Costa no Partido Socialista. Se é aquilo que eles pretenderam naquela ação de campanha, acho que não, mas que é daquilo apenas e só aquilo de que se fala nesta altura, isso é. Portanto, pareceu-me que do ponto de vista de mostrar que ali há união do Partido Socialista, contrapondo essa união à desunião no PSD e à questão da sucessão de Rui Rio, se ela se coloca ou não depois destas autárquicas, esse objetivo que o Partido Socialista, pelos vistos, tinha esta manhã, acaba por sair um bocadinho furado, na medida em que é precisamente da sucessão no PS que se fala quando se juntam estas figuras todas. Mas a intenção também passava por ter ali um membro do governo associado à matéria de que se falava neste dia e que Fernando Medina queria assinalar neste dia, que é a questão do plano de transportes para a cidade de Lisboa. Medina fez essa apresentação no Cais do Sodré com António Costa, Pedro Nuno e também Duarte Cordeiro, líder da Federação do PS de Lisboa, nas suas costas. E depois já não seguiu Medina, mas seguiu Pedro Nuno Santos e António Costa de comboio numa linha que querem requalificar e que prometem requalificar, que é a linha que liga Cais do Sodré a Cascais, e foram apanhando pelo caminho os candidatos do PS a Oeiras e depois a Cascais. E foi a ação que se pretendia nesta altura, de marcar aqui, mais uma vez, António Costa a aproveitar a campanha e a aproveitar a sua ação no executivo para mostrar na campanha que se alguém quer manter este rumo, então é no PS que deve votar. Enfim, a ladainha que vai a cada paragem que faz nesta campanha.
E Rita, já ouvimos há pouco o Miguel referir isso. Hoje deverá ser conhecida mais uma sondagem, neste caso sobre Lisboa. Como é que está a moral, como é que está a confiança na caravana de Medina?
A confiança na caravana de Medina, há uma coisa a dizer agora nesta fase, que é uma fase mais de apelo ao voto e muito focada nesse discurso, mesmo nas ruas e nos contactos com a população que se sucedem mais agora até ao final da campanha, até sexta-feira. São contactos em que Fernando Medina põe sempre o foco muito na questão de cuidado, que as sondagens não dão votos e que, portanto, é preciso votar e não contar com a vitória. Esta é sempre uma preocupação de quem vai à frente e que vai à frente por alguns, segundo as sondagens, mas que também tem uma ambição que embora não esteja a ser assumida, era uma coisa que evidentemente Fernando Medina gostaria de ter no próximo domingo, que é a maioria absoluta, e não está perto disso. Não é uma probabilidade, mas Fernando Medina tem receio que esta conversa das sondagens possa desmobilizar algum do seu eleitorado das urnas no próximo domingo. Portanto, nesta altura, eu diria que a confiança vai com pezinhos de lã tentando perceber se as pessoas vão mesmo votar e se por causa das sondagens e uma vitória que possa já estar a ser dada como garantida, não se desloquem para o voto.
Rita Tavares, jornalista do Observador. Já a seguir vamos ao Fact Check. Bem-vindo, Pedro Rainho.
Olá, Ricardo.
No Fact Check, hoje olhamos para uma acusação lançada por Carlos Moedas, candidato à Câmara Municipal de Lisboa, apoiado pelo PSD, CDS, PPM, MPT e Aliança. Quase cansa ler a lista de apoios a Carlos Moedas. Ora, isto, Pedro Rainho, até pode soar um pouco ao quando o telefone toca, mas cá vai. Pedro, qual é a frase?
Carlos Moedas falava sobre a ocupação do edifício nos Anjos, em junho do ano passado. Um grupo de cerca de 50 pessoas ocupou o edifício abandonado e montou ali um centro de apoio para pessoas carenciadas. A propósito desse episódio, o candidato Carlos Moedas disse isto:
Vimos, durante o mandato de Fernando Medina, alguns dos seus vereadores a participarem, de certa forma, nessas ocupações. E isso Está erradíssimo, porque ter um executivo em que alguns desses vereadores participaram em ocupações e estiveram presentes nessas ocupações é grave para a democracia, porque a democracia tem como base o Estado de direito e o Estado de direito tem como base a propriedade privada, que é essencial para o funcionamento de qualquer sociedade.
Esse é um caso recente e ouvimos aqui as declarações de Carlos Moedas, mas os detalhes podem não estar assim tão frescos na memória. Carlos Moedas tem ou não tem razão nesta afirmação que faz, Pedro?
