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Sejam bem-vindos. A viajante desta semana é informática e fotógrafa nas horas vagas e por causa da fotografia, e não só, tem viajado pelo mundo e até já ganhou alguns prêmios. Ásia, América Central e do Sul, fez a Índia de comboio, fez Cuba em táxis clandestinos e andou por tantos outros lugares. Andreia Costa, bem-vinda às Conversas do Fim do Mundo.
Bom dia, João.
Quando é que começaste a viajar, Andreia?
Eu comecei a viajar cedo. As viagens sempre estiveram presentes na minha família e comecei como aquelas viagens típicas de família, aquelas viagens de Páscoa, de Natal. Mais diria mais ou menos por volta dos oito, nove anos, pelo menos é o que eu me lembro. Depois há sempre aquelas viagens que se faz em criança, muito criança.
Mas tinhas alguém na família que te inspirava a viajar?
Os meus pais sempre gostaram de viajar.
Foi.
Sempre foi aquelas férias de família. Íamos todos. Ainda fizemos Tunísia, Egito. Lembro-me um pouco. E a fotografia ainda não existia sequer, mas deu para criar ali o bichinho.
O bichinho da fotografia e também da viagem. E quando é que se dá o grito de Ipiranga? "Aha, agora é que eu vou começar a viajar e muito!"
Foi sensivelmente em 2014, quando eu decidi marcar uma viagem pra Tailândia e fui sozinha, sem nunca ter praticamente viajado na Europa. E fui à descoberta, programei a viagem toda.
Por que Tailândia?
Eu acho que foi por causa das praias e por aquelas imagens que tu vês nas revistas. E marquei, fui e fiz a viagem toda.
Sozinha?
Sim.
Quanto tempo andaste pela Tailândia?
25 dias.
25 dias é muito.
Muito. Depois fartei-me da Tailândia ali meio.
Então, por quê?
Eu acho que sempre tive aquela curiosidade de ir ao Camboja. E depois percebi que aquilo ficava ali, aquela noção de distância não era assim tão grande.
Pois.
E decidi ir aos templos do Camboja.
Deste um saltinho ao Camboja.
Dei um saltinho ao Camboja.
E correspondeu às tuas expectativas, o Camboja?
Correspondeu. Que agora quero voltar para ver o Camboja.
Sim. Queres voltar ao Camboja porque já voltaste várias vezes à Tailândia também, não é?
Sim. É, a Tailândia eu acho que...
Mexe contigo.
É aquele país que nunca te fartas.
É?
Tens tudo.
Quando dizes tudo, é o quê?
Tens praia, tens uma boa comida, as pessoas são supersimpáticas. Tens natureza, tens muita coisa.
Mas isso também é Portugal. Portugal também é isso.
É Portugal, mas eu acho que a Tailândia tem água quente, Portugal não tem água quente.
Pois é, nós temos esta coisa de achar que de fato somos um país quente comparado com o resto da Europa, mas somos Atlântico Norte, não é?
Sim, e ali a água é quentinha.
Custa, não é? Olha, ainda ontem estavam 28 graus e a água do mar ui, não dava.
Estava fria.
Estava fria.
É o normal.
Muito bem, a Ásia então puxa muito por ti, é isso?
Sim. Gosto bastante da Ásia. E depois, quando a Ásia fechou na questão do Covid, demorou muito mais tempo a abrir, virei-me um bocadinho pra América do Sul e pra América Central, e agora vou voltar à Ásia novamente.
Vais voltar à Ásia. Partes hoje para a Tailândia. Quando este programa for pro ar, tu já andarás lá a disparar fotografias pra todo lado. Olha, mas já vamos falar mais da Ásia. Deixa-me falar aqui de uma viagem que tu fizeste por Cuba em táxis clandestinos. Em que contexto é que se dá esta viagem, Andreia?
Olha, decidi marcar a viagem pra Cuba e queria fugir, como sempre, ali daqueles roteiros tradicionais de Varadero, Havana, Trinidad, e decidi que o autocarro demorava imenso tempo e então ficava mais prático, não tinha muitos dias, só tinha 10 dias, então ficava mais prático contratar táxis e motoristas. Só que pelo que eu percebi, os táxis que não estão ligados ao governo são clandestinos.
Pois.
E também têm gasolina clandestina. Então fomos por gasolina várias vezes à casa de pessoas.
Há muita economia paralela em Cuba.
É.
Para fugir à economia controlada pelo Estado. É preciso encontrar forma para fugir de tudo, exatamente. Mas olha, Cuba, que percepção criaste deste país?
