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Seja bem-vindo a mais uma edição de "Claro como Água", o podcast mais fresco e hidratante da Rádio Observador, em parceria com a iniciativa Vimeiro Explica. Este vai ser um episódio um pouco diferente e desvendo já por quê. Vamos ter uma degustação de águas. Vamos a isso. Hoje, na Rádio Observador, recebemos Manuel Antunes da Silva. Ele é hidrogeólogo e também water sommelier. Disse bem, Manuel?
Perfeitamente.
Muito bom dia.
Bom dia.
Boa tarde, boa noite, não interessa. Olá. Conte-nos em que consiste este ofício de water sommelier. Sommelier de águas. É o maior especialista, em Portugal, de águas.
Não sei se serei o maior em Portugal, mas de qualquer maneira eu trabalho com águas minerais desde 91, como hidrogeólogo, e sou water sommelier desde 2018.
Já está 33 anos.
Sim. No fundo, o trabalhar com águas minerais sempre me fez prová-las. Sempre as tive que provar, notei desde o início, como é óbvio, que há diferenças entre as águas. E quando houve esta oportunidade de fazer a formação como water sommelier, fiz a formação e me capacitou para explicar melhor as águas às pessoas, para demonstrar as diferenças entre as várias águas às pessoas e para as levar a entender também o porquê do consumo e o porquê da escolha de umas águas ou de outras águas.
E onde é que fez essa formação? Isto é recente?
Não, não é recente.
Até pensei que fosse.
Eu fui o primeiro em Portugal.
Ah.
Em 2018. Eu fiz o curso numa empresa alemã, a Domus, que se dedica muito a todos os temas de bebidas, desde cervejas, vinhos, águas, e tem muito estas partes dos sommeliers.
E também é muito popular as pessoas escolherem a água como especialidade?
Na Domus, por exemplo, eles fazem cursos, três a quatro por ano, ou mais. Tem várias línguas e têm sempre uma boa afluência aos cursos deles.
E como é que descobriu esta paixão pela água?
A paixão pela água veio com o meu trabalho. E sempre achei muito interessante, para além da parte da hidrogeologia de cada uma das águas. E a diferença entre as águas tem muito a ver com a geologia onde elas se formam. As águas minerais.
Pelas rochas, dependendo da rocha por onde passam.
Exatamente. Por isso elas vão em profundidade, têm o contato com a rocha, interagem com a rocha e daí vem a sua mineralização. E daí vem as suas diferenças de sabores. Como nós poderemos depois provar, mais daqui a pouco.
Pois é, porque dizem que a água não tem sabor, mas eu tenho aprendido, principalmente com este podcast, que a água tem sabor, sim.
Tem sabor.
É inodora, sim. É incolor, também.
Vamos ver. É inodora, por exemplo, se for a umas termas, há termas em que a água tem um cheiro muito ativo. Por isso, nós quando estamos a falar do inodoro, estamos a falar de águas que são engarrafadas. Nesse caso, sim. E não iríamos beber uma água com cheiro a enxofre. Abriríamos e não bebíamos, provavelmente. Mas as águas podem ter cheiro, sim. Algumas águas especiais têm cheiro.
Não quer dizer que sejam más, lá por terem cheiro.
Não, são diferentes.
Eu imagino que saía à noite e os seus amigos bebiam vinho e cerveja e o Manuel pedia uma aguinha. Isso acontecia?
Sim, acontece.
E acontece?
Acontece. Não sempre, mas acontece.
Que engraçado. Pronto, daí a paixão também já vinha da profissão e achou que faltava, se calhar, alguém especialista.
Era preciso explicar as coisas de outra maneira.
E antes de irmos à prova de água, explique-nos primeiro quais são as principais características a avaliar numa degustação de águas.
Acaba por ser como qualquer degustação. Quando estamos a degustar, começamos por observar o objeto, neste caso, a água, quando estiver no copo. Se for uma água lisa, uma água sem gás, não temos grande coisa para ver. Veremos se há partículas em suspensão ou não há. Geralmente não haverá.
É mais no palato, não é?
Sim, e depois o cheirar. E lá está, como falamos há pouco, as engarrafadas não terão cheiro. Nada de muito intenso. E depois a degustação. E parte da degustação está na deglutição. Ou seja, parte dos aromas libertam-se para a cavidade retronasal, quando engolimos a água.
Ok.
