Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
O nosso convidado desta tarde em direto é o humorista angolano que está em Portugal a apresentar o espetáculo "Hipoteticamente Bom". Temos conosco Gilmário Vemba. Gilmário, bem-vindo.
Boa tarde, obrigado.
Bem-vindo.
Gilmário, estivemos aqui a conversar em off que está a correr muitíssimo bem esta tua tour, que também vai para Londres, já agora, já tem uma das datas esgotadas.
Já uma das datas está esgotada, a data de 16, e estamos a promover a data 17, porque não queremos deixar os nossos amigos que estão em Londres de fora, porque comecei a aumentar o número de comunidade, a princípio ia ficar só com os meus, só com os angolanos que vivem em Londres. Mas parece que há também portugueses que querem ver o Gilmário em Londres e há cabo-verdianos, moçambicanos, guineenses. Isso acaba ampliando um pouco a carta.
Até porque a comunidade da língua portuguesa é muito grande, não é?
É grande. Eu montei o "Hipoteticamente" justamente para fazer um espetáculo que fosse rodar pelos PALOP, que era juntar um pouco da história que junta todos esses postos, no caso, a história da colonização, que acaba juntando esses países todos. Vai juntar Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé, Cabo Verde. E temos tema para isso, temos histórias que passam por todos. Se eu estiver a falar da questão da colonização, o português vai se rever, o angolano também, o moçambicano também, o são-tomense também, o guineense também, acaba tendo aí um tema que dá para brincar para todos.
E olha que os portugueses podem fazer espetáculos em todo lado, porque nós estamos efetivamente em todo lado, é o que se diz comumente.
Estão em todo lado.
Logo aí podes fazer uma agenda muito preenchida. O que é que nos podes contar sobre este "Hipoteticamente Bom"? Ainda há que datas, portanto, hoje vais estar em Leiria, por exemplo.
Até agora está a correr bem. Acho que o guião está a ser bem encaixado. Lisboa foi fantástico, nós tivemos a sala esgotada. Guimarães, como Guimarães é o berço de Portugal, também acabou sendo o berço do "Hipoteticamente". O "Hipoteticamente" é um espetáculo muito open para mim, porque é a primeira vez que eu faço uma tour fora do meu grupo, fora Tunés, assumindo uma carreira solo. E também sabia que ao trazer para Portugal e mesmo para Moçambique, onde ele foi estreado, seria uma hipótese de funcionar ou não funcionar, porque seria um conteúdo completamente novo para mim e também para aquelas pessoas que eu fosse apresentar. E ainda para Portugal, eu sabia que ia ter muitos portugueses que iam ver o show e ficava aquela expectativa. Eles viram o Gilmário no Roast, a fazer um espetáculo mais direcionado, estar ali por 10 minutos é uma coisa. Viram o Gilmário Vemba no "Stand-up Session", viram o Gilmário Vemba no "Pisa em Pé", viram nos 20 anos de carreira do Fernando Rocha, mas sempre com pequenas participações e com espetáculos um bocadinho mais direcionados para aquele momento. E fica aquela expectativa: será que vai resultar agora o Gilmário estar a fazer uma hora e meia de espetáculo com o "Hipoteticamente Bom"? Então eu fui juntar isto para dar o título do espetáculo "Hipoteticamente Bom". Até porque quando a meio termo falou comigo sobre fazer a tour, eu disse: "Tenho um espetáculo". E na verdade, eu não tinha ainda um espetáculo.
Gilmário, este espetáculo és tu durante uma hora e meia num solo?
Aham.
É um solo teu.
É um solo meu.
Portanto, é tu contra o público ou tu com o público?
Não, eu com o público, porque é uma característica dos meus espetáculos, eu faço deles uma conversa. É uma aproximação entre mim e o público, não há uma distância entre o artista e o público. Eu não estou a falar de coisas que diga: "Eu estou neste pensamento e vocês estão nesse pensamento." É sempre um nós. O nós, na verdade, é o que rege o espetáculo todo.
E esse desafio de estar uma hora e meia sozinho em palco com o público a estar à prova?
Não é algo novo.
Mas cada vez que sobe ao palco, perante algumas centenas de pessoas.
Eu nunca subo ao palco confortável, eu estou sempre nervoso. O espetáculo é hipoteticamente bom, mas eu estou sempre com uma expectativa meio que negativa. Eu preciso de cinco minutos em palco para poder estar à vontade.
Mesmo que haja uma grande preparação antes de subir ao palco, não é?
