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Este é o som da comissão de inquérito das manhãs 360 hoje. A nossa convidada, Patrícia Gonçalves, do LIVRE. Bom dia, bem-vinda.

Muito bom dia.

Já recuperou o fôlego. Andou a fazer piscinas por Lisboa. Isso quando não se vira ali na primeira à esquerda e depois mete-se na rotunda.

Acabou, está tudo estragado.

Tudo estragado. Conhece o programa?

Conheço.

Pronto, então não é preciso dizer que são cinco perguntas. Vamos lá a uma simples pra começar. Quem disse: "Apoiarei sempre um candidato que esteja contra aquele candidato que quer acabar com a nossa República."

Ui.

"Apoiarei sempre um candidato que esteja contra aquele candidato que quer acabar com a nossa República."

Vamos lá por partes. Qual é o candidato que quer acabar com a nossa República?

E depois quem é que diria.

Quem é que poderia dizer isto sobre alguém?

É o meu candidato que disse?

Quem é o seu candidato?

O Jorge Pinto.

Foi, sim, senhora.

Foi, sim, senhora.

Patrícia Gonçalves, Jorge Pinto tem surgido nos últimos lugares das sondagens. Não teria sido importante nomes como Rui Tavares, Isabel Mendes Lopes terem estado em campanha ao lado do candidato apoiado pelo partido, ou não faria diferença?

Mas estiveram em campanha ao lado do candidato apoiado pelo partido, o Rui Tavares e a Isabel Mendes Lopes. Ainda domingo passado houve um comício em Coimbra em que esteve a Isabel e Rui. Ainda no sábado houve um comício em Almada. Sábado, não, sexta-feira à noite. Esteve lá o Rui, estive lá eu, esteve o Paulo Muacho. Temos estado sempre, temos estado a revezar-nos, a fazer o nosso trabalho no Parlamento e a acompanhar o Jorge Pinto na sua campanha, que tem sido uma campanha muito interessante.

Então, o que está a falhar para que os resultados sejam estes, pelo menos das sondagens? Não quer dizer que no domingo seja assim.

Nós temos andado a acompanhar sondagens que não são bem sondagens. São aquelas tracking polls.

Sim, agora já.

Agora já começaram a sair, mas os resultados no início da campanha começaram a ser muito condicionados por estas tracking polls. E são tracking polls, são 600 pessoas, 200 mudam todos os dias. Não sei se vocês sabem, eu sou física.

Sabemos.

Eu faço muitas contas e a incerteza associada a 200 pessoas é muito grande a margem de erro. São aí uns 7%. E as 600 também acaba por ser da ordem dos 3,5.

Quanto mais baixa a amostra, maior é.

Maior a incerteza. E portanto, o que acontece é que nós estamos numa campanha e numa tracking poll que nos está a dar aqueles resultados dos empates, estão todos empatados, mas é porque eles estão todos dentro da margem de erro.

Certo.

Jorge Pinto e os outros candidatos de esquerda estão, de facto, com intenções de voto mais baixas, mas isso é um momento neste país que estamos a passar, que penso que é propício para que isso aconteça assim. No caso do Jorge Pinto, era um candidato que as pessoas não conheciam. As pessoas conhecem a Catarina Martins, as pessoas conhecem o António Filipe, foi deputado durante muitos anos. Da altura até era o deputado mais velho da Assembleia da República. E o Jorge Pinto não tinha essa notoriedade. E eu acho que tem sido uma surpresa muito agradável a prestação do Jorge Pinto na campanha e o que ele tem dito e o que ele tem trazido à discussão e a debate.

Desculpe interrompê-la, vai recuperando o fôlego. O fato de ser um candidato não conhecido dos eleitores não era, à partida, uma escolha que nunca poderia dar luta, ambicionar ter mais votação.

O Jorge Pinto foi o último candidato a avançar para as eleições. Nós andámos muito tempo a tentar perceber se haveria alguém que avançasse à esquerda, que fosse uma solução mais consensual, que pudesse ser apoiada por mais forças de esquerda. E o Jorge Pinto, naquela altura, avançou porque de facto não surgiu mais ninguém que pudesse vir trazer certas preocupações que ele tem, e que nós no LIVRE também temos, sobre a política nacional e internacional. E ele tem trazido essas preocupações, nomeadamente a da alteração possível de uma revisão da Constituição feita só com forças da direita, e foi ele que trouxe essa discussão para o debate. À discussão da regionalização também. Ele traz essa discussão para o debate e, portanto, é muito importante trazer estes temas, que vão ser fundamentais no mandato do próximo presidente. E não tínhamos nenhum candidato ou candidata que viesse a palco trazer estes temas à discussão.

