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Só o que acontecer. Está no ar a conferência de imprensa, altura em que destacamos histórias ou artigos da imprensa nacional ou internacional. Luiz.

A notícia da morte do Diogo Jota apanhou-nos a todos desprevenidos. De resto, ontem estávamos preparados para falar, sobretudo, do julgamento da Operação Marquês quando fomos confrontados com a notícia. E ela não escapa nem aos jornais norte-americanos. Eu li um artigo na seção do desporto do New York Times, e este o título: "Por que razão Diogo Jota era muito mais do que apenas um jogador de futebol?". E o artigo começa logo com uma frase muito forte: "Este deveria ter sido o verão da vida de Diogo Jota." O jornal lembra que o jogador português tinha acabado de conquistar o primeiro título do Campeonato Inglês com o Liverpool, clube que serviu, diz o jornal, com distinção desde 2020. Menos de um mês depois, ele estava a levantar outro troféu, a Liga das Nações da UEFA. Além disso, tinha se casado com a companheira de 13 anos, estava ansioso para retornar a Liverpool na próxima semana para o início dos treinos da pré-temporada. Mas então, explica o jornal, veio essa reviravolta mais cruel com o acidente e também a morte na estrada. Notícia que deixou o futebol em choque. Jota tinha apenas 28 anos, estava no auge de uma carreira que já lhe tinha rendido cinco títulos importantes para o clube e para a seleção. Ele teria sido, diz o jornal, um jogador fundamental para uma seleção portuguesa de altíssima cotação no Campeonato do Mundo.

É isso que está para vir.

Exatamente, o Campeonato do Mundo do ano que vem. Em vez disso, a história de Diogo Jota foi tragicamente interrompida. O New York Times conta que Jota era um atacante talentoso, versátil, com uma gama de atributos, e elenca alguns: inteligente, driblava com facilidade, era difícil de parar, além de ser um goleador na área. Mas lá está, o futebol era apenas uma parte da história.

Sim, falou-se muito sobre a pessoa em si, a pessoa que ele era.

Fora do campo.

Sim, fora do campo.

E o jornal conta que o Diogo Jota era amado não apenas pela destreza como jogador, mas também pela cordialidade e pela simpatia como ser humano. Há aqui declarações, por exemplo, de Darwin Núñez, companheiro no Liverpool, diz que sempre se lembraria do sorriso de Jota como um bom companheiro dentro e fora de campo. De resto, neste longo artigo, o jornal recorda a carreira do Diogo Jota. Logo desde o Conde Mar, desde muito pequeno, passando pelo Paços de Ferreira, e fala também dos bastidores do futebol, onde, diz o jornal, o Diogo Jota era universalmente querido e universalmente admirado. Diz que era um jogador, que era um profissional supremo, que nunca causou problemas ao técnico e era popular junto de todos os colegas, mas mais próximo, provavelmente por uma questão até cultural, dos atletas sul-americanos do Liverpool, por exemplo, o uruguaio Núñez, o colombiano Luis Díaz, com quem sentava ao lado no vestiário. Também o argentino Alexis Mac Allister. Enfim, o jornal conclui que o desporto era a vida de Jota, mas que ele era um desportista moderno, sabia que as fraquezas não eram algo a temer e lembra que numa entrevista ao site do Liverpool, Diogo Jota até falou abertamente sobre a importância da saúde mental e também do uso de psicólogos de desempenho, e daí também esta nota de um desportista moderno.

E convivendo, com essa noção.

E com essa noção de que é importante. Tem esta frase final deste artigo do New York Times: "Tamanha franqueza e eloquência não são necessariamente típicas de um jogador da Premier League, mas, por outro lado, Diogo Jota não era típico em nenhum sentido". Acaba por ser aqui um pouco o resumo daquilo que era a vida deste jogador, aquilo que fica da vida do Diogo Jota. Uma vida que não era de todo típica de um jogador, não era um jogador típico. Está no New York Times, na seção de desporto.

E vamos continuar a falar sobre os jogadores ao longo da manhã, incluindo no Três Toques.