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Car7, 60.

"I did not have sexual relations with that woman, Miss Lewinsky. I never told anybody to lie, not a single time. Never. I did not have sexual relations with that woman".

É talvez a mentira mais famosa da política norte-americana. É da autoria de Bill Clinton e envolve Monica Lewinsky. Foi há 24 anos que o inquilino da Casa Branca ia conseguindo ser expulso depois de ter mentido ao país.

E tudo o que as pessoas queriam saber em 1998 era se o presidente dos Estados Unidos tinha tido um caso com a estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky. O caso tornou-se tão importante que acabou por levar à famosa frase de negação.

"I did not have sexual relations with that woman, Miss Lewinsky. I never told anybody to lie, not a single time. Never. These allegations are false".

Dito isto, o senhor estava a mentir. A mentira levou ao pedido de impeachment, o segundo na história dos Estados Unidos.

Estamos a falar de uma das mais famosas mentiras políticas de sempre. O escândalo Clinton, além do infame vestido azul, teve tanta importância nos tabloides como nos livros de história.

Portanto, estávamos no dia 26 de janeiro de 1998, ou seja, faz amanhã 24 anos, e Bill Clinton disse a famosa frase: "Eu não tive relações sexuais com aquela mulher, Miss Lewinsky". Mais tarde, o presidente dos Estados Unidos confessou que teve uma relação física imprópria com Lewinsky, uma estagiária da Casa Branca com apenas 24 anos.

A conta disso, Clinton foi o segundo presidente da história nos Estados Unidos a ter um impeachment pela Casa dos Representantes, o segundo passo para retirar Clinton do resto da Casa Branca. Era um julgamento no Senado que não aconteceu.

Exatamente.

O impeachment continuou controverso, com muitos dos apoiantes de Clinton a argumentarem que a vida pessoal do presidente não deveria ter implicações com a sua vida política.

A carreira de Bill Clinton foi um teste do público à tolerância ética e à controvérsia, mas o caso de Monica Lewinsky, que era pouco mais velha do que a filha Chelsea Clinton, teve uma agravante. Clinton terá pedido para que Monica mentisse sob juramento e, portanto, tudo isto atestaria do seu caráter, da sua capacidade de gerir um país com estabilidade, de se controlar, etc.

E assistiu-se aqui a um rol de acusações, incluindo o envolvimento de outras mulheres e numa série de entrevistas, Clinton acaba por negar tudo. Negou até que tivesse pedido a Lewinsky para mentir. Fontes dizem que Hillary garantiu à filha Chelsea que a história era mentira, mas outros na Casa Branca claramente sentiram que não podiam ter a certeza sobre esse assunto. Mesmo o staff mais próximo de Clinton ficou às escuras até ao fim. Apenas os advogados exteriores à Casa Branca sabiam os pormenores deste caso. O blackout interno devia-se à relutância em contar detalhes embaraçosos. Mas, em agosto de 1998, Clinton finalmente admitiu que esteve a mentir desde janeiro.

"Indeed, I did have a relationship with Miss Lewinsky that was not appropriate. In fact, it was wrong. It constituted a critical lapse in judgment and a personal failure on my part, for which I am solely and completely responsible".

Nessa segunda-feira de manhã, quando o presidente Clinton fez esta confissão, confessou que teve relações inapropriadas com Monica Lewinsky, disse que foi um lapso de julgamento e um falhanço pessoal da sua exclusiva e inteira responsabilidade.

Uma parte do staff da Casa Branca achava que esta assunção do erro atrairia simpatia, mas não foi isso que aconteceu. O facto de Bill Clinton ter negado as acusações e depois ter admitido a mentira, não caiu bem, nem sequer entre os democratas. Mais do que o ato em si, o problema era mesmo a mentira. Uma das pessoas entrevistadas pelo New York Times, uma pessoa ao acaso, na rua, dizia uma frase que explica bem o sentimento geral: Se ele mente sobre uma coisa destas, então pode mentir sobre qualquer coisa ao povo americano.

O caso é no mínimo sórdido, se pensarmos que Lewinsky diz ter tido nove encontros sexuais com Clinton entre novembro de 95 e março de 97.

Em abril de 96, o chefe de Lewinsky realocou-a noutro local, neste caso, no Pentágono, exatamente porque o staff de Clinton achou que ela passava demasiado tempo com o presidente e isso poderia ser problemático. Como foi, aliás. Só que o pormenor mais hilariante vem agora. Foi porque Lewinsky foi enviada para o Pentágono que o caso se tornou público.

Foi pior ainda que o Suneto. No novo emprego, Monica Lewinsky conheceu Linda Tripp, a quem confidenciou tudo sobre a sua relação com Bill Clinton. Foi Tripp que convenceu Lewinsky a guardar todos os presentes que o presidente dos Estados Unidos lhe tinha dado e, sobretudo, para não mandar lavar o vestido, o famoso e infame vestido azul, sujo durante o encontro sexual, de forma a ter um seguro de vida.

Ora, Tripp depois contou as conversas a uma agente literária, Lucianne Goldberg, que a aconselhou a gravar esses desabafos de Lewinsky, o que Tripp começou a fazer em 1997.

Portanto, se tivessem quietinhos, se calhar nada disso teria acontecido ou pelo menos não teria acontecido assim.

