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É hora de conhecermos o tema do Contracorrente desta quarta-feira. Se quiser entrar em direto para nos dar a sua opinião, só tem que ligar para nós 910 002 41 85, ou então enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp. O número é sempre o mesmo 910 002 41 85. Carla. A forma como comemos está a mudar. Encomendamos mais comida pronta, os supermercados são os novos restaurantes, cozinhamos menos, mas deliciamo-nos a ver programas de culinária. Helena Matos, bom dia. Será que esta tendência veio para ficar? O que está a acontecer?
Olha, aquelas pessoas que em geral seguem muito estas tendências, ou seja, aquelas pessoas que estão na área dos negócios, alguns desses grandes grupos, e não apenas em Portugal ou sobretudo fora dele também, dizem que sim. Nós tivemos na semana passada a apresentação de contas por parte do grupo João N. Martins, vulgo, para qualquer um de nós, Pingo Doce, passe a publicidade. E é interessante porque para lá daqueles milhões todos, daquelas coisas todas, do crescimento económico e sobretudo também da importância dos investimentos fora de Portugal, nomeadamente na Polónia. Há tudo aquilo, há ali números que dão muito o que pensar. Há um dado, que é aquele que me interessa para este programa, e que vem reforçar aquilo que já é uma tendência deste grupo, que já vem de anos passados e que também tem a ver com o grande investimento que fizeram, e que é: nós estamos a falar do grupo que hoje tem mais restaurantes em Portugal. Isto é claro que levou, e isso está lá tudo muito explicado, a uma transformação daquilo que nós chamamos de supermercados num novo conceito, que até tem uma sigla no grupo que é All About Food. E isto levou a uma mudança mesmo na forma como as lojas, supermercados estão concebidos e tornaram-se espaços onde as pessoas vão comer. Não vão apenas buscar comida feita, não aproveitam apenas para comer qualquer coisa porque já lá estão e vamos ali comer um croquete. Passe a sugestão do . Eu sei que esta manhã já teve aqui uns graus mais acima.
Muito mais elevados em termos gastronómicos.
Muito mais elevados, mas cada um vai à medida daquilo que pode. E também daquilo que gosta. E não é apenas isso, é ir. Vamos ali comer a. E há aqui uma mudança que é importante e profunda, porque nós estamos a falar de algo que já vem de uma tendência com vários anos. Isto comparando aqui com Espanha, talvez um dos primeiros dados disso teve a ver com o proprietário de um grupo, que é um homem muito carismático, até pelo tipo de intervenções que faz, que é o dono da Mercadona. A Mercadona é uma empresa, não sei se será bem este o seu estatuto, mas é uma empresa em que quando aparece em público, tem ali um forte cariz familiar e o Roy, que é o proprietário, vem dizer que as casas vão mudar em Espanha porque os espanhóis já não estão a cozinhar. E ele sabe do que fala, porque a sua grande fortuna vem daquele supermercado que todos nós conhecemos, que é o Mercadona, e que tem muitos pratos preparados, aquilo que os espanhóis chamam de pratos preparados, a venda de pratos preparados. Há aqui uma tendência e ele falou disso em função também dos resultados do seu grupo e das mudanças que isto vai trazer e aproveitou para falar das casas. E ele dizia: "Bem, as casas não vão ter as cozinhas que têm agora, porque não faz sentido, porque as pessoas não estão a cozinhar". Temos depois também, para lá desta tendência dos supermercados como os novos restaurantes, temos depois também o takeaway, que sobretudo no caso dos jovens, tem um peso muito importante, quer na sua alimentação, quer um impacto também nos seus orçamentos familiares, porque o preço de refeição em takeaway é muito diferente daquele que tem, por exemplo, quando é confecionado em casa ou quando as pessoas vão buscar ao supermercado. É interessante que isto também tem muito a ver, muitas vezes, com as novas famílias. Se nós temos pessoas mais idosas, se nós temos pessoas a viver sozinhas, se calhar a panela da sopa assim muito pequenina não dá jeito. Também está relacionado com isso. Em simultâneo, assiste-se a um confeção dos programas de culinária. A culinária é uma espécie de espetáculo.
Há vários canais de televisão só com receitas e cozinheiros.
Já se terá percebido que eu trabalhei durante algum tempo em consultoria para séries de televisão e tudo isso. E posso dizer-vos que nunca trabalhei em filmes pornográficos, mas uma das coisas que se dizia era que não havia nada tão parecido, sensorialmente falando, com o cinema erótico do que os programas de culinária, porque está lá tudo. Nós ficamos agarradinhos a ver aquilo. E sim, a culinária como um grande espetáculo, também como uma área da tecnologia. Olhem para as cozinhas, elas têm robôs, elas têm máquinas e aparelhos que às vezes só se usam uma vez, mas que transformaram as cozinhas numa espécie de laboratório. E a forma como cozinhamos, a forma como nos relacionamos com restaurantes, com a comida, com o comer fora de casa, o comer em casa, está a mudar. E é uma mudança profunda. E depois também temos a mudança daquilo que temos no prato. Mas se calhar depois aqui daquela intervenção do presidente da Câmara Municipal de Oeiras, eu guardo mais para daqui a bocado, porque enfim, isto vai ser mais comida de tacho. Porque também é uma das questões: está a comida de tacho em extinção?
Não digas uma coisa dessas. Fizeste já a palavra.
Tu és mãe de família, eu conheço-te. Um tacho e uma panela de sopa, mas é exatamente isso. Isso pode estar a acabar. Eu acho que estão todos convidados para o Contracorrente. Ponham-se à mesa, vai ser ótimo.
É depois das 10:00. Até já, Helena.
Está sempre mais um à mesa e no Contracorrente também.
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