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A dias de começar o julgamento de José Sócrates e a semanas de se conhecer o desfecho do caso Spinum Viva, a entrevista ao Observador, ao Procurador-Geral da República, ganha uma importância acrescida. Amadeu Guerra é claro a assumir responsabilidades e opções e também as críticas, nomeadamente a quem comenta a Justiça sem saber do que está a falar. Helena Matos, bom dia. Será que Amadeu Guerra vai conseguir reconciliar os portugueses com o Ministério Público?

Espero que sim, mas não sei. Agora, o que eu gostava de saber é o que é para ti um amigo. O que se faz com um amigo?

Queres saber se os amigos são aqueles com quem jantamos, é isso?

Exatamente. Almoçamos. O procurador não falou de jantar.

Não era de jantar, era de almoço.

De almoço. Pois, é como tu. Deve ser uma pessoa que se levanta cedo e evita jantares. Ele responde, a propósito da pergunta que lhe é feita na entrevista para o Observador, se Luís Montenegro é seu amigo. Ele diz: "Não, não é. Os amigos são para almoçarmos juntos, mas os amigos são para irmos eventualmente passar férias, para lhes dizermos as nossas preocupações pessoais, familiares, orientá-los, ajudá-los". Ou seja, nós estamos diante de um procurador-geral de República que sucede a um atribulado mandato, por assim dizer, da procuradora Cândida Almeida, e procura trazer, e isso é normal, natural e desejável, penso eu, clareza na forma como o Ministério Público fala ou não fala. Porque aí, por exemplo, Amadeu Guerra também anunciou alterações naquilo que o Ministério Público comunica, nomeadamente sobre as averiguações que decorrem de denúncias anónimas, e que acha que depois acabaram por contribuir muito para a especulação na comunicação social. Portanto, ele anuncia que o Ministério Público vai deixar de anunciar a abertura de averiguações preventivas e de inquéritos criminais. Esta é uma opção que não é, de modo algum, isenta de polémica, mas que foi anunciada. Por outro lado, e esta questão da amizade ou não com Luís Montenegro é particularmente importante. Nós temos aqui um procurador que vai ver começar na próxima semana um julgamento a um antigo primeiro-ministro. Aliás, Amadeu Guerra, quando não era procurador-geral de República, teve um papel importante na investigação a José Sócrates. E é curiosa aquela frase sibilina que ele diz, é uma das frases mais interessantes desta entrevista e que está em destaque, como é óbvio, no site do Observador, em que diz que se deve dar a oportunidade ao engenheiro José Sócrates de provar. A frase é mesmo: "Acho que devemos dar essa oportunidade ao engenheiro José Sócrates para provar a sua inocência". Mas se, de algum modo, quando José Sócrates chegar a julgamento e admitindo que ele começará na próxima semana, isso já faz parte de um passado de investigação e de produção de prova, agora temos aqui a Spinum Viva, porque para todos os efeitos, embora nós quase que nos tenhamos esquecido da Spinum Viva, a verdade é que o caso ainda não está fechado. Do ponto de vista da Procuradoria, está eleitoralmente fechado ou parece eleitoralmente fechado, mas do ponto de vista da investigação, não está. E daí esta insistência na entrevista sobre a relação entre Amadeu Guerra, que é óbvio que foi escolhido para o cargo de procurador-geral de República, também por indicação do primeiro-ministro, e portanto, sobre esta questão da amizade. Depois, claro, fala-se muito nesta entrevista de outros processos, de prazos, se as investigações devem ou não ter um prazo para acabar, depois de durarem cinco, seis anos e continuar a não se encontrar mais nada. E eu creio também que temos aqui, porque é um assunto, e nós também temos as nossas parcialidades. E um assunto que eu acho que é muito importante que o procurador tenha anunciado, não é objetivamente e certamente uma decisão que resulta só da sua presença neste cargo, mas de uma preocupação da sociedade portuguesa e à qual me parece que, neste momento, tudo parece estar encaminhado para que se venha a dar resposta, que é a criação das Comissões de Proteção dos Idosos. Ou seja, nós tivemos no passado a criação de comissões para proteção das crianças e jovens. Tivemos depois também o alertar para a criação de figuras próprias para tratar da violência doméstica e, neste momento, vemos aqui esta questão da criação das Comissões de Proteção de Idosos. Sei que não é a parte politicamente mais apetitosa desta entrevista, mas do ponto de vista do quotidiano dos portugueses e de muitos portugueses e de todos nós, porque nós vamos todos ser idosos, esperamos, porque só por tragédia é que lá não chegamos. Portanto, eu acho que é, sem dúvida, uma boa notícia. É uma entrevista muito importante e uma entrevista de uma outra forma de falar por parte de quem está na Procuradoria-Geral da República e é tudo isto que vamos falar hoje no Contracorrente.

Pois é, duas horas para olhar esta entrevista. Até já, Helena Matos.

Até já, és minha amiga, não é? Vamos almoçar um dia.

Vamos almoçar, um dia vamos. Ligue 910 002 4185 e dê-nos a sua opinião em direto no Contracorrente, depois das 10:00.