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Bem-vindos ao "Caça ao Voto", este último "Caça ao Voto" desta série Autárquicas 2021. Ao longo da campanha, fomos fazendo as contas diariamente a quem anda a ganhar e perder votos. Hoje vamos fazer o balanço global com a Filomena Martins e o Rui Pedro Antunes. Pela última vez nesta série, e já estamos nostálgicos, vamos também para a estrada ao encontro dos jornalistas do Observador que andam a cobrir esta campanha eleitoral. Para fechar, hoje vamos falar com Rita Tavares e Miguel Santos Carrapatoso. Temos ainda fact-check, hoje é uma frase de Rui Moreira. Temos ainda o Baú das Autárquicas, com o regresso às eleições mais recentes, as de 2017, e a fechar, um hino que é cantado pelo motard da concertina. Chama-se Hélder Batista. É para ouvir no final. Este Caça ao Voto começa agora. Não merece qualquer tipo de censura. A CNE não encontra nos discursos de António Costa e no alegado uso abusivo do PRR como tema de discurso, motivo para censura. E não haverá mais deliberações da CNE até domingo.
Foi deliberado ontem que mesmo que comprovasse os factos que estão alegados na queixa, o comportamento não merece qualquer tipo de censura às luzes do quadro legal vigente, nomeadamente dos de naturalidade e parcialidade. O que ali se concluiu é que o que foi feito, foi feito pelo secretário-geral do PS, de um dos partidos, tal e qual numa ação de campanha, propaganda, e que essa é ao abrigo da liberdade de propaganda.
João Tiago Machado, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, em declarações à Rádio Observador. Rui Rio voltou a falar em metas e não basta ganhar ao PS duas ou três Câmaras.
O PS tem mais 63 do que nós, tem 161, nós temos 98. O objetivo é reduzir esses 63. E o objetivo não é reduzir os 63 pra 62 ou pra 61. O que nós queremos é reduzir esses 63 de diferença de uma forma razoável, que se veja e que seja visível. Não é reduzir duas, nem três, é mais do que isso, como é evidente.
O líder do PSD em Ponta Delgada, Rui Rio, que já admitiu que não se vai recandidatar à liderança do partido se o resultado deste domingo não for grande coisa. Também no CDS, a direção fará uma avaliação no domingo à noite sobre os resultados, mas, para já, Francisco Rodrigues dos Santos está mesmo muito confiante.
Aqui eu tenho que ser taxativo. Eu não estou minimamente preocupado com o Congresso do CDS. Digo mais, que se lixe o Congresso do CDS. Eu estou absolutamente focado em que o CDS cresça neste ato eleitoral.
Francisco Rodrigues dos Santos, o líder do CDS. Entretanto, enquanto a CNE diz que não há problemas e o centro-direita vai fazendo contas à vida, quase nada trava o otimismo e a energia de António Costa.
Amigos, caras e caros camaradas, desculpem lá, mas um dente pregou-me uma partida e por isso não vou poder ficar muito tempo convosco, mas não quero deixar de vir aqui, porque tenho uma ligação muito especial a este concelho.
António Costa em Odivelas, o secretário-geral do PS terá depois passado pelo dentista e voltou à campanha. Nada trava António Costa. Está na hora de fazer contas. Filomena Martins, diretora adjunta do Observador, e Rui Pedro Antunes, editor de política, bem-vindos. Vamos começar, Rui Pedro, por quem ganhou votos?
Pensei que ias perguntar quais eram os temas que nos eram caros ou caris.
Estás muito forte. É mesmo. Estamos mesmo a acabar a campanha.
Eu diria que começaríamos por quem ganhou votos.
Vamos embora.