E por esse motivo devemos fazer a deglutição da água.
Não é preciso buchuchar, como ao vinho.
Não. Não é preciso buchuchar.
O que é estranho, normalmente usamos água para buchuchar.
Mas não é preciso buchuchar.
Exato.
É preciso prová-la. O que nós estamos habituados é geralmente a beber a água. Nós temos sede, bebemos a água e raramente notamos a diferença de sabor, só quando tiver um sabor muito forte.
Até porque normalmente nós estamos a provar várias, diferentes. Normalmente bebemos e pronto.
E o que nós vamos fazer aqui hoje é por comparação.
Exatamente.
Vamos comparar duas águas lisas e duas águas gasocarbônicas, que são águas que têm o gás que nasce com a própria água. Quando a água nasce, já vem com o gás.
E há vários tipos de gás.
Há vários tipos de água. No mercado, quando vamos à prateleira do supermercado, vemos a água lisa, diz lá mesmo "água lisa" e é água sem gás. Água gasocarbónica, que são essas que já trazem o gás com a própria água e são engarrafadas com o gás na mesma quantidade daquela que vem da captação. Temos as águas que nascem com gás, mas é-lhes adicionado mais algum gás, que são as reforçadas, e as gaseificadas, que é o termo que geralmente utilizamos para todas as águas com gás, dizemos que são todas gaseificadas. É errado. As gaseificadas são aquelas que têm o gás todo artificial.
Não fazia ideia.
E é isso que está no rótulo.
Isso até se deve notar nas bolhinhas que faz.
Tudo.
E se calhar vai um bocadinho ao encontro da pergunta que vou fazer, o que nos pode dizer sobre as diferentes águas em Portugal? Há vários tipos. Dependendo da zona, lá está, e das rochas.
Estamos a falar de águas naturais.
Sim.
Águas naturais. Voltamos outra vez ao rótulo e insisto nisto por quê? A maior parte das pessoas não lê o rótulo.
Verdade.
Chega e compra a água ou porque já conhece e é aquela que quer, ou porque decide pelo preço, ou por outro motivo qualquer. Mas raramente as pessoas experimentam diferentes tipos de água ou vão ler o rótulo para perceber que tipo de água é. E as águas, logo à partida, têm estas divisões, digamos, do lisa, do gasocarbónica, do reforçada e do gaseificada. Isto logo aí diz-nos alguma coisa sobre a água. Obrigatório também nas águas naturais em Portugal engarrafadas, são as águas minerais naturais e as águas nascente, é que haja, principalmente nas águas minerais, uma composição química da água. Imagine que gosta de uma água qualquer com determinadas características. Permite-lhe, através da análise química que está no rótulo, ir procurar outras águas com o mesmo tipo de quimismo que possa eventualmente gostar e experimentar.
E o Manuel consegue distinguir as águas, por exemplo, se é do norte, centro, sul? Não, isso é difícil.
Vamos ver.
Ou a marca?
Para algumas que possa estar mais habituada a consumir, sim. Todas não. Nós temos uma série de águas em Portugal. Se são águas originárias de quartzitos, como a que nós vamos provar hoje. São águas de baixa mineralização, muito baixa mineralização. E na prova, nós ao provarmos a água, temos um limite de detecção. Só conseguimos detectar a concentração de determinados componentes a partir de determinado valor.
De determinada dose, não é?
Exato. Se for muito baixa a concentração, não conseguimos detectar.
Sim.
E acontece isso, por exemplo, nas águas dos quartzitos. São águas de muito baixa mineralização, em que nós não nos apercebemos de quais os minerais que estão presentes.
Ok.
Conforme for aumentando a concentração dos minerais na água, aí teremos a possibilidade de detectar os vários sabores e os vários minerais.
Então o Manuel trouxe-nos, trouxe-me, porque eu é que vou provar, quatro águas diferentes. Fale um bocadinho sobre elas e por que a escolha destas quatro águas.
Como vamos fazer uma análise comparada das águas, escolhi águas que à partida já eu sei que são diferentes na prova.
Sim.
E no fundo, vou lhe demonstrar isso com o que nós vamos provar. São águas de ambientes geológicos diferentes. A primeira que vamos provar é uma água de quartzitos.
Quartzitos?
Quartzitos. É uma rocha muito dura, fundamentalmente constituída por sílica. E o sílica é um elemento muito difícil de remover da rocha pela água. Por isso, na interação, sai alguma, estas águas são muito ricas em sílica, mas não sai nada que possamos aperceber-nos.
