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Oito e um quarto. É a altura de conhecermos do que vai o José Manuel Fernandes falar no "Contra-Corrente" desta sexta-feira. Para participar e nos dar a sua opinião em direto, só tem de ligar para o 910 002 4185 ou então enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp para o mesmo número. Carla. Passou mais uma semana de intensas movimentações diplomáticas e mais uma semana de brutais combates no terreno. E chegamos ao fim com poucos ou nenhuns sinais de que se possa estar mais perto de um acordo de paz ou mesmo de um mero cessar-fogo na Ucrânia. Ainda ontem, Putin voltou a repetir as suas exigências maximalistas. Ainda ontem, Kiev voltou a manifestar a sua determinação em não ceder território. E ainda ontem, a Europa desentendeu-se sobre o que fazer com os ativos russos financeiros congelados na Ucrânia. De Washington também chegam sinais contraditórios, pelo que queremos voltar hoje a debater no "Contra-Corrente" se há ou não esperança de vermos terminar uma guerra que dentro de alguns meses terá durado mais do que durou a Primeira Guerra Mundial. José Manuel, bom dia. Ainda mais pessimista do que estavas há uma semana?
Sim, estou mais pessimista. Há uma semana nós discutimos aqui aquele plano de 28 pontos, um plano que era muito penalizador para a Ucrânia, talvez menos penalizador do que as primeiras reações, porque quando fomos ver ponto a ponto, não era 100% russo, como algumas pessoas diziam, mas obviamente tinha penalidades muito grandes. Mas esta semana, talvez aquilo que seja mais significativo seja que houve, de facto, esforços de aproximação, houve reuniões em Genebra, como tu referiste, Marco Rubio esteve na Europa, mas não parece haver mudanças, sobretudo do lado da Rússia. Umas declarações de ontem, ao fim do dia, no Quirguistão, de Vladimir Putin, que são maximalistas, completamente maximalistas. Não apenas reivindica todo o território, sem sequer dizer que tipo de território ele está a referir, se se refere apenas ao Donbass, se se refere à integralidade dos oblasts de Zaporíjia e Kherson, que foram incorporados na Rússia pelo Parlamento, mas isso vale o que vale. E mais do que isso, deu a entender que, porém, ele não falava com o Zelenski, considera que o Zelenski não tem legitimidade. Na Rússia, que é uma democracia que funciona tão bem, como nós sabemos, ele acha que o Zelenski só se houver novamente eleições num país que está metade dele dividido, um terço das pessoas nem sequer poderiam votar, é que teria legitimidade. Portanto, é neste ponto que estamos do lado da Rússia. Do lado da Europa, a noite também não foi nada auspiciosa. Tem havido movimentações no sentido de conseguir que os 140 mil milhões de euros que estão depositados na Bélgica e congelados fossem mobilizados para empréstimos à Ucrânia e a Bélgica, com aquela coragem típica dos belgas, tem medo da Rússia e, portanto, diz que nem pensar nisso. O primeiro-ministro belga enviou ontem uma carta à Comissão Europeia que estava a tentar encontrar uma solução imaginativa, como são todas as coisas na Europa, tem que ser tudo muito imaginativo. Não sei se por aí vamos algum lado. Há países que apesar de tudo se mexem. A França pode reinstituir o serviço militar obrigatório. A Alemanha tem grupos de trabalho a trabalhar a sério para preparar uma eventual guerra na Europa, mas não creio que a Europa esteja neste momento suficientemente unida para poder fazer frente a Putin, sobretudo porque era necessário que estivesse unida com os Estados Unidos, e nos Estados Unidos a grande dúvida é se eles próprios estão unidos, porque aquilo também que se percebeu dos últimos dias é que não se sabe exatamente quem manda, porque como sabemos todos, Putin muda frequentemente de posição, de opinião, pelo menos de declarações. De opinião a gente não sabe bem, mas de declarações ele muda. E ficamos com a percepção de que há um setor que claramente quer encontrar uma solução, uma solução mais a contento da Ucrânia, que será encabeçado pelo secretário de Estado Marco Rubio. Depois temos outro setor que quer sobretudo acabar com isso tudo muito depressa custe o que custar e que terá como principal protagonista o vice-presidente, J.D. Vance. E depois temos uma figura daquelas que era preciso inventá-la, que é o Sergio Witschiuk, acho que é assim que se diz, aquele negociador ou empreendedor imobiliário, que apesar de tudo, tiramos o chapéu, conseguiu uma solução para Gaza. Só que há uma grande diferença entre aquilo que aconteceu no Médio Oriente e aquilo que está a acontecer na Ucrânia. É que no Médio Oriente houve quem tivesse ganho a guerra. Para todos os efeitos, Israel tinha ganho a guerra. Quer dizer, podia demorar mais ou menos a terminar a guerra, mas tinha ganho. Tinha ganho no Líbano, tinha ganho de alguma forma na Síria, tinha ganho no Irão, tinha até já começado a intervir no Qatar, tinha Gaza praticamente toda controlada, portanto, era assim que estávamos na altura. E é muito difícil acabar com uma guerra onde não se sabe quem ganhou, que é a situação que nós temos neste momento na Ucrânia. E falámos lá um pouco sobre isso. Neste momento, a vantagem vai pro lado da Rússia. Houve já alturas que foi um pouquinho ao contrário, mas quando não há uma vitória decisiva no terreno, é muito mais difícil conseguir um acordo de paz. E nós temos situações, é bom recordá-lo, em que depois de anos de impasse, se estabeleceu meramente uma linha de cessar-fogo e ainda hoje não se assinou a paz. E dos dois lados da fronteira, sobretudo de um dos lados da fronteira, há quem continue a pensar na guerra, e estou a falar das duas Coreias, onde talvez as pessoas não se recordem. Mas ainda eu não era nascido e já a guerra tinha acabado, formalmente, com um cessar-fogo, e durante toda a minha vida, que já não é tão curta como isso, nunca se chegou a um acordo de paz e assim estamos, até com alguma escalada do lado do Norte. Portanto, as coisas parecem, neste momento, mais difíceis e como tu disseste e como tu lembraste, e muito bem, faltam alguns meses apenas, lá para março ou abril, a guerra na Ucrânia terá durado mais tempo do que a Primeira Guerra Mundial na frente ocidental. Na frente oriental, depois, a Primeira Guerra Mundial durou mais tempo, mas na frente ocidental terá durado mais tempo, que em si mesmo é um horror. Portanto, falaremos disso com mais detalhe e com a ajuda de especialistas depois das 10.
Até já. 910 002 4185 para entrar em direto, mas também nos pode enviar a sua mensagem de voz através do WhatsApp. O número é o mesmo.