E como é uma espécie de balanço de campanha, tentava ir rapidamente a todas as pessoas que eu acho que ganharam votos ou pelo menos aos mais importantes. Acho que Rui Rio ganhou votos porque entrou sem muito a ganhar e chega aqui ao fim da campanha com Coimbra pra poder ganhar, com o Funchal pra poder ganhar e com o primeiro-ministro, de alguma forma, a conseguir colocar nos jornais que pode perder 10 ou 15 Câmaras. E tudo isso pode ser um contexto muito favorável ao PSD. E Rui Rio não só teve uma campanha, como falámos aqui, muito interventiva, falou sempre mais ou menos no momento certo e com o tom certo, e muitas vezes, o que era importante para o caso dele. E com isso conseguiu, de alguma forma, marcar e ganhar confiança. E hoje já disse que duas ou três Câmaras não chega para ser um bom resultado. Portanto, ele deve estar confiante que vai ter mais do que isso e vai recuperar mais do que isso ao PS. É um vencedor. Segundo vencedor, e em sentido contrário, que podia fazer Rui Rio perder, é Paulo Rangel, porque conseguiu estar quase omnipresente nesta fase final da campanha e ser uma das grandes figuras do partido. Vamos ver qual dos dois é que é o vencedor maior a partir de segunda-feira e nesse debate interno que se vai ter. Depois, Francisco Rodrigues dos Santos. Se não falarmos dele aqui, acho até um pouco injusto Porque este termo do que se lixam as eleições vem também numa campanha em que se esperava que Francisco Rodrigues dos Santos aparecesse sempre colado a Rui Rio nas coligações, mas ele esteve onde Rui Rio não esteve. No Porto, o PSD não está, mas ele está lá na coligação com Rui Moreira.
Esteve muito ativo, não é?
Esteve muito ativo. Nas coligações com o PSD foi lá muitas vezes sozinho, com Carlos Moedas, agora esteve com Rui Rio. Quando é Rui Rio a bater num bombo, pôr um boné, a dar uma pirueta, é giro. Quando é Francisco Rodrigues dos Santos, faz lembrar o tipo da associação de estudantes que ainda pensa que está na associação de estudantes. Apesar disso, em campanha é preciso ser um bocadinho popularucho e acho que ele até aí correspondeu bem. Vamos ver como é que se sai e os adversários internos deram-lhe algum descanso neste período. Portanto, também ganhou. Por fim, António Costa, como dizia Medina hoje de manhã, no mercado ele não era comprador, era vendedor, mas é aprendiz de vendedor. O verdadeiro vendedor é António Costa e vende-se muito bem. Vendeu muito bem o PS com o PRR e a par disso tudo juntava só todos os incumbentes, à exceção do Manuel Machado em Coimbra, saíram-se bem porque não estão em risco de perder. Posso pôr aí Rui Moreira.
Partem sempre com aquela vantagem, não é?
E, portanto, isso manteve-se.
Filomena Martins, vamos às tuas contas.
Sim, fazendo as contas, eu começo só com os do dia e no dia eu acho que o Rangel hoje é um dos vencedores do dia, pelo simples facto de que levou a que Medina falasse dele e ter o presidente da Câmara de Lisboa quase eleito, toda a gente lhe dá garantidamente a eleição, a falar dele, a responder-lhe, por se ter estado ontem no comício de Moedas e Rangel depois dizer que não está preocupado com os resultados e a dar-lhe um mediatismo ainda mais que Rangel até precisa nesta altura.
Ajuda a posicionar.
Rangel, não pela campanha autárquica, mas sim pela campanha interna no PSD, é um dos vencedores do dia de hoje e, ao mesmo tempo, e eu concordo com o Rui Pedro aqui, é claramente também um vencedor desta fase final da campanha. Ele aparece, primeiro fortemente com Pinto Luz ao lado, depois aparece sozinho ontem à noite, hoje Pinto Luz já está só com Moedas agora na descida do Chiado, mas claramente aparece com força e isso na segunda-feira vamos contabilizar e vamos ver até que ponto é que isto contou ou vai contar internamente naquilo que pode ser a luta que se segue na segunda-feira. Claramente outro dos vencedores é António Costa. Vê até a CNE neste último dia dizer que há queixas de cidadãos, mas que essas queixas só vão ser vistas depois de domingo, que é realmente quando interessa, depois das eleições passarem. A CNE é uma perdora, claramente. Nem vou falar do dia da reflexão, mas analisar queixas depois das eleições, queixas sobre eleições depois das eleições, não interessa nem a homens nem a Jesus, como se costuma dizer. Mas Costa esteve em toda a força nesta campanha. Toda a gente está a dizer que ele esteve lá como líder do PS. Eu vejo-o lá como líder do PS e como líder do governo.