Ok.
E se calhar servia esta água para... estou-lhe a esconder a marca.
Está bem, eu não estou a ver.
Vamos provar.
De facto, a marca está tapada com papel de prata, como aliás conseguimos ouvir.
Sim.
Deve haver de certeza uma boa água para beber pela manhã também, não é?
É ao gostar.
Ok.
Eu acho que as pessoas devem fazer por experimentar e por perceber quais é que gostam mais. Tenho tido provas d'água que tenho feito, a última que eu fiz tínhamos 70 e tal pessoas.
70 e tal?
Sim. E foi espetacular. E as pessoas são muito interessadas e muito ativas.
Deve ser divertido também ao mesmo tempo. Se calhar quase parece que ficam embriagadas sem ficar. E é só água.
Mas, por exemplo, eu pertenço a duas associações internacionais de provadores de água, e nessas refeições somos só acompanhados com águas.
Ótimo.
E temos águas, neste último tínhamos 110 águas diferentes do mundo inteiro.
110?
110.
As nossas são as melhores, as portuguesas. Considera que são?
Vamos ver, todas as águas naturais são espetaculares. Só o milagre de termos esta água com estas características, sem levar nenhum tipo de tratamento, desde da captação ao consumidor, e conseguir mantê-la em condições para a podermos consumir, é fantástico.
O Manuel deve odiar água da torneira. À nossa. Também se faz tchim tchim. Diz-se que não se brinda com água.
Pois não, dá azar.
Dá azar. Também acredita nisso?
Sim.
Então vamos ver.
Deixa a água deslizar.
Gosto muito desta.
Pronto.
Eu sempre apreciei água, por acaso, e noto a diferença de sabores. Gosto desta. Esta noto-se que tem muita... bebo até ao fim?
Não, é provar.
Ok, vou provar esta então. Esta é diferente.
Não sei.
Vou lhe dizer se eu acho que é mais mineral ou não. Portanto, é deixar o cheiro.
Sim, o cheiro praticamente não tem. Muitas vezes o cheiro que aparece é do copo.
Do copo. Pois.
De estar no armário, qualquer coisa.
Esta é mais mineral, mineralizada, porque tem sabor.
Pronto.
Sim, nota-se uma diferença grande de uma para a outra.
Certo.
Da segunda para a primeira.
Certo.
A primeira praticamente não tem sabor. E esta sinto qualquer coisa.
Na primeira, provavelmente sente. Eu ponho-lhe um pouquinho mais da primeira, se quiser.
Sim. E depois tem sempre casas de banho à beira. Claro.
Sim, é obrigatório. Na primeira, provavelmente sente alguma adstringência. Quando deixa a água deslizar, fica com a língua um bocadinho grossa.
Verdade!
Mais do que na segunda.
Sim, parece mais oleada a segunda.
Sim. Parece mais pesada, digamos. Sente-se mais a água.
Sim.
Quase que se trinca.
Sim, verdade. Quase que nenhuma, sei lá, uma laranja. Não, verdade. E, por exemplo, esta segunda água que nota que é mais mineralizada, acompanha melhor algum tipo de comida? Se é mais uma salada.
Isso pode-se falar genericamente, como se fala dos vinhos, o tinto é para a carne, o branco é para o peixe e para as saladas.
Sim.
Pronto, mas todos nós sabemos e conhecemos pessoas que preferem beber perfeitamente ao contrário, dependendo dos pratos. Escolhem o vinho de acordo com os pratos. A água pode ser escolhida também de acordo com os pratos. Aliás, o ideal era que nos restaurantes tivéssemos, para além do menu da comida e da carta de vinhos, tivéssemos uma carta de águas e pudéssemos ser aconselhados também a escolher a água de acordo com o que vamos comer e o que vamos beber.
Eu já imagino o Manuel a tentar influenciar os chefs e os restaurantes para terem também uma carta de águas.
Estou sempre nisso.
Imagino.
Mas é muito complicado. E perdi um pouco da sua questão.
Estava a dizer sobre acompanhar diferentes pratos com determinada água.
Sim, lá está. Ou conhece as águas e escolhe de acordo com o que gosta mais, consoante o que está a consumir. Ou podemos ir pelas generalidades em que uma água mais pesada deverá acompanhar pratos mais pesados. Embora devamos tentar, se calhar, que o sabor não se sobreponha nunca ao sabor da comida.