E tem que haver sempre uma grande preparação. Eu faço uma preparação e chega uma altura que eu digo: "Epá, que se lixe. Deixa, não vou ler mais o guião, seja o que Deus quiser, vou ali pro palco." Mas eu estou sempre nervoso. Não há um espetáculo que eu me lembro na vida de entrar para ele e não estar apreensivo. Mesmo com o grupo, sempre estive apreensivo, mas também sempre fui com o peito aberto. Eu acho que a partir do momento que estamos dispostos a falhar, começamos a ficar um bocadinho mais leve. Eu sou um artista, não sou uma máquina, não sou dos melhores. Então eu me permito estar em palco e se calhar fazer uma piada que não vai funcionar e não deixar que isto seja um medo do tipo pânico que vá me bloquear e eu não consiga expressar.
Mas também, de certa forma, é positivo. Sente-se um peso da responsabilidade, isso é normal. E há pessoas que acham que fazer humor é uma coisa, eles chegam lá, não têm preparação nenhuma e aquilo, portanto, é completamente desprendido, o que não é nada assim. Existe uma preparação muito grande e, portanto, eu acho que os nervos faz parte.
Faz parte, porque nós preparamos as nossas piadas em casa, eu particularmente preparo as minhas piadas na casa de banho. Eu não sei
Ao espelho? Viste ao espelho de repente.
Não, na casa de banho. Estou mesmo lá a forçar o supremo, a fazer a libertação, a ser completamente humano e eu acho que é um momento muito criativo. Acho que sanitas e chuveiros são-
É uma altura mais vulnerável. Isso é
Sim, estamos mais open, porque ali não há vaidades, és só tu e Deus.
É o que é.
É o que é.
Exatamente.
Conseguimos estar bem criativos nesse momento. Eu nunca vou à casa de banho sem o telefone ou levo um livro e a partir deste momento começo a criar coisas.
Vais tirando notas. Há temas que trazes para Portugal que não usas em Angola, por exemplo, e vice-versa?
Não necessariamente, mas eu aqui tento abordar um bocadinho da história, porque eu acho que a nossa história tem dois polos. Há uma história sobre o processo colonial para Portugal e há outra história-
São as duas histórias diferentes.
É uma visão diferente. O que eu tentei é aproximar e ir buscar aspetos que não fazem lógica, não fazem sentido. E para os dois povos, não há uma certeza sobre essas histórias. E eu tento, dentro daquilo que eu vou investigando, que eu vou estudando, unir as pessoas através dessas histórias. "Não é bem assim."
E a ideia é um pouco não dramatizar as duas perspectivas, é relativizá-las?
Exato. Sem drama nenhum, é sempre na alegria. Porque eu acho que nós temos muito medo de ter essa conversa, porque às vezes quando temos essa conversa vamos dramatizando, vamos muito a fundo e começamos a procurar culpados e não a procurar encontrar um ponto da história que nos leve a dizer: "Ok, agora percebo. Ok, agora eu entendo." Não é que eu esteja a querer responsabilizar o português atual sobre o que aconteceu no passado ou dizer ao africano: "Não, tu mereces isso por causa do que aconteceu." Não é isso. É mesmo tentar relativizar. Essa palavra eu não vou conseguir dizer.
Relativizar.
Exatamente. Não vou conseguir fazer isso que o João disse.
Mas consegues subir a um palco durante uma hora e meia e falar para centenas de pessoas.
Consigo.
Que era uma coisa que eu acho que se calhar nós não conseguíamos.