Não está sem tentar a gravata, Filomena.
Eu acho que realmente hoje nem é dor de dentes.
Com e sem gravata.
Com ou sem gravata, com todos os pormenores, esteve como líder do PS, como líder do governo, usou os ministros, usou o PPR, usou o que bem entendeu e não deu margem de manobra a ninguém. Ele foi, de facto, o grande líder desta campanha. Foi um dos vencedores, claramente. Obviamente que atrás de Costa arrasta Medina, que por causa também de Costa e por si só tem quase a vitória garantida. Rui Moreira quase não precisou de fazer campanha, tão fraca é a oposição que tem no Porto.
Está feita a lista dos vencedores desta campanha. Vamos aos derrotados, Rui Pedro.
Sim, deixa-me partilhar desta ideia da Filomena Martins de que a Comissão Nacional de Eleições, sempre que é chamada a intervir, dá a ideia que toma as decisões um bocadinho ao sabor do vento. Não há um aspeto em que este partido está a utilizar estes cartazes, não deve ser assim. Parece nunca haver uma decisão coerente e algo que se saiba assim: "Bom, a CNE vai pegar nisto e não vai permitir." Não. Ainda há pouco houve notícias que uma arruada podia estar a ser cancelada no Porto, entretanto acho que já foi permitida. E há uma série de confusões que envolvem sempre a Comissão Nacional de Eleições. Não é fácil, obviamente. Estamos a falar de três mil e tal eleições paralelas. Não é fácil, mas acho que há muito a melhorar neste patamar, neste aspeto para os próximos anos e uma das grandes perdedoras, pra mim, é a Comissão Nacional de Eleições. E replico tudo, ou seja, se os incumbentes foram vencedores, isto significa que os challengers foram de alguma forma vencidos. Neste momento, por exemplo, Carlos Moedas já tinha que estar muito mais próximo de Fernando Medina pra vencer. E nos do Porto, então, nem falo. Tiago Barbosa Ribeiro, Vladimir Feliz, enfim, onde é que eles vão parar?
Vamos aos teus perdedores.
Sim, estamos claramente. O maior de todos, pra mim, é Carlos Moedas. Aliás, é tão dado como perdedor que enquanto hoje Medina tinha ao seu lado, como quase pô-lo como uma estátua, António Costa e a família de António Costa, Carlos Moedas tinha Rui Rio a tentar conquistar ou a assegurar Câmaras, algumas nos Açores. Carlos Moedas estava ontem à noite, é verdade que teve Cris, Rangel e Portas, mas não teve Rui Rio. Hoje também não teve Rui Rio, no último dia, o dia que marca. E a verdade é que desceu quase sozinho, só com Pinto Luz, o Chiado, naquela tradição de descer o Chiado E Rui Rio estava do outro lado a tentar ganhar as sete, oito ou nove câmaras que pode querer ganhar ao PS. E depois, obviamente, Rui Moreira e os outros challengers. Os Rui Moreira são os grandes perdedores. Não há aqui forma de dizer isto, tal e qual como em Oeiras não há forma de derrotar Isaltino. Aquilo está tudo visto. Por mais criativo que fosse o challenger de Isaltino, não há forma de tirar Isaltino do local. E acho isso também em relação a Sintra. Basílio nem precisou de fazer campanha eleitoral. E eu diria que se alguém tivesse feito campanha eleitoral em Sintra, até o Patanaldo Basílio teria saído de lá, e eu sei porque moro lá.