Portanto, valeu a pena, independentemente do resultado que venha a ter.

Valeu a pena, claramente. Os temas foram postos na mesa. O Jorge Pinto, neste momento, as pessoas sabem quem ele é, percebem que ele tem um contributo a dar para o nosso país e pra política nacional. Se não for desta vez, ele vai continuar. Ele está aí, ele é deputado no Parlamento, mas ele está em força, eu apoio. E ele é uma pessoa que eu conheço há muitos anos e é muito consistente politicamente. E penso que as pessoas estão a ver isso nesta campanha e viram também nos debates.

Muito bem, seguimos em frente. Cinco pontos. Isto é começar muito bem, com o pé direito ou esquerdo, se quiser, no seu caso.

Os dois.

Os dois.

Os pés nós precisamos dos dois.

Pro equilíbrio, não é?

Muito bem, vamos então seguir. E a segunda questão é esta: em que ano é que houve pela última vez uma segunda volta nas eleições presidenciais? Esta é fácil.

Ah, então isso foi em 1986.

Claro. Toda a gente agora se lembrou.

Pela última e pela primeira.

Pela última e pela primeira, exatamente. Olhando agora para uma possível, quase certa segunda volta também agora, que dilemas é que se podem colocar ao LIVRE nessa segunda volta? Vamos imaginar Ventura Cotrim.

Bom, o problema do João Cotrim de Figueiredo é que ele durante esta campanha tem revelado que, afinal, talvez não seja um representante da direita democrática. Quando ele se enganou, diz ele, e disse que apoiaria o Ventura Muita gente ficou muito estarrecida a pensar: "Mas o que é isto?" Depois ele veio dizer que se enganou e que não sabia o que aquilo lhe passou pela cabeça. Também é natural, os candidatos andam cansados com a campanha e às vezes sai-lhes assim.

Coisas que eles não querem.

Coisas que eles provavelmente não querem que saia, mas isso é revelador de algo que nós não estávamos à espera. Isso é um dilema enorme. Se passar André Ventura e Cotrim, mas André Ventura é uma pessoa que quer destruir o regime estando na Assembleia da República e estando por dentro, quer provar que nós precisamos de um homem forte. Não precisamos, precisamos é de todos pensar em conjunto e portanto claro que seria um dilema muito difícil. Eu penso que isso não vai acontecer.

Acha que pode haver outro candidato ou outros candidatos que passam à segunda volta?

Penso que sim.

Por exemplo, Marques Mendes Ventura já era mais fácil, partindo do princípio que o Livre pode aconselhar ou pode não dizer nada, evidente, na segunda volta.

Pode não dizer nada.

Já definiram alguma-

Não, o Livre não funciona assim.

Então.

Quando o Jorge Pinto chegou à frente, fizemos uma consulta e as pessoas do Livre entenderam, na sua maioria, que o deveríamos apoiar. Agora, quando haver uma segunda volta, as pessoas pensarão, nós faremos debate interno, mas não há indicações de voto do partido. Vamos ver o que vai acontecer, mas as pessoas são inteligentes.

Votar em Seguro numa segunda volta será um sapo ou um sapinho?

Não é nem um sapo, nem um sapinho. Nós votaremos nos candidatos que têm ideias sobre a democracia que nós achamos que são importantes e que devem ser defendidas.

Corrija-me, Patrícia, se estiver enganado, mas creio que alguns dos militantes do Livre chegaram a incluir o nome de António José Seguro como uma das possibilidades de apoio.

Sim, de facto, na consulta interna que fizemos, o António José Seguro, dos candidatos que não pertencem ao Livre, que não estão na área política do Livre, que foram escolhidos pelas pessoas, António José Seguro era o candidato com maior votação.

Portanto, não será um sacrifício numa segunda volta votar em António José Seguro.

O sacrifício é não votarmos em Jorge Pinto na segunda volta, se ele não lá estiver. Isso é que será um sacrifício.

