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Olá, seja muito bem-vindo à emissão especial de "Claro como Água". Eu sou o Hugo Silva e hoje vou levá-lo a conhecer algumas das mensagens principais que foram partilhadas na primeira temporada, que reuniu especialistas de diferentes áreas para falar deste bem essencial à nossa vida. Comecemos pelo início, mais precisamente, o início da vida, com a médica pediatra Natália Pona, que nos falou sobre a importância do consumo de água mineralizada nos bebés e nas crianças.

Havendo introdução de alimentos gradualmente, às vezes com maior aceitação, mas às vezes com alguma dificuldade em que a alimentação seja bastante diversificada, existe sempre esta segurança de que se oferecermos uma água mineralizada, estamos a contribuir com alguns minerais que são fundamentais para o desenvolvimento, para o crescimento e acaba por nos trazer alguma tranquilidade de que não haverá carências de minerais essenciais.

Mas não foi só nas crianças e nos bebés que nos focámos. Com o contributo de Mariana Kadosh, médica de medicina geral e familiar, falámos sobre as necessidades hídricas no geral.

Quando falamos de ingestão de água, em um adulto, falamos à volta de 1,5 L, que são cerca de oito copos de 200 ml. Portanto, ir garantindo este aporte. Mas os últimos dados do Inquérito Alimentar Nacional, que foi realizado em 2016, mostram-nos que este aporte de água vai muito aquém das recomendações. O aporte médio é à volta de 700 a 800 ml/dia, portanto, muito abaixo. E a faixa etária que tem o aporte menor, na ordem dos 400 ml/dia, é a faixa etária das crianças. Quando deveriam beber 1 L/dia, estão a beber menos da metade.

Isso é muito pouco.

Porque muitas vezes substituem este aporte por refrigerantes. Como estávamos a falar, que são um risco não só para a obesidade, mas também para cáries dentárias e não deve ser de todo substituído e devemos garantir o aporte de água.

Com Sofia Duque, especialista em medicina interna e geriatria, falámos sobre a água e os idosos, focando-nos em problemas comuns nesta fase da vida, como a desidratação.

Esta menor ingestão de água também está relacionada, muitas vezes, com a menor acessibilidade à água. Pensemos nas pessoas que têm alguma limitação na mobilidade. Se eu tiver sede, eu vou ter de me levantar desta cadeira, ir procurar uma garrafa de água. Uma pessoa que tenha alguma limitação motora não vai ter esta agilidade e pode ser difícil chegar à água. Ou pensemos numa coisa mais simples: uma pessoa que tenha artroses na mão, pode ter dificuldade a desenroscar a tampa e ver-se privada assim de aceder à água. Por outro lado, temos as pessoas que podem ter algum problema cognitivo e que simplesmente não se lembram que têm de beber água. Isto acontece em casos de demência, ou em pessoas que, de uma forma aguda, têm uma alteração cognitiva, por exemplo, quando têm alguma doença.

Não podemos falar sobre o consumo de água sem analisarmos a qualidade da água que bebemos. Para tal, convidámos a professora Conceição Calhau, que nos falou, entre outras coisas, sobre a água da torneira.

É importante nós visualizarmos a embalagem torneira. A torneira enquanto embalagem naquilo que é a vida desta água, os canos por onde passa, isso muitas vezes é aquilo que menos conhecemos e se calhar aquilo que menos gostaríamos de conhecer.

E que a olho nu, também, às vezes, não dá para ver grande coisa.

Não dá para ver quase nada. Na realidade, se fosse visível, também aí seria, do ponto de vista microbiológico, pouco seguro. Mas, na verdade, este lado B de que falamos nos alimentos, também a água é um importante alimento que devemos refletir daquilo que é a escolha para o consumidor.

Ainda sobre a água que bebemos, ao longo do podcast, procurámos esclarecer diferentes mitos associados à água. Um deles é o pH. Será este um mito hídrico?

Logicamente que depois existem alguns profissionais de saúde que tentam surfar essa onda. E isso é válido para as águas alcalinas e para muitas outras estratégias cuja substanciação científica não é assim tão forte, mas que acaba por ser, mais uma vez, também uma questão de status e de posicionamento no mercado, estarem associados a essas águas e outras práticas que não têm uma grande base científica, mas que os torna diferenciadores. E tornando-os diferenciadores, depois conseguem se calhar atingir outro tipo de público. É mais marketing.

Sim, é mais marketing do que outra coisa.

Mas existe ainda outro grande mito associado à água que bebemos. Afinal, a água tem ou não tem sabor?

Se há águas, se têm minerais diferentes, têm de ser sabores diferentes. E a água também deve começar a ser apreciada pelo seu sabor. É isso que a distingue.

E como foi sendo tradição, no final de cada episódio, uma curiosidade extra. E nós, cá estamos a destacar uma delas.

Às vezes nós comemos porque temos sede e não porque temos fome. E fazemos muito esta confusão entre a sede e a fome. E se estiver bem hidratada, é muito mais fácil controlar a ingestão de alimentos.

Isso quer dizer, quando alguém diz: "Tenho fome", talvez se calhar, "Certeza que não tens sede?"

Exatamente, é uma pergunta.

"Começa por beber a água mineralizada."

Acabou de ouvir alguns excertos de sete dos 12 episódios da primeira temporada do podcast "Claro como Água" da iniciativa "Vimeiro Explica". Mas ainda há muito por descobrir sobre a água que bebe e dá a beber. A 22 de outubro, o programa regressa à Rádio Observador, com mais conversas com especialistas que nos explicam tudo sobre este elemento essencial à vida humana. Fique desse lado e, entretanto, já sabe, beba água todos os dias, em quantidade e de qualidade.