Obrigado, Filomena Martins, diretora adjunta do Observador, e Rui Pedro Antunes, o editor de política. Fizemos a contabilidade de quem ganhou e perdeu votos. Vamos continuar a fazer contas a seguir na estrada. E neste caça ao voto, vamos então pra estrada pela última vez. Acho que até já temos saudades. Rita Tavares, já estamos com saudades da estrada, a jornalista do Observador que acompanhou em Lisboa Fernando Medina e António Costa. Já houve descida do Chiado, momento sempre apoteótico. Rita Tavares, isto são favas contadas para Medina?
Se são favas contadas, Fernando Medina vai mostrando aqui à medida que se aproxima o dia 26, que tem alguns receios. E hoje, pela primeira vez, no final da descida do Chiado, já na Rua Augusta, quando fez uma declaração ali em cima de um pequeno palco que tinha sido lá colocado pelo Partido Socialista, falou pela primeira vez na expressão maioria absoluta, que foi uma coisa que evitou, que não pediu durante toda a campanha. E curiosamente, no meio político, também não foi neste dia que a pediu. Antes pelo contrário, o que Fernando Medina disse foi para não terem medo, as pessoas, do papão das maiorias absolutas na calha, que é como quem diz que essa figura, essa possibilidade de haver maioria absoluta, não deve assustar os eleitores, que ele quer é que as pessoas vão votar nesta altura e, portanto, fala da maioria absoluta como um papão, como uma coisa negativa para a sua candidatura, porque há uma tese na candidatura de Fernando Medina que é que esse discurso da maioria absoluta é de dar esta eleição como ganha já à partida, e as sondagens nisso estão a ser vantajosas para Fernando Medina, mas o que a caravana pensa, nesta altura, é que isso pode ser nocivo para a mobilização ao voto no domingo.
E Rita, António Costa foi, já ouvimos aqui na análise também do Rui Pedro Antunes e da Filomena Martins, um dos grandes vencedores desta campanha. Nada o trava, nem uma dor de dentes, não é?
Pois, parece que tinha uma dor de dentes que ficou entretanto resolvida, porque aqui, na descida do Chiado, foi falando aos poucadinhos a cada direto televisivo que fazia na Rua Garret, foi dizendo algumas coisas. Foi curiosa uma pergunta que lhe fizeram e a forma como ele respondeu, que tem a ver com o grande tabu, digamos assim, que ele recusa que seja um tabu, mas pra já ainda não o desvendou, que é o que ele fará pra lá de 2023, se há uma nova recandidatura de António Costa ou não. E o que o líder do PS disse foi, quando questionado precisamente se esta era a sua última campanha, riu-se e disse: "Última campanha? Ainda temos muitas campanhas pela frente". Portanto, também não ficou aqui esclarecido o que é que será, se estava a falar em campanhas no geral ou se ele mesmo admite que possa fazer outra descida do Chiado em 2023, novamente como candidato do Partido Socialista. Voltou a fazer nesta descida do Chiado exatamente as mesmas coisas que tem feito durante toda a campanha e que têm irritado, de alguma maneira, a direita, e tem havido até decisões da Comissão Nacional de Eleições sobre isso, que é a questão do eleitoralismo, e se António Costa está a aproveitar a posição de líder do governo para fazer campanha na rua. Voltou a fazer exatamente isso na descida do Chiado e desta feita foi muito fundo também com o PCP. Se até aqui, e se genericamente as críticas feitas em relação ao plano de recuperação e resiliência afetavam e iam diretas para o PSD, desta vez António Costa pôs tudo no mesmo saco e disse que seria uma tragédia para os municípios liderados pelo PSD, mas também pelo PCP, se fossem os seus partidos que estivessem no governo e não o Partido Socialista, que é uma tese que António Costa montou na última semana de campanha sobre a questão da resposta a esta crise provocada pela pandemia, não ter ido pela austeridade, mas sim pela solidariedade europeia. António Costa aqui fala de uma questão bastante diferente. São dois planos totalmente diferentes, mas ele acaba por misturar tudo dizendo que é como se as duas crises fossem iguais e não houvesse aqui uma pandemia pelo meio que afetou todos os Estados membros. Não faz essa referência e aproveitou-se hoje para pôr o PCP também, com quem está a negociar o orçamento do Estado, e as câmaras do Partido Comunista no mesmo saco.
