Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

8:14, é hora de conhecermos o tema do Contracorrente. Para participar, só tem de ligar 91 002 41 85, mas também nos pode deixar a sua mensagem nas redes sociais, no site do Observador, ou então enviar-nos o seu áudio através do WhatsApp 91 002 41 85. Carla.

Ontem tivemos mais um debate quinzenal com o primeiro-ministro e, como se esperaria, falou-se mais de eleições presidenciais do que do estado da governação. No Contracorrente de hoje vamos fazer o contrário, vamos falar do estado da governação, até porque muitos diziam que o governo só começaria verdadeiramente a governar e a reformar o país depois de fechado o ciclo eleitoral. Com o que se sucedeu no domingo, será que isso é possível ou ficou mais complicado? E de que forma falamos quando falamos de reformas? Por que se espera que elas sejam mais do que uma sucessão de PowerPoint? De que problemas falamos quando dizemos que não chega governar à moda de António Costa? José Manuel, bom dia, queres dar exemplos disso?

Bom dia.

Bom dia.

O debate de ontem, falaremos disso um pouco mais adiante, nomeadamente no vencedor, deixou-me quase a pensar que o Rio tinha razão quando dizia que não era preciso debates todos os 15 dias. Em boa parte, talvez por causa das presidenciais, acabou por não se debater nada, mas os últimos não foram muito diferentes. Questões que sejam mais estruturais, que permitam ir um pouco mais a fundo, ou então também questões mais diretas. Mas independentemente disso, há uma notícia de ontem que voltou a chamar a atenção para o facto de Montenegro ter uma forma de governar que é muito parecida, em alguns aspetos, com a forma de governar de António Costa, que foi o anúncio de que vai haver uns subsídios ou uns apoios, uma coisa que ainda tem a ver com o Covid, de apoio à restauração. Eu interrogo-me, num país onde basta andar nas ruas para perceber que há restaurantes a abrir todos os dias, de repente é um setor que precisa de ser subsidiado. Um setor que começa a cobrar preços que são idênticos aos das capitais europeias, onde o salário mínimo é o dobro do nosso, e que depois nós sabemos que boa parte dos funcionários ganha o salário mínimo, por que precisam depois do Estado? Não entrarei a fundo, não discuti esse caso, mas acho que vale a pena olhar porque é que nós passámos os impactos presidenciais, temos a noção de que a solução que Montenegro queria não foi a que triunfou. Portanto, ele pelo menos não terá as condições que talvez desejasse ter para tranquilidade da governação. Não quer dizer que vá ter um presidente mais interventivo ou menos interventivo, veremos isso lá mais adiante. Mas há coisas que nós notamos é que depois não anda, depois não mexe, pelo menos não mexe como devia ter mexido, como achamos que devia mexer. E muitas vezes temos a noção de que todos nos vão dizendo pequenas coisas sobre os impostos, pequenas coisas sobre a saúde, pequenas coisas sobre educação, pequenas coisas sobre o Estado, pequenas coisas sobre isto e aquilo. E a sensação da população é que está tudo muito na mesma ou então gasta-se mais dinheiro e os resultados não se notam. E eu vou-te dar alguns exemplos. Eu ontem, para preparar este Contracorrente, resolvi usar um método, que foi: há um instituto, que é o Instituto Mais Liberdade, que publica com regularidade, não é sessão por dia, são várias por semana, pequenos gráficos onde sintetiza situações, dados comparativos de Portugal com o passado, com a Europa, com o mundo. Por exemplo, o gráfico mais recente é quem votou, como é que os candidatos nestas eleições conquistaram o voto por classe etária, por homens e mulheres, jovens e velhos, mais ricos, mais pobres, mais instruídos, menos instruídos, dados que saem daquele estudo pós-eleitoral e que nós ainda quase não vimos, mas ali já se pode ver. Eu olhei para alguns desses quadros e quase