Vou-te arranjar esta música. Estou a adorar isto. Mais um sucesso hip-hop a recriar aqui também parte da realidade.

Achas tu que eu não posso conhecer músicas que tu não conheces?

Podes conhecer. Não sabia era que existia uma para a Monica Lewinsky, mas há músicas para tudo.

É de um rapper relativamente conhecido. Eu já te arranjo o nome, que agora de cor não sei.

Muito bem. Ora, em 1998, a música nacional teve um líder destacado. "Silence Becomes It", dos Silence 4, é o disco mais vendido esse ano no nosso país, num top 10 que é dominado pela América Latina. Senão, vejamos: Netinho, Banda Eva, Daniela Mercury, Fafá de Belém e Ricky Martin.

Saudades.

É verdade. Todos eles entre os mais ouvidos de 1998. De resto, numa tabela que inclui ainda os Era ou Era. Sim, porque o que Portugal precisava mesmo em 1998 era de mais um projeto que misturasse o canto gregoriano com a música eletrónica. Eu tive que ouvir isto porque eu já não me lembrava quem eram os Era. Mas ouvindo isto-

Os sucessores dos Enigma.

Exato. Viajamos logo para 1998.

Ora, lá por fora, a 5 de fevereiro de 1998, Rob Halford, vocalista dos Judas Priest, saiu do armário admitindo publicamente a sua homossexualidade numa entrevista à MTV. Para alguns dos fãs do gênero heavy metal, foi como se Rob tivesse quebrado a lei.

"Breaking the Law", provavelmente a música mais conhecida dos Judas Priest. Foi uma grande comoção no meio do heavy metal esta admissão.

Eles gostam de quebrar a lei, mas não essa.

Sim.

Essa é uma lei tácita.

Mas foi uma atitude também que abriu portas para muitos outros músicos deste género.

Ainda bem. Também em 1998, Elton John foi ordenado cavaleiro pela Rainha de Inglaterra. Durante a cerimónia, ele foi erradamente apresentado como Sir Elton John. O erro foi retificado.

Não, Sir John Elton. Eles trocaram-lhe o nome, que é espetacular.

O erro foi retificado e Sir Elton John ganhou a distinção por altos serviços prestados à cultura e à solidariedade social. Quer dizer, enganaram-se no nome de Elton John.

É verdade. Um sacrifício aquela cerimónia para ele. Só escolhi esta porque não tinha aqui a "Nikita", que é claramente a minha canção favorita do Elton John.

Estás a falar a sério?

É uma das minhas favoritas. É por causa do videoclipe, gosto muito.

É o videoclipe?

O que ias dizer, Bruno?

Do "I Just Called to Say I Love You". Queria contar uma história muito engraçada, mas que não vou contar, sobre um motorista de táxi brasileiro, que se chamava Elton John, precisamente.

A sério?

Com outro nome. O nome dele era mesmo Elton John. Daqueles nomes inacreditáveis dos brasileiros.

É como Maicon Douglas, não é?

É, o do Maicon Douglas.

Também é inspirado.

Maicon Jackson. Mas este era mesmo Elton John, não era John Elton.

Muito bom.

Em abril de 1998, George Michael viu-se à rasquinha para ir à casa de banho e foi detido por conduta lasciva num WC público em Beverly Hills. O episódio serviu, no entanto, de material de inspiração para um dos seus grandes sucessos, "Outside". Ora, fechamos a 16 de setembro de 1998, o dia em que Lou Reed tocou na Casa Branca numa receção para o Presidente da República Checa, Václav Havel.

O que pouca gente sabe é que Václav Havel era um grande fã da música dos Velvet Underground. Ele chegou a admitir em entrevistas que a banda, e mais concretamente o disco da Velvet Underground, a Nico, que havia comprado nos Estados Unidos e levado ilegalmente para a Checoslováquia, foi uma das grandes inspirações para o que se viria a chamar a Velvet Revolution, ou a Revolução de Veludo, e que pôs fim ao domínio soviético naquele território. De resto, há entrevistas Wim Wenders, de Lou Reed e também de Václav Havel a falar sobre o amor mútuo, por assim dizer, ou a admiração. Imaginavam Václav Havel a ouvir Velvet Underground?

Não, mas agrada-me saber que ele levou um disco às escondidas para a Checoslováquia.

Votado por eles.

E depois que utilizou o Velvet Underground. Só isso dava um cassete de cena.

Velvet Revolution, aqui está ela.

Little Joe never once gave it away. Everybody had to pay and pay. A hustle here and a hustle there. New York City is the place where they said: "Hey, babe, take a walk on the wild side." I said: "Hey, Joe, take a walk on the wild side." Sugar Bear fairy came and hit the streets. Looking for soul food and a place to eat. Went to the Apollo. You should have seen him go. They said: "Hey, sugar, take a walk on the wild side." I said: "Hey, babe, take a walk on the wild side." All right. Jackie is just speeding away. Thought she was Jean Dean for a day. Then I guess she had to crash, and Valium would have helped that crash. She said: "Hey, babe, take a walk on the wild side." I said: "Hey, honey, take a walk on the wild side." And the colored girls say: "Doo, doo, doo, doo, doo, doo, doo, doo."

Cartete Sessenta.

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