Olha, eu gostei muito de Cuba, até porque fiquei alojada em casas das pessoas.
Portanto, tu não andaste na Cuba turística, foste à Cuba autêntica.
Sim. Quer dizer, estive em Havana e estive em Varader, porque ires à Cuba e não ires à Havana e Varader é uma falha.
Pois, tem que ser.
Tem que ser. Há coisas que têm que ser. Como se vai a México e não visita Chichén Itzá. Não tem como.
Sim.
E em Cuba, o fato de ter ficado na casa das pessoas a dormir, acho que dá-te uma realidade. Aliás, não é só em Cuba, em todos os países em que isso acontece e tens essa opção, acho que dá-te uma realidade mais aproximada ao que é a cultura.
Ficaste em casa de pessoas porque elas te convidavam ou porque também há economia paralela de alojamento?
Também há economia paralela de alojamento. Como não tens internet. Começas em Havana, tens um contacto em Havana, depois dizes: "Olha, eu agora vou pra Varader", e a senhora conhece alguém em Varader e já estão à tua espera. Depois de Varader, olha, agora vou não sei pra onde.
Uau, isso é um circuito todo, é um circuito paralelo montado. Incrível. E é uma experiência que recomendas?
Sim, recomendo. Super seguro, até porque eu sou mulher. Nós, mulheres, temos sempre aquele estigma de que pode não ser seguro, mas é claramente seguro e recomendo. Acho que é uma experiência fantástica.
Fantástica, muito bem. Fugir aos circuitos turísticos homologados em Cuba.
Sim, homologados.
Tu que gostas de fotografia e fotografas, é fácil também fotografar em Cuba?
Sim.
Não há restrições?
Eu não senti. Aliás, em todos os países onde eu fui, onde nós temos mais aquele estigma de perigo, talvez seja o Brasil. Mas acho que é teres aqueles cuidados base.
O perigo aí é assaltos, não é?
Sim. Mas acho que é mais estigma. Eles existem. Mas, por exemplo, eu nunca me senti insegura no Brasil e estive em favelas e tudo mais.
Ah, foi?
Sim.
A fazer o quê?
A ver.
A ver.
Falar com as pessoas, sentir a cultura dali. Eu gosto bastante de interagir com a população, seja ela quem for. E acho que, por exemplo, em Copacabana é tudo muito bonito, mas não dá aquele gosto a Brasil.
Pois, é artificial.
É um bocadinho montado.
É tudo montado. Mas andaste nas favelas?
Sim.
Lá dentro mesmo?
Lá dentro.
E então conta-me.
E foi altamente.
Altamente. Vou ao Brasil, vou às favelas. Pronto, está bem.
Por que foste a uma favela ver?
Eu percebo, és curiosa, é isso?
Sim, gosto de ver as dificuldades das pessoas, falar com as pessoas, porque acho que às vezes os países não são muito bem compreendidos. Por exemplo, o Brasil, o Rio de Janeiro em particular. As pessoas gostam de ir para o Brasil, ver o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar e tudo mais, mas o Brasil, o Rio de Janeiro, principalmente, é mais do que isso. O povo é o povo. É a cultura, as pessoas, não é os monumentos.
Pois, os monumentos são o reflexo da cultura.
Às vezes é um bocadinho montado.
Sim.
Não é a realidade, às vezes, daquele país.
Sentes isso um bocadinho quando viajas hoje em dia, que há muitos sítios criados, montados, encenados para se tirarem fotografias para depois se publicarem nas redes sociais, nomeadamente no Instagram. Fala-se muito em instagramização da vida e sobretudo do turismo e das viagens. Há esse nome também. Também já foste vítima da instagramização da vida, Andreia?
Olha, eu tenho Instagram. Posto Instagram, mas não sou louca pelo Instagram.
Sim.
Vou te dar um exemplo, que eu não sei se tu sabes, mas por exemplo, em Bali, há tours de Instagram.
Tours de Instagram?
De insta spot para tirar as fotos. E pagas quase 30, 40 euros.
Para ir ao sítio?
Para tirares uma foto. Eu nem estava a acreditar quando vi.
Oh, não.
Estou completamente fora.
Sítios onde provavelmente não se vai aprender nada.
Não, eles põem lá uns coraçõezinhos, uns rios, uns baloiços, assim para os terraços das ruas e para as ravinas e para as praias e tudo mais, e a pessoa num dia faz aquele tour e vai a cinco ou seis insta spots para tirar as fotos.
