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É hora de sabermos do que vai o José Manuel Fernandes falar no Contracorrente desta manhã. Para participar e nos dar a sua opinião em direto, só tem de ligar 910024185 ou enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp. O número é sempre o mesmo: 910024185. Carla. O secretário-geral da NATO esteve ontem na Alemanha, onde disse que a Europa se devia preparar para uma agressão russa e para uma guerra de grande escala, não num futuro longínquo, mas no prazo de alguns anos. Na Ucrânia, a guerra continua. Não se sabe quanto tempo mais Kiev vai conseguir suster uma guerra de atrito, que favorece sempre o Estado com mais recursos, e os principais líderes europeus vão voltar a falar esta semana para tentarem um entendimento que dê garantias de segurança a Zelensky, numa altura em que já se discute abertamente a questão do reconhecimento de ocupação de parte do país pela Rússia. No Contracorrente queremos começar precisamente por aqui. A cedência do Donbass será mesmo uma condição para a paz? E que tipo de paz? José Manuel, bom dia. Isso não corresponderá subverter as regras da ordem internacional?
Carla, provavelmente sim, mas já estão a ser subvertidas pelo menos desde 2008 pela Rússia, quando foi a primeira intervenção na Geórgia. Foram gravemente comprometidas em 2014, quando foi a ocupação da Crimeia e a intervenção no Donbass, e desde 2022, que é o que é. E até agora, aquilo que temos tido, fora o heroísmo de quem combate no terreno, é muito palavreado, inclusivamente no caso da administração americana, vamos na quarta administração diferente. Segunda administração Obama, primeira administração Trump, administração Biden e segunda administração Trump. Na Europa vamos no terceiro, não, quarto, terceiro presidente da Comissão Europeia, porque ainda estava lá Durão Barroso, depois passamos para, agora está-me a falhar o nome, e agora temos von der Leyen. Dos europeus já nem falo. De facto, há uma subversão e é preciso perceber que essa subversão não vem apenas do sítio para onde nós costumamos apontar o dedo, que é para a Casa Branca. Veio sobretudo de Moscovo e vem de outros atores que não tinham muita relevância na altura em que ela foi desenhada, como por exemplo a China, e que estão à espreita para ver se também tiram partido dela, e no caso da China, o caso mais evidente é Taiwan. Tudo isto é complexo, tudo isto é perigoso e por isso, desse ponto de vista, não me parece que o secretário-geral da NATO ontem, quando esteve na Alemanha, tenha exagerado. Foram palavras particularmente duras, foram palavras particularmente sombrias, mas eu estive esta semana em Bruxelas, estive, entre outros sítios, na sede da NATO, e o ambiente é que ou nos preparamos ou podemos correr riscos ainda maiores do que aqueles por que já passámos. No caso concreto da Ucrânia, aquilo que está em causa podem ser várias coisas diferentes, nomeadamente a questão de saber se vamos ter um cessar-fogo que respeite mais ou menos a atual linha da frente, se vamos ter um cessar-fogo que corresponda a uma espécie de paz congelada. Nós já temos uma situação dessas entre as duas Coreias e já dura há mais de 70 anos, mas tem algumas diferenças substantivas para aquilo que é a situação na Ucrânia. Porventura, a maior de todas, aquilo que é a mentalidade, o espírito, a filosofia, a forma de estar no mundo de Moscovo, e não é apenas de Putin, é da cultura russa. Há aqui vários pontos que eu acho que vale a pena tentar perceber, até porque está a haver evoluções, está a haver muitas conversas na Europa, nos Estados Unidos e o presidente Zelenskyy deu sinais de que muito porventura, se queremos parar a guerra, é de facto preciso, de alguma forma, ceder, nem que seja sob a forma de um cessar-fogo, território, mas ele quer tempo para poder fazer um referendo e fazer eleições, e isso exige garantias de segurança. As garantias de segurança estão muito nas mãos da NATO, da União Europeia e dos Estados Unidos. Ele, de alguma forma, devolveu a bola para o nosso lado e não sei até que ponto é que estamos preparados para isso. Vamos falar um pouco disso tudo, também atualizar a situação da linha da frente, onde também houve algumas novidades. É um tema que infelizmente não sai. Vai fazer quatro anos.
Até já, José Manuel.
Até já.
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