Mesmo saco. Obrigado, Rita Tavares, jornalista do Observador. Chamamos agora Miguel Santos Carrapatoso, editor adjunto de política. Miguel, Carlos Moedas não passou de uma grande promessa do centro-direita?
Boa tarde, Ricardo. Mais uma vez encontras-me na rua, estou aqui a acompanhar a descida do Chiado, Carlos Moedas, o que é ótimo para mim, porque os nossos ouvintes acham sempre que eu estou a trabalhar, o que é péssimo para a qualidade do som.
Temos a certeza que estás a trabalhar.
Mas vamos tentar fazer isto com dignidade. Se Carlos Moedas é ou não uma promessa adiada do centro-direita? Bom, acho que só domingo verdadeiramente teremos noção disso mesmo. Um facto indesmentível neste momento é que, de facto, a campanha de Carlos Moedas ficou aquém das expectativas. Haverá tempo para discutir o porquê de isso ter acontecido, se foi porque não havia estrutura, se foi porque a estratégia foi errada, se foi porque não havia dinheiro sequer, se foi porque tudo isto foi confundido com uma espécie de referendo à continuidade do Rui Rio. O que é certo é que a candidatura de Carlos Moedas não correu como o previsto. Agora mesmo no Chiado, eu apesar de não ter acompanhado a descida de Fernando Medina, já tenho algumas campanhas em cima para perceber e para poder dizer com alguma autoridade que de facto não estava cheio, estava longe de estar cheio. Havia, evidentemente, muitos apoiantes, mas foi uma arruada muito pouco participada para os padrões normais daquilo a que costumamos assistir. E, portanto, isso também é o que é, é um indicador que dá para sugerir o que é a mobilização da candidatura do PSD e do CDS em torno de Carlos Moedas. Enfim, domingo teremos uma noção mais exata do resultado que Carlos Moedas pode atingir ou não, sendo certo que há um mínimo olímpico na cabeça de todos, 31%. O resultado somado das candidaturas de Assunção Cristas e Teresa Leal Coelho há quatro anos. E se o Carlos Moedas ficar aquém desse resultado, aí sim, Ricardo, talvez tenhas razão.
E Miguel, para uma resposta também telegráfica, peço-te domingo e segunda-feira e para a semana vai ser tempo de o PSD também fazer contas à vida no que toca à liderança, não é?
Sim, a contagem das espingardas segue a todo vapor. O partido, arrisco-me a dizer, já não pensa noutra coisa. Aliás, eu tive a oportunidade de acompanhar o Rui Rio no fim de semana passado e já aí, já na comitiva de Rui Rio, esse era um assunto dominante, tal como aqui na candidatura de Carlos Moedas já começa a ser o assunto dominante. Enfim, tivemos Paulo Rangel ontem, o grande ou aquele que se diz que pode vir a ser o grande challenger de Rui Rio nas próximas diretas, a aparecer com pompa e circunstância no último comício de Carlos Moedas. Hoje tivemos Pinto Luz ao lado de Carlos Moedas. Enfim, nos próximos dias teremos certamente muito mais movimentações neste sentido e serão sinais a acompanhar com atenção.
Obrigado, Miguel. Miguel Santos Carrapetoso, editor adjunto de política do Observador. Já a seguir, fact check. Bem-vindo, Pedro Rainho.
Olá, Ricardo.
Vamos para o último fact check destas autárquicas 2021. E para fechar, uma frase de Rui Moreira, o presidente recandidato à Câmara do Porto.
E é um tema que tem percorrido toda a campanha. Temos tido vários partidos da oposição a criticar o primeiro-ministro ou o secretário-geral do PS, já vamos perceber aqui a duplicidade, e têm-no criticado por usar a bazuca europeia como argumento para conquistar votos nas autárquicas de domingo. Rui Moreira dá uma entrevista ao semanário Novo esta sexta-feira e diz esta frase: "O primeiro-ministro pode vir e dizer o que fez, está a fazer e vai fazer. O presidente da Câmara não pode comunicar o que está a fazer em prol da população".