Não, tem algumas palavras que simplesmente a minha boca não quer, não há. E para ficar bonito, temos aquela ideia de querer meter palavras bonitas para tornar o nosso discurso mais eloquente e às vezes falha. E eu vou buscar nessa história, vou pegar a visão do angolano, vou pegar a visão do português e vou juntá-las e até falo também de problemas que são muito atuais. Por exemplo, uma visão que o português tem do povo angolano ser um bocadinho preguiçoso, que também tem a ver com uma questão do momento em que o país viveu esses anos todos até agora. Porque depois de 2005, na altura em que nós começamos a ganhar muito dinheiro com petróleo, que ganhamos assim dinheiro de repente, e o país estava em reconstrução, houve uma contratação em massa de muitos portugueses que foram a trabalho para Angola. E estes portugueses estavam habituados a uma dinâmica de trabalho em Portugal, com pontualidades, com relatórios, e encontraram um povo que estava há quase 60 anos sem fazer nada disso. Eu não costumava dizer que tinham empregos, que tinham postos de emprego, que era mesmo para ficar lá e sentar e esperar até a hora acabar. Encontraram muita gente nessa dinâmica, que estavam muito habituados ao mercado informal e não estavam habituados a este mercado mais regrado. Essas incongruências, essas diferenças que foram encontradas criaram também uma ideia. Era normal que um tuga saísse de lá e chegasse aqui e dissesse à família: "Aquele país não dá. Está mal, está todo preguiçoso, está sempre em casa, está sempre doente, é óbvio, sim, mas óbvio, o pessoal não quer trabalhar." Então tentando, por exemplo, juntar a história, que também foi um bocadinho falta de ideia nossa de preparar as pessoas para entrar nesta nova dinâmica de trabalho e fazê-las compreender como é que esta nova dinâmica funciona e dar tempo das pessoas irem habituando-se a essas coisas. Hoje, as empresas estão mais preocupadas com isso. Hoje as empresas obrigam mais o funcionário a ser produtivo. Na altura em que tínhamos mesmo muito combo e estava tudo subvencionado, tu podias trabalhar cinco dias por mês e no final do mês continuar a receber o teu salário igual, sem problema nenhum. Isso foi, de alguma forma, também habituando as pessoas a esse modelo de trabalho.
Gilmaro, já que entras nessa questão da economia angolana dos últimos anos, como é que olhaste também enquanto humorista, mas enquanto cidadão angolano, para esta história toda do Luanda Leaks?
Luanda Leaks. Isto são aquelas vertentes políticas que vão sempre acontecer, que há quando para países que têm a realidade política que nós temos, sempre que haver a alternância de poder, vão acontecer essas coisas. Para mim é bom que aconteça, porque vai de alguma forma ajudar A nossa economia estar melhor estruturada e as coisas estarem melhor organizadas. Eu, de alguma forma, já esperava que coisas do gênero fossem acontecer. E eu acredito que vão acontecer mais, ainda vai ter muitos mais leaks.
Também é uma boa ferramenta para o humor, o Luanda Leaks.
Para mim, tudo que acontece é uma boa ferramenta para humor e principalmente quando essa ideia de, aquela palavra que eu não consigo dizer.
Relativizar?
Exatamente. Principalmente na hora de relacionar as coisas. Eu tenho a noção que há muitos portugueses a olharem para essa situação e dizer: "Vê lá essa jovem o que ela fez com o país dela. Isto é muito triste." Mas também há pessoas que não conseguem perceber que, de alguma forma, se beneficiaram com isso e que isso até os ajudou a sair de uma situação precária, porque eu me lembro que 2008, 2009 até mais ou menos 2013, Portugal estava numa crise terrível. Eu vim para aqui, eu vi os tugas a sofrerem, apertados. Se formos datar, é nesta altura que estes dinheiros começam a entrar e simplesmente as pessoas resolveram não perguntar muito, porque precisavam e começaram a sentir que as coisas estavam a melhorar. Saíram vários livros a denunciar isto, tinha um livro que chamava "Os Donos de Portugal" e havia muitas manchetes do tipo "Angola compra Portugal". E isto não é uma coisa de agora. Na verdade, nós estivemos a observar isso esse tempo todo, mas porque na altura não interessava falar sobre isso e ninguém falou.
E com João Lourenço tem-se falado de uma Angola um pouco mais aberta. Enquanto cidadão e humorista, há sempre estas duas vertentes que estão interligadas. Consegues ver essa Angola um pouco mais aberta, mais transparente, ou nem por isso?
Eu acredito que se o país continuar a manter esta parte democrática, ainda que não seja no nível que se espera, de em cinco anos nós termos eleições, de nós termos alternância de poder, ainda que até seja dentro do partido, eu acho que isso vai sempre trazer benesses para a nossa realidade. Cada mudança que acontece de cinco em cinco anos, o país vai estar cada vez mais aberto, tanto dentro da liberdade de expressão, tanto dentro do crescimento econômico, tanto dentro do crescimento estrutural, isto vai sempre ajudar. O importante é que essa dinâmica não pare. Continue. Ela vai continuar e se continuar assim, nós daqui a 20 anos vamos ter um país bem melhor. Porque as pessoas estão cada vez mais a acordar, as pessoas estão cada vez mais a fazer mais parte da política do país, que era uma coisa: a política está aqui, o povo está completamente oposto. E cada vez que essas coisas vão acontecendo, nós vamos nos aproximando mais, vamos tendo um voto cada vez mais consciente e eu acredito que as mudanças são inevitáveis.
