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300 mil exames nacionais do 11º e 12º anos foram digitalizados, mas o sistema informático que permite a correção tem falhado de forma sistemática. O Ministério da Educação adiou exames e divulgação das notas. 17 de julho é a nova data pra divulgação dos resultados da primeira fase e também para sabermos se o ministro Fernando Alexandre resiste a esta crise. Bom dia, Helena Matos. O ministro já disse que assume a responsabilidade política do que está a acontecer, mas esta será uma polêmica que vai ter consequências?

Depende muito do que vai acontecer ou não no dia 17. No dia 17 de julho é a data agora apresentada por Fernando Alexandre como o dia em que sairão ou em que serão afixados os resultados dos exames e, portanto, tivemos aqui os adiamentos. Agora, 17 de julho, é esta a data. Dificilmente Fernando Alexandre poderá sobreviver a um novo falhanço na data indicada pra apresentação do resultado dos exames. Agora, temos de tirar algumas conclusões e hoje no Contracorrente vamos tentar muito perceber como é que é este sistema, o que é esta avaliação, esta correção digital, quais é que são as vantagens que traz, as desvantagens, os riscos. Porque, por um lado, nós temos de perceber que muito provavelmente estamos a viver aquilo que é inevitável. Não estou a dizer os erros, estou a dizer um processo que é normal numa evolução tecnológica. Ou seja, e nisso Fernando Alexandre tem sido também muito claro, não há, segundo ele, marcha atrás. Portanto, a possibilidade de voltarmos ao papel e lápis não existe. O futuro passará por esta correção digital. Vamos ver se isto é ou não um dado adquirido. Há países que fazem a correção em lápis e caneta, em caneta e papel. Quando eu disse papel e lápis não é correto, porque o lápis, em princípio, pode se apagar, não é um sistema seguro. Estamos a falar de caneta e papel. Também queremos perceber, em primeiro lugar, se esta versão caneta e papel está mesmo remetida ao passado. Depois, temos de perceber se está, então estes sistemas tecnológicos, como é que podem falhar. E aqui este ano, o caso português tem vários momentos de falhanço e momentos diferentes. Temos sempre o problema da plataforma. Aí o ministro deu o exemplo do home banking. Quando nós todos estamos a tentar aceder, os problemas que temos na plataforma, mas nós não tivemos apenas o problema da plataforma. Tivemos também problemas tão simples quanto as páginas dos exames, porque um exame tem mais do que uma página, terem sido agrafadas e depois, como é óbvio, não se pode digitalizar folhas que estão agrafadas entre si, por exemplo, o que implicará tirar agrafos a milhares e milhares de exames. São desde problemas muito concretos, de circunstâncias que não tinham sido pensadas, aos problemas tecnológicos. Agora, se me perguntares, Luís, se no próximo ano letivo ou no seguinte, nós vamos ter novamente a correção digital, eu sou levada a crer que sim, mas vamos ver o que é que dirão os nossos convidados no Contracorrente. Agora, o que também se pode perguntar é se Fernando Alexandre, tendo em conta a reduzida experiência que Portugal tinha disto.

Teve alguma precipitação, não é?

Ele admite que talvez tenha tido excesso de ambição. Ou seja, o que é que acontece? O ano passado tinha havido uma experiência, tinha corrido genericamente bem, mas já lá estavam alguns dos problemas, e este ano avançou-se pra uma meta dos tais 300 mil exames, 11º, 12º ano. Sabendo que estes exames, para mais, têm impacto no acesso à faculdade, há aqui um impacto acrescido. Ou seja, os exames de 12º ano que são adiados, depois podem vir pra lá do problema das férias das famílias, vir a ter impactos, por exemplo, no ensino superior.

Em todo esse calendário.

Em todo este calendário. Há aqui uma pergunta que é: e se no dia 17 não se conseguirem afixar os resultados dos exames, muito mais importante que o destino do ministro, porque é uma pessoa que tem a sua carreira, tem os seus méritos, tem a sua vida. Há aqui uma questão: como é que se vai fazer? Vamos voltar ao papel e lápis? É claro que não há problemas com os 300 mil exames. O ministro fala, há aqui 20%, porque também houve problemas na distribuição dos exames ou no acesso dos professores, que são corretores, a estes exames. Para já, há aqui um adquirido, que eu espero que não se perca mais, e que é os alunos vão passar a ter acesso às suas provas. Por toda a insegurança que se gerou no processo deste ano, o ministério garante o acesso de todos os alunos às suas provas.

Isso é um passo importante?

É, porque antigamente só tinha acesso à prova quem queria fazer recurso. Era um processo que demorava ali um ou dois dias e tinha de se pagar A partir deste momento, o aluno passa a ter acesso à sua prova corrigida. Não tem de querer apresentar recurso. Na minha opinião, faz todo sentido que o aluno tenha acesso à sua prova corrigida e espero que, de todo este processo tão atribulado que estamos a viver este ano, ao menos esse adquirido fique para o futuro. Os alunos e as respetivas famílias têm esse direito, têm acesso à sua prova corrigida. Não é um segredo, não se tem de pedir recurso, pode querer saber como é que foi e por que é que foi, em que é que falhou, em que é que esteve bem. Hoje estamos aqui a tentar perceber se isto é mesmo o futuro, a correção digital, quais é que são as vantagens que tem. Não é apenas uma questão de tempo. Poderá haver, e eu acho que isso será um dos dados mais interessantes, critérios de maior justiça, por exemplo, mas depois perceberemos porquê. Agora temos um noticiário à nossa frente, não dá para explicar, mas perceber também se isto é mesmo o futuro. O ministro diz que não há possibilidade de voltar ao papel e caneta na correção. Vamos tentar perceber quais é que são os problemas técnicos que ainda se podem colocar, ultrapassado o extraordinário caso dos agrafos. Depois, se temos apenas problemas na forma como os professores corretores, porque também há aqui uma figura importante que este processo cria, que é o dos professores corretores, e saber se este processo também ainda pode falhar por aí. E depois temos a questão do próprio funcionamento das plataformas, do sucesso da ambição de Fernando Alexandre e depois, claro, para nós que somos mais destas coisas, se vai haver ou não uma crise política no governo. Por exemplo, se compararmos isto com os problemas na saúde e vemos como Ana Paula Martins tem resistido, se é algo que esteja ao mesmo nível de impacto no governo. É de tudo isto que vamos falar hoje no Contracorrente. E eu acho que vai ser um programa com pessoas que têm experiência em coordenar exames no ministério, de conceber plataformas. Acho que vai ser um programa com quem sabe do assunto e que já passou por momentos difíceis, de falhanço e também por momentos de sucesso.

Vai ser depois das 10:00. Até já, Helena.

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