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R7, 60.

Foi um dos momentos mais dramáticos da história dos Jogos Olímpicos. Fevereiro de 1980, a equipe de hóquei no gelo dos Estados Unidos, constituída por jogadores universitários, considerada a mais fraca, venceu a equipe soviética quatro vezes medalha de ouro nos 13º Jogos de Inverno, em Nova York.

A equipe da União Soviética, apelidada de melhor do mundo, caiu aos pés dos norte-americanos perante uma multidão de 10 mil espectadores. Dois dias depois, venceram a Finlândia e assim ganharam a medalha de ouro.

Os soviéticos tinham conseguido ganhar os quatro Jogos Olímpicos anteriores, desde 1964, e não perdiam um único jogo desde 1968. Três dias antes dos jogos começarem, a União Soviética esmagou a equipe americana por 10x3, num jogo de exibição no Madison Square Garden.

A média de idade dos jogadores americanos era de 22 anos e o capitão da equipe, Mike Eruzione, foi recrutado numa equipe pouco conhecida de Toledo.

Ninguém tinha expectativas na equipe da casa, mas à medida que os Jogos Olímpicos iam decorrendo, a apreciação também foi mudando. Na primeira ronda, os americanos ganharam quatro jogos e empataram um. Os soviéticos estavam, ainda assim, em primeiro lugar, com cinco vitórias.

Na sexta-feira, 22 de fevereiro, os amadores e a equipe de sonho defrontaram-se em Lake Placid, numa arena a abarrotar. No último período, os soviéticos perderam a vantagem. Mike Eruzione, o capitão de equipe, pôs os americanos à frente. Ainda faltavam 10 minutos pra jogar e era preciso segurar a vitória. A cinco segundos do fim, a multidão começou em contagem decrescente e quando se ouviu o apito final, a celebração juntou os jogadores e a equipe técnica no gelo. Os soviéticos ficaram boquiabertos e à espera, pacientemente, para apertar a mão aos oponentes.

Chamado "Milagre no Gelo", deu origem a um filme com Kurt Russell, chamado "Miracle", que imortaliza a vitória e, sobretudo, o que significava para a América, naquele momento, ganhar a União Soviética.

"Want to hear an amazing story? Back in 1960, coach Brooks was on the Olympic hockey team. But a week before the games, his coach cuts him and sends him home. And that team went on to win the gold medal."

Estávamos, claro, em plena Guerra Fria e num momento em que o presidente Jimmy Carter tinha anunciado que os Estados Unidos iriam boicotar os Jogos Olímpicos do verão, em Moscovo, por causa da invasão do Afeganistão. Os americanos lidavam com uma recessão gravíssima, a crise de reféns no Irão, e precisavam mesmo de algo para celebrar. Nada melhor como uma história destas, o triunfo dos rapazes sobre os profissionais russos.

A vitória, muitos ficam a dever a Herb Brooks, o treinador duro, interpretado por Kurt Russell, que os jornais diziam ter métodos tão autoritários, que deixariam qualquer soviético orgulhoso. Herb acreditava que aqueles jovens eram capazes, mas treinou-os para que ficassem na melhor forma e conseguissem fazer passes que os próprios russos tinham desenvolvido. E foi tudo isto junto que permitiu o milagre no gelo.

Nunca vi este filme, mas agora fiquei curioso. Chama-se mesmo Miracle?

Sim, chama-se.

Com Kurt Russell.

Com Kurt Russell.

Ok, a história da vitória dos Estados Unidos no hóquei do gelo sobre a União Soviética em 1980 e em plena Nova York. Bela história, que nos remete também para uma viagem para a cultura pop de 1980, que ficou, por exemplo, marcada pela estreia do Walkman, da Sony, no mercado norte-americano. Este objeto revolucionou a forma como se ouvia música nos anos 80 e chegou às lojas norte-americanas no dia 25 de junho desse ano.

Mas se há gênero que marca o início da década é o disco sound. E entre as cinco canções mais ouvidas em 1980 estão: "Upside Down" de Diana Ross e "Funky Town" dos Lipps Inc.

É bom, na verdade, temos que dizer que o disco sound aqui em 1980 já--

Já estava em declínio.

Não é? É.

Também há quem diga que sempre esteve em declínio.

Sim, se calhar, por isso é que é bom.

Bem, já no terceiro lugar, surge John Lennon com "Just Like Starting Over". Isto no ano em que o músico viria a ser assassinado em frente à sua casa, em Nova York.

No segundo lugar das mais vendidas de 1980, encontramos "Woman in Love", de Barbra Streisand, e na liderança da tabela estão os Pink Floyd com "Another Brick in the Wall".

Em Portugal, dão o que falar os dois amores de Marco Paulo e o grande amor de José Cid. Esta última vencedora do Festival da Canção desse ano, numa edição em que ficaram pelo caminho canções de Carlos Paião, Laira Lee ou esta, "Doce", das Doce.

Vamos ainda no top português de 1980 para a Argentina, Giulia Graciela e para o single "Anúncio de Jornal", que nos conta a história de um amor proibido entre um patrão e a sua secretária.

É polêmico este tema. Ora ouçam.

"Precisa ser timosa, boa aparência pra secretária. Tem que ser muito bonita, descontraída e educada. Foi numa segunda-feira quando você me pediu para ficar."

Quando ele pede pra ficar.

Eu não sei se isto é top português.

É verdade.

Eu gostava de saber onde é que tu foste desencantar isso.

Também não sei.

Isto está no top da AFP, relativo a 1980, "Anúncio no Jornal", de Giulia Graciela, e é ela a contar a história deste anúncio para o emprego. E lá foi ela trabalhar, e aquilo depois ficou um romance intenso entre os dois.

Isto hoje não passava.

Não passava, claro.

Não passava.

Bem, mas o rock também está bem representado na lista das mais vendidas em Portugal em 1980, por exemplo, com o "Chico Fininho" do Rui Veloso, "I Was Made for Loving You", do Kiss. Gosto muito desta canção. E também esta "Echo Beach", de Mart and the Muffins, foi a que escolhi para o fecho do K7 62, que viajou para uma história de 1980. Daqui a pouco vamos tentar falar com o Alfredo Lavrador. Ele está em França, mas vai contar-nos como é que estão a decorrer os prêmios Auto-Observador. Estão já as votações a decorrer na quinta semana. Esta que é a sexta edição dos prêmios Auto-Observador, onde podem ganhar um automóvel, um Toyota Yaris 1.0 Comfort Plus. É já daqui a pouco na Rádio Observador. Às 4h30, a síntese de notícias. K7 60.

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