É difícil com água.
Que acompanhe, mas pode acontecer.
Ok.
Pode acontecer.
Principalmente com água gaseificada ou gasocarbonica.
Água com gás.
Água com gás.
Sim, é mais genérico.
Exatamente. Desculpe, vamos à terceira e já lá vamos aos diferentes pratos.
Sim.
E sem muito se liga.
Nestas duas notou a diferença?
Notei, perfeitamente.
Notou principalmente mais mineralização na segunda do que na primeira.
Sim, muito mais mineralização na segunda. Tanto que a primeira quase nem se sente a diferença.
Eu sinto alguma frescura.
Sim.
Embora estejam as duas à mesma temperatura, sinto ligeiramente mais fresca a primeira que a segunda.
Sim, é curioso.
E a tal adstringência que fica da falta de minerais na água.
Sim.
Pronto. Enquanto a outra se sente muito mais o sabor. E neste sabor sente-se um bocadinho, por exemplo, do cálcio.
Sim, ok. É como se estivéssemos quase a beber leite, não é verdade? Sim, nota-se uma diferença. É isso, parece mais pesado.
Nestas águas que vamos provar agora, são duas gasocarbônicas portuguesas. Nesta, ao observar a água, tem muito mais interesse. Tem algo mais interessante do que tinha na outra, que não tinha nada. Nesta tem as bolhinhas e pode descrever se a bolha é pequena, se a bolha é grande, se agarra ao copo, se está sempre ativa a subir.
Ah, pois. Esta, portanto, eu consigo perceber que está sempre a subir. Não é? Ou não?
Sim. Não com muita intensidade.
Sim. Vai subindo.
Tem momentos em que para e depois vai subindo mais uma, mais outra. Estão agarradas ao copo, não se notam no corpo da água, não se nota aquele borbulhar intenso.
Pois é, verdade.
E por quê? Porque nas águas gasocarbônicas, na estrutura da água, para além dos minerais, temos o dióxido de carbono, o gás. Está na estrutura, naquela rede. Quando andamos na escola, havia aquelas bolinhas com os pauzinhos a ligar os átomos e as moléculas. Lembra-se disso? Nessa estrutura, que está dentro da água com os minerais, também lá está o dióxido de carbono.
Então, isso se deixarmos aqui durante algum tempo, também deixa de ter gás. O gás vai-se embora.
Se pusermos uma gasocarbônica e uma gaseificada, o gás desaparece mais rápido na gaseificada. Por quê? Porque o gás não tem lugar na estrutura da água.
Ok, pois lá está a estrutura. Com os átomos e por aí fora. Ok. Não convém deixar também esperar muito.
Não, mas pode.
Ok. Ai, eu gosto desta. É engraçado, que eu às vezes noto quando a água tem gás, parece quase salgada.
E há umas mais que outras.
Pois, é o sódio. Deve ser também.
Tem a ver com isso. Não podemos dizer que é só um mineral. É o conjunto dos minerais é que tem determinado tipo de ação sobre o nosso palato.
Eu noto que esta não parece muito fresca. Quer dizer, também não está fresca, está à temperatura ambiente.
Estão todas à mesma temperatura.
Mas eu gosto desta. Vamos à próxima. Esta tem gás?
Tem.
Não parece nada.
Tem.
Este gás fica todo embaixo, que giro. Vou beber.
Note que o gás está na água. Certo?
É um gás muito mais fininho.
E sente salgado nesta?
Menos
Porque tem uma composição química diferente.
Sim. Que giro!
Enquanto aquela era uma bicarbonatada sódica, esta é uma bicarbonatada cálcica.
Eu disse mesmo bem, ainda por cima, e não sabia nada e falei do sódio. Que giro!
Porque associamos ao tal salgado, embora o salgado que nós estamos habituados é do cloreto de sódio, do sal da cozinha.
Sim.
Não do bicarbonato de sódio.
O flor de sal também.
Pronto, mas isso é cloreto de sódio. E no caso dessa água, é uma bicarbonatada cálcica e o que sente é um sabor meio adocicado, como sentia na segunda água que provamos na primeira prova.
Verdade.
Que é o cálcio.
Será que são da mesma marca, a segunda e a quarta?