Tem razão, Ricardo, quando diz que Manuel Grilo, vereador do Bloco de Esquerda, teve uma certa participação naquele episódio, mas a forma enfática como Carlos Moedas fala pode indiciar que foi quase um ocupa aquela participação que Manuel Grilo teve. Isso não é verdade, mas de facto esta história tem aqui vários detalhes. Vamos analisá-los um a um. Manuel Grilo esteve no edifício ocupado aquando da desocupação pela PSP. Em detalhe, também Jorge Costa, deputado do Bloco de Esquerda, lá esteve. Manuel Grilo teceu críticas sobre a forma como foram retiradas aquelas pessoas que ocuparam ilegalmente o edifício, que era um antigo infantário abandonado. O vereador do Bloco de Esquerda acusou os proprietários do edifício de ilegalidade pela forma como a desocupação foi feita, mas, também há que notá-lo, nunca participou da ocupação em si e também é verdade que tentou demarcar-se dessa ocupação. O PS, na Assembleia Municipal de Lisboa, questionou-o sobre a posição que o vereador Manuel Grilo assumiu e o que ele disse foi que não é favorável a ocupações, nunca fomentou ocupações, mas também não podia ser conivente com desocupações violentas.
E aqui chegados, Pedro Rainho, como é que classificamos esta declaração de Carlos Moedas?
Tentando pôr tudo aqui na balança. Manuel Grilo não participou na ocupação, mas sim, teve uma intervenção política clara no âmbito daquela ocupação. Portanto, é um verde com algumas nuances e em termos de classificação de carimbo, é um esticado.
Ainda bem que temos aqui na nossa caixa vários tons de cada uma das cores. Tome lá este verde esticado, Pedro Rainho.
O que importa é sermos rigorosos no final do dia. Obrigado, Ricardo e aqui vai.
E daqui a pouco este hino de apoio a António Cardoso, candidato a Vieira do Minho.
Cardoso é presidente, Vieira no bom caminho, eu estou contigo.
Este hino fica para o final do Caça ao Voto. Agora, o Baú das Autárquicas. 2005 é o ano das candidaturas independentes dos autarcas arguidos, como a Judite França nos vai lembrar agora, aos eleitores foi dada a hipótese de escolher entre candidatos propostos pelos partidos e os presidentes suspeitos da prática de crimes, alguns deles arguidos, que procuravam a reeleição em 2005.
Corria o ano de 2005 e nunca antes candidatos autárquicos tinham tido o rótulo de arguidos. Um deles teve até voz de prisão. Fátima Felgueiras, por escapar à cadeia e à medida de coação de prisão preventiva, fugiu para o Brasil. Lá ficou dois anos até que regressou e quando voltou, quis de novo ser candidata à Câmara de Felgueiras. O PS, que já lhe tinha retirado a confiança política à distância, não a apoiou e a autarca não esteve com meias-medidas. Gisou uma candidatura independente, sempre presente, com um nome no mínimo irónico. Os eleitores pouco quiseram saber. Fátima tem obra feita em Felgueiras e foi a isso que deram valor. O mesmo para Isaltino Morais. À época, o processo Isaltino era uma mera acusação. Longe da decisão judicial, mais longe ainda do trânsito em julgado e da cadeia. Mas Marques Mendes, líder do PSD à época, queria candidatos impolutos. Os eleitores não faziam questão e o autarca voltou a vencer, com maioria absoluta, aliás. Em Gondomar, o mesmo filme, autarca acusado, mas não condenado. Os eleitores, na mesma, ignoraram as notícias que vinham dos tribunais. Corrupção ou não, Gondomar é o que é hoje por causa do Major e por isso, nova vitória. Fátima Felgueiras seria ilibada anos depois. O Major, uma pena suspensa e só Isaltino terá prisão efetiva. Dos três, Isaltino volta a candidatar-se quando sai da cadeia. Mais uma vez, sem o apoio do partido onde antes militou. O PSD recusou de novo apoiar a candidatura em 2013. Isaltino até preferiu assim. Afinal, para que um PSD desgastado no governo, herdeiro da Troika e do enorme aumento de impostos. Mais vale não ter essa mácula, porque com a outra, Isaltino pode bem e os eleitores não ligam. Basta ver que venceu a Câmara também em 2013, mal tinha saído da cadeia, em 2017 e agora só por milagre perderia.
A jornalista Judite França. Amanhã tiramos outra história do baú. Para acabar, um hino.
Junta-te a mim, vamos voltar, votar no nosso Vieira.
António Cardoso é o atual presidente da Câmara de Vieira do Minho e à frente da lista do PSD, tenta a reeleição. O hino de campanha junta música latina e uma letra em que às vezes é preciso esticar bem as palavras para respeitar a métrica.
Vamos viver o momento. Este é o nosso destino Eu estou contigo. Junta-te a mim. Vamos lutar. Com o Cardoso, Vieira a ganhar. Junta-te a mim.
A sonorização é do Diogo Casinha e da Beatriz Martelo Garcia. Eu sou o Ricardo Conceição. O "Caco ao Voto" regressa amanhã.
António Cardoso! É Vieira! António Cardoso! Vamos fazer história. Rumo à vitória.
Cardoso!
Com Cardoso a vencer. Vieira irá crescer. Vamos viver o momento. Este é o nosso destino. Cardoso a presidente. Vieira no bom caminho. Eu estou contigo. Junta-te a mim. Vamos lutar. Com o Cardoso, Vieira a ganhar. Junta-te a mim. Vamos lutar. Vota Cardoso, Vieira a avançar.
Cardoso!
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