todos eles me chamaram a atenção para que, porventura, aquilo que tem vindo a ser feito, eu estou a dizer o porventura, é quase irônico, aquilo que tem vindo a ser feito de pouco tem servido. Por exemplo, na administração pública. Entre 2015 e 2024, o acesso à administração pública via internet, as pessoas que fizeram esse acesso passou de 43% da população para 65% da população, o que se considerarmos o total da população, os jovens e os mais idosos, que provavelmente não fazem isso, já é um número muito elevado. Então diríamos: bem, as pessoas estão a aceder pela internet e está tudo mais fácil. Portanto, seguramente a administração está a conseguir racionalizar a sua estrutura. Ora, quando nós vamos ver o número de funcionários das carreiras dirigentes, técnicas e administrativas da administração pública, nós estamos aqui a falar de médicos e professores, coisas assim, passaram de 327 mil para 378 mil, são mais 50 mil. Nós temos mais 50 mil funcionários administrativos, ou dirigentes, ou quadros da administração pública, numa altura em que, de facto, há mais tecnologia. Termos mais tecnologia não evitou que a administração pública engordasse e portanto, ao engordar, tornou-se naturalmente, ainda ontem foi aprovado um acordo com os sindicatos há quatro anos para valorização salarial. Eles não se podem queixar da parte da valorização salarial e aparentemente também não se podem queixar do número de funcionários. Nós é que nos queixamos, às vezes, daquilo que não Que não temos. Depois há um outro gráfico que talvez ajude a explicar isto, que é: usando dados da OCDE, quais são os pesos da OCDE com os serviços públicos mais centralizados. Portanto, pior que Portugal só a Turquia. Em termos de estar tudo na administração central, já não é bem tudo no Terreiro do Paço ou tudo no edifício sede da Caixa Geral de Depósitos, mas é isto que continuamos a ter. Um exemplo concreto, só para depois falarmos disso mais em detalhe, para as pessoas terem noção de como às vezes nós falamos. Parece que está tudo pior, porque está, de facto, às vezes há muito mais insatisfação, mas não me parece que o dinheiro esteja a ser bem usado. Saúde é um tema que se discute muito. Ora bem, o número de médicos por mil habitantes aumentou em todo o país. Passou de 2,5 médicos por mil habitantes para três médicos por mil habitantes. O número de enfermeiros passou de 3,8 por mil habitantes para 4,9 por mil habitantes. Estamos melhor? Bem, o dinheiro, o que aconteceu? Comparando 2015 com 2024, a despesa corrigida da inflação do Serviço Nacional de Saúde cresceu 41%. O que aconteceu aos serviços do Serviço Nacional de Saúde? O número de cirurgias cresceu 43%, portanto diremos que isto está em linha com a despesa, tudo bem, mas o número de consultas só subiu 18% e o número de urgências só subiu 3%. E nós aqui começamos a perceber o problema das urgências. Se temos um país onde vive mais gente hoje do que vivia em 2015, a população aumentou, como sabemos, muito por via da imigração, se temos um país mais envelhecido e portanto mais atraído a maleitas, só mais 3% com mais 41% de despesa. Acho que vale a pena perceber o que temos andado a fazer e por que muitas vezes a ideia de que colocar dinheiro em cima dos problemas não resolve nada. Portanto, este é o ponto de partida, há mais alguns pontos para falar. É aquilo que também habitualmente não se debate nestes debates quinzenais, mais depressa se debate as macas do que a estrutura. E portanto, queremos falar um pouco disso no "Contracorrente", ver se compensa o debate quinzenal de ontem.

Está bem. E o debate fica para o próximo programa. Até já, José Manuel.

Até já.

Ligue 91 002 41 85 e dê-nos a sua opinião em direto no "Contracorrente" depois do "Jornal das 10". Tem também as nossas redes sociais, o site do Observador e pode sempre enviar-nos a sua mensagem de voz por WhatsApp 91 002 41 85.