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8:20, hora de conhecermos o tema do Contracorrente. Depois já sabe que para entrar em direto só tem de nos ligar 91 002 41 85, número que também pode usar para nos enviar a sua mensagem de voz pelo WhatsApp. Se preferir, deixe os seus comentários nas redes sociais ou no nosso site. Carla. O Contracorrente começa hoje mais cedo, termina mais tarde e com um modelo diferente, isto porque vamos acompanhar a cerimónia da tomada de posse de António José Seguro, próximo Presidente da República. Vai ser uma oportunidade para tentar perceber como vai ser esse mandato. José Manuel, bom dia.

Bom dia.

Alguma ideia de como poderão ser estes novos tempos no Palácio de Belém e que implicações poderão ter?

Eu creio que à partida serão um pouquinho mais calmos, menos frenéticos, porventura e menos selfies ou melfies.

Melfies.

Admito que ele também tenha um tipo de intervenção menos comentarista, porque isso exige um tipo de presença que não está muito de acordo com o estilo dele. E vamos ficar à espera de alguns sinais que podem ser relevantes. O primeiro de todos, naturalmente, será o discurso de tomada de posse, o que é que ele disser ou não disser. O segundo sinal, que também acho muito importante, é ter noção do conjunto que vai ser a sua Casa Civil, portanto, as pessoas que vai escolher para o aconselharem. Há áreas em que isso pode ser bastante relevante. Com Marcelo Rebelo de Sousa, havia lá elementos que eram relevantes, mas no essencial não valia aquilo que tinha valido com outros presidentes da República, onde a Casa Civil e a Casa Militar, portanto, os conselheiros, tinham uma capacidade muitas vezes de influenciar o presidente relevante e de ajudá-lo nas suas decisões. Marcelo nisso era bastante mais solitário. Eu creio que com Seguro vamos regressar ao modelo anterior. E por fim, eu acho que aquilo que também vai ser importante vai ser perceber o que ele fará ou não fará quando chegar a Belém alguma legislação porventura mais sensível. Se bem que nós neste momento ainda não sabemos bem exatamente o que é que possa estar em causa. Por que eu digo isto? Porque alguma legislação mais sensível, por exemplo, as leis laborais, nós nem sequer temos nenhuma ideia do que é que possa vir a chegar a Belém. O trabalho decorre na concertação social. Há poucas conversas entre os partidos. Para haver um acordo, ficamos na dúvida onde é que esse acordo será feito. Será feito mais com os partidos à direita, mais um acordo de bloco central. Eu diria que isso também vai ser um pouquinho determinante para perceber que caminho quer levar o governo daqui pra frente na legislatura. Portanto, há sinais que vamos ter que esperar. Evento normal agora nestes dois dias de tomada de posse, agora prolonga-se por dois dias.

Sim, são dois dias.

Uma inovação de Marcelo e que Seguro vai prosseguir. Ele está em Lisboa, vai fazer um percurso pelo país, vai a uma zona deprimida do concelho de Aganil, vai a Guimarães também, vai ao Porto. Tentar fazer aquilo que é uma marca dos presidentes, que é não serem presidentes só de Lisboa, e ele desse ponto de vista pode trazer algo diferente, porque de facto ele não vive em Lisboa, e não vive em Lisboa por viver em Cascais. Não vive em Lisboa, ponto. Ele é originário de uma zona bem interior, Penamacor. Penamacor não é só um concelho que faz fronteira com Espanha, é um concelho que em muitos aspectos é uma zona que fica para lá das autoestradas, de alguma forma. Nem sequer é servida diretamente por nenhuma. Depois, é uma pessoa que optou por viver nas Caldas da Rainha, porque é casado com uma senhora das Caldas da Rainha, uma família antiga daquela região.

Estabeleceu-se lá ele próprio.

E ele acabou por se estabelecer lá, apesar de continuar dando aulas em Lisboa, e vinha a Lisboa, mas a sua vida, a sua casa, a sua morada é ali, e é ali que as pessoas muitas vezes se cruzavam com ele no mercado. As Caldas têm, e nós já fizemos um programa lá, tínhamos por trás de nós o mercado da fruta, e não muito longe, o mercado propriamente dito. Ele mora perto daí, as Caldas não é muito grande. E a ideia é que era uma pessoa comum, que se dava com as pessoas todas e muito tranquila. Agora, uma das coisas que ele não tem, e não teve na campanha, e não creio que vá ter, é aquela presença quase obsessiva de Marcelo Rebelo de Sousa. Eu acho que os últimos dois presidentes, no que diz respeito à sua presença pública, foram bastante contrastantes. Entre o Cavaco, que intervinha de forma muito mais cirúrgica, e que sempre foi assim, se repararmos, Cavaco Silva foi daquelas pessoas que sempre usou a palavra de forma parcimoniosa, sabendo que cada vez que falava isso tinha muito impacto. Mas ele trazia esse adquirido de antes, já era assim mesmo antes de chegar a Belém. O oposto para Marcelo, é alguém que chegou a Belém usando a palavra de forma muito pouco parcimoniosa. E agora temos António José Seguro, que também soube estar longe, mas cuja palavra em si, só por si, não tinha o impacto que tinha de Cavaco. Vamos ver como é que ele usa deste poder, porque o poder da palavra é um dos poderes do presidente. Porventura, às vezes até mais do que o poder de vetar ou não vetar, ou conversar ou não conversar com os governos.

Vamos esperar para ver.

Vamos esperar para ver, e sobretudo para ver que relação é que ele estabelece com Luís Montenegro, que vai ser muito relevante nesta fase.