Muito bem, vamos avançar para a terceira pergunta, esta relacionada com autarquias e com eleições do ano passado.

Já está a girar os olhos a Patrícia.

Quantos deputados municipais obteve em Lisboa a coligação PS, BE, Livre e PAN?

Eu devia saber isso, porque eu estive tão envolvida na campanha, mas eu acho que já me esqueci. 16? Está mal.

Quer uma ajuda?

Quero.

Então, seis, oito ou nove?

Só? Deputados municipais?

Deixe-me ver.

Será que fugiu aqui um número?

Olhe que não.

Olhe que não.

Então... Vereadores? Será vereadores.

Vereadores foram seis.

Seis, está certíssimo, claro. Não deputados municipais, vereadores. Está certo. Nesse caso, nas eleições autárquicas houve uma coligação, ao contrário do que acontece agora nas presidenciais, em que o Livre tem um candidato que apoia claramente. Foi um erro essa coligação?

De todo. Foi muito importante fazermos essa coligação em Lisboa para as autárquicas, assim como foi muito importante noutros locais do país onde fizemos, e foi triste não termos feito no Porto, por exemplo, ou em Braga, porque teríamos hipótese da câmara não estar à direita, as câmaras, nesse caso. Como por exemplo, em Coimbra fizemos, e a coligação ganhou a câmara.

O resultado ficou aquém das expectativas.

Isso é outra conversa.

Então vamos ter essa conversa.

Sim, eu costumo comentar em conversa e quando discutimos esse assunto, que é surpreendente, como é que é possível, depois de um mandato tão mau de Carlos Moedas entre 2021 e 2025, que ele tenha conseguido ganhar a câmara de novo.

É porque, porventura, os eleitores não acham que tenha sido assim tão mau.

Eu fui vereadora em substituição do Rui Tavares na Câmara Municipal de Lisboa, fiz muitas reuniões, fiz muito trabalho autárquico e a minha opinião é que o trabalho foi muito mau. A cidade foi muito negligenciada. Eu hoje demorei tanto tempo para chegar aqui e uma das razões pelas quais eu também tenho que andar de carro muitas vezes é porque os transportes públicos não foram acarinhados. Temos muitos problemas para resolver do ponto de vista de andar na rua. A rua não está feita para as pessoas andarem, andar nos transportes públicos, se deslocarem. Isto é um exemplo. Nós lutamos muito para termos a mobilidade ciclável. Foi sempre uma luta enorme, um mandato inteiro com as ciclovias a serem descomissionadas, em inglês.

Patrícia Fonseca, mas sendo isso, de facto, a essa pergunta: por que Carlos Moedas vence as eleições?

Por que ele vence as eleições? Eu penso que vence as eleições por duas razões. Penso que há muitas pessoas que, se calhar, votariam mais à esquerda, não estão a viver em Lisboa, já foram viver para outros sítios porque as casas estão caríssimas, as rendas estão caríssimas, temos um problema gravíssimo de habitação em Lisboa. E depois há outra questão que é: as forças de esquerda não se uniram realmente todas a favor de outro tipo de política, gosto mais de dizer assim, para a cidade.

Culpa da CDU.

Não, não é culpa da CDU, foi uma série de fatores que se juntaram. Alexandra Leitão esforçou-se, fez um trabalho bom, ela é uma boa candidata, mas foi uma altura muito difícil e acabamos por não conseguir ganhar a câmara, por muita pena minha.

Ligando agora dois pontos, nesta lógica toda da união da esquerda, não temem na segunda-feira a esquerda, de uma forma genérica, arrepender-se de não terem feito mais um esforço para ter um candidato?

Nós não nos vamos arrepender, porque nós esperámos até o fim para perceber do nosso espaço quem é que avançaria. Como eu já disse, não conseguimos um candidato.

Não houve respostas do PS, do Bloco e do PCP.

O PCP avançou primeiro, depois avançou o Bloco e entretanto nós tínhamos que decidir que havia alguém entre nós que quereria avançar, poderia avançar e gostaria de avançar para pôr as suas ideias. O Jorge Pinto era uma pessoa que tinha essa vontade e avançou. Mas penso que aqui não há arrependimentos, as pessoas fazem as escolhas que têm a fazer e vamos ver na segunda-feira a situação em que estamos.