E Gilmar, eu li algures numa entrevista que deste em que dizias que sempre sentiste a responsabilidade de fazer algo pelo teu país. Que responsabilidade é essa? O que é aquele algo que queres fazer? Isto já está a acontecer agora?
Eu acho que o meu país ainda não é aquilo que se espera. E eu acho que nós temos ainda muita coisa para fazer por ele. Nós, angolanos, fora daquilo que é a comunidade internacional, fora daquilo que os países fazem, fora daquilo que até o próprio governo pode fazer. Nós, enquanto cidadãos, eu acho que se todos nós abraçarmos uma responsabilidade de ajudar o país a crescer do ponto de vista de educação, do ponto de vista de saúde, do ponto de vista de aproveitar melhor o nosso desenvolvimento cultural, que é monumental, do ponto de vista de nós deixarmos de olhar só para o dinheiro como solução para todos os nossos problemas e começarmos a conversar mais e a encontrar outros meios e outros mecanismos de nós crescermos enquanto povo, enquanto país. Eu sinto essa responsabilidade, porque dá um medo. Dá um medo, porque eu vejo nessa altura muita gente a querer emigrar, muita gente a querer sair do país e são pessoas qualificadas que podiam ser muito úteis para o desenvolvimento do próprio país. Eu acho que o próprio governo também tem que ter essa noção e começar a criar mecanismo para prender essas pessoas. Prender no bom sentido, para que elas se sintam motivadas a estar no país e a fazerem a sua parte, porque é um país muito grande. Nós somos territorialmente, não sei quantas vezes Portugal. Só Luanda, em termos de população, preenche aquilo que é a população portuguesa. Nós temos várias coisas para podermos crescer. Quando há pessoas que falam comigo: "Gilmar, pensas emigrar, sair do país e viver para Portugal ou viver para outro sítio para fazeres crescer melhor a tua carreira, para dares melhores condições aos teus filhos?" É uma possibilidade que eu não quero pensar, não quero ir por aí, porque eu acho que se eu saio do país, eu deixo de fazer pelo país as coisas que eu posso fazer, que é conversar com jovens, que é passar a minha experiência, que é passar a visão que eu tenho, que não é uma coisa fácil, porque o Gilmar está numa posição que se calhar muita gente ia dizer: "Não, para ele é fácil dizer isso. O cara já está bem, tem uma carreira que está aí bem, faz espetáculos, vive bem, então para ele é tudo mais simples." Mas não é essa a ideia. E por isso é que eu vou cada vez mais abraçando projetos que têm como tendência melhorar a nossa forma de pensar Que é eliminar os fantasmas que temos, sejam fantasmas da colonização, da guerra, da má governação. Todos esses fantasmas, todos esses bloqueios que nós temos, que estão muito entranhados na nossa cabeça, que às vezes nos impedem de, por si só, começar a caminhar e começar a fazer mudanças. Ser cada vez mais ativo na sociedade. Com a crise, temos um grande problema de desemprego. Em vez de as pessoas começarem a procurar emprego, começarem, por exemplo, a pensar em criar emprego, em criar coisas, ser mais criativos, começar a olhar para a sociedade e ver o que podem fazer para tornar o sítio melhor. São dessas responsabilidades que eu falo.
É o impacto que cada uma das pessoas tem, por exemplo, na comunidade mais próxima, no outro.
Ser um líder. Porque qualquer um de nós pode influenciar a sua comunidade de uma forma positiva. E às vezes são coisas muito simples, são coisas muito pequenas que tu podes fazer, desde o jovem que resolve, no seu tempo livre, ensinar cinco crianças no quintal da sua casa a escrever e a ler. Ou que resolve no final de semana pegar 10 amigos e limpar uma rua, por exemplo. São pequenas coisas, pequenos gestos que, se feito por muita gente, acaba por melhorar o país e dar uma outra imagem ao país.
Isso é muito importante, são coisas que estão ao alcance de todas as pessoas, independentemente se estão bem na vida, se não.
São dessas coisas.
E que têm impacto.
Exato. Que não precisa um financiamento, que não precisas ter um grau de escolaridade de mestrados. Que não precisas ter vivido no estrangeiro, que não precisas dessas coisas todas para poder fazer. Se eu acordar de manhã e dizer: "Estou com tempo livre, eu vou juntar alguns amigos, vamos jogar bola e depois vamos varrer aqui essa rua e vamos deixá-la com uma cara melhor, mais limpa."
E o exemplo vai puxando outro exemplo.