Não, não tem nada a ver com marcas, nem tem nada a ver com ambientes geológicos. Estas duas últimas que provamos são de granitos, vêm de ambientes geológicos de granitos.
Isso é na Serra da Estrela?
Mais para cima.
Mais para cima.
Uma é transmontana e outra é minhota. Por isso, são mais para cima.
Vai me dizer de onde é que é cada uma, não é?
Se quiser.
Quero, claro.
Pronto, então. A primeira água que provamos, lisa, é a Vitalis.
Vitalis, ok.
Baixa mineralização. Depois provamos Vimeiro original.
Bem me pareceu, porque senti a mineralização.
Vimeiro original.
Aquele que coloca os dentes mais fortes.
E depois estas duas últimas, que são ainda de maior mineralização que a Vimeiro. São muito mineralizadas mesmo.
É?
São.
Mas é engraçado, não se nota tanto.
Porque tem o gás.
Fiquei um bocadinho com sotaque da Figueira, disse: "Mas já é engraçado."
Mas se esperar para o gás ir embora ou se agitar e experimentar a água sem o gás, vai notar mais os minerais e vai notar mais essa concentração dos minerais.
Então a terceira, que ainda vemos as bolhas e continuam.
E vai continuar a ver.
São bem gordinhas as bolhas, comparadas com a quarta.
Mas estão quase paradas.
Sim.
Estão agarradas ao copo e não sobem, estão na estrutura da água.
Isto é um bom vídeo em câmera lenta. Eu adoro ver essas coisas. E esta terceira é qual?
É Pedras Salgadas.
Ok.
E a última é Melgaço.
Melgaço. Daí o mel.
Sim.
Que engraçado!
Como vê, tivemos aqui quatro águas que estão no mercado e com sabores completamente diferentes. Para além destas, há muitas outras no mercado português e a possibilidade de, conhecendo, escolher águas diferentes, eu acho que é fantástico.
Manuel, onde é que nós podemos fazer esta degustação de águas? Porque isto, de facto, é divertido.
Chama-me.
É? Chama o Manuel. Pronto, ok, mas o Manuel é de Coimbra.
Sim, mas eu já fiz degustações de águas para supermercados.
Ok.
Para clientes do supermercado, para clientes de grandes centros, para escolas. São muito chamadas as escolas.
Vamos ao seu encontro pelo Instagram, como é que é? Tem 58 anos e deixe-me já dizer-lhe, não parece nada, eu dava-lhe uns 43. É da água. Também lava a cara com água mineral?
Não. Geralmente, em Portugal, não.
Mas dá vontade. Eu, por acaso, hoje estava a sair de casa e a pensar: e se eu tomasse banho todos os dias numa água mineral?
É bom, pode ir às termas. Porque é que não vai às termas?
Pois é, tenho que ir às termas do Vimeiro. Já me falaram delas, tenho que ir e viver a diferença.
Sim.
Deve-se notar alguma diferença, até nos ossos.
É muito bom.
Mas estava a dizer, contactamo-lo como?
Estou nas redes sociais.
Como Manuel Antunes da Silva?
Sim.
Portanto, é pesquisá-lo na internet. Até deve ter também um e-mail, se pusermos Sommelier de Águas. Prefere Sommelier de Águas ou Water Sommelier?
No e-mail está Water Sommelier.
Muito obrigada, Manuel. Foi um gosto recebê-lo aqui na Rádio Observador. Estou certa que a partir de hoje os nossos ouvintes vão se lembrar que sim, a água tem sabor. E que no caso da Vimeiro original, o seu sabor distinto é a prova da sua composição mineral rica e única, não é?
Sem dúvida.
Este episódio do podcast Claro como Água, da iniciativa Vimeiro Explica, está disponível também em todas as plataformas de podcast, juntamente com as edições anteriores. Portanto, voltamos daqui a 15 dias e já sabe, não se esqueça de se hidratar e de beber água todos os dias, todo o dia. E agora quero partilhar aqui uma curiosidade consigo. Vamos lá ver se sabe esta.
Diga.
Quando uma pessoa começa a sentir sede, Manuel, o seu corpo já perdeu 1% da sua quantidade total de água. Significa, portanto, que o seu corpo já se encontra num estado ligeiro de desidratação. É por isso que é tão importante bebermos água várias vezes ao longo do dia, mesmo sem sentirmos sede.
É verdade.
E de preferência várias, não é?