Põe as fotos no Instagram, no final do dia, 5 mil, 6 mil, 10 mil, 20 mil likes. E é isso.
E está bom. E viajou e foi a Bali.
Oh, não. Isso é terrível, não é?
Eu acho que a sociedade de hoje em dia está muito pendurada aqui nas redes sociais e deixam de viver o que é para viver. Eu entendo que uma favela no Rio de Janeiro não tenha interesse para 90% das pessoas que viajam. Mas é isso às vezes que te faz sentir o país, o pulsar da cidade.
Pois. Tu foste lá às favelas e o que aprendeste?
Falei com pessoas, algumas delas até disseram algumas dificuldades.
É sobreviver.
É sobreviver. Não podes comprar nada fora da favela, como o gás, a água, tudo mais. Eles têm supermercado, aquilo é uma cidade autêntica. Têm supermercados, têm tudo.
Mas não podem por quê?
Está girassol. Se compras alguma coisa fora da favela, o dono da favela-
Tens que alimentar a economia da favela, não é?
É.
Uma colmeia, quase. Não podes ir roubar néctar a outro campo e trazer para a colmeia.
Podes sair, podes trabalhar, mas depois tens que comprar ali as coisas todas dentro da favela, por exemplo. Não tinha essa noção.
Pois. Olha, Índia de comboio, conta-me lá tudo, como é que é? Uma grande aventura, imagino. Quanto tempo durou essa viagem de comboio pela Índia? De comboio? De comboios.
Foram quase 30 dias.
Foram vários comboios. Muitos comboios.
Muitos comboios.
30 dias? Uau.
Foram quase 30 dias pela Índia.
E como é que é viajar também sozinha, Andreia?
Não. Aí foi com a minha mãe.
Com a tua mãe?
E com uma amiga. Minha mãe sempre quis ir à Índia.
Sim.
E não me perdoava se eu fosse à Índia e não a levasse.
Aham.
E então eu disse: "Olha, mas é a viagem que eu vou fazer e é assim." "Não, eu vou." Eu disse: "Boa, então vamos embora." E foi. Eu acho que correu bem, sendo que eu também não tenho experiência noutros países da África, que são difíceis, até por causa de algumas questões.
Da África ou da Ásia?
Ásia. Sim, mas a África eu tenho ideia que há países difíceis de entrar e tudo mais. Mas a Índia, eu acho que há o mundo e depois há a Índia.
Sim.
E a viagem por si só foi fantástica, eu adorei a viagem, mas com muitas peripécias pelo meio, muitas atrações.
Conta. Para já, entrar dentro de um comboio indiano já por si só deve ser uma grande peripécia. Os comboios são poucos e as pessoas são muitas.
Mas olha que já tinha tido umas mesmas experiências no Sri Lanka e foi só ali um cheirinho no ano anterior. Depois fui para a Índia. Desde comboios que estão programados e que não aparecem, desde comboios que já estás dentro do próprio comboio, o comboio está atrasado e salta três ou quatro estações, não para, e é exactamente aquela estação que tu precisas de sair. Desde não ter placas nem nada de qual é a próxima estação, nem a estação onde tu estás e ninguém fala muito inglês. Mas partilhei comida com uma senhora indiana por trocarmos a cama. O marido não conseguia subir para a cama superior, que era a minha.
Sim.
E ele pediu para trocar.
Tu foste para cima e ele vai para baixo.
E a senhora deu-te comida. Tive comida 14 horas seguidas.
14 horas de comboio, meu Deus, que violência! Qual foi a viagem maior que fizeste em termos de horas?
Eu acho que foi essa.
A mais longa, 14 horas de comboio. Ufa!
Sim, e com atrasos. 10 horas era o expectável, 14 horas foi o tempo.
A Índia é uma grande confusão, não é?
É. Mas é um caos desorganizado. É que há aqueles caos organizados.
Caos organizado.
E a Índia é caos desorganizado.
Ok, pois.
É um caos. Aquilo é cada um por si.
Pois.
Mesmo nas grandes cidades, cada um por si. Só para teres um exemplo, eu em Mumbai apanhei um tuk-tuk e vi no GPS e pensei: "Isto está errado". Dava-me 2 km, uma hora. Eu nem estava a acreditar. Para fazer 2 km de tuk-tuk, uma hora. Dava no GPS. Eu pensei: "Mas vale ir a pé".
Pois.
Mas não dava para ir a pé, aquilo era viadutos. Mas é Índia.
É Índia. O que é mais extraordinário na Índia, Andreia?