Que era algo que nós tínhamos no passado. Eu me lembro de crescer e eu me lembro, por exemplo, nas festas natalícias, nós decorávamos as ruas todas, íamos apanhar cal, que é um material, e pintávamos as ruas, paredes das ruas, pintávamos as árvores, recolhíamos o lixo. Esses valores, por causa do dinheiro que o país foi recebendo, esses valores ficaram invertidos. Começamos a depender.
O dinheiro resolvia tudo.
O dinheiro resolvia tudo. Tudo era à base de dinheiro. Então a iniciativa das pessoas de acordarem de manhã e começarem a varrer ruas e começarem a dar explicações em casa, coisas bem simples, começaram a inverter. Esta inversão de valores, que veio com aquele dinheiro que nós ganhamos assim de repente. Estávamos em condições de vender petróleo, porque o Iraque, que era o país que mais fornecia petróleo, entrou em guerra. E nós passamos de poucos milhões a muitos bilhões, e isso inverteu os nossos valores. De repente, as pessoas começaram a atirar o lixo para o chão e a dizer: "Não, há uma empresa que lhes pagam para recolher." Este pequeno gesto das pessoas dizer: "Eu é que vou ficar aqui a ensinar pessoas? O governo tem que construir escolas." Nós tínhamos esses valores e tínhamos aquela vontade de partilhar o conhecimento. Eu com 15 anos, me lembro que eu ensinava inglês, eu sabia falar inglês e ensinava inglês para outros miúdos da mesma idade que eu, no meu bairro. Eu ensinava inglês. Mas de repente, esta vontade morreu. Então nós precisamos ir resgatar isso e aproveitar que estamos numa fase de educação financeira, principalmente, que Portugal também já teve a oportunidade de o fazer.
Sim.
Eu sei que houve altura que também havia: "Deixa, está tudo muito bem." Mas depois chegou uma altura que as pessoas tiveram que se retratar. E eu gozo isso nos espetáculos, nós achávamos que o português é muito canguinha, é muito agarrado, as contas têm que dividir e para ir na casa dele tem que ser com muita antecedência, tem que avisar, porque senão não há comida. Porque nós como estávamos com muito dinheiro, não estávamos a olhar isso como uma boa coisa. Mas hoje, dada a nossa realidade, tu vês no Facebook já piadas.
Tudo isso dá para rir, não é?
Ya, tudo isso dá para rir. Nós já vemos piadas do tipo: "Olha, é feriado, fica mesmo com teus filhos em casa, não vale a pena levar na casa de ninguém, porque também aqui está mal." Então essas piadas vão, na verdade, retratando a nossa realidade, aquilo que está a acontecer agora, que eu já não vou sair com um grupo de cinco amigos e dizer: "Hoje pago eu." Não.
Cada um paga o seu. Exato.
A lei da vaquinha hoje faz sentido, porque não há dinheiro.
Porque a realidade mudou também.
Exatamente.
O Gilmário Vemba vai estar hoje em Leiria, no Porto, depois no dia seguinte e no dia 13 em Coimbra. É assim?
É.
E em Londres, também já falamos nisso também. Dia 17 está esgotado.
Na verdade, hoje começamos uma estrada que só para no dia 17. Nós vamos fazer hoje Leiria, amanhã Porto, depois vamos para Coimbra, depois tem o stand up session com o Hugo Sousa e o Miguel Setecaca, tem o dia 14 em Tábua e dia 15 em Mangualde, ou vice-versa. Estou sempre a errar o dia e o sítio. E depois no dia 16 vamos para Londres, que já estamos com a sala esgotada, e dia 17 vamos fazer uma sessão extra também para Londres. Dia 18 venho para Portugal só para dizer bye bye, e no dia 18 à noite volto para Londres.
Muito bem, todas estas datas estão nas páginas do Gilmário, nas redes sociais, portanto se quiserem assistir a este "Esteticamente Bom", basta seguir tanto o Facebook como o Instagram.
Exatamente.
É isso mesmo. Gilmário Vemba foi o nosso convidado de hoje. Gilmário, obrigada, até à próxima.
Thank you, até à próxima.
Obrigado.
Rádio Observador. 98.7 na Grande Lisboa, 98.4 no Grande Porto. Aconteça o que acontecer.
Olá, eu sou a Ana Filipa Rosa. Obrigada por ouvir este podcast. Se gostou, pode sempre partilhá-lo com alguém e ouvir a Rádio Observador. Estamos online, mas também no FM, na Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4. Obrigada