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Eu acho que Portugal tem bons inputs. Temos boas pessoas, temos bom talento, temos boas instituições. Falta-nos aquilo que é uma espécie de choque de gestão e de cultura naquilo que são as nossas empresas, naquilo que é as nossas instituições, aquilo que é o nosso governo. E para isso nós precisamos de pessoas que tenham uma qualificação que vai para além da técnica. Nós temos boas universidades a formar bons engenheiros, bons gestores, bons advogados. Se calhar falta-nos escolas a formar bons seres humanos, pessoas que sejam capazes de colaborar, que sejam capazes de olhar para as universidades e achar que as universidades e a academia são fundamentais para o país naquilo que é a ligação das empresas a estas instituições. Precisamos de instituições, governantes e líderes das instituições que tenham a coragem de ter uma colaboração mais ativa com aquilo que são as empresas e os cidadãos, e que sejam capazes de atuar, que desenvolvam modelos que sejam corajosamente colaborativos, porque não ser colaborativo é humano. O humano normalmente é mais individualista e nós nos últimos 20, 30 anos fomos essencialmente individualistas. Eu quero defender e quero que a minha empresa seja a melhor, mas para ela ser a melhor, ela precisa das outras. Eu quero que eu seja o melhor, mas eu preciso de colaborar com os outros. O país só prospera com uma maior colaboração, com uma maior capacidade das pessoas terem um diálogo. E para diálogo eu preciso de capacidades humanas, eu preciso que haja este discernimento, este julgamento melhor da realidade que eu tenho à minha frente. Portanto, eu diria que a ideia é nós termos um choque naquilo que são as nossas lideranças, que sejam para além de técnicas e para além de capazes de desenvolver bem o seu negócio, que sejam capazes de colaborar. E para isso, a cultura que nós temos enraizada na nossa sociedade precisa ser uma cultura que participe mais na proximidade com os outros, que veja na colaboração e na cooperação uma enorme mais-valia para desenvolver o que o país precisa. Portanto, para que o país possa ser um país onde tem essas condições maravilhosas de ter uma energia que é muito baseada no renovável, ou seja, que seja um país que tenha esta sustentabilidade, onde os resíduos ou desperdícios de uma fábrica são utilizados como matéria-prima na outra, que haja uma verdadeira economia circular. Como alguém dizia, o lixo é apenas um erro de design de uma fábrica e, portanto, que sejam capazes de fazer isso tudo ligado numa capacidade tecnológica e numa capacidade humana de melhorar a vida das pessoas que habitam neste país.
O Conselho Industrial dá voz a protagonistas importantes da economia portuguesa, que o Observador reuniu em torno da Cimeira da Indústria. É uma parceria com a AEMinho, com o apoio do Município de Braga, PwC, Tabaqueira, Siemens, Elior e Derichebourg Facility Services, Universidade Católica Portuguesa e BPI.