Ou seja, há aí uma ideia central de que o primeiro-ministro goza uma espécie de estatuto privilegiado em relação aos autarcas no que toca ao anunciar e ao falar sobre a obra feita. Esta afirmação tem ou não tem fundamento, Pedro?
Vamos então olhar para ela. Nós sabemos que há queixas na CNE, na Comissão Nacional de Eleições, que foram apresentadas precisamente por causa do uso da bazuca europeia na campanha. E temos também já esta sexta-feira uma decisão da CNE. Nós ouvimos João Tiago Machado, que é porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, a falar, e os termos são dele, de um caso concreto, de uma queixa contra António Costa. E o que ele diz a esse respeito? Diz que essa queixa não merece, ou a intervenção de António Costa não merece qualquer tipo de censura à luz do quadro legal vigente, nomeadamente no que diz respeito ao dever de neutralidade e imparcialidade. E por quê? Conclui a CNE que António Costa falou como secretário-geral do PS. Depois, João Tiago Machado também diz que há outras queixas, cerca de uma dezena contra António Costa. Essas queixas ainda vão ser analisadas, mas o que sabemos é que não haverá nunca uma decisão antes de as eleições estarem concluídas. Em relação aos outros autarcas, aquilo que João Tiago Machado diz, e sublinha, é que cada caso é um caso. Ora, nós sabemos que há vários casos. Há o caso de Braga, em que o autarca foi obrigado a retirar vídeos que estavam a passar num centro de vacinação. Também teve que tirar cartazes em que se anunciava obras da Câmara Municipal. Na Figueira da Foz, foram retirados cartazes. Na Amadora, foi o caso dos outdoors, com publicidade institucional que era proibida. E também no Governo Regional da Madeira, em que havia cartazes sobre investimentos feitos em Ponta Delgada.
E aqui chegados, Pedro Rainho, como é que classificamos esta frase de Rui Moreira?
O que nós consideramos é que a frase é enganadora, e eu explico por quê. De facto, há decisões da CNE sobre vários autarcas que foram obrigados a retirar publicidade institucional. E também sabemos que há uma decisão, uma decisão, que valida que António Costa fale sobre a bazuca, porque está a falar como secretário-geral do Partido Socialista, considera a CNE. Mas estamos a falar, ou está a CNE a analisar um caso concreto. Quanto a decisões futuras, não conhecemos a decisão. Portanto, é de alguma forma uma declaração enganadora.
E de que cor queres o carimbo, então?
É cor laranja, é um carimbo laranja de enganador.
Então toma lá o carimbo para pores o carimbo neste último fact check deste Caça ao Voto Autárquicas.
Vamos encerrar então com o laranja.
Senhoras e senhores, Hélder Batista, o motard da concertina, aqui no apoio a Avelino Silva, o candidato do PSD a Póvoa de Lanhoso.
E vamos todos juntos cantar o hino que padrinha este comício. Meus amigos, vamos lá embora. Solta aí, parceiro. Olha, malta, lá em cima, essas bandeiras lá em cima. Vamos embora! E eu quero ver a alegria. Sim! Olha que bonito.
Isto é só um aperitivo, no final vamos ouvir este hino, porque agora está na hora do baú.
Vou cometer aqui uma inconfidência. Tenho que confessar que o Partido Social-Democrata desejou, em primeiro lugar, que o candidato fosse Pedro Passos Coelho. Fosse Pedro Santana Lopes. Mas isto não pode ser dito em voz muito alta, nem todos podem ouvir.
Foi um arranque trôpego de campanha. Teresa Leal Coelho, a escolha de Pedro Passos Coelho para a autarquia de Lisboa revelou ser um tiro ao lado. O processo de seleção do candidato foi difícil. O nome de Santana Lopes chegou a estar em cima da mesa, assim como o apoio do PSD a Assunção Cristas, candidata do CDS, que teve o melhor resultado do partido para a Câmara de Lisboa. Não sabemos como poderia ter sido o futuro dos dois partidos caso tivessem ido coligados. Sabemos que como foi, correu mal. Mal ao PSD e a Passos Coelho, que aproveitou a deixa para sair da liderança. O antigo primeiro-ministro ainda não se tinha refeito ao fim de dois anos das eleições legislativas. A coligação PSD/CDS venceu, mas foi António Costa que ocupou o lugar de primeiro-ministro, depois de ter convencido PCP e Bloco de Esquerda a formar uma geringonça inédita, que muitos vaticinaram ao falhanço. A escolha para Lisboa ficará sempre como a representação da derrota do PSD, com o pior resultado laranja para a autarquia e um resultado impressionante do CDS. Fernando Medina ganhou onde o eleitorado de direita se dividiu. Mas a poucos meses das eleições, Passos Coelho não antevia uma saída, mesmo com o resultado desastroso.
Se não conseguir esse resultado que está aqui a dizer, o que é que faz? Demite-se ou recandidata-se ao partido?
Eu não lanço a instabilidade dentro do partido, nem quando era primeiro-ministro no país, a propósito de eleições que têm um significado local e não nacional.
Na noite eleitoral, o discurso foi outro.
Eu julgo que isto chega para quem quer que goste de assumir responsabilidades, e eu, como sabem, gosto de assumir responsabilidades. O resultado foi mau e foi pesado. E evidentemente, para mim, torna-se muitíssimo claro que essa consequência se exprime na minha decisão de não me apresentar a uma recandidatura dentro do PSD.
O PSD ficará órfão de Passos Coelho, mas o antigo primeiro-ministro acredita que o partido, com o novo líder, teria novas oportunidades. Não foi o caso, mas isso já são contas de outro rosário. Voltando às eleições, em 2013, o PSD já tinha tido o pior resultado autárquico de sempre. Quatro anos depois, a derrota foi desastrosa. Foi o bilhete de saída do líder e o fim do passismo.
A jornalista Judite França. E para acabar, um hino.
Vamos embora todos juntos a votar. Com o Avelino toda a gente vai ganhar. Este nosso presidente faz a nossa união, com a Póvoa de Lanhoso sempre no seu coração.
Hélder Batista é o motard da concertina e é ele quem puxa pelos apoiantes de Avelino Silva, presidente e recandidato do PSD a Póvoa de Lanhoso.
É um orgulho para a Póvoa de Lanhoso, luta pela nossa gente, é um povo maravilhoso. O PSD deveremos escolher, para a Póvoa de Lanhoso continuar a crescer. Por isso, malta, quero tudo a votar, no Avelino a presidente e a vitória alcançar.
A sonorização é do Diogo Casinha e da Beatriz Martelo Garcia. Eu sou o Ricardo Conceição. O Caça ao Voto regressa nas próximas eleições.
Há quatro anos que é sempre a construir, com Avelino na frente, é tudo a evoluir. É um orgulho para a Póvoa de Lanhoso, luta pela nossa gente, é um povo maravilhoso. O PSD deveremos escolher, para a Póvoa de Lanhoso continuar a crescer. Por isso, malta, quero tudo a votar, no Avelino a presidente e a vitória alcançar. Vamos embora todos juntos a votar. Com o Avelino toda a gente vai ganhar. Este nosso presidente faz a nossa união, com a Póvoa de Lanhoso sempre no seu coração. Mão em cima! Ai, já vinha, vamos agora. Há quatro anos que é sempre a construir, com Avelino na frente, é tudo a evoluir. É um orgulho para a Póvoa de Lanhoso, luta pela nossa gente, é um povo maravilhoso. Vamos embora todos juntos a votar. Com o Avelino toda a gente vai ganhar. Este nosso presidente faz a nossa união, com a Póvoa de Lanhoso sempre no seu coração. Vamos embora todos juntos a votar. Com o Avelino toda a gente vai ganhar. Este nosso presidente faz a nossa união, com a Póvoa de Lanhoso sempre no seu coração.
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