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10h14, Código Postal de hoje. Viajamos até Santarém para conhecermos melhor Casével e traz-nos, Diogo Teixeira Pereira, uma história que serve de retrato para muitas terras portuguesas, mas também de alerta.
Bom dia. Hoje não vamos muito longe, vamos até Santarém, aqui bem perto, e vamos olhar para uma onda de assaltos que tem assolado a pequena freguesia de Casével, precisamente em Santarém. O alerta foi dado na página de Facebook da autarquia há precisamente uma semana e dava conta de vários roubos que têm acontecido nas casas da região.
E o que é que sabemos sobre esses roubos, Diogo?
Fomos falar com o presidente da Junta de União de Freguesias de Casével e Vaqueiros, Miguel Tomás, que nos contou tudo aquilo que já se sabe, por enquanto, nos últimos dias. Foram já denunciados pelo menos quatro assaltos e não há ainda suspeitos de quem possa estar por trás disto.
Mas houve alguma gravidade, feridos, alguém se magoou por causa desses roubos?
Não, felizmente ninguém se magoou com estes assaltos, até porque têm sido feitos maioritariamente em casas abandonadas ou de segunda habitação. E é isso que nos leva ao outro lado desta história e que não é comum à freguesia de Casével, e que só é comum, aliás, à freguesia de Casével. Para o presidente da Junta, Miguel Tomás, esta onda de assaltos tem uma grande justificação. Vamos ouvir qual é.
Na minha modesta opinião, não sou jurista nem tenho nenhum conhecimento dentro da criminalidade, mas para mim, o principal problema, ou seja, a doença crônica desta freguesia neste momento é a desertificação e o isolamento da população idosa. E depois, o que é que isso provoca? Provoca que as casas estão mais isoladas, outras pessoas estão mais isoladas e provoca que haja mais assaltos e que haja maior tendência para haver assaltos se não há o policiamento de proximidade.
A desertificação. Com cada vez menos gente a morar nestas pequenas aldeias e vilas, há quem aproveite para cometer estes crimes e tentar lucrar com isso. No caso de Casével, é mesmo notória e gritante a diminuição da população. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, Casével tinha em 2011, o ano dos últimos censos, 864 habitantes, o número mais baixo desde 1864, ou seja, dos últimos 150 anos. O presidente, Miguel Tomás, diz também que este caso serve para mostrar que este já não é apenas um problema do interior, mas também das pequenas regiões do litoral e centro.
Quando falamos em desertificação e quando falamos no isolamento da população, olhamos se calhar mais para o Alentejo e para as zonas do Alentejo. Mas eu pertenço ao concelho de Santarém, esta união destas duas freguesias que pertencem ao concelho de Santarém, e neste momento, já é a única freguesia considerada de baixa densidade já dentro do concelho de Santarém. Ou seja, isto já não é algo que acontece só mais no chamado interior alentejano, ou seja, aquela zona ali mais do Algarve, Alentejo, etc. Mesmo no próprio distrito de Santarém, neste caso, no concelho de Santarém, também já existe a desertificação.
Um problema por demais evidente e que se está a alastrar a distritos e regiões do país que não costumavam passar por isto.
Diogo, um problema que tem afetado esta freguesia. O que é possível fazer para corrigir esta diminuição da população e também o isolamento dos mais idosos?
O presidente Miguel Tomás deu-nos como exemplo um autocarro que foi criado exclusivamente para levar idosos aos centros de saúde, mas também a criação de aulas de ginástica para os mais velhos, para que se sintam mais fortes e tenham mais ocupação. Mas as medidas não se ficam pelos idosos. Para o presidente da Junta de Casével, há que fazer com que os mais novos também fiquem e regressem à terra.
O IVA sobre a reconstrução de casas é só 6%. Existem alguns benefícios fiscais em termos de IRS, IMI, etc., para quem reconstruir casa. Nesse sentido, já estamos a dar um passo, mesmo quem não queira construir de raiz, mas para quem queira reconstruir, estamos a dar um passo com incentivos fiscais e uma taxa de IRS, perdão, uma taxa de IVA de 6%. Estamos a dar também um incentivo para que alguns jovens possam reconstruir e possam fixar-se na freguesia.
Os incentivos da União de Freguesias de Casével e Vaqueiros para que mais jovens cheguem à região, medidas que querem trazer mais vida e mais segurança à freguesia. Enquanto ela não chega, há que ter presente algumas recomendações para quem está mais isolado e suscetível aos assaltos que têm acontecido.
Nós estamos numa zona rural e as pessoas aqui facilitam às vezes um bocadinho, vão à casa da vizinha, deixam a porta aberta, estacionam o carro e não fecham logo, vão buscar qualquer coisa à arrecadação ou anexo e não fecham logo. Estamos a pedir às pessoas que não facilitam, que tenham um especial cuidado nas suas residências, nos seus anexos agrícolas, etc. Portanto, não facilitem e dificultem ao máximo a tarefa daqueles que vêm para furtar algo.
Não vale a pena facilitar, mas também é importante estar atento a alguns comportamentos de risco junto das casas. E aqui estas recomendações do presidente Miguel Tomás contam para Casével, nestas semanas de assaltos e roubos, mas também para tantas outras terras por Portugal inteiro.
Diogo Teixeira Pereira, hoje conhecemos melhor Casével, perto de Santarém, no nosso Código Postal desta quarta-feira. Amanhã vamos para outras paragens, sempre depois do Jornal das 10.
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