Eu acho que as pessoas.
É?
Super simpáticas. Toda a gente me avisou: "Vais para a Índia, e as mulheres?" Eu quando estive na Índia, as mulheres que estavam no grupo foram todas assediadas. Eu nunca senti nada.
Não?
Nunca senti perigo nenhum. Andei por todo lado. Eu acho que há riscos também que tens que ter um bocadinho.
Tens que acautelar, não é? Por exemplo.
Não sair à noite, não andar de madrugada pelas ruas que não têm ninguém, ao escuro.
Caramba, mas isso também é muito limitador.
Mas em Portugal também começa a ser assim, em Lisboa, principalmente.
É?
Não é? Eu sinto.
Não sei, não sou mulher.
Mas eu sinto, por exemplo, em Lisboa, que começa a haver zonas que começa a ser um bocadinho difícil os acessos com assaltos e tudo mais, ali depois daquelas zonas mais desertas.
Pois.
Começa a ser complicado.
Muito bem. Vamos continuar a falar na segunda parte das tuas aventuras. Vamos só abrir o álbum de viagem. Andreia, guardas em casa algum objeto que tenhas trazido das tuas viagens?
Fotografias.
Só fotografias?
Só fotografias. Talhar ali um coisinho ou outro, um íman ou uma coisa, nada de especial.
Não és de trazer tralhas, objetos, nada disso.
Não.
Muito bem, estamos à conversa com a informática Andreia Costa. Vamos fazer uma curta pausa nas Conversas do Fim do Mundo esta semana. Regressamos já a seguir. Até já. Estamos de regresso para a segunda parte das Conversas do Fim do Mundo, esta semana com a informática e fotógrafa Andreia Costa. A Andreia, na primeira parte, já nos contou algumas aventuras e algumas impressões de alguns países por onde tem viajado, nomeadamente Cuba, Tailândia e também a Índia, onde viajou de comboio e onde nos explicou que é uma grande confusão viajar na Índia. Andreia, e a Patagónia, como é que é? Para quem gosta de fotografia, é o céu, não é?
A Patagónia é o céu, a Islândia é o céu, mas acho que a Patagónia está um bocadinho acima.
Também já foste à Patagónia argentina e à Patagónia chilena.
Sim, duas vezes.
Duas vezes? Uau!
Sim, foi o ano passado, duas vezes. Fui dezembro e janeiro e voltei logo a seguir em março.
Dezembro e janeiro é verão lá, não é?
Sim, é verão.
Depois março.
Com ventos de muitos quilómetros.
É?
É. Que já não consegues montar o tripé nem nada, que aquilo voa por todo lado.
O que é que foste fazer à Patagónia? Fotografias, só?
Fotografias, sim. Ver o Fitz Roy em El Chaltén, o complexo de montanhas em Torres del Paine. E agora queria lá voltar para ver os pumas, porque acho que faltou isso.
Pumas, mesmo pumas.
Os pumas.
E consegue-se ver?
Consegue-se. Só que às vezes tens que estar ali dias e dias e não vês nada. É como os safáris, só que eles têm um campo muito mais aberto.
Ali tens que estar paradinha, quietinha.
É, só que eles camuflam-se muito bem na vegetação e às vezes não é fácil de ver. Mas eu acho que valia o esforço.
Valia?
Valia. Ir para ver os pumas, acho que faltou isso na viagem à Patagónia.
Então quem sabe, à terceira é de vez. Mas o que é que viste na primeira e na segunda viagem que realizaste pela Patagónia?
A primeira viagem, eu entrei sempre por Buenos Aires. A primeira viagem estive em Buenos Aires, também adorei a cidade de Buenos Aires, acho que é aquela cidade latina, tipicamente latina.
Dizem que se assemelha muito com Paris.
Sim.
Muita quer dizer em parte?
Sim, em parte. A parte histórica, sim, assemelha-se. Eu nunca tinha pensado nisso, mas vendo bem agora, sim, assemelha-se com Paris. E depois vim pra parte de El Chaltén, que é uma cidade mais de trekking, mais de escalada, fotografia, mais ligada à natureza, aliás, é considerada a capital do trekking. E depois vim cá pra baixo, mesmo pra Torres del Paine.
Como é que viajaste? De autocarro?
De autocarro.
De autocarro. Tu também andas de moto, não é?
Ando. Não, mas de moto ainda não me aventurei. Passei por alguns, estavam a fazer desde cá de cima.
Desde cá de cima do Alasca, não é?
Até Ushuaia.
Até lá a ponