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Caça ao Voto na Rádio Observador. Estamos nas últimas horas da campanha eleitoral. Os partidos estão a intensificar as ações de campanha, alguns ainda na estrada, outros a preparar comícios. Nós nas próximas horas vamos acompanhar tudo aqui na Rádio Observador. Começa agora um Caça ao Voto especial em que vamos também fazer a análise. Como sempre, com o Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, juntamente com o Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador. Vamos também ter reportagem em direto nas diferentes caravanas dos diferentes partidos. Há comícios a começar entretanto, também arruadas que estão a chegar ao fim. Este Caça ao Voto especial começa agora. Antes de partirmos para a estrada, vamos para já pôr um ponto de situação, tentar fazer aqui um ponto de situação em tudo o que se está a passar neste dia. Temos o Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, e também o Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador. Miguel, começo por ti desta vez. Estamos a poucas horas, cerca de quatro horas e meia, para este encerramento de campanha. Depois vamos ter o tal dia de reflexão antes desse dia das eleições no dia 30 de janeiro. Perante tudo o que foi dito e depois tanta arruada no Chiado durante esta tarde, repetindo aqui o sistema que vamos utilizando, achas que alguém conseguiu ganhar votos durante esta tarde?
Acho que acima de tudo, há aqui um ponto que não é só nesta tarde. Isto vai continuar. As pessoas que estão indecisas, e há muita gente indecisa, pode só tomar uma decisão no próprio domingo, por isso isto não está fechado de maneira nenhuma. No fundo, aqui o que nós vimos foi a continuação da estratégia dos últimos dias. Rui Rio a jogar tudo no apelo ao voto útil. Isso foi claríssimo na arruada de hoje e António Costa a jogar as últimas balas, a tentar assustar as pessoas com o regresso da direita. E estas palavras vão ficar a ecoar no silêncio durante o sábado inteiro e até domingo. Acho que vai haver muita gente, nós estamos a falar de mesmo muita gente que vai ter que pensar três vezes para ir votar no domingo, sejam as pessoas que estão indecisas, e que há sempre, seja as pessoas que estão isoladas, que estão em confinamento e que vão ter que tomar a decisão de sair entre as 18h e as 19h, num período horário específico, concreto, até para se irem expor, sendo pessoas que estão ou infetadas ou em confinamento. Há pessoas que não gostam disso, não gostam dessa exposição e que vão ter que se expor. Não têm que ir às 18h ou 19h, mas é o aconselhado. As pessoas que aparecerem na cabine de voto entre as 18h e as 19h vão ser vistas como potenciais infetados e as pessoas não gostam disso. E também vai haver muita gente que pode estar com medo de ir votar, medo por razões de saúde, e que também vai ter que tomar essa decisão no domingo. É muita indecisão para uma eleição só.
Rui Pedro Antunes, também achas que continuamos com esse clima de muita indecisão? As sondagens também vão apontando para isso e acabaram por complicar também um pouco aquilo que poderia ser a projeção de algum cenário mais certo. E perceber também, nesta questão de ganhar ou perder votos, se neste último dia, e temos vindo a falar disto, se os eleitores chegam ao final da campanha mais esclarecidos.
Eu acho que esta questão dos isolados irem votar àquela hora, normalmente nós portugueses deixamos tudo pra última e, portanto, a hora final da fluência das urnas normalmente é muito participada. Não sei este efeito de termos quase o sininho dos leprosos, de saber que aquela é a hora em que vão os confinados potencialmente infetados, se terá algum efeito negativo, até ao longo de todo o dia, porque é uma hora recomendada, mas na verdade todos os infetados, todos os isolados estão aptos para ir votar e portanto, isso pode provocar nas outras pessoas algum medo. Quanto à questão dos indecisos e à importância do dia de hoje ou desta reta final, é porque de facto quando as coisas estão taco a taco, é discutido cada voto. E, portanto, é isso que nós vemos normalmente. Agora, há aqui várias estratégias de campanha e também há vários estudos de opinião diferentes. Diz-se que as pessoas normalmente definem o voto uma ou duas semanas antes e que a reta final não é assim tão importante. Há pessoas que compram quase calendário nas campanhas eleitorais, porque acham que as pessoas já definiram todas o seu voto. Ora, numa eleição tão participada como esta, as coisas não são exatamente assim e viu-se até uma diferença de mudança dinâmica da campanha. Se num primeiro momento toda a gente estava a discutir se António Costa teria ou não maioria absoluta, neste momento está-se a discutir se António Costa consegue ou não manter-se como primeiro-ministro ou se Rui Rio consegue ficar em primeiro nas eleições, depois se tem outra maioria, é outra questão. Nesse aspecto, foi uma campanha que mudou exatamente o curso do que se passou até aqui. Quanto a hoje, é uma coisa curiosa, que em virtude do dia de reflexão, muitos partidos optam por fazer os grandes comícios na quinta-feira e também fazer logo algumas arruadas grandes na quinta-feira. Por quê? Porque hoje é tudo mais rápido e algumas imagens das arruadas de hoje e dos comícios de hoje ainda vão aparecer nas televisões, porque há diretos, etc. Mas o maior impacto do dia seguinte e da noite, tudo que se colar mais à noite já não passa nas televisões e, portanto, já não pode passar. Então os partidos vão criando estes bonecos televisivos e é isso que vemos neste último dia. Mais aquele aparato, mais aquele mediatismo. Não sei se isso tem grande efeito em termos de votos e de resolver os indecisos, mas foi isso que vimos hoje. É o habitual nestas circunstâncias. Vamos ver se tem ou não algum impacto e mesmo os partidos não extremaram muito as posições face àquilo que tinha acontecido até aqui. PS pra aqui, PSD pra ali, Rui Rio diz que o PS é que é o responsável pelos extremos, tenta se afastar do Chega, diz que não quer o anel de rubi de André Ventura. Tentou, no fundo, repetir aquilo que tem dito ao longo da campanha. Não houve assim nada de extraordinário que eu veja assim que alguém estivesse indeciso. "Por esta sexta-feira que eu vou votar em Rui Rio, por esta sexta-feira que o meu voto vai para António Costa." Isso não vi. Acho que há uma tendência e pode haver uma tendência com esta perceção de taco a taco, de que haja mesmo um voto útil muito grande e uma grande bipolarização no próximo domingo.
E vamos ver o que é que acontece. Ainda continuamos com ações de campanha a correr e por isso mesmo vamos seguir para a estrada, para as diferentes ações de campanha que estão a decorrer neste momento. Vamos também fazendo análise às diferentes candidaturas que vamos também acompanhar aqui com a reportagem. Vamos seguir para Lisboa, onde o CDS está em campanha. O CDS que está neste momento com uma arruada na Baixa Pombalina. Francisco Rodrigues dos Santos falou há minutos. Antes de seguirmos em direto para a reportagem do João Francisco Gomes, vamos escutar essas declarações de Francisco Rodrigues dos Santos, que já um pouco emocionado, garante que o partido está vivo e diz que o voto no CDS não é um voto inútil.
Todos aqueles que querem um governo de direita devem concentrar os votos no CDS. Um voto no CDS não é um voto contra o Partido Social-Democrata. Pelo contrário, é um voto que garante que o PSD não se entende com António Costa, que viramos a página do socialismo e que temos um governo de direita em Portugal. Por isso, todos os deputados do CDS serão voto útil e eu peço a todos os portugueses conservadores, democratas cristãos, da direita popular, que votem com consciência, que votem com o coração e que o eleitorado do CDS vote na sua família de sempre. O CDS, partido Popular, está bem vivo e é o verdadeiro voto antissistema.
Francisco Rodrigues dos Santos, nesta arruada, onde está o jornalista João Francisco Gomes. Boa noite, João Francisco. Como é que está a adesão a esta arruada e como é que está também a mobilização para esta última ação de campanha do CDS, já noite dentro? Vai ainda ter um discurso durante este dia. Mas vemos aqui Francisco Rodrigues dos Santos muito emocionado e a puxar esta questão de ser uma eleição, quase uma prova de vida para o CDS.
Sim, claramente. Boa noite, Miguel. Eu acho que é audível, em fundo, o barulho aqui desta arruada do CDS, que está neste momento a entrar na Rua da Madalena, na Baixa de Lisboa, onde fica a sede do CDS. E de facto, isto é claramente a maior mobilização humana desta campanha do CDS até hoje. Estão algumas centenas de pessoas na Baixa de Lisboa, muitos jovens mobilizados pela Juventude Popular. À cabeça do cortejo está também uma comitiva composta por dois antigos líderes do CDS, Ribeiro e Castro e Manuel Monteiro, que vão ao lado de Francisco Rodrigues dos Santos. E claramente, esta arruada está a ser aproveitada pelo líder do CDS para fazer, como dizias, uma prova de vida. Estamos a falar de um partido que de facto está a lutar pela manutenção no Parlamento, pela possibilidade de conseguir eleger um ou dois deputados, como as sondagens lhe têm dado. E Francisco Rodrigues dos Santos aproveitou esta primeira declaração aos jornalistas para resumir no fundo muito daquilo que tem vindo a dizer ao longo da campanha. Basicamente, dizendo que o voto no CDS é o único voto à direita que conseguirá obrigar o PSD a governar à direita e a não se entender com António Costa. Essa tem sido uma das mensagens centrais de Francisco Rodrigues dos Santos nesta campanha. E agora o cortejo começa já a subir a Rua da Madalena e vai acabar com um comício em frente à sede do CDS, onde Francisco Rodrigues dos Santos vai fazer o discurso de encerramento desta campanha, que passou pelos 18 distritos de Portugal continental e que acaba agora em Lisboa.
Vai acabar daqui a pouco nesse comício, que vamos também acompanhar aqui ao longo da noite na Rádio Observador, o João Francisco Gomes a acompanhar a caravana do CDS. Rui Pedro, antes de partirmos aqui para outra candidatura, o CDS tem vindo a dizer, Rui Pedro Antunes, que esta eleição é quase uma prova de vida. Ouvimos Francisco Rodrigues dos Santos dizer isso várias vezes. Está, de facto, a colocar aqui vida ou morte do CDS e a intensificar essas declarações de forma a pôr o voto. Este tipo de declarações acaba por conseguir votos?
É uma missão difícil que Francisco Rodrigues dos Santos tem. Já vaticinaram no passado outras vezes a morte do CDS. Já houve até uma altura na história em que também tiveram quatro deputados, e até há uma fase de Adriano Moreira que eu creio que lhes davam 1% nas sondagens. Também há uma outra situação, aliás, Paulo Portas gostava muito de falar disso, de como o CDS era muito atacado nas sondagens. O problema é que agora Paulo Portas também ataca este CDS, ou pelo menos os discípulos de Paulo Portas também atacam este CDS. Que também no tempo de Nuno Melo chegou a não ser sequer dado como eleito para eurodeputado e depois até uma certa altura até conseguiu eleger dois eurodeputados. Portanto, o CDS está sempre muito mal com sondagens. Agora, o CDS é muito diferente. Houve uma grande debandada de membros do CDS e, portanto, enfrenta de facto uma luta pela sua sobrevivência. E depois há aqui outra questão, que as melhores sondagens dão um, dois deputados ao CDS. Francisco Rodrigues dos Santos, se ficar sozinho como deputado único, mantém-se à frente do CDS ou é forçado a sair? Vai a congresso sendo ele o único deputado do partido, alegando que é o rosto do partido e, portanto, tem que ficar e não vai abandonar o barco, mas fica altamente fragilizado. O que faz Nuno Melo? Vai a votos ou o facto de ser em janeiro já não vai? Portanto, dias difíceis pra este CDS, embora, deixa-me dizer isto, Miguel, Francisco Rodrigues dos Santos fez uma campanha em crescendo. Estes pequenos, e falamos isto aqui muitas vezes nos debates, têm o mesmo tempo dos grandes, em muitas circunstâncias, têm quase o mesmo palco mediático. Quer dizer, se vai ao Ricardo Araújo Pereira ou Rui Rio, Francisco Rodrigues dos Santos vai ao mesmo tempo, e ao mesmo tempo que António Costa. Portanto, tem o mesmo tempo de antena perante os eleitores. E isso eu acho que favorece estes partidos pequenos que estavam mais apagados pela força eleitoral que foram perdendo, principalmente naquilo que é a noção das sondagens. E nesse aspecto, Francisco Rodrigues dos Santos pode estar satisfeito. Eu acho que ele não podia ter feito muito mais que aquilo que fez, podia ter tido mais algum cuidado, sendo às vezes menos líder da JP e mais líder do CDS, mas não se pode dizer que tenha feito uma campanha desastrosa. Pelo contrário, até acho que é capaz de ter ganho alguns votos.
Miguel Pinheiro, concordas? O CDS com estas duas semanas de campanha termina neste último dia com uma onda crescente a ganhar votos?
Talvez, mas convém não esquecermos uma coisa, que isto é uma desgraça completa. Claro, nós estamos todos a olhar pra isto como sendo um cadáver a ressuscitar. E claro, se o cadáver mexe o dedo mindinho, parece-nos quase uma coisa milagrosa e o homem que conseguiu fazer com que o cadáver mexesse um dedo mindinho é um messias. Mas se isto se confirmar, atenção, os cinco deputados do CDS já foram vistos como uma humilhação insuperável pelo próprio Francisco Rodrigues dos Santos. Quer dizer, não basta dizer: "Ai, mas agora temos o Chega e a IL com mais força." Sim, claro. Tinha cabido ao CDS não permitir que este crescimento acontecesse. Se a Iniciativa Liberal e o Chega vão crescer de um deputado pra vários deputados, isso acontece em grande parte por incompetência e inabilidade do CDS. Portanto, sim, não morrer e conseguir eleger um deputado já é qualquer coisa. Tenho grandes dúvidas, além de que força terá o CDS pra integrar um governo se tiver um deputado.
E afinal, o que é um bom resultado pro CDS? Fica essa dúvida, se dois deputados é um bom resultado pra este CDS perante aquilo.
Repara, só mesmo por enorme sentido de caridade Rui Rio, porque se Rui Rio com o CDS com um ou dois deputados lhes dá o Ministério da Defesa, realmente é de lhe dar abraços e beijinhos na testa, porque é de uma generosidade inaudita. Como é que um partido que olhando pras sondagens, claro, atenção, mais uma vez, como eu disse, vai haver muita gente a tomar decisões em cima da hora e há muitos eleitores com uma ligação emocional ao CDS que podem decidir votar no CDS. Estamos todos a falar com base naquilo que nos dizem os números neste momento. Estamos a falar em um deputado, com uma enorme sorte de se Cristo descer à Terra, dois deputados. Se estivermos a falar disto, que utilidade é que tem o CDS pro PSD, mesmo que esses dois deputados ou que esse deputado fosse decisivo pra se conseguir uma maioria de governo à direita. Enfim, qualquer comparação entre o CDS, se o CDS com um ou dois deputados tem o Ministério da Defesa, então João Cotrim de Figueiredo vai ser vice-primeiro-ministro, porque aquilo que as sondagens nos dão é a Iniciativa Liberal com muito mais deputados. Portanto, sim, a campanha não foi uma desgraça completa pra Francisco Rodrigues dos Santos. Sim, ele conseguiu mobilizar um certo tipo de eleitorado com a forma agressiva como esteve nos debates. Sim, como nós vimos ainda hoje num artigo no Observador, ele mostrou um grande à vontade nas feiras e no contacto com as pessoas. Agora, isso não nos deve levar a deixar de ver o óbvio, que é: isto é uma desgraça completa. A confirmarem-se estes números, claro.
Acho que um esquadrão de cavalaria desfilando na bancada de CDS vai ter muito espaço pra fazer picadeiro. Se calhar vamos ver se não passa de catch all party, como queria ser no tempo da cessação de crise, pra ser uma espécie de catch nobody party.
Vamos ver o que acontece, de facto, com esse resultado do CDS, o que nos vai ditar esta eleição legislativa no próximo dia 30 de janeiro. As sondagens não são muito favoráveis ao CDS, mas também sabemos que isso já é quase tradição. Vamos voltar à estrada. Agora vamos até ao Porto, onde o Bloco de Esquerda tem hoje o último dia de campanha. É uma caravana que está a ser acompanhada pela jornalista Mariana Lima Cunha. Boa noite, Mariana. O Bloco de Esquerda vai ter um comício ainda hoje, mas já esteve em campanha durante o dia também pelas ruas do Porto. Como é que foi a adesão? Passaram pela Rua de Santa Catarina. Catarina Martins quis também falar sobre o Chega e sobre a extrema-direita. Como é que correu o dia de hoje para o Bloco de Esquerda?
Alô, Miguel. Sim, ainda estou aqui na Rua de Santa Catarina, no Porto, onde o Bloco de Esquerda teve a arruada final. Já se sabe, para quem acompanha estas coisas, que o último dia não costuma ser propriamente dia de lançar mensagens novas, é sobretudo de reforçar a mensagem e apelar ao voto, e apelar ao voto em força. Aliás, quanto mais não seja porque as notícias que saem deste dia desaparecem rapidamente por causa do dia de reflexão. Aqui na arruada, eu diria que se sente um Bloco um bocadinho nervoso. Ainda ontem ouvimos Jerónimo de Sousa lançar aqui uma ideia que era que já se vê o PS pronto para fazer o tal acordo de cavalheiros com o PSD de que Augusto Santos Silva falava esta semana. E o Bloco de Esquerda mostra-se um bocadinho nervoso com essa hipótese. Catarina Martins, aliás, referiu-a hoje de modo próprio, sem ser questionada sobre o assunto, e falou das ambiguidades do PS. É o pau de dois bicos com que o Bloco está a jogar. Por um lado, sabe que isso pode dificultar-lhe a vida por causa do voto útil, por outro, espera mobilizar o eleitorado à esquerda com essa tal ambiguidade, dizendo que o PS não garante que haja a tal maioria de esquerda, de que o PCP aparentemente está cada vez menos certo. O outro motivo para o apelo ao voto que Catarina Martins dá tem precisamente a ver com a extrema-direita, com derrotar André Ventura. Vamos ouvir esse som desse apelo ao voto aqui na arruada.
A força do Bloco de Esquerda é a força que desempata, que derrota a direita, que ganha. O voto no Bloco é o voto que ganha, porque é o voto que desempata e que não permite um governo de direita. É o voto que vence a extrema-direita e a direita, e é o voto que abre um novo ciclo em Portugal pelo salário, pela saúde, pela habitação, pelo clima. Aqui estamos e toda a gente que vai votar sabe isso. Cada voto no Bloco de Esquerda é um voto seguro para vencer a direita e é um voto seguro para um contrato no dia seguinte que não esqueça as urgências do nosso país.
Mariana, de facto, tem sido este o tom, ou seja, Catarina Martins a colocar-se sempre, e a colocar sempre o Bloco de Esquerda, como o partido que é oposto ao partido de André Ventura e que quem não concorda com André Ventura deve votar no Bloco. Tem sido um pouco esta a mensagem de Catarina Martins.
Exatamente. Catarina Martins desde o início da campanha que está a lançar essa fasquia e colocando-se numa disputa direta com André Ventura. Aliás, logo no início da campanha, quando esteve no bairro da Jamaica, aproveitou estar ao lado da família Koshik, que foi insultada por André Ventura para isso mesmo. E agora no final da campanha, volta a intensificar esse discurso, que tem duas dimensões. Obviamente, ideologicamente, é natural que o Bloco seja um adversário do Chega, não podiam ter dois discursos mais diferentes. E aliás, nesta campanha, fosse a aula de história que Fernando Rosas deu sobre o Estado Novo, que depois acabou por colar ao Chega, fossem os gritos constantes de "não passarão" e o "fascismo não passará" que se ouviam nas ações de rua, tornou-se muito evidente esse objetivo. Por outro lado, tem motivos eleitorais também, evidentemente, porque há aqui, de facto, esta incerteza na disputa pelo terceiro lugar, que aliás o Bloco começou a campanha achando que seria apenas com o Chega e agora já há sondagens que admitem que possa ser ainda também com a Iniciativa Liberal ou com a CDU. Mas essa disputa é muito importante porque há vários círculos em que o Bloco de Esquerda é o único partido além do PS de esquerda a eleger deputados e portanto, nesses casos, estou me a lembrar de Braga, de Leiria, de Faro, de Coimbra, é essencial, e o Bloco tem essas contas feitas, ser a terceira força costuma ser nesses círculos a garantia de que esse deputado ainda consegue entrar. E com o rombo que o Bloco tem noção de que muito provavelmente sofrerá, tendo em conta as sondagens, é preciso tentar preservar alguns desses lugares para continuar essa afirmação do Bloco como terceira força.
Claro, e tem tido essa luta e tem falado também de se querer continuar a afirmar como terceira força em Portugal, o Bloco de Esquerda. Escutámos aqui a reportagem de Mariana Lima Cunha, que vai também acompanhar esse último comício, que vai ser na Alfândega do Porto. Vamos fazer a análise àquilo que tem sido também esta campanha do Bloco de Esquerda e aquilo que são as projeções para resultados do partido de Catarina Martins. Miguel Pinheiro, a Mariana Lima Cunha falava aqui do nervosismo que se sente na caravana do Bloco de Esquerda. Isto tem passado para o eleitor? Sentes que está a passar para o eleitor esse nervosismo?
Sim, porque o Bloco de Esquerda tem aqui uma série de problemas. Por um lado, está a apostar novamente neste discurso de ser o grande adversário de André Ventura, do Chega, da extrema-direita, do fascismo. Bem, isto já correu mal nas presidenciais. Aquilo que foi uma das bases da campanha de Marisa Matias foi essa. Depois até houve aquela fase do batom vermelho, e isso não correu nada bem para Marisa Matias. Teve um terço da votação de quatro anos antes, por isso não foi mobilizador. Eu bem sei que havia a Ana Gomes e que havia ali uma divisão de eleitorado com Ana Gomes. Está tudo muito certo, mas quer dizer, nestas legislativas também há divisão de eleitorado, com a CDU, com o Livre, com o PAN, com o PS, até há ainda mais divisão do eleitorado. E também temos António Costa a querer ser o maior inimigo também de André Ventura. Por isso não vejo muito bem que isso seja um argumento eficaz. E depois, o Bloco tem um outro problema que é Não há uma única alma em Portugal continental e ilhas que acredite que no dia 31 Catarina Martins e António Costa se vão entender maravilhosamente, vão passar a negociar de forma tranquila, de forma estável e vão conseguir durante quatro anos manter uma relação sem sobressaltos. Não há ninguém que acredite nisso. António Costa sempre teve imensa dificuldade em lidar com o Bloco de Esquerda desde os tempos da Câmara Municipal de Lisboa. O Bloco de Esquerda já há dois orçamentos que tinha saltado do barco. O Bloco de Esquerda e António Costa disseram as piores coisas uns dos outros e por isso quem quer um governo estável à esquerda vai dar força ao Bloco para quê? Não entendo. Por isso, quem é que quer votar no Bloco e quem quer partir o braço ao PS e a António Costa? É alguém que ache que o Bloco vai conseguir forçar o PS a alguma coisa? Vejo isso com grande dificuldade. E realmente o Bloco tem neste momento 19 deputados. A sondagem do Público, por exemplo, que foi uma das mais recentes, a sondagem da Católica pra RTP e pro Público, dá ao Bloco entre quatro a 10. Vamos imaginar que são 10. Vamos ser generosos, vamos imaginar que são 10.
Vamos trabalhar no melhor cenário possível pro Bloco.
Certo. Nesta sondagem. De 19 pra 10, é fazer as contas, como dizia António Guterres. Por isso tudo indica que o Bloco vai sair muito mais fragilizado destas eleições e é imprevisível que consequências é que isso vai ter numa eventual negociação à esquerda, se é que alguém ainda acredita que António Costa vai querer governar à esquerda. E a conjugação de tudo isto faz com que estas eleições sejam uma enorme armadilha pro Bloco de Esquerda.
Pedro, o que está a passar é que o Bloco não conseguiu explicar aos eleitores por que rompeu com a geringonça e de certa forma está envolvido no fato de estarmos em eleições nesta semana, neste momento.
Sim, o Bloco não aprende. Quando em 2011 ajudou a chumbar o PEC 4, embora nessa altura havia uma série de circunstâncias, inclusivamente um governo de José Sócrates completamente esgotado, passou de 16 pra oito deputados, portanto, reduziu a bancada pra metade. Depois conseguiu uma recuperação grande em 2015, e depois manteve sensivelmente a mesma bancada. Mas o Bloco tem um problema de identidade, que passa por dar aquele salto de partido de protesto, que tem limitações ao seu crescimento, e ser um partido responsável do arco da governação, um partido com quem se pode contar pra piscina dos grandes. E nesta atualidade o Bloco perde-se muito, porque não quer deixar de ser um partido de defesa das minorias, ter grandes bandeiras daquilo que chamavam antes de fraturantes, de causas fraturantes, mas por outro lado, tem ali um desafio e uma ambição de crescer e crescer mais. Essa ambição chegou a levar pra disparates como ser social-democrata, sendo que o Bloco é obviamente socialista e, portanto, na sua base é socialista e é várias outras coisas. Também é marxista, também é trotskista, depende um bocadinho das vertentes. E portanto, eu acho que o Bloco anda meio perdido nesta crise de identidade, de não saber se quer crescer mais pra ser um partido que possa ter mais influência na governação e poder crescer, e por outro lado, ser o partido de protesto de sempre e ser um partido de oposição. E foi aí algo que se perdeu, porque a CDU perdeu força em 2019, mas o Bloco manteve-se e manteve-se porque parecia o parceiro mais digno que havia à questão da geringonça. Agora, o Bloco não consegue garantir aos portugueses que vai ser uma solução pra geringonça, não consegue ter a confiança do PS que vai ser uma solução pra geringonça, e muitos eleitores de esquerda perguntam-se neste momento: "Pra que serve o Bloco se eu posso ajudar Rui Rio a não ir pro governo?" E, portanto, em vez de votarem no Bloco, tão a desviar o voto pra António Costa, pelo menos é isso que nos dizem as sondagens, para evitar que a direita chegue ao poder, e isso está, de certa forma, a tornar o Bloco um partido com uma bancada muito mais pequena e a levar um corte como levou em 2011, quando houve também essas eleições antecipadas.
E de fato, vamos ver se esse corte se verifica no domingo. As sondagens apontam para essa redução a praticamente metade no número de deputados do Bloco de Esquerda. Neste Caça ao Voto, estamos num Caça ao Voto especial, a acompanhar as caravanas dos diferentes partidos. Já estivemos junto da caravana do CDS, também do Bloco de Esquerda. Vamos agora para a caravana do Chega, que teve também hoje uma iniciativa em Lisboa, desceu também o Chiado, esta caravana liderada por André Ventura. Vai ainda ter um jantar comício no Barreiro daqui a pouco, às 20h30. A jornalista Inês André Figueiredo está a acompanhar esta campanha do Chega, liderada por André Ventura. Inês, tivemos hoje a ruada do Largo Camões pro Rossio, aqui uma descida também do Chiado, um possível cruzamento ali com o PSD. E de fato, André Ventura voltou a falar sobre essas possíveis coligações, esses possíveis acordos que podem surgir depois das eleições. Perceber o que disse André Ventura e também se de fato foi forte a adesão a esta ação de campanha, esta ruada do Chega neste último dia.
Boa tarde a todos. Como dizias, Miguel, essa arruada entre o Largo de Camões e os Restauradores, que foi onde acabou, durou cerca de meia hora. Houve muito pouco contato com a população. Basicamente, André Ventura seguiu numa bolha entre algumas pessoas mais próximas da comitiva, como costuma acontecer. Muita segurança, uma segurança muito apertada. Já agora, uma pessoa que ainda não tinha entrado nesta campanha, Dina Nunes, que é a mulher de André Ventura, e que ao contrário da campanha para as eleições presidenciais, nunca andou pelo país com o líder do Chega, desta vez esteve ao lado de André Ventura durante todo este caminho. O líder do Chega chegou de carro, como é habitual, e quando chegou ao Largo Camões trazia já uma bandeira de Portugal. Tirou a bandeira e colocou-a ao alto, muito aplaudido. Ouviu-se muito o hino de Portugal durante toda a arruada. Já agora, levou durante todo o percurso uma rosa branca que lhe foi oferecida, costuma ser associada à pureza, à inocência, à humildade. Inocente ou não, a verdade é que o líder do Chega disse que vai usar a força que encontrou nas ruas, palavras do próprio, para criar ou para ver se é possível uma relação conjugal ou extraconjugal, também palavras de André Ventura, e deixou tudo nas mãos dos outros partidos. Vamos ouvir essas declarações desta tarde.
Eu acho que hoje fica aqui claro no Chiado a força que o Chega tem. É esta força que levamos para qualquer relação, seja ela conjugal ou extraconjugal. Agora os outros partidos é que terão a decidir. Acho que a força do Chega está presente nas ruas. Hoje estamos a dar mais uma amostra de força. Vamos ver no domingo como é que acaba. Não o quê?
Não quero ser o anel, nem quero ser a quinta roda.
O Rio não quer. Não quer o anel.
Vamos ver se também não quer os portugueses no domingo. O que interessa é os portugueses, não é, Rui Rio?
André Ventura tem estabelecido, e durante esta campanha estabeleceu muitas linhas vermelhas de que não abdica para fazer parte de um governo, mas a verdade é que também tem insistido muito na ideia de uma maioria à direita e de uma negociação em que o Chega esteja incluído. Vamos tentar perceber, talvez na segunda-feira, o que é uma relação conjugal e uma relação extraconjugal para André Ventura. Já agora, neste último dia, dizer que Ventura também fez questão de dizer que uma maioria à direita, ou seja, haver mais deputados à direita do que à esquerda após as eleições do próximo domingo, não é o suficiente para o país. André Ventura tentou demonstrar, e novamente indo contra o voto útil que PS e PSD têm andado a pedir muito, principalmente nestes últimos dias de campanha, o líder do Chega diz que há uma diferença entre aquilo a que chamou uma direita sozinha do PSD ou uma direita que obrigue a devolver, isto palavras de André Ventura, a dignidade aos portugueses. Aqui para diferenciar uma direita em que o Chega seja forte e uma direita em que o Chega tenha poucos deputados. Nesta reta final, só para terminar, até porque esse jantar está perto de começar, o líder do Chega apelou muito ao voto, e que os eleitores não se deixem enganar pelo voto útil. Ainda antes, no almoço-comício em Cascais, atacou o PS, atacou António Costa e disse que toda a narrativa desta campanha, principalmente por parte do recandidato socialista, tem como base o Chega. Vamos também ouvir esse som de André Ventura.
Inês, não tenho esse som neste momento disponível, mas de facto foram declarações proferidas pelo líder do Chega. Vamos tentar ainda recuperar mais à frente, mas sei que tens ainda preparado esse jantar-comício que vai acontecer no Barreiro.
Exatamente. É um esforço final no distrito de Setúbal, onde o Chega tem a ambição de chegar aos dois deputados. Vamos ver se esse sonho é cumprido ou não no próximo domingo. E vou agora também para o Barreiro, onde o líder do Chega vai fazer as primeiras declarações aos jornalistas do dia. Isto tem sido muito habitual, não falar nas arruadas, só fala aos microfones quando nós fazemos algumas questões. Por isso, vamos ver o que o líder do Chega tem para dizer neste final de campanha.
Vamos também certamente acompanhar aqui na Rádio Observador, perceber o que André Ventura reservou para o final da campanha, para esse comício final. É daqui a pouco, às 20h30 no Barreiro. Vai também ser acompanhado pela Inês André Figueiredo. Rui Pedro Antunes, olhando para o Chega, temos aqui possivelmente o partido que terá o maior crescimento nestas eleições. Duvido ainda sobre aquilo que também será o crescimento da Iniciativa Liberal, que também é estimado e que também é projetado pelas sondagens. O que podemos esperar depois das eleições, com os resultados todos contados, para que vai servir, afinal, o Chega?
O Chega tem aqui uma situação que, além da percentagem que tem, parece ter uma implantação a nível nacional, uma dispersão geográfica, que o pode permitir, mesmo sem muita percentagem, ter bastantes mandatos. As previsões de conversão em mandatos por via do método de Hondt dão ao Chega uma bancada simpática, independentemente da variação que vai existindo entre as sondagens, entre os 6%, 8%, 9%, já chegou a ser 10%. E portanto, aí o Chega prevê-se esse crescimento. Ainda agora, André Ventura parece mostrar um certo desespero pela fuga do voto útil. Há pouco dizíamos do Bloco de Esquerda isso, que podia sentir os votos a fugirem-lhe entre os dedos para o PS, precisamente na perspectiva do voto útil, e de impedir que Rui Rio governasse. E o Chega pode sofrer esse efeito, como aliás sofreu em Lisboa, tanto o Chega como a Iniciativa Liberal, e portanto sofrer aqui um bocadinho com o facto de as pessoas acreditarem, os eleitores à direita acreditarem que Rui Rio pode ser o mais votado. Ainda agora André Ventura disse isto, que está disponível para qualquer relação conjugal ou extraconjugal e, portanto, que depende dos outros partidos, porque está disponível. O problema de André Ventura é que ninguém quer ser associado ao Chega. Nesta altura, é visto como uma espécie de um não ativo, algo tóxico, um ativo tóxico para qualquer partido e portanto ninguém quer reunir-se e ninguém quer associar-se ao Chega. Isso tem sido uma dificuldade do partido, de se mostrar que pode estar disponível e não ser o tal único partido de protesto. Sinais que André Ventura deu nesse sentido, nenhuns, porque tem sempre um discurso não bipolarizado, mas bipolar, que num momento diz estar disponível para negociar com o Rui Rio, no momento a seguir ataca-o e diz que nunca cederia e que nunca se venderia, etc. Essa ambivalência do Chega pode ainda prejudicá-lo, mas certamente o partido irá crescer. Se dissermos assim: André Ventura fez uma campanha em crescendo de afirmação do partido, nas presidenciais vimos que, embora fosse a figura dele, o candidato apoiado pelo Chega, que era ele próprio, teve ali uma dinâmica e uma coisa diferente. Tinha tido 1% e evoluiu para isto.
Mas não se sentiu um pouco a ausência de outras figuras do partido? Não foi uma campanha muito centrada em André Ventura? Nas outras candidaturas fomos vendo aparecer históricos, o Chega não tem ainda essa dimensão, mas fomos vendo outros rostos. Não faltou nesta candidatura aparecerem outras pessoas e, de facto, o eleitor sabe quem é a cabeça de lista pelos diferentes distritos onde se vota para estas eleições?
André Ventura é um pouquinho um eucalipto, acaba por secar tudo à sua volta. Vamos percebendo que Nuno Afonso foi afastado. Qualquer pessoa que tenha o mínimo de protagonismo no partido é metido meio de fora. Mesmo Diogo Pacheco de Amorim há uma estranha relação entre eles, porque nem sequer foi colocado num lugar que é facilmente elegível. Está no Porto e nem sequer é o cabeça de lista do Porto. O que se percebe com André Ventura é que ele, de facto, não puxa por esses protagonistas porque quer ser o único protagonista e pelos vistos os outros membros do partido e também os membros da sua direção convivem muito bem com isso, com este venturocentrismo. Nesse aspecto, não me parece que vá sair muito daí este circular ou o mundo girar à volta de André Ventura do Chega, os eleitores também, estão todos confortáveis relativamente a isso. Se foi uma campanha completamente arrebatadora de André Ventura? Não me parece. E até no próprio estilo foi derrotado, por exemplo, em debates por Francisco Rodrigues dos Santos, que até se mostrou mais eficaz que ele no registo que ele próprio criou.
Miguel Pinheiro, o que achas desta campanha do Chega, que tem um bom resultado à espera, de acordo com as sondagens, a crescer, a chegar a um grupo parlamentar, mas conseguiu com esta campanha ganhar votos?
Não, eu acho que esta frase, já no final da campanha de André Ventura, resume muito bem o dilema em que ele está. A frase: "Os outros partidos terão de decidir." Isto não é propriamente uma frase dita por alguém que se sente numa posição de força. Aquilo que André Ventura devia estar a dizer era: "Eu vou ter a força para impor uma decisão aos outros e não ficarei à espera que os outros decidam." Teve aqui duas coisas que podem parecer um pouco contraditórias, mas por um lado, houve grandes mudanças de posição, nomeadamente aquela que pra mim foi mais surpreendente, foi quando na última semana de campanha, André Ventura se transformou num crítico da direita de Passos Coelho. Começou a criticar o governo de Passos Coelho, a dizer que foi o governo que baixou as pensões, que cortou os salários e que ele é a direita que não quer cortar salários nem pensões. Nunca tínhamos ouvido tal coisa da boca de André Ventura, muito pelo contrário. Mas ao mesmo tempo que há estas grandes variações, há uma constância no discurso e nos temas que é um pouquinho preocupante. Às vezes olhar pro Chega é o mesmo que estar a ver aquele filme, o "Groundhog Day", em que o personagem acorda todas as manhãs no mesmo dia, é sempre o mesmo dia que se repete. E ele repete, de facto, sempre os mesmos temas e isso pode explicar um pouco por que vários estudos de opinião e várias análises de sociologia eleitoral nos dizem que ele se calhar bateu no teto. Ora, se o partido tiver batido no teto nos 6%, 7%, isso coloca-o num problema, porque para um partido como o de André Ventura e estes partidos de direita radical que se tornaram incontornáveis lá fora, passaram todos e muitos os 10%. E agora, o que André Ventura vai fazer? Se Rio vencer, ele fica num impasse estratégico, porque tem que decidir que ou manda abaixo um governo de direita ou passa a falar baixinho e esvazia-se. E se Costa vencer, por um lado, tem que esperar pra ver se Rio sai, mas além disso, tem que optar por um caminho que eu só vejo que terá de ser um caminho de maior radicalização. E por isso aquilo que eu antevejo é uma radicalização ainda maior do Chega, porque não o vejo a ter espaço pra outra coisa. Aí se acresce o facto de--
Ou seja, se se moderar, pode até perder eleitores e perder a essência da mensagem?
Eu acho que ele não tem nenhum incentivo pra se moderar, porque cortaram-lhe as pontes todas e as estradas todas e a única solução que ele tem é impor-se pela força do voto. E para conseguir isso, tem que se radicalizar, parece-me. E isso tem um outro problema, que faz com que o caminho até o poder seja muito mais longo. André Ventura pode ter de esperar muito mais tempo do que estaria à espera para se aproximar do poder. Ele claramente queria aproximar-se do poder muito rapidamente, ele teria tomado posse como ministro ontem. E eu não sei se ele tem paciência pra isso. Ele tem paciência pra ser como aqueles líderes da direita radical numa série de outros países europeus que andaram anos e anos, alguns deles ainda andam, anos e anos nisto, até com votações muito maiores do que estas e sem conseguirem chegar lá? Ele vai mesmo dedicar a sua vida a isto para ter como recompensa ser deputado? Não sei se ele é esse tipo de político. Estou curioso para ver no que isso dá.
Curiosidade para saber o futuro do Chega também. Depois destas eleições, as projeções dão-lhe um grande crescimento face a esse deputado único, André Ventura, nas últimas legislativas há dois anos. Vamos seguir para a estrada e precisamente para o PSD, que André Ventura quer ser quase o braço direito de Rui Rio, mas Rui Rio tem afastado essas posições, tem afastado também um possível acordo com o Chega. Hoje disse mesmo que o PS é que está a abrir a porta aos extremos. Diogo Teixeira Pereira, boa noite. Estiveste a acompanhar a arruada que colocou um ponto final na caravana do PSD, na campanha do PSD. Foi esta tarde em Lisboa, a descida do Chiado, depois um discurso já junto à Praça do Comércio. E foi um final de campanha quase em potiosa, com centenas de apoiantes ao lado de Rui Rio, também com muitas caras conhecidas do partido. Diogo Teixeira Pereira? Não conseguimos neste momento a ligação ao jornalista Diogo Teixeira Pereira. Vamos tentar retomar essa ligação com o repórter que esteve a acompanhar a caravana do PSD, esteve a acompanhar também este último dia de campanha por parte dos social-democratas. Vamos tentar mais uma vez a ligação ao jornalista Diogo Teixeira Pereira. Diogo, não sei se me consegues ouvir neste momento. Já temos esta ligação? Não, no momento não é possível. Já lá vamos. Rui Rio, que esteve esta tarde no Chiado, falou perante centenas de apoiantes. Desceu depois de ter descido já anteriormente o PS. António Costa, que também foi falando sobre aquilo que divide o PSD de Rui Rio com o PS de António Costa. Já vamos daqui a pouco seguir para essa caravana do PSD. Vamos antes partir para o PAN, que continua a tentar fazer pontes quer com o PSD, quer com o PS. O PAN que tem também um fecho de campanha em Lisboa, que também esteve esta tarde pelo Chiado, também teve ações de campanha pelo Chiado esta tarde. Foi uma ação de campanha acompanhada pela jornalista Inês Ameixa. Foi de facto uma ação de campanha que inicialmente cruzou-se ligeiramente com a descida do Chiado do PS, depois no fim cruzou-se com a do PSD e acabou por mostrar um pouco, Inês Ameixa, aquilo que o PAN tem também mostrado ao longo desta campanha, que está disponível para fazer pontes com o PSD e com o PS.
Precisamente, está disponível para eventuais entendimentos tanto com um partido como com outro, mas é também isso que marca esta campanha, um tabu que Inês de Sousa Real acabou por não desfazer ao longo destas duas semanas. Não disse qual seria o alvo preferencial para eventuais conversas pós-eleições e foi nessa narrativa que se manteve até ao final desta campanha. Não se espera que agora na intervenção final, que está marcada para pouco depois das 20h, Inês de Sousa Real desfaça esse mistério. Como dizias, o PAN também desceu o Chiado, não lhes chamou arruada. Também diria que não foi uma arruada porque foi muito discreta. Poucos elementos na caravana, poucas bandeiras, praticamente nenhum barulho. O que há a relatar desta ação foi de facto essa questão de o PAN se ter cruzado ao longe com o Partido Socialista e depois mais de perto com os social-democratas. O partido já estava reunido em comitiva junto ao Café Brasileira quando Inês de Sousa Real decidiu começar a descer o Chiado. Quem não visse aquilo de fora não tinha percebido que havia esse tal cruzamento entre comitivas, porque o PAN desceu de forma muito discreta, contida, contornou os elementos social-democratas de uma forma natural. Não os evitou, mas também não fez questão de mostrar que estava ali presente e seguiu estrada fora. Portanto, quem não percebesse que o PAN estava ali, também não conseguia entender que a comitiva estava a passar pela zona em que estava já a comitiva social-democrata. Nós, jornalistas, questionámos Inês de Sousa Real uns metros mais à frente sobre esse cruzamento, isto porque Rui Rio ainda não tinha chegado e portanto Inês de Sousa Real acabou por nem sequer ter qualquer contacto com os elementos da comitiva do PSD. Mas questionámos a líder do PAN sobre esse eventual cruzamento com os social-democratas e a Inês de Sousa Real disse que era natural haver estes cruzamentos e desvalorizou a questão.
Não temos qualquer problema em passar junto a outras forças políticas, muito pelo contrário, em democracia é saudável que saiamos todos à rua, que estejamos todos presentes e que possamos todos defender as nossas ideias, porque de facto a democracia precisa de estar viva e estarmos todos na rua é um sinal disso mesmo.
Rui Rio ainda não chegou. Se o tivesse encontrado, o que é que diria?
Cumprimentaria sempre e desejaria boa sorte para o resto da campanha, sendo que o resto do diálogo e do debate terá que vir entre todas as forças políticas e não apenas com o PSD, no pós 30 de janeiro.
Mais uma vez, aqui uma das muitas formas de Inês de Sousa Real acabar por contornar também essa questão, dizer que o diálogo é com todos e que depois de 30 de janeiro é preciso que todas as forças políticas se juntem para então conversarem. Aqui também mais uma forma de dizer ou de não dizer qual seria a preferência em relação a PS ou PSD. Um pouco mais à frente, também a destacar desta espécie de arruada do PAN, houve também um encontro, diria inesperado, com Teresa Leal Coelho, antiga deputada social-democrata. Deram cumprimentos uma à outra, desejaram boa sorte uma à outra e Teresa Leal Coelho até acabou por deixar aqui um convite a Inês de Sousa Real. Podemos ouvir.
No meu primeiro debate, portanto é uma honra vê-la aqui hoje.
É verdade.
É verdade. Foi um gosto vê-la. Também vai agora para a caravana?
Agora vou para a nossa caravana.
Ok.
Quer juntar-se a nós?
Vamos continuar na nossa.
Dá a mão.
Vamos continuar. Foi um gosto revê-la, está bem?
Boa sorte. Cumprimentos, tudo de bom.
Tudo de bom. Está bem. Boa sorte. Até breve.
As declarações de Teresa Leal Coelho, que acabou por encontrar Inês de Sousa Real, convidou-a a participar também na arruada do PSD, mas a líder do PAN seguiu caminho. Um convite que chegou ao PAN, não por Rui Rio, mas neste caso por Teresa Leal Coelho.
Aqui a reportagem da jornalista Inês Ameixa, que esteve nesta arruada, ação de campanha do PAN em Lisboa, no Chiado. O PAN vai ainda ter hoje um jantar de encerramento, também em Lisboa, para encerrar a campanha eleitoral e com os habituais discursos. Vamos analisar aquilo que tem sido esta campanha do PAN e aquilo que são as possibilidades para este partido. Rui Pedro, começo agora por ti. Um dado que surgiu esta semana: as visitas do PAN aos mercados e as tentativas de fuga às bancas do peixe e da carne. De facto, no final desta campanha temos o PAN a dizer que tanto negoceia com o PS como negoceia com o PSD. O que temos é nem carne nem peixe.
É verdade, mas repare que não foi ao acaso que a antiga deputada do PSD foi chamada, porque o apelido é Coelho e o PAN não resiste a chamar tudo que tenha motivações ou qualquer referência aos animais. Teresa Leal Coelho também é obviamente uma das deputadas mais progressistas, chamemos-lhe assim, e com mais proximidade dentro da bancada do PSD, podia ter algumas bandeiras em comum com o PAN. Mas dito isto, sim, é verdade. Inês de Sousa Real, como lemos aqui até nos artigos da Inês Ameixa, fugia da banca de peixe e de carne. Via inclusivamente, em alguns momentos, a conversar em peças televisivas com funcionárias do talho. De facto, dessa dualidade era difícil de lidar. Quanto a esta questão, nós ficamos um pouco surpreendidos também quando estivemos no Congresso do PAN no verão, porque o partido nunca se assume se é de esquerda, se é de direita. Há ali uma coisa meio inorgânica ou desposicionada, em que se percebe que é um partido de defesa dos animais, de defesa da natureza, das questões ambientais, etc., mas depois não se quer definir ideologicamente. Agora, o tempo e a experiência, até o histórico da afirmação do partido foi feito em parte por André Silva, que tinha uma boa relação com o PS. Inês de Sousa Real voltou a ter essa boa relação com o PS, pelo menos com António Costa. Nesse aspecto, é quase só estratégico e tem a ver com o próprio partido a não definição, porque se nós pudéssemos apostar neste momento se Inês de Sousa Real preferia sentar-se com Rui Rio ou com António Costa, acho que não teríamos grandes dúvidas de dizê-lo. Mas publicamente, quase a isso é obrigada, a essa indefinição, porque também foi isso que saiu do congresso do partido e dos órgãos do partido. Inês de Sousa Real não pode. Mas se ela pudesse, dá para perceber perfeitamente para que lado é que ela pende mais. Mas o partido, de facto, faz esta dualidade. Deixe-me só dizer que percebo pelos textos da Inês Ameixa, que é uma via privilegiada para perceber o que se passa na campanha, uma vez que não posso estar lá, que há de facto uma fraca mobilização e que o PAN não fez uma arruada. Os quatro ou cinco gatos pingados, e acho que não se importam de eu utilizar a expressão gatos pingados, desceram a rua, porque nunca são muito mais do que isso. Não há essa campanha de mobilização em torno do PAN. Vamos ver se o voto em causa da defesa dos animais e dos defensores dos animais acaba por salvar o PAN, mas também é um partido que não chega ao fim desta campanha num momento fácil. Parece também estar um bocadinho lesado por toda esta situação. Por isso é que o PAN não queria eleições antecipadas. Aliás, todos os que estão a perder quiseram evitá-las e quem não quis evitá-las com alguma bazófia, foi o caso, por exemplo, do líder do PS e também do Bloco de Esquerda, em parte porque achou que era imune a isso tudo, está a dar-se mal neste momento. O PAN, por acaso, não queria e até tentou aprovar o orçamento, mas está a sair-se mal na mesma, porque já sabia que corria estes riscos. Uma liderança mais fraca que a de André Silva, uma disputa interna, Bebiana Cunha está sempre à espreita para ver se consegue pôr o pé em Inês de Sousa Real. Há uma disputa entre o Norte e o Sul, enfim, um partido com muitos problemas e que está a passar dificuldades e acho que vai passar nestas eleições e é isso que prova esta campanha.
Miguel Pinheiro, está clara a mensagem do PAN para estas eleições e esta campanha mostra uma fragilidade perante aquilo que era a liderança de André Silva ao longo dos anos anteriores no PAN?
Acho que aqui a ausência de André Silva é inexplicável. Se de facto é por ter apanhado o comboio da paternidade, como disse a líder do PAN, então isso só mostra o diletantismo do partido, porque obviamente não faz nenhum sentido. Seguramente a paternidade poderia ser interrompida durante cinco minutos para aparecer numa ação de campanha. Eu acho que nesta eleição, o grande problema do PAN não é a indefinição sobre se está à esquerda ou à direita e sobre se apoiaria um governo do PS e um governo do PSD, mas que aqui o grande problema é que o PAN desfocou a mensagem. Nós nesta campanha ouvimos falar muito menos dos direitos dos animais. Parece que Inês de Sousa Real se quer libertar disso e transformar-se num partido mais ecologista do que de defesa dos animais. E a verdade é que no mercado eleitoral da ecologia há muita concorrência A começar no LIVRE, mas a não acabar no LIVRE. Todos os partidos gostam de dar uma pitada de ecologia. Nalguns soa a falso, como por exemplo no Bloco de Esquerda, mas no LIVRE, por exemplo, não soa a falso. E Inês Sousa Real esqueceu a questão dos direitos dos animais, que é de facto absolutamente transversal à esquerda e à direita, e está a apostar noutros temas que claramente não estão a pegar. E por isso corre o risco e aqui as sondagens também dão uma queda. Portanto, vamos ver. Não é o facto de o PAN se ter mostrado um parceiro confiável do PS, não é o facto de o PAN ter lutado até o fim para que este orçamento de Estado fosse aprovado ou pelo menos chegasse ao debate na especialidade, nem isso salva o PAN, porque realmente para isso as pessoas votam no PS. E aquelas pessoas que se mobilizariam pelos cães e pelos gatos não veem aqui nenhum motivo para se mobilizarem, para saírem de casa.
Miguel, estou só a ver aqui o nosso votómetro voltou a subir. Estava aqui a analisar. Estamos quase a chegar a um milhão, não?
Sim.
Estávamos a falar aqui de indecisos e se calhar há muita gente ainda à procura de respostas.
Neste momento estão 560 pessoas a fazer o votómetro. Estamos muito perto de 1 milhão. O votómetro tem realmente esta vantagem, que é aquilo que nós dizemos sempre não é conversa, é que de facto aquilo não é uma indicação de voto, é uma ajuda à reflexão e ajuda mesmo. Realmente uma pessoa à medida que vai fazendo as perguntas vai pensando na vida. E deve haver muita gente que está a pensar na vida nesta altura, realmente.
E o votómetro é de facto importante até ao dia das eleições. Acredito que a nossa coligadora também passe a ser importante nessa noite eleitoral e no day after perceber tudo aquilo que pode acontecer depois destas eleições legislativas. Vamos voltar à estrada, vamos para a caravana da Iniciativa Liberal, que esteve primeiro uma semana na zona de Lisboa. Estes últimos dias foram passados mais a norte, na zona do Porto. João Cotrim Figueiredo falou hoje ao final da manhã, quis voltar a apontar críticas ao voto útil. Tem feito por aí o discurso nos últimos dias. O presidente da Iniciativa Liberal garante que sem o partido, um possível governo do PSD seria igual ao governo do PS. Aconteceu num passeio pelo Porto no final da manhã. João Cotrim Figueiredo comentou a ação de campanha de André Ventura, que ontem dedicou a música "Anel de Rubi" a Rui Rio. Já falámos disto aqui neste caso ao voto. E quis João Cotrim Figueiredo garantir que um voto seguro é o voto na Iniciativa Liberal.
Eu não sou responsável pelas ideias que André Ventura rouba ou por aquilo que decida adotar, até porque não sei se amanhã terá a mesma opinião. Nós temos, e acho que vocês são testemunhas e podem dar de confirmação, temos sido o partido mais consistente e mais coerente em toda a campanha. Não mudámos de objetivos, não mudámos de estratégia, não mudámos de aliança e portanto, as pessoas sabem que podem contar com a Iniciativa Liberal quando nos confiam o voto. Sabem exatamente o que vamos fazer com ele e é isso que espero ainda hoje conseguir continuar a convencer os portugueses.
João Cotrim Figueiredo com esse apelo ao voto, presidente da Iniciativa Liberal, que está pelo Porto, tem estado nos últimos dias. Uma caravana da Iniciativa Liberal que tem sido acompanhada pelo repórter do Observador, Gonçalo Correia. Boa noite, Gonçalo. O que dizer destes últimos dias da Iniciativa Liberal? Tem tido adesão à mobilização para as ações de campanha da Iniciativa Liberal e perceber também como é que foi este encerramento que nestes últimos dias tem estado pela cidade do Porto.
Sim, olá Miguel. De facto, tem havido alguma mobilização em Lisboa e no Porto. Portanto, a caravana ou o autocarro, como é chamado internamente o autocarro que transporta a pequena comitiva da Iniciativa Liberal.
Votocarro.
Votocarro, exatamente, que é um autocarro para captar votos. Obviamente que nos dias em que as ações de campanha eram em Setúbal, no distrito de Setúbal, no distrito de Aveiro ou no distrito de Braga, as ações eram sempre menos participadas do que aconteceu, por exemplo, ontem numa arruada a descer a rua de Santa Catarina. Passou por lá Rui Moreira. Cotrim Figueiredo encontrou-se por lá com a comitiva do PSD, que também estava numa ação de campanha na cidade. E também, obviamente, em Lisboa, sobretudo num comício feito no sábado anterior, em que de facto essa mobilização foi mais visível. Ou seja, quando o autocarro anda e sai dos grandes centros urbanos, essa mobilização não é tão notória. Isto tem obviamente a ver com ser um partido novo, não ter um número de militantes tão significativo como outros partidos com muito mais anos, não ter uma juventude partidária, não ter distritais. Há uma série de questões de estrutura que se notam muito na estrada. Hoje também já estão aqui algumas pessoas. Isto é descrito como uma grande festa de encerramento de campanha. Portanto, João Cotrim Figueiredo deverá na altura fazer esse último discurso De campanha. E de fato, ouvimos o som há pouco daquilo que foi dito de manhã. É curioso ver como a questão do voto útil, nos primeiros dias, não era uma questão referida muitas vezes. Era sobretudo posicionar o partido, dar algum destaque ao partido na oposição ao PS, a António Costa, à esquerda, ao estatismo e ao socialismo, a uma série de palavras que são muito invocadas na campanha da Iniciativa Liberal. Depois de conseguido mais ou menos isso e depois de passados esses dias com a mira muito apontada para a esquerda e para o PS, a Iniciativa Liberal começou diariamente, foi muito notório, a falar da questão do voto útil e a falar para os eleitores que possam simpatizar com as ideias liberais, mas ao mesmo tempo estejam indecisos porque percebem que Rui Rio, se não ficar em primeiro lugar, não formará governo. Já disse que viabilizará um governo do PS. E isso deu até origem a um argumento curioso de Cotrim Figueiredo, que é um voto em Rui Rio pode herdar a António Costa e o voto na Iniciativa Liberal não. O que não deixa também de ter o seu lado caricato ou curioso, se quisermos, porque de fato, durante os debates, Cotrim Figueiredo ia insistindo muito com António Costa sobre aquilo que ele faria se lhe aparecesse um governo de direita sem o Chega, se viabilizaria ou se obrigaria ou se tentaria forçar de alguma forma alguma presença do Chega para que, no caso da direita ter maioria, poder governar. E de algum modo parece que desejava que Rui Rio fizesse uma coisa diferente no caso de lhe aparecer um governo do PS sem o Bloco de Esquerda ou sem o PCP. Essa ideia de viabilização tem sido usada como um dos argumentos. Depois há vários outros. A questão do IRS tem sido referida também diariamente, o fato de o PS só querer descer o IRS lá para 2025 ou 2026, a formulação tem sido mais ou menos assim, e a Iniciativa Liberal querer descê-lo já. A privatização da TAP, que é um daqueles temas também em que se percebe que os liberais acreditam que a base de apoio que têm pode aumentar à boleia um pouco das críticas à injeção de dinheiros públicos na TAP. De fato, a quantidade de pessoas e os estudos de opinião sugerem que a porcentagem de pessoas que não veem com especial agrado esta injeção de €3.200 milhões na TAP, não veem com satisfação. É muito significativo e é muito superior àquilo que a Iniciativa Liberal contava ter para estas eleições, os 4,5%. É um dos temas em que se tenta destacar dizendo que em janeiro de 2020, quando se discutia o orçamento de Estado, só a Iniciativa Liberal é que defendia de forma veemente a privatização da TAP. Apanharam um pouco a boleia aérea da TAP para tentar captar mais os votos e alargar o eleitorado. E depois temos de fato esse lado de repente, isto aconteceu nos últimos dois dias, mas sobretudo ontem, intensificou-se claramente ontem, a questão do terceiro lugar ter começado a aparecer. Cotrim Figueiredo diz que não é um objetivo, o objetivo continua a ser aquele que estava definido, que é os 4,5% e a eleição de cinco deputados. Mas de fato as sondagens, que há uns dias o presidente do partido dizia que as variações estavam todas na margem de erro, de repente as sondagens permitem-lhe tentar galvanizar os possíveis eleitores, os simpatizantes, com esta ideia de que é possível ficar à frente do Chega, do Bloco de Esquerda e do PCP. São três adversários também já.
E de fato a Iniciativa Liberal tem tido essa campanha muito focada também na fiscalidade e na economia. Centrou também muito os debates por aí. Aqui escutamos a reportagem do Gonçalo Correia, que está a acompanhar a caravana da Iniciativa Liberal. Já vamos partir para a análise com o Miguel Pinheiro e com o Rui Pedro Antunes àquilo que tem sido a campanha da Iniciativa Liberal. Apenas interromper aqui esta ronda pelos partidos para escutar Francisco Rodrigues dos Santos, que está neste momento num comício. Vamos escutar um pouco das declarações do líder do CDS, está acontecendo neste momento em direto. Vamos escutar um pouco destas declarações de Francisco Rodrigues dos Santos.
Aqueles que numa hora de urgência e de sentimento de unidade e de coesão do CDS disseram presente, deram a cara à luta e confiaram o seu voto e o seu aconselhamento no partido à direita certa para Portugal. Mas nesta hora, permitam-me uns agradecimentos muito especiais. Meu querido Francisco Camacho, eu, o Manuel Monteiro, o José Ribeiro e Castro, o Martim Borges de Freitas, tivemos a honra de presidir à organização que hoje é tão bem liderada por ti. E eu quero, na tua pessoa, agradecer o teu empenho, a tua dedicação, o teu carisma e a tua liderança. O Parlamento terá muito a ganhar em contar com a voz das novas gerações mais esclarecida, mais inteligente e com a cabeça mais à direita que este país conhece.
Som de campanha de Francisco Rodrigues dos Santos está acontecendo neste momento. Vamos continuar a acompanhar. Contamos recuperar também os principais destaques desta declaração do Francisco Rodrigues dos Santos, deste discurso num comício em Lisboa. Está a ser acompanhado também pelo João Francisco Gomes, repórter do Observador, que vamos recuperar ao longo desta noite. Privilégio, claro, para estas ações em direto. Mas falávamos da Iniciativa Liberal, que fechou a campanha no Porto, centrou de fato as ações de campanha entre Lisboa e Porto. O Gonçalo Correia escrevia que foi de fato no centro destas duas cidades em que contou com mais apoio. Miguel Pinheiro, a Iniciativa Liberal e João Cotrim Figueiredo conseguiram mostrar, e pelo menos as sondagens mostraram isso, bons resultados nas sondagens depois dos debates. Estas duas semanas de campanha tiraram alguma força àquilo que parecia ser um bom resultado em caminhar para a Iniciativa Liberal?
Tiraram. Acho que a campanha foi um bocadinho, à falta de melhor palavra, preguiçosa. Não por se concentrar nos grandes círculos, acho que isso é uma estratégia que faz todo sentido. São os locais onde cada voto vale mais, porque cada voto vale mais deputados. Há sítios onde, por muito que a Iniciativa Liberal tivesse votos, não iria conseguir eleger. Não é por isso, mas pareceu-me um bocadinho deslaçado. Pareceu-me que não houve uma preocupação em arranjar pontos na campanha que chamassem a atenção dos eleitores. Acho que houve dias que se passaram sem que se desse pela Iniciativa Liberal. Além disso, acho que João Cotrim de Figueiredo cometeu o erro de se deixar cair naquela conversa do Zé Albino e da cadela Bala. Essa era a conversa que interessava a Rui Rio, não era a conversa que interessava a João Cotrim de Figueiredo e de cada vez que falava da cadela Bala era uma vez em que não falava da TAP, da baixa do IRS e da necessidade de crescimento económico. Houve um momento em que a Iniciativa Liberal estava a lutar pelo terceiro lugar, depois teve uma queda, agora está a recuperar. É um partido que pode ser muito suscetível à atração do voto útil. Isso já aconteceu em Lisboa, onde a Iniciativa Liberal foi torcida pela atração do voto útil para a coligação de Carlos Moedas. Por isso, o dia de amanhã e o dia de domingo vão ser muito perigosos. A Iniciativa Liberal teve a sorte de Rui Rio ter cometido um erro enorme hoje. Devia pôr as fichas todas na atração do voto útil. Rui Rio cometeu hoje um erro enorme ao aceitar o acordo de cavalheiros proposto por Santos Silva, mas podemos falar sobre isso um bocadinho mais lá à frente.
Sim, já vamos ao PSD.
Estes dois dias que faltam vão ser muito perigosos pra Iniciativa Liberal, porque os votos podem fugir de repente, sem se dar por isso.
Rui Pedro Antunes, na Iniciativa Liberal, concordas com esta análise de que a campanha fez mal a Cotrim Figueiredo e que acabou por lhe tirar votos?
As sondagens dizem-nos o contrário. Hoje à tarde. É impossível estar tão baralhado. Já parece aqui um bocadinho o Cotrim Figueiredo na versão do Miguel, meio baralhado com os temas que deve puxar pra campanha.
Mas pra rádio fica sempre bem dizer bom dia, boa tarde ou boa noite, independentemente do sentido que se estava a vir.
Entre a cadela Bala e a companhia aérea TAP. Mas dizia eu que acho que Cotrim Figueiredo conseguiu vender uma imagem e tornar-se finalmente conhecido perante o país. E eu acho que isso pode ter trazido uma vantagem a ele. Fica um bocadinho mais centrada no seu líder. Acho que os portugueses em geral não devem saber quem é Carlos Guimarães Pinto, Rodrigo Saraiva ou Carla Castro, mas Cotrim Figueiredo já vão reconhecendo quando veem a cara dele na televisão. Nesse aspecto, não acho que ele tenha feito uma má campanha, porque o grande objetivo da Iniciativa Liberal era deixar de ser apenas um partido do Twitter, apenas um partido com cartazes engraçados. Mas para crescer, vale mais cair em graça do que ser engraçado. E eu acho que ele conseguiu fazer esse caminho de se tornar conhecido. Possivelmente, como diz o Miguel, pode-se ter perdido um bocadinho o foco daquilo que devia ser o foco de um partido liberal, que não existe outro com essas características em Portugal, e portanto defender mais essas bandeiras liberais. Mas acho que entre o deve e o haver, neste balanço final, acho que ganhou votos ao longo desta campanha.
E há uma coisa, desculpa, muito rapidamente, que vale ouro pra Iniciativa Liberal, que é a penetração no eleitorado jovem. É um partido que entra muito bem no eleitorado jovem, e isso preocupou e preocupa imenso o Bloco de Esquerda. Ver o Bloco de Esquerda a dizer: "Jovens, não se deixem enganar. Isto é um monstro que está aqui, vocês, pelo amor de Deus, tenham cuidado". Foi de facto divertido. E isso em contraste com o PS, que está ultradependente de um eleitorado mais velho, é um contraste enorme, porque isto não acaba aqui. Isto vai continuar, vai haver mais eleições daqui a dois anos, ou daqui a quatro anos e daqui a 10. Portanto, é um bom ponto pra Iniciativa Liberal.
E de facto ao longo desta campanha fomos vendo um bispa pão diferente para cada uma das candidaturas e também diferentes ao longo dos dias. Estamos aqui a analisar a Iniciativa Liberal. Vamos partir para o PSD. Já tentámos há pouco a ligação com o repórter Diogo Teixeira Pereira. Vamos pra lá dentro de momentos apenas acompanhar um momento desta ação de campanha da CDU que decorre em Braga. Jerónimo de Sousa está a discursar neste momento. Vamos ouvir apenas um pouco.
Quem quer dar solução aos problemas e ver a sua vida andar pra frente, quem quiser a derrota da direita é dar mais força a quem tem a coragem de enfrentar. Só tem uma opção: votar na CDU. Sim, a CDU e a eleição de mais deputados do PCP e do PEV é a garantia mais sólida Decisiva para impedir a política de direita. Mas a CDU também é a única força que dá garantias de não vacilar no combate aos projetos reacionários. Os portugueses sabem que será com a CDU, com o PCP e o PEV que encontrarão a coragem e a determinação de os enfrentar. É na CDU que está a força que não se confina perante as dificuldades e não deserta perante os perigos.
Força que não se confina, mensagem de Jerónimo de Sousa. Daqui a pouco também já vamos partir para a análise da campanha da CDU. A jornalista Rita Pinheiro está também a acompanhar este comício por parte da CDU. Daqui a pouco já vamos partir para a reportagem. Vamos agora, sim, para a caravana do PSD, onde está o jornalista Diogo Teixeira Pereira. Há pouco encerramos essa ligação. Creio que agora já temos condições, Diogo, para falar um pouco do PSD, que teve hoje a descida do Chiado. Foi a última ação de campanha do PSD. Não tem agenda para a noite, mas teve, de facto, muito apoio esta tarde na descida do Chiado rumo ao Terreiro do Paço.
Uma forte moldura humana aqui a acompanhar Rui Rio e os vários apoiantes que decidiram fazer parte desta última ação de campanha do partido. Foi uma ação que começou por volta das 16h. Eu neste momento estou mais ou menos na zona onde essa ação de campanha começou e a única música que se vai ouvindo agora é dos músicos de rua que por aqui vão tocando ainda a esta hora. Mas a verdade é que ali a meio da tarde, por volta das 16h, toda esta zona do Chiado estava repleta de pessoas com bandeiras cor-de-laranja, com o símbolo do PSD, naturalmente, apoiantes do PSD, e que gritavam essas palavras de ordem. Essas pessoas começaram todas aqui nesta zona onde estou neste momento e desceram até o Arco da Rua Augusta, e foi lá que, de certa forma, Rui Rio fez um resumo daquilo que foi toda esta campanha. Rui Rio teve um discurso muito repetitivo ao longo destas duas semanas e hoje não foi diferente, e quando subiu ao palanque, também não se deixou entusiasmar pela multidão e, portanto, não foi muito além daquilo que costuma ir. Creio que temos alguns sons que podemos ouvir desse discurso. E um deles é de uma das críticas que Rui Rio tem feito ao Partido Socialista.
É uma vergonha, ao fim de tantos anos de governação predominantemente do Partido Socialista, Portugal ser dos países que tem os salários mais baixos da Europa. É isso que nós queremos alterar, é isso que nós queremos mudar, um modelo de economia diferente, que garanta que temos mais riqueza para distribuir e que pagamos melhores salários. Não é a atacar os outros e a difamar os outros, dizendo que eles não querem aumentar o salário mínimo nacional, o que o PS sabe que é falso e que nós queremos, naturalmente, aumentar.
O Rui Rio usou aqui neste excerto a palavra difamar, mas a palavra que o presidente do PSD usou mais vezes foi a palavra deturpar. Nós ouvimos essa palavra no primeiro dia da campanha, ainda em Barcelos, e ouvimo-la também hoje. E portanto, deturpar foi o verbo que Rui Rio quis que ficasse colado ao Partido Socialista, em grande parte por causa desta questão, que ouvimos neste som, por causa da questão do salário mínimo nacional, porque de acordo com Rui Rio, o Partido Socialista diz, de forma errada, que o PSD não quer aumentar o salário mínimo nacional, mas também há outras críticas, nomeadamente críticas relacionadas com a Segurança Social. Rui Rio disse muitas vezes que o PS mente quando diz que o PSD quer privatizar a Segurança Social, pôr as reformas na bolsa, e diz também Rui Rio que o PS mente quando diz que o programa do PSD prevê que a classe média passe a pagar o Serviço Nacional de Saúde. Portanto, o grande adversário constante e sem grandes desvios foi sempre o Partido Socialista ao longo de toda esta campanha. Mas Rui Rio foi tendo que, em determinados momentos, responder também a outras questões, nomeadamente as aproximações ao Chega de André Ventura, a eventualidade dessas aproximações acontecerem depois do próximo domingo, quando for preciso contar cabeças na Assembleia da República. Ora, Rui Rio voltou a negar hoje essa aproximação, mas também aí com uma crítica ao Partido Socialista, explicando, o presidente do PSD, que é o PS quem mais se aproxima do Chega.
O PS vem dizer que o PSD está encostado e refém da extrema-direita. É preciso ter descaramento pra dizer isto. Quando foi o Partido Socialista, e não é há muito, que as eleições autárquicas foram em 26 de setembro. Em outubro passado e em novembro passado, andou a fazer acordos com o Chega na autarquia do Entroncamento, na autarquia de Moura, na autarquia de Sintra, na autarquia da Moita. Foram eles que fizeram acordos com o Chega. Não fomos nós que fizemos nenhum acordo com o Chega.
Esta é uma crítica que Rui Rio, de resto, já tinha ensaiado em Leiria. O PSD terminava sempre os dias com ações de esclarecimento à população, uma espécie de talk shows, onde cada dia se debatia um tema diferente, e Rui Rio, no talk show de Leiria, já tinha ensaiado esta crítica ao Partido Socialista, dizendo que o Chega votou mais vezes ao lado do Partido Socialista diplomas na Assembleia da República do que ao lado do Partido Social Democrata. Acabou por ser um bocadinho difícil fazer também esse esclarecimento, ou pelo menos ouvir Rui Rio dizer claramente, de forma clara, que não faria uma negociação com o Chega no Orçamento do Estado. Rui Rio optava sempre por formulações alternativas, como nesse momento não podemos mandar os deputados sair e, portanto, todos têm que votar e o PSD não pode recusar os votos do Chega se o Chega entender votar as propostas do PSD. Mas isto foi no discurso. Eu esta tarde, nós, os jornalistas em geral, tivemos mais um momento difícil nesta campanha, que são as arruadas de Rui Rio. Uma grande desorganização, se calhar alguma delas motivada também pelo facto de muitos jornalistas quererem chegar próximos do líder. Mas foi sempre muito difícil estarmos perto de Rui Rio, porque tentávamos sempre ser de alguma forma afastados. Havia muitas câmaras, muitos repórteres. E eu hoje, neste último dia de campanha, confesso que a determinada altura desisti de ser empurrado
Percebe que sim.
Ia dizer que a determinada altura desisti de ser empurrado, de ser puxado. Fui inclusivamente por um apoiante do PSD puxado para que me afastasse ao pé de Rui Rio. Então hoje decidi desistir de me incluir nessa bolha e quando estava a fazer um direto precisamente num jornal que estavas a editar, Miguel Cordeiro, passa-me Pedro Santana Lopes à frente e acabei por ter a oportunidade de falar com ele naquele momento, precisamente porque desisti dessa bolha. Pedro Santana Lopes estava com pressa, mas ainda assim explicou-nos porque é que veio até cá.
É um momento muito importante para Portugal e temos de dizer onde estamos e com quem estamos. Eu não sou de disfarces, por isso é que aqui vim dar o abraço, mas tem que ser já. E porque as sondagens estão um bocadinho nada atrás, mas qualquer um pode ganhar.
Mas acredita que é possível o PSD ganhar essas eleições?
Acredito, claro que sim.
Está, portanto, ao lado Rui Rio, apoia Rui Rio?
Claro que sim, por isso é que aqui estou, senão não estava.
Naturalmente, Pedro Santana Lopes veio dar esse apoio. Também passou por cá Carlos Moedas, Manuela Ferreira Leite, foram alguns dos chamados notáveis do PSD que decidiram aproximar-se desta campanha e que decidiram também vir dar esse apoio e marcar presença nesta descida do Chiado, que é sempre um momento de campanha muito importante, Miguel.
De facto, uma ação de campanha com muito apoio para Rui Rio. Foi acompanhada pelo jornalista Diogo Teixeira Pereira, ele que esteve a acompanhar, juntamente também com o Miguel Santos Carrapatoso, estas duas semanas de campanha do PSD, uma campanha que terminou hoje em Lisboa. Vamos lá fazer contas àquilo que foi estas duas semanas de Rui Rio. Rui Pedro Antunes sai a ganhar da campanha. A campanha foi boa para Rui Rio? A campanha destas duas semanas foram positivas para o líder do PSD?
Acho que sim, ele entrou com uma tarefa muito difícil de sequer ser olhado como um candidato a poder ficar em primeiro nestas eleições. Conseguiu, por força das sondagens que foram aparecendo, fazer acreditar o eleitorado à direita que era possível ter uma alternativa a António Costa. António Costa facilitou um bocadinho as coisas quando disse que não volta a ganhar ficando em segundo. Portanto, que se ficar em segundo lugar, mesmo com a maioria de esquerda, que não quer geringonçar outra vez, até por uma questão de orgulho, que se compreende, que foi primeiro-ministro seis anos, se não for a pessoa em quem mais votam, de facto está dado um cartão mais do que amarelo. E portanto, nesse aspeto, Rui Rio conseguiu criar aqui a dúvida, tendo em conta as circunstâncias e aquela ideia que o poder não se ganha, perde-se, acaba por ser uma vitória para Rui Rio. Onde é que ele acertou? Acertou de facto de conseguir bipolarizar a campanha. Acertou na rua e na maneira como comunica com as pessoas. Perdeu-se um bocadinho, mais uma vez, com estas coisas dos Twitters, é manipulado, não é? Bom, isto é política, não é?
Teve este momento de fazer a campanha que tinha ações, mas às vezes dizia logo aquilo que ia dizer na ação umas horas antes no Twitter e depois acabava por repetir aos microfones para aparecer também nas televisões, mas reagia logo a outras ações de campanha no Twitter, portanto, aparecia logo com uma resposta imediata do PSD àquilo que eram, por exemplo, acusações de António Costa.
Sim, eu acho que sim. Nesse aspeto, é impossível controlar o Twitter do Rui Rio e de usar os emojis e o Zé Albino, e utilizou essas coisas todas. E além disso, anda com um camião pelo país com dançarinas, com dois atores, um ator e uma atriz, assim ao jeito de humor refinado, mas mais da refinaria do Parque Mayer. E depois conversas duas horas em que está ali com um potencial ministro e com uma pessoa que tem ou não a ver com aquilo. Por exemplo, em Leiria foi Henrique Neto, antigo militante do PS. E portanto, aquelas conversas que às vezes ali ao frio debaixo de uma tenda, está ali duas horas a falar sobre economia, ambiente, justiça, vários temas. Não conseguiu em alguns momentos ser eficaz a contrariar os ataques do PS, nomeadamente na questão da prisão perpétua, etc. Mas fez uma campanha sem cometer muitos erros, porque se tivesse cometido erros era completamente torcido dado. Agora, favorece também de alguma ideia que possa existir de desgaste do governo de António Costa. Não cometeu muitos erros e mostrou mais uma vez que quase gostam mais dele no país do que no próprio partido. E diria que em confronto direto e em comparação direta com António Costa, que tem uma grande margem, porque as pessoas já conhecem e ali não há incerteza, conseguiu levar a melhor. E a prova disso é que de facto recuperou terreno. E se António Costa no início destas duas semanas tinha oito, 10 pontos percentuais de diferença, hoje em dia as sondagens, mesmo as mais credíveis, ou habitualmente mais credíveis e que acertam mais, dão ambos dentro da margem do empate técnico ou muito perto disso. E portanto, isso só pode ter sido uma vitória de Rui Rio na campanha se perder o efeito é o mesmo. Conseguiu uma bancada com mais deputados para o PSD, uma subvenção maior, um poder maior de pressão. Mas quer dizer, se o PS ficar à frente, ainda por cima com maioria de esquerda, foi bom para Rui Rio. É um resultado que se pode honrar, mas se não ganhar, morre na praia. Portanto, nesse aspeto, aí é que vamos ver se esta campanha teve sucesso. Agora, aparentemente, e mais uma vez estamos a nos guiar pelas sondagens, foi uma estratégia de sucesso.
E pelo menos já conseguiu fazer com que o José Miguel Júdice comprasse um capacete, ele que há cerca de três semanas disse que seria mais provável cair um meteorito em cima do que Rui Rio ganhar as eleições. Hoje já nos confessou aqui também na Rádio Observador que já comprou capacete depois de ter analisado as sondagens e a campanha. Miguel Pinheiro, Rui Rio de facto conseguiu aqui inverter as probabilidades destas eleições?
Conseguiu anular completamente a campanha de António Costa. De facto, é impressionante como Rui Rio conseguiu fazer isso. A campanha de António Costa assentava, especialmente nesta fase final, naquilo em que sempre assentou, que é o fantasma da direita. António Costa seria o homem que ia salvar o país das guerras da direita, da direita austeritária, da direita da troika, da direita que quer fazer mal aos trabalhadores, aos pobres, aos sofridos. E aquilo que ele encontrou à frente foi o dono do Zé Albino. E quem é que tem medo do dono do Zé Albino? Ninguém. Ninguém tem medo do dono do Zé Albino.
Seria um bom filme para um policial: Quem tem medo do dono do Zé Albino?
Certo.
Uma página única, ninguém.
Por isso António Costa esforça-se, diz que Rui Rio quer estraçalhar a Segurança Social, que quer privatizar, quer jogar tudo na bolsa, quer ir ao Casino Estoril com os milhares de milhões da Segurança Social e pôr tudo numa só ficha e jogar o futuro do país naquilo, que quer baixar salários, que quer torcidar toda a gente. E depois Rui Rio põe uma foto do Zé Albino no Twitter, diz uma graçola, junta-lhe um emoji e as pessoas acham: "Coitado, é tão simpático, até tem piada, é um tipo com graça e com sentido de humor, vai agora fazer estas coisas terríveis alguma vez na vida? Não vai, como é óbvio." Por isso ele conseguiu anular completamente a campanha. Acho que hoje cometeu um erro. Ele devia estar absolutamente concentrado em atrair o voto útil e cometeu o enorme erro de aceitar aquele acordo de cavalheiros que lhe foi oferecido por Augusto Santos Silva há dias. E isso pode levar pessoas a votarem nos outros partidos da direita para impedirem isto e para tentarem forçar Rui Rio a governar à direita e tentarem dar as condições para uma maioria de direita. Não havia razão nenhuma para Rui Rio dizer isto. Já toda a gente sabe que ele está disponível para viabilizar um governo do PS, já toda a gente sabe que ele quer que o PS viabilize um governo minoritário do PSD. Não ganhou nada com isto, só perdeu. Agora, claro, isso não apaga a boa campanha que ele fez. E atenção, uma campanha difícil porque à direita, com todos os seus problemas, André Ventura é uma força que existe. A Iniciativa Liberal, mesmo tendo estado melhor nos debates do que nas duas semanas da campanha, foi uma surpresa enorme. É um crescimento muito maior do que se estava à espera, e foi um crescimento consistente e inteligente, e um discurso muito bem focado. E o CDS, como vimos, apesar de tudo, está a mexer-se um bocadinho, está a dar luta. Agora, ele foi buscar os votos onde queria ir buscar, que é ao centro. E portanto, aí funcionou.
E para já as projeções, as sondagens mostram um bom resultado para Rui Rio, pelo menos essa luta pela vitória. Esse empate técnico tem sido apontado em várias sondagens. Só no dia 30 é que vamos ter uma resposta final, mas fica aqui na análise do Miguel Pinheiro e também do Rui Pedro Antunes, uma boa campanha para Rui Rio. Avançamos para outra caravana, já vamos daqui a pouco ao PS. Avançamos para já com o Livre. Rui Tavares, que hoje teve uma ação de campanha em que acusou Rui Rio de ser obcecado com a revisão constitucional. Foi por Lisboa. O líder do Livre voltou a afirmar que uma maioria da direita no Parlamento pode pôr em causa a saúde do sistema democrático português. O candidato apontou o dedo a Rui Rio, diz que caso PS e PSD tenham de negociar, o líder social-democrata vai colocar em cima da mesa uma revisão constitucional.
Rui Rio, que desde sempre revelou uma quase obsessão pela revisão constitucional, por causa das magistraturas, por causa do Poder Judicial, agora tem no programa do PSD uma revisão constitucional por causa das alterações climáticas, que de facto parece-me um exemplo de total branqueamento e de total utilização das alterações climáticas para um assunto que nada tem a ver com elas. Compreende-se. Rui Rio, se faz chuva, quer uma revisão constitucional, se faz sol, quer uma revisão constitucional. Pior, se PS e PSD estiverem a fazer um acordo de governação, evidentemente que Rui Rio porá em cima da mesa uma revisão constitucional e, portanto, é preciso ter muita atenção.
Rui Tavares, candidato do Livre. Vamos partir aqui para a reportagem. Não é uma reportagem no local, mas vamos ao encontro da Alexandra Machado, que acompanhou várias ações de campanha do Livre. Boa noite, Alexandra Machado. Que balanço é que fazes dessas ações de campanha do Livre e da mobilização que foram tendo ao longo destes últimos dias?
Olá, boa noite. Sim, eu não estou em reportagem. Aliás, até porque o Livre já acabou as suas ações de rua, digamos assim, e agora vai fechar a campanha nas redes sociais, no Facebook, no Twitter e no Instagram, onde espera ficar até às 23h59. Portanto, também não seria muito fácil estar em reportagem no Facebook, no Twitter e no Instagram. Do que eu acompanhei O balanço que faço é que dentro da comitiva do Livre o nível de otimismo foi crescendo, pareceu-me a mim. E neste momento acreditam, pelo menos é o que demonstram, que talvez consigam mesmo um grupo parlamentar. Um grupo parlamentar significa elegerem mais do que um deputado, ou seja, elegeriam mais do que Rui Tavares. E aliás, Rui Tavares na ação que fez hoje de manhã na Graça, ouvi citada, não estive nessa ação, mas vi as declarações que fez, disse que se conseguissem só um deputado seria inaceitável. Acho que foi a expressão inaceitável, o que significa que de fato estão mesmo empenhados em fazer um grupo parlamentar. E é uma mensagem que ele tem reforçado nos últimos dias, até por causa da perspectiva que têm de Jorge Pinto do Porto poder estar nas sondagens perto de uma possível eleição, o que seria de fato uma surpresa. Aliás, Jorge Pinto ontem na festa de encerramento do Livre em Lisboa, onde eu estive, foi dos que realçou que o Livre vai ser a grande surpresa da noite eleitoral. Portanto, eu acho que esta evolução do Livre, que primeiro vivia no fantasma de 2015, que também nas sondagens estava à beira de eleger, não eleger e acabou por tropeçar na meta e depois não passou a meta, portanto não elegeu ninguém. Depois em 2019 elegeu um deputado, que foi Joacine Katar Moreira, e como se sabe, a coisa não correu particularmente bem. Portanto, entre o fantasma de 2015 e agora as novas sondagens, eu acho que a posição do Livre foi evoluindo no sentido de se tornar mais otimista de que vão, se calhar, conseguir um grupo parlamentar. De resto, foi uma campanha que pelas mensagens foi sempre coerente, no sentido de dizer que eles é que querem dialogar à esquerda, o governo tem que ser de esquerda e que são um ponto mobilizador da esquerda. Essa tônica foi sempre mantida por Rui Tavares, que é a cabeça de cartaz do Livre, e foi sempre mantida ao longo destes 15 dias da campanha, e mesmo antes. Aliás, a entrevista ao Observador do Rui Tavares, que foi a 30 de dezembro, que foi uma das primeiras dos líderes, já falava disso. Já falava dessa necessidade de negociação. Portanto, foram essas duas mensagens, sendo que nos últimos dias também foi frisando mais o perigo de haver um bloco central. Ontem e hoje já voltou a falar do assunto que Bloco e PS sozinhos é ficar na mesma como a lesma, é a expressão que ele usa, e claramente vai falando do perigo da direita se encostar à extrema-direita e formar governo encostado à extrema-direita.
Alexandra Machado, que esteve a acompanhar também a caravana do Livre, que neste momento vai fazendo ações de campanha pelas redes sociais. É assim que fecha esta campanha eleitoral. Vamos partir aqui pra análise, pra aquilo que pode ser um bom resultado para o Livre. Miguel Pinheiro, Rui Tavares tem referido que acredita na criação de um grupo parlamentar do Livre, conseguir um grupo parlamentar, não só um deputado único. O Livre, de fato, pode beneficiar aqui de alguma mudança daquilo que seria o voto no Bloco de Esquerda perante aquilo que já falamos também do mau resultado que se espera para o Bloco e dessa mudança de voto?
Pode ajudar a sangria do Bloco. Aquelas pessoas que querem um governo à esquerda, querem que aquilo funcione, mas não querem votar no Partido Socialista, podem ficar tentadas a votarem em Rui Tavares, porque realmente aquilo vai sempre funcionar. Seria a vingança final de Rui Tavares sobre o Bloco. Além disso, tem se falado desde o aparecimento do Chega e de uma direita mais musculada, fala-se muito de "a direita de que a esquerda gosta", é a frase que se usa pra atacar aquela ala mais liberal que andava à volta da Assunção Cristas no CDS e aquelas pessoas que eram contra acordos com o Chega. E o Rui Tavares é um bocadinho o contrário, é a esquerda de que a direita gosta. É uma pessoa inteligente, consistente, sabe do que está a falar e entra muito bem nesse eleitorado do Príncipe Real e de Campo de Ourique, essa direita que gosta de dialogar de forma elevada com a esquerda. E tudo isso pode ajudá-lo. Os debates correram muitíssimo bem Ele esteve em risco de não participar em nenhum debate. Pôs o pé na porta, forçou a entrada e isso foi absolutamente decisivo. Depois, nas duas semanas de campanha, ele não tem estrutura, é muito difícil conseguir e são nove partidos para os jornais seguirem. As pessoas não sei se têm muita noção disto, ainda por cima com Covid, com pessoas a ficarem doentes. São nove partidos, às redações é muito difícil conseguirem chegar aos partidos todos. Mas a campanha, tudo isto globalmente correu muito bem a Rui Tavares e por isso vamos ver se ele consegue, mais uma vez, não ser torcido pelo voto útil. Já lhe aconteceu antes ser torcido pelo voto útil. Vamos ver se desta vez escapa a isso.
O LIVRE que conseguiu eleger Joacine nas últimas eleições em 2019, que espera agora voltar a conseguir eleger deputado ou deputados para a Assembleia da República. Estamos a aproximar-nos das nove da noite. Vamos atualizar toda a informação daqui a pouco, por volta das 21h30. Seguimos neste caça ao voto especial. Estamos a acompanhar as diferentes candidaturas neste último dia de campanha. Estamos neste momento a analisar a caravana do LIVRE, a candidatura do LIVRE. Rui Pedro Antunes, o Miguel Pinheiro falava aqui de uma tentativa de conseguir um bom resultado e Rui Tavares não ser torcido novamente. Não têm corrido bem as últimas eleições. O que pode, de facto, ser um bom resultado para o LIVRE? Um deputado já é um bom resultado?
Eu acho que sim. Acho que um deputado já seria bom. O Rui Tavares conseguir eleger-se a ele próprio já seria bom, até para a autoestima dele, porque ele nunca conseguiu vencer nenhuma eleição em que fosse ele o cabeça de lista. Conseguiu um resultado extraordinário quando o Bloco conseguiu eleger o terceiro eurodeputado numas europeias, que já lá vão há algum tempo. Mas de facto, o LIVRE só conseguiu eleger quando teve Joacine Katar Moreira como cabeça de lista e não Rui Tavares.
E não correu bem depois.
Não correu bem. Nesse aspeto, eu acho que o Rui Tavares tem um bocadinho essa imagem de que quando é necessário cortar de algum lado, é como as pessoas costumam dizer: "Eu gostava de fumar que era para quando tivesse que cortar em algum sítio, cortava no tabaco". E de facto, o voto útil, quando as pessoas estão a pensar se calhar votar LIVRE e veem que pode fugir o poder à esquerda, se calhar é um dos sítios onde começam por cortar é no voto no LIVRE. Vamos ver se conseguiu isso, vamos ver se conseguiu impor-se com esta luta que ele travou e foi acertada para aparecer nos debates, para ser visto como um partido com representação parlamentar que perdeu, porque a deputada tornou-se não inscrita e eventualmente acho um bocado uma ficção eles virem eleger dois ou três. Mas se ele conseguisse eleger ele próprio, Rui Tavares, já seria uma grande vitória e seria talvez a sobrevivência do partido. Acho que se não eleger nestas eleições, o LIVRE começa a ter muitas dificuldades em não ser uma espécie de Nós Cidadãos ou um desses partidos que vão tentando, mas nunca conseguem eleger.
E vamos esperar, claro, por esses resultados. O LIVRE conseguiu eleger um deputado em 2019, Joacine Katar Moreira. Agora Rui Tavares encabeça a lista por Lisboa, espera eleger. Rui Tavares que quer um grupo parlamentar para esta eleição. Vamos agora até à caravana da CDU. Há comício a correr neste momento, um comício em Braga. Vamos recuperar neste momento uma declaração de Jerónimo de Sousa, que já escutámos um pouco em direto, há pouco, neste caça ao voto. Jerónimo de Sousa afirma que a CDU é a única força política que tem coragem para derrotar a direita.
E no domingo, quem quer dar solução aos problemas e ver a sua vida andar para frente, quem quiser a derrota da direita é dar mais força a quem tem a coragem de enfrentar. Só tem uma opção: votar na CDU. Sim, a CDU e a eleição de mais deputados do PCP e do PEV é a garantia mais sólida, decisiva para impedir a política de direita. Dizem que não vale a pena, mas cada voto na CDU decide e vai decidir do futuro do país. No domingo, o voto seguro é o voto na CDU.
A acompanhar a caravana da CDU está a jornalista do Observador, a Rita Pinela. Rita, boa noite. Já terminou este comício em que Jerónimo de Sousa fez aqui o apelo ao voto útil a quem quer derrubar a direita. Esta frase de Jerónimo de Sousa. Ainda decorre este comício?
Não, e aliás, com a velocidade a que a máquina comunista consegue montar e desmontar ações, neste momento estou a olhar para meio auditório já completamente vazio e as cadeiras já todas empilhadas e bandeiras prontas a voltar à base, ao ponto de partida. Jerónimo de Sousa também já saiu aqui da sala onde estamos, na Escola Secundária em Braga. Ele que depois desta tarde, e como estávamos a ouvir ainda há uns segundos, fez esse apelo ao voto na CDU para derrotar a direita, mais uma afinação ou mais um sentimento que ficou no ar de que realmente a CDU já está conformada ou já admite que a solução será esse bloco central que tanto tentou combater nos últimos dias através do discurso e a tentar, pelo menos, que a esquerda consiga mais votos e que esses votos venham para a CDU. Nos bastidores do partido há alguma confiança em relação a um bom resultado nas eleições do próximo domingo Há pouco a arruada em Santa Catarina menos participada do que aquela que a coligação fez em 2019 no mesmo sítio. Mas alguma confiança de um bom resultado, eventualmente algum fator surpresa no domingo. Agora aqui em Braga, acho que devo ser a pessoa mais a norte ou pelo menos o partido que acaba a campanha mais a norte. O Bloco não está longe, há quem esteja no Porto, mas ainda viemos mais uns quilómetros para norte. O dia de reflexão será o dia de viagem para baixo. Mas Jerónimo de Sousa a dizer muito claramente que esta vinda a Braga tinha essa intenção de recuperar o mandato perdido, a CDU que já teve um deputado pelo círculo de Braga, que entretanto perdeu e fechou exatamente o comício com essa frase. Além do habitual apelo ao voto a todos e ao voto na CDU, que é o comum nestes últimos comícios, e ontem a ter apelado a todos os portugueses num pedido mais geral, aqui em Braga a ser muito claro e a deixar bem claro naturalmente que o objetivo, e daí o simbolismo de vir fechar a campanha, tal como aconteceu também em 2019 aqui em Braga, para tentar recuperar esse mandato que perderam nas eleições de 2019.
Reportagem da Rita Penela, que fechou já a campanha também. A CDU terminou este comício há minutos. Amanhã é dia de viagem para Lisboa. Vamos analisar esta campanha da CDU, que de facto teve vários altos e baixos com a saída de Jerónimo de Sousa, a entrada de João Ferreira, depois a entrada de João Oliveira, Bernardino também pelo meio. Miguel Pinheiro, fez bem esta caravana comunista a entrada de Jerónimo de Sousa para estes últimos dias para clarificar a mensagem, pelo menos para deixar estas últimas mensagens nos comícios finais?
Eu acho que não houve um problema de se ter perdido a mensagem. Mas esta campanha da CDU foi mostrar que António Costa tem realmente um problema, se quisesse, eu estou convencidíssimo que não quer, continuar a governar à esquerda. Porque da mesma forma que o PCP é um partido confiável, no sentido em que aquilo que fica acordado, mesmo que não esteja escrito, é cumprido, e António Costa sempre tornou isso bastante claro, especialmente em contraste com o Bloco de Esquerda. Tem este lado bom que é o de ser um partido confiável, também é um partido que chega a um determinado ponto em que, como disse uma vez António Guterres: "Entre a espada e a parede, escolhe a espada." E não hesitou em deitar abaixo o governo da geringonça. E atenção, se as previsões mais otimistas se confirmarem, sequer fez bem, porque o PCP até pode perder alguns deputados. Se bem que, atenção, há uma sondagem que dá com 12 deputados na margem maior. Neste momento o PCP tem 10, o PEV tem dois, portanto a CDU tem 12 deputados, por isso poderia, no limite, manter até o grupo parlamentar. Se fosse assim, isso seria a demonstração de que prolongar a geringonça estava a levar à aceleração da morte do PCP. Acho que a campanha, apesar de todos esses percalços, correu bastante bem à CDU. Vamos ver o que acontece no domingo, mas a campanha foi boa, foi bem feita e correu bastante bem. Teve a recetividade das pessoas que importam, que são as pessoas que podem votar na CDU.
Ruí Pedro Antunes, quanto a esta campanha da CDU e à mensagem que tem passado, a CDU não sofre do mesmo problema que sofre o Bloco quanto àquilo que foi a queda do governo, não perde tantos votos e pelo menos as sondagens não nos mostram isso para estas eleições legislativas.
É verdade, é precisamente isso, Miguel, uma excelente análise, porque o eleitorado do Bloco não consegue entender por que o Bloco cortou com a geringonça. Mas o eleitorado da CDU, em particular, a CDU é o PCP com caridade para o PEV, para a filial. Não quero estar aqui a ofender nenhum partido, mas eu de facto não conheço nada do PEV. Há anos que acompanho política e não conheço essa identidade própria do PEV. Chamamos-lhe CDU por uma questão de solidariedade também nós com o Partido Ecologista Os Verdes. Mas de facto isso, o eleitorado do PCP é menos propício a esta fuga para o voto útil. É claro que é um eleitorado que está em queda, até por razões demográficas que até já são Referidas nas próprias teses do PCP. Mas nesse aspecto o PCP conseguiu mais uma vez, e porque é muito profissional, também não cometer muitos erros. Demonstrou uma coisa que toda a gente está constantemente a falar de forma jocosa sobre este partido, porque de facto é ainda um partido comunista bastante ortodoxo, quase único na Europa ou dos poucos que existem na Europa. Mas de facto o coletivo é importante e as pessoas perguntam: mas sentiu-se muito a falta de Jerónimo de Sousa quando foi João Oliveira ou quando foi João Ferreira para a rua? Não, de facto aquilo as peças movimentam-se. Claro que é uma circunstância muito específica, que era uma substituição provisória, mas mesmo esta liderança bicéfala, tricéfala, não correu mal. Eventualmente podia correr mal se lhes chamassem troika, que era algo que a CDU não ia gostar. Mas de qualquer das formas, acho que nesse aspeto a mensagem passou bem. Até houve uma certa frescura. João Oliveira tem humor, sabe falar de uma forma mais descontraída, tem vitalidade.
Ontem António Filipe disse aqui na Rádio Observador, no Semáforo Político, que a CDU conseguiu mostrar que tem várias figuras e tem várias formas de liderança e até quis dizer que se calhar outros partidos não conseguiam fazer o que a CDU fez numa substituição de líder. Vês da mesma maneira?
Precisamente. Nós podemos contestar a ideologia, etc, mas a CDU tem uma grande autenticidade e é uma escola de quadros políticos. Pode depois ser de quadros políticos que não têm grande aceitação a nível nacional e depois a expressão nos votos. Mas de facto, na formação de pessoas, efetivamente, é importante. Há dias, nas listas, lemos uma história da Mariana em que fizeram desistir seis ou sete pessoas para ter um economista no Parlamento. Não há aqui uma lógica de cacique, há uma lógica de coletivo, há uma lógica de o partido com maiúscula, o partido é maior do que todas as coisas, é uma coisa quase religiosa, mas ateísta neste sentido em que o grande deus é o partido ou a figura do partido. E, portanto, nesse aspeto, o PCP mostrou essa força do coletivo. Agora estou quase a usar o jargão comunista, mas mostrou essa informação da luta. Mostrou essa formação dos seus quadros.
Só falta assinares o cartão de militante, ó Rui. Já está tudo direitinho.
Pronto. Mas para dizer isto, independentemente de discordar ou não da posição, de facto o partido tem estes quadros e mostrou esta tal força do coletivo. Agora é um partido em queda também, é um partido que tem vindo a cair muito nos últimos anos. Parece-me que este eleitorado que é seguro e que não foge do PCP é menos móvel e vai menos atrás do voto útil. Vamos ver se isto se verifica, mas parece-me estar mais imune a isso do que o Bloco de Esquerda. Apesar de tudo, a queda do PCP vai sendo mais lenta. E, portanto, vamos vendo se calhar enquanto o Bloco tem essas grandes oscilações de 19 ou de 16 para oito, depois 19 e agora se calhar passa para 10 ou para quatro, mas lá mesmo que sejam 10, o PCP vamos vendo esta queda um bocadinho que se calhar mais dirimisa, mas ao longo dos tempos se calhar perde mais um deputado ou dois, mas não vai sofrer tanto como o Bloco de Esquerda.
Vamos perceber afinal qual é que é de facto essa força do PC nas eleições de 30 de janeiro, no próximo domingo. As projeções não são muito negativas para a CDU quanto a essas eleições legislativas. Vamos ainda, claro, à caravana do Partido Socialista, que tem uma ação de campanha a começar precisamente a esta hora. É no Porto, é o comício de encerramento da campanha. Espera-se um discurso de António Costa, também com o apoio de Francisco Assis. E esta é uma ação de campanha que está a ser acompanhada pelo jornalista Miguel Vítor Dias. Boa noite, Miguel. O PS já esteve esta tarde em Lisboa, a arroada no Chiado, depois vários quilómetros até à cidade do Porto, onde já está a começar esse comício de encerramento.
Já está a começar, até vai-se notando pelo barulho. Está muito barulho no Pavilhão Rosa Mota, na cidade do Porto. É aqui que o Partido Socialista vai encerrar esta campanha eleitoral. Já o fez há dois anos no Coliseu, desta vez é no Pavilhão Rosa Mota, onde curiosamente no último domingo António Costa deixou aqui o seu voto, no voto antecipado em mobilidade. Foi aqui que o secretário-geral do PS acabou por votar. É no local onde hoje vai encerrar esta campanha eleitoral. Vai-se ouvindo já aqui uma banda que vai animando as hostes. O speaker vai também já aquecendo as vozes dos militantes. O partido que ontem diz que teve perto de um milhar de pessoas no comício do Pavilhão Carlos Lopes em Lisboa e que hoje eram esperadas mais pessoas aqui no Pavilhão Rosa Mota no Porto. Portanto, a mobilização é total, sobretudo entre as tropas da região Norte, mas há também muitos militantes que vieram de Lisboa depois da descida do Chiado para acompanhar este encerramento de campanha. Essa descida do Chiado foi o ponto alto do dia até ao momento. Ainda antes disso, dar apenas conta de que esta noite há uma intervenção pela qual temos particular expectativa, que é a de Francisco Assis, o presidente do Conselho Económico e Social, e que é uma figura que manteve sempre alguma distância face àquilo que foi a escolha de António Costa quanto à geringonça. Ele nunca apoiou esse acordo às esquerdas e foi convidado para discursar hoje neste comício de encerramento. Um comício que vai contar com as intervenções do cabeça de lista Alexandre Quintanilha, também do presidente distrital Manuel Pizarro, que tem feito um bocadinho o papel aqui de chefe da claque, de animar os militantes, de incentivá-los, atacando também muito o PSD. E depois essa intervenção de Francisco Assis, uma intervenção particularmente curiosa para encerrar Porque é alguém que tem tido uma mensagem mais ao centro de captar mais votos ao centro-esquerda do que propriamente à esquerda. António Costa encerrará depois esta última iniciativa. E como estava a dizer, até ao momento pontual, que foi essa descida do Chiado, uma descida que contou também com várias figuras do Partido Socialista e onde António Costa colocou já o foco na situação pós-eleitoral. Ele tem repetido a mensagem de que agora é hora dos portugueses falarem. Não é hora ainda de os partidos estarem a criar ou não acordos, mas sim de os portugueses falarem e que depois de domingo, será a vez de Marcelo Rebelo de Sousa ter que indigitar um nome para primeiro-ministro. Não especificando aí, nesse registo que vamos ouvir, se esse nome indigitado deverá ser ou não o líder do partido mais votado.
No domingo à noite vamos ver quais são os resultados. Em função dos resultados, o senhor Presidente da República designará a quem cabe a iniciativa de formação do governo e em função disso iremos trabalhar.
O líder do partido mais votado?
O senhor Presidente da República decidirá. O nosso objetivo para o qual temos trabalhado é dizer aos portugueses com clareza o que vemos. E em função do que dizemos com clareza, as pessoas poderem escolher. Connosco sabem: nós temos não só um programa, como temos um orçamento. Somos a única solução governativa.
Programa claro, com ideias claras, diz António Costa, uma mensagem que tem também repetido nesta reta final, para além de deixar críticas a Rui Rio, também com a questão de estar a pôr, numa expressão bem portuguesa, o carro à frente dos bois. Diz António Costa que Rui Rio está empolgado já a escolher ministros e que este ainda não é o momento para isso. Diz, por outro lado, António Costa, que está com energia para trabalhar a partir de segunda-feira, se esse for o entendimento dos portugueses. Hoje, também na Vischi Swoose, que fez essa ronda pelos repórteres, eu estava a fazer uma alegoria com a questão da sopa da pedra, porque é uma sopa que pode levar um bocadinho de tudo. António Costa tem feito isso também com os partidos. Diz que está disponível para conversar com todos, à exceção do Chega, e tem sido muito essa a mensagem, de que o voto seguro é o voto no PS, porque é o único que não conversa com o Chega. E tem feito esse apelo ao voto útil com essa cerca sanitária ao partido de extrema-direita, como se refere António Costa. Será também uma mensagem, certamente, que vai carregar neste comício de encerramento, sobretudo depois de Rui Rio ter dito já em entrevista às televisões esta noite que não dá por garantida a viabilização do PS, mesmo que o PSD não ganhe as eleições. Portanto, abre também aqui a porta a que António Costa continue a carregar nessa mensagem de que o voto seguro é no PS, porque garante esse afastamento do Chega. Aqui no Pavilhão Rosa Mota, antigo Palácio de Cristal, já se ouviu também a música "As asas servem para voar", do GNR, banda do Porto. Veremos se António Costa consegue aqui ganhar essa velocidade para voar para uma legislatura de quatro anos com estabilidade, como tem pedido ao longo dos últimos 15 dias.
Tem pedido mais quatro anos de governação. António Costa, que fecha a campanha no Porto com este comício, vai discursar. Conta também com alguns apoios nesta ação de campanha. Vamos partir para a análise do Partido Socialista, para a campanha do Partido Socialista, Miguel Pinheiro. António Costa está há seis anos no governo, tem tido ministros a bater recorde de longevidade, tenta avançar para uma nova eleição na liderança do Partido Socialista. Partiu com grande margem para esta campanha, para estas eleições, depois dos debates. Tem vindo a perder terreno, de acordo com as sondagens, nestes últimos dias. E agora estamos quase num momento de indecisão face àquilo que pode ser o PS depois das eleições. A mensagem do Partido Socialista passou de forma clara nesta campanha?
Essa é daquelas perguntas que já traz a resposta. Foram duas semanas de confusão completa. Não sei o que aconteceu para aqueles lados. Uma absoluta instabilidade. Parecia que António Costa estava todos os dias à espera da tracking poll da CNN para decidir o que ia dizer no dia seguinte. Desse ponto de vista, esquece. Confusão absoluta. As pessoas que irão votar no PS seguramente que não sabem. Sabem que vão votar em António Costa, mas não fazem a menor ideia do que António Costa vai fazer com o voto delas. Se bem que se tem tornado cada vez mais claro e este comício final com o discurso de Francisco Assis é o fim da metamorfose. António Costa obviamente vai querer governar com o apoio do PSD, que é aquilo que Francisco Assis sempre defendeu. Portanto, depois de seis anos a governar à esquerda, vai querer agora governar com o PSD. Depois tem este número do Orçamento de Estado. Obviamente, aquele Orçamento de Estado é para deitar fora. Olha, quanto tempo é que falta para a meia-noite? Está quase. Quando chegarmos à meia-noite, António Costa pode deitá-lo fora, porque se aquele orçamento foi chumbado pela esquerda e nos trouxe a eleições, a esquerda seguramente não o vai aprovar. E se António Costa quiser o apoio do PSD, terá seguramente que incorporar algumas coisas que o PSD defende naquele Orçamento de Estado. Acho eu, a não ser que Rui Rio lhe diga: "Ó doutor, faça aí o que entender, que tem aqui o meu voto sem problema absolutamente nenhum." Por isso António Costa vai voltar à velha tradição da democracia portuguesa e vai virar-se para o PSD para governar. E está feito. Agora, realmente, se António Costa ganhar, ganha apesar de si próprio, porque foi um desastre completo esta campanha eleitoral. Realmente merece uma medalha de latão por aquilo que andou a fazer nestas duas semanas.
Rui Pedro, aproveitando esta terminologia utilizada por Miguel Pinheiro, que medalha para António Costa e para o Partido Socialista, mas também olhar para esta questão de clarificar aquilo que um eleitor leva para o momento da decisão. O que é que afinal o PS vai fazer com o voto?
Depois de dizer luta coletiva e direitos dos trabalhadores, deixa-me só dizer isto para depois continuar e conseguir proferir palavras e retirar de mim todo este espírito comunista. Vou dizer parcerias público-privadas, propriedade privada, lucros empresariais, valor acrescentado, breque even, economia social de mercado e CEO. Agora já estou preparado para continuar. Mas para te dizer que o facto de o PS chegar a esta altura e hoje a sondagem diária, vale o que vale, mas o PS e o PSD voltaram a encurtar distâncias, ou seja, Rui Rio continua ligeiramente atrás, mas dentro da margem do empate técnico, e acho que diminuiu a distância que existia. Isso mostra que houve aqui uma inabilidade de António Costa conseguir segurar aquilo que era a distância que tinha, que era bastante confortável e que até lhe podia dar uma maioria absoluta. Provou que tinha razão quando andava sempre em eleições anteriores a não querer falar em maioria absoluta. E de facto foi quase como um kryptonite, assim que ele disse maioria absoluta, veio por aí abaixo e foi forçado a mudar de estratégia várias vezes. Estas palavras que eu disse aqui todas não são só gratuitamente, o PS também está muitas vezes aqui entre ser um partido de centro e às vezes até com políticas que podem ter ligeiramente um cheirinho liberal, como no tempo de José Sócrates, e o tal partido de esquerda, que neste momento o PS é muito mais virado à esquerda. Nesse aspeto há aqui uma grande dualidade e António Costa tem aqui só uma garantia neste momento, ou tinha uma garantia neste momento, que era se ficassem em primeiro, podia governar porque Rui Rio aprova-lhes orçamentos e permite-lhe governar e viabiliza-lhe o governo. Rui Rio, agora, numa entrevista que deu à SIC enquanto estávamos aqui, nós não conseguimos garantir a fiabilidade total das declarações, porque quando estamos aqui no estúdio e o Chega nos obviamente não conseguimos estar a ouvir a entrevista ao mesmo tempo, mas deu uma pequena entrevista à SIC em que disse e admitiu que pode vir a admitir ou com a direção do partido, depois logo se vê, ficar em segundo, mas não haver uma maioria de esquerda e nesse aspeto geringonçar à moda dos Açores ou à moda de António Costa em 2015 e, portanto, ficar em segundo e meter para a direção do partido. Claro que diz várias vezes que o presidente tem que chamar o partido mais votado, que o partido mais votado deve ser prioritário, isso continua a dizer. Continua até a dizer que essa maioria de direita não conta com o Chega para fazer isso ficar em segundo, ou pelo menos não quer contar com o Chega, portanto, torna isto quase impossível e uma discussão quase ficcional, mas mesmo assim abre aqui uma margem para depois não lhe poderem dizer: "Então disse que se ficasse em segundo nunca ia governar." E não, já deu aqui uma declaraçãozinha, está aqui a semente. Portanto, ainda há uma maior instabilidade para o dia seguinte, porque o tal acordo de Cavalheiros parece estar a ser furado por todo lado e não foi lacrado este acordo e, portanto, não me parece que esteja absolutamente fechado. Vêm dias certamente de grande instabilidade. Vamos ver se há ou não uma maioria para um dos blocos e se essa maioria é sólida ou não.
Vamos falar aqui de outro fator para fechar, e já davas essa semente também, Marcelo Rebelo de Sousa. Miguel Pinheiro, para fechar, o que achas que Marcelo Rebelo de Sousa está neste momento a pensar neste último dia de campanha, a olhar para todos estes cenários? Marcelo Rebelo de Sousa prevê aqui uma dor de cabeça para os próximos dias? Não sei se ainda temos o Miguel.
É para mim?
Sim, Miguel.
Pensei que estavas a perguntar ao Rui. Este é o cenário de sonho para Marcelo Rebelo de Sousa. Estão criadas as condições para haver uma aproximação entre o PS e o PSD, que é aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa sempre quis. Vamos ver para quê. O que o Marcelo pretende? Pretende forçar esses dois partidos a fazerem finalmente as reformas para nós deixarmos de ser um país pobre e atrasado? Será? Será que o Presidente da República tem um plano na cabeça para reformar o país ou quer simplesmente que o deixem em paz? Quer simplesmente ter um governo que dure quatro anos, que não o chateie e que o deixe estar a tirar selfies à vontade até ao final do mandato. Não sei bem, mas estou curioso para descobrir.
Rui Pedro, também achas que no final Marcelo Rebelo de Sousa pode inclinar-se um pouco mais para uma questão do bloco central?
Olha, Marcelo Rebelo de Sousa tem estado calado. Até tem que se lhe dar uma medalha ou uma condecoração presidencial, se ele pudesse dar a ele próprio. Mas vem aí muito trabalho. Ele é exímio nestas questões e nestas negociações entre partidos. Não quis um acordo escrito em 2019 com o governo minoritário. Vamos ver se segue o exemplo de Cavaco Silva e vai exigir esse acordo escrito. Vamos ver se segue o exemplo do qual se oincome dos Açores, em que pôs todo o peso da responsabilidade no representante da República na região. Desta vez é ele e, portanto, a solução que sair daqui vai ter a marca de Marcelo Rebelo de Sousa e não dá para se escapar entre os pingos da chuva, nem dá para fazer aqui grandes vici e suaves, passando aqui a publicidade. Vai ser tudo clarinho e vai ter que ser ele a dizer o que exige, a que partidos, que tipo de maioria quer e que tipo de estabilidade quer para o país. Portanto, é o árbitro que é chamado a ir e não tem direito a VAR.
Atenções para a arbitragem a partir de segunda-feira. Termina assim este caça ao voto. Estivemos a acompanhar as nove caravanas dos nove partidos já com assento parlamentar rumo a essas eleições do dia 30 de janeiro. Estivemos em reportagem, temos aqui a análise do Rui Pedro Antunes, editor político do Observador, e também do Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador. Domingo há eleições. É a última noite de campanha. Fizemos aqui o balanço. No próximo domingo, a Rádio Observador vai acompanhar a par e passo esse dia de eleições e também a noite eleitoral. Um dia muito preenchido também aqui no Observador, mobilizada praticamente toda a equipe para acompanhar esse dia 30 de janeiro, a par e passo, tanto no site como na rádio. Aqui na Rádio Observador, logo a partir das 08h, vamos acompanhar esse início de votação, acompanhar também a votação dos diferentes líderes partidários, aqueles que ainda não exerceram o voto. E a partir das 17h30 arranca a emissão especial aqui na Rádio Observador, com Carlos Jorge Carvalho e também com Miguel Videira, ao longo de toda a noite para acompanhar as projeções, os resultados eleitorais. Vamos ter reportagem direto nessa noite eleitoral nas sedes das diferentes candidaturas e acompanhar, claro, também os vários discursos ao longo dessa noite eleitoral. Tudo com uma vasta equipe de painel de comentadores que vão estar conosco aqui na Rádio Observador numa longa emissão especial que começa no próximo domingo às 17h30. Domingo, dia 30 de janeiro, é dia de decisões, é dia de eleições legislativas antecipadas e o Observador diz presente para esse dia de decisões. Daqui a pouco vamos atualizar toda a informação. Eu sou o Miguel Cordeiro e termina aqui o Caça ao Voto.
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