É verdade. E a grande importância da água é que na roda dos alimentos, a água está no centro.
Bem visto.
É fundamental, seja qual for o tipo de alimentação que façamos, sempre hidratar.
Sempre hidratar, sempre água.
Sempre água.
Eu peço sempre um café com água. É curioso.
E o que nós vamos fazer aqui é uma harmonização de uma água lisa e de uma água gasocarbônica, neste caso vamos fazer com Vitalis e com Pedras e com café. Por isso, o que eu lhe vou pedir é: beba um golinho do café.
Ok, sim.
E a seguir, beba um golinho da água lisa.
Uma qualquer?
Não, da Vitalis.
Ok, está bem.
É igual.
O café está frio, mas não faz mal. Eu também gosto. Sim, parece que limpou tudo. Mas deixa um bocadinho de sabor ao café. Engraçado.
Agora, faça isso, outra vez um golinho de café e com a gasocarbônica.
Qualquer uma delas?
Não, com a primeira que provámos.
Com a primeira. O que eu mais gosto? Eu gostei mais desta.
Pronto.
É gosto pessoal.
A sensação é igual?
Não, mesmo o sabor que fica do café é diferente. O da água lisa, a primeira, parece que fica um sabor mau de café.
Fica a adstringência.
Era isto que eu queria dizer, adstringência.
Aquele sabor forte sai e fica só o aroma.
Pois é.
Isto para lhe provar que escolher a água certa para o alimento que estamos a consumir, pode fazer toda a diferença na forma como vamos percepcionar.
Principalmente o sabor que fica. Porque a água não se sobrepõe propriamente a nenhum sabor, mas pode potenciar. Adstringência, era isso que eu queria dizer. É adstringência. Isso é uma palavra que eu não conhecia. Gosto. Sim, eu gosto da água gasocarbônica. Vou agora fazer isso com a outra. Com a segunda, com gás.
Não é tão forte.
Parece que é mais doce. E eu que não gosto de açúcar no café, que não tem nada a ver, prefiro a gasocarbônica.
Repare, eu escolhi estas duas para fazer esta experiência, porque sei que o efeito é maior.
Não, nota-se bem a diferença.
Dependendo do tipo de água, a diferença será diferente.
Agora vou à Vimeiro.
Muito bem.
Também não deixa tanto aquele sabor como deixa a Vitalis, a primeira, a lisa com menos mineral. Parece que até a segunda, ou seja, ao beber café e depois uma água mineral, muito mineralizada.
Ainda fica algum.
Fica, mas parece que fica menos mineralizada a água.
Mas não tão forte como acontece com a outra que provámos antes.
Sim, parece que vai pior com água pouco mineral, o café.
Não vai pior, o efeito é diferente.
Pelo menos eu não gosto tanto. Sim, parece que estou a beber café demasiado passado.
Certo.
E o meu já está frio. Curioso.
Por isso é que faz diferença a água. E estamos a falar do café. Quando estamos a seleccionar uma água para uma refeição inteira.
E até para o vinho.
Há águas-
Isto é muito interessante
...que cá em Portugal não tem nenhuma desse género. Mas na Alemanha provei águas com vinho, em que o vinho era ótimo e ficava péssimo, só com a diferença da água que estávamos a beber.
Isso é extraordinário. Eu gosto muito, isto parece um jogo, quase.
E é.
E é. É a sua profissão. É divertido, sim.
É giro saber que podemos trazer isto tudo para dentro de casa e experimentar em casa e ver como é que combinamos as coisas. E acho que a base, voltamos ao que disse há pouco, é habituarem-se a ler os rótulos das águas e perceberem o que estão a levar para casa em cada água. Isso é fundamental.
A água tem muito que se lhe diga. Isto é mesmo curioso, esta harmonização, esta combinação de sabores. Eu gostava de tirar um cursinho. Ainda vou a tempo, tenho 36. Não vou a tempo?
Tem a vida inteira.
Não tenho que primeiro tirar um curso de hidro...?
Não.
Hidro?
Não, na hidrogeologia, não.
Subiu-me à cabeça a água.
Das associações a que eu pertenço, eu sou acho que o único hidrogeólogo.
Pois, e sommelier de águas. Não há?
Há muitos.
Há muitos? Mas o Manuel é o primeiro.
Em Portugal.
Ora!
Em Portugal. Muito bem.
Gostei muito, obrigada, Manuel.
Obrigado eu.