A próxima pergunta está muito ligada a isto que está aqui a contar, Patrícia. Está com 15 pontos. E esta também vai ser de caras. Que obra tornou famosa a frase: "Prolétarios de todos os países, uni-vos"?

A sério? O Capital? Não. Já estou toda baralhada.

É melhor pedir ajuda.

É melhor pedir ajuda.

O Capital, O Manifesto Comunista ou Por Quem os Sinos Dobram?

É o Manifesto.

É o Manifesto.

Foi uma branca.

Não foi uma branca, foi uma confusão.

Foi uma confusão. A esquerda está em crise porque não está unida, porque não se tem unido, como estava a tentar explicar, quer nas autárquicas em Lisboa, quer também na forma como se organizou para as presidenciais, ou como não se organizou.

A esquerda uniu-se nas autárquicas em Lisboa. Houve um partido que não se juntou, mas a esquerda uniu-se. E é possível unir a esquerda, mas é natural que os partidos de esquerda existam porque têm visões diferentes também e defendem ideias diferentes, como também há diversos partidos à direita que nós não estamos aqui a discutir se eles se devem unir ou não.

Porque têm uma grande expressão eleitoral e neste momento os da esquerda não.

Exato. O problema neste momento é esse, há uns anos não era. Estas coisas mudam, a política é muito dinâmica e nós hoje falamos como se fosse um fatalismo a situação que nós temos de direita e esquerda permanecer assim durante muitos anos, mas nós nunca sabemos o que é que vai acontecer daqui a um ano, ou dois, ou três. E nós lutamos sempre e trabalhamos em política para que as pessoas compreendam as nossas ideias e consigam compreender o que queremos fazer. Portanto, a união da esquerda é importante. Aliás, o LIVRE foi criado naquela altura, aqui há 12 anos, para tentar dizer à esquerda: "Olhem, a direita quando precisa, falam todos uns com os outros e unem-se." Nós também temos que fazer isso, porque senão a direita vai se unir e nós não vamos conseguir por as nossas ideias em prática.

Mas a esquerda uniu-se.

E a esquerda uniu-se. Com a geringonça.

Exato. E depois separou-se, quase. Tornou-se mais residual, exceção para o LIVRE, mas ainda assim é pouco decisivo, pelas contas.

Isso será um caso de estudo durante muitos anos. A razão pela qual a geringonça, que foi o governo do país. Quer dizer, era o PS que estava no governo, e eu penso que um grande erro foi ser um acordo parlamentar e não haver uma coligação a sério e não haver ministros dos outros partidos de esquerda no governo. Penso que teria sido muito diferente.

E esse não assumir de responsabilidades governativas pode ter minado, a médio prazo, essa união entre as esquerdas? Seria diferente se tivesse havido ministros dos outros dois partidos?

Eu penso que seria diferente se tivesse havido ministros dos outros dois partidos, porque a responsabilidade que as pessoas têm também traz mais conhecimento sobre o que se está a passar e traz também uma gestão diferente das coisas.

A certa altura, parece que tínhamos o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista a reivindicar, a reclamar para si aquilo que tinham sido os bons resultados da política do governo e a culpar o governo pelos maus resultados. Isso contribuiu para a desunião.

São as duas coisas, mas a questão é que se eles estivessem no governo, seria muito diferente. E penso que uma solução com uma coligação no governo podia ter tido um resultado muito diferente. Aliás, as políticas do governo também seriam necessariamente diferentes, porque não é só com acordo parlamentar. Quero acrescentar outra coisa. O acordo da geringonça não foi feito entre os três. Foi feito entre cada partido à esquerda do PS e o PS. E isso também não ajudou a que o acordo pudesse ser mais forte e que as políticas pudessem ser mais alinhadas e que as pessoas estivessem todas mais no mesmo barco, muito embora, eu quero lembrar que se nós formos perguntar às pessoas, essa altura foi uma altura em que as pessoas se sentiram melhor com o governo dos últimos tempos.

De qualquer forma, mesmo à esquerda nem tudo é igual e o LIVRE, contra corrente, subiu bastante nas últimas eleições. Há aqui uma oportunidade política para o LIVRE, claramente. Isto é, podem vir a substituir, ou sentem que já estão a substituir, um espaço que era do Bloco de Esquerda e eventualmente do PS ou PCP?

Nós não olhamos para a situação assim.

São muito bonzinhos. Com a concorrência à esquerda, digo eu.

Não, não olhamos para a situação assim, porque como eu estava a dizer, somos forças políticas que são diferentes e nós não temos intenção de substituir as forças políticas à nossa esquerda. O que nós queremos é fazer uma política de esquerda que ninguém faz neste país e que não se faz. É uma política de esquerda que quer defender uma Europa unida, mas diferente daquela que nós temos hoje. Assumido claramente, que tem sido um tema que não foi assumido claramente nunca, nem pelo Bloco, nem pelo PCP. Temos a parte da ecologia, temos uma capacidade e uma vontade de chegar a entendimentos com as outras forças políticas progressistas. Nós temos uma forma de olhar pra política diferente, é um partido novo, foi fundado há 12 anos e não temos a carga dos outros partidos de esquerda, muito embora o Bloco também não tenha vindo de 75, mas uniu algumas forças de esquerda que vieram dessa altura. E nós temos outra forma de olhar pra política e de fazer política, e nós queremos é olhar pro futuro. Queremos dar esperança às pessoas, dizer que é possível vivermos todos muito melhor, mas pra isso temos que estar todos muito mais envolvidos também na atividade política. E uma coisa muito importante é que a decisão em política também seja baseada em evidência científica. Isso pra mim é fundamental.

Ótimo.

Na mesma deixa.

Deixa pra última pergunta. Não vamos olhar pro futuro, vamos olhar pro passado. E a pergunta é: quem foi o primeiro vencedor do Prêmio Nobel da Física?

O primeiro?

O primeiro.

Que perguntas. Sabem que eu não decoro coisas, porque em física nós temos que saber tanta coisa.

Tem que se perceber, não é decorar.

Nós aprendemos a pensar, não aprendemos a decorar.

Então eu vou dar uma pista.

Pra poder pensar.

Pra poder pensar. Foi o inventor dos raios X.

inventor, não. Quem descobriu.

Quem descobriu.

Então, se está certa a sua informação, foi o Röntgen.

Está certo.

Muito bom.

Isso agora foi uma abada.

Merecia mais dois pontos pelo menos. Como é fazer ciência em Portugal?

Fazer ciência em Portugal é ótimo, é muito bom. É uma atividade que quando nós queremos descobrir e saber mais sobre o mundo, e o podemos fazer, e conseguimos contribuir pra avançar o conhecimento de alguma forma, dá uma grande satisfação. Depois, na área em que eu trabalho, neste momento estou no Parlamento, mas eu trabalhei em grandes colaborações internacionais e, portanto, nomeadamente nas experiências do CERN, do Laboratório Europeu de Física de Partículas, e foi aí que fiz a minha tese de doutoramento.

Estava a pensar numa pergunta sobre o Bosão de Higgs.

Pode fazer.

Não, agora já não.

Não. Mas isto é muito importante pra dizer. A ciência é universal, é internacional, nós não estamos no nosso cantinho a fazer ciência. E o que é muito interessante nessas colaborações internacionais é que se ganha muito o mundo, porque se fala com muita gente diferente, porque falamos com pessoas de todo o mundo, colaboramos cientificamente e trabalhamos com elas, junto a elas, e aprende-se a fazer esta união e este equilíbrio. E eu acho que também trago isso para a política e no LIVRE também tentamos fazer isso, aí vejo uma analogia. Mas fazer ciência em Portugal tem sido difícil, porque nós precisamos de financiamentos mais estáveis, mais previsíveis, porque é importante, o dinheiro é importante pra tudo, pra conseguirmos programar a nossa vida, contratar os nossos investigadores e conseguir que o nosso trabalho continue a ser consistente. Vamos ver como vai continuar, mas tem sido uma satisfação e uma luta, como o LIVRE.

Sai daqui sem lhe fazer uma pergunta sobre o Barreiro.

O Barreiro.

Fica pra uma próxima. Patrícia Gonçalves, não precisa decorar, pode ir pensar nos 22 pontos.

Está bem, vou aqui na comissão de inquérito.

Foi ótimo.

Obrigada por ter aceitado o nosso convite. Obrigada.

Muito obrigado. Bom dia.