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Altura de conhecermos do que vai o José Manuel Fernandes falar no "Contra-Corrente" desta sexta-feira. Para participar e nos dar a sua opinião em direto, logo a seguir ao Jornal das 10, basta ligar 910 002 41 85, ou então enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp para o mesmo número 910 002 41 85. Carla. Falta menos de uma semana para o eclipse. Está a ser difícil arranjar óculos, mais difícil ainda, se não impossível, arranjar onde dormir em Bragança. Pelo que quisemos falar também desse momento tão singular no "Contra-Corrente", para recordar eclipses do passado, para tentar perceber o que ainda podemos aprender com o eclipse e também para recordar que 12 de agosto vai ser mesmo um dia a olhar para o céu, pois teremos um alinhamento de planetas ao amanhecer e já na madrugada de dia 13, uma chuva de meteoritos. Portanto, José Manuel, muito que falar daqui a pouco, não é? Bom dia.

Bom dia. É verdade, vamos ter bastante que falar. Esperemos que esteja um dia com poucas nuvens. É um pouco cedo para termos a certeza disso. Na zona onde o eclipse vai ser total, que é mesmo lá em cima, no cantinho de Portugal. Costuma haver poucas nuvens nesta época do ano, portanto não deve haver grande risco. Aliás, é uma zona que eu gostava que mais portugueses conhecessem, e não só por causa do eclipse, que é o Parque Nacional de Montesinho, sobretudo aquele cantinho onde está Rio de Onor e Guadramil. Até têm um linguajar próprio, devo dizer. Rio de Onor é uma aldeia dividida a meio entre Portugal e Espanha. Penso que a única em Portugal com essas características. Mas dito isto, de facto, seguir um eclipse é uma coisa fascinante. E vamos falar um pouco disso. Apesar de nós não sabermos tudo em relação aos registos históricos do passado, os cientistas conseguem reconstituir os eclipses para trás, o que às vezes dá uma grande ajuda, porque nós não sabemos tudo, mas com a ajuda dos eclipses conseguimos datar certos acontecimentos. Por exemplo, não é um eclipse do sol, é um eclipse da lua, mas sabemos exatamente em que dia é que foi uma das mais importantes batalhas do Alexandre Magno, a Batalha de Gaugamela, que é quando ele derrota o imperador persa Dario II definitivamente. E isso acontece depois de uma noite de eclipse da lua e de isso ter sido usado para, em vez de assustar os soldados, revigorar os soldados macedónios. Há mais episódios desses ligados a momentos de batalhas ou de conflitos. Há um que eu gosto particularmente, devo dizer-te. Porque eu não sei até que ponto é que o Hergé, quando escreveu aquele "Tintim e os Andes", se inspirou neste facto histórico. Como sabes, no "Tintim e os Andes", o Tintim e o Capitão Haddock são feitos prisioneiros pelos incas e vão ser sacrificados. E o Tintim encontra um recorte de jornal que diz que vai haver um eclipse e ele tem a possibilidade de escolher o dia da execução, escolhe a hora do eclipse e depois antecipa o que vai acontecer. Os incas que adoravam o sol prostram-se todos e eles são libertados. Há um episódio histórico parecido, tu conheces.

Qual é?

Carla.

Não sei.

É com o Cristóvão Colombo. O Cristóvão Colombo, na Jamaica, na sua quarta viagem, quando já estava de regresso, ficou retido por uma questão dos ventos. Na altura, não era só ligar o motor. Na Jamaica, já estava a entrar em conflito com as populações locais e de repente consultou também os seus calendários, os seus livros astronómicos, as previsões. Percebeu que vinha aí um eclipse e usou o eclipse para dar àquelas populações indígenas, que se preparavam para os massacrar, a ideia de que eles eram deles e portanto, safou-se, por assim dizer. Pôde voltar da sua quarta viagem à América. Há muitos mais episódios destes e do ponto de vista científico, o episódio mais conhecido até se passou em Portugal, ou melhor, naquilo que na altura era Portugal, que foi na Ilha do Príncipe, há pouco mais de 100 anos, em 1919. E foi uma expedição para comprovar a teoria geral da relatividade do Einstein. E foi comprovada precisamente com essa expedição à Ilha do Príncipe. E é talvez o sucesso científico mais importante ligado a eclipses. Nós dizemos sempre: "Mas já sabemos tudo. O que é que falta saber? Por que é que ainda estamos a olhar para o céu? Por que é que há tantos cientistas com telescópios apontados?" Há coisas para descobrir ainda, há muita coisa que nós ainda não sabemos sobre o nosso Sol. Vamos também falar um pouco disso, perceber melhor o que é que pode estar em causa.

Em cada final deste há um enorme avanço científico.

Enorme, não será. Não são avanços enormes, até porque hoje, com as estações espaciais, pode-se simular eclipses. Nunca há avanços de um dia para o outro. Aliás, uma das explorações científicas mais bizarras aconteceu em 1973, também com um eclipse que passou por cima de África, com um avião Concorde, que era aquele avião supersónico, a seguir o eclipse de forma a poder fotografar e filmar tudo, em vez de ser durante seis ou sete minutos, durante 70 minutos. Também é uma aventura gira, eu posso recordá-la, mas ela não acrescentou nada de especial. Apesar de tudo, não foi disruptiva. Desse ponto de vista, há sempre muitas razões para nós olharmos para o céu, que é uma coisa que fascina os homens. E fascina tanto que é possível que o primeiro registo histórico de um eclipse esteja também associado à morte de dois astrónomos, que foi na China. Vou um bocadinho lá para trás. 2137 a.C., portanto há mais de quatro milénios, no tempo do imperador Zhong Heng, como os seus astrónomos não previram o eclipse, também se apagaram, por assim dizer. Vamos falar um pouco disso tudo, também tentar explicar o que é que se pode ver mais no céu nessa noite, porque vamos ter um alinhamento de planetas logo a nascer do dia e depois, passado o eclipse, noite dentro, talvez consigamos ter uma chuva de estrelas cadentes, uma chuva de meteoritos, as Perseidas. Falamos disso tudo.

Bom para quem acorda muito cedo. Ótimo, bom conselho.

Exatamente. No dia 13, de manhã, tens que ir olhar para o céu.

Sim, vamos aproveitar isso. Até já, José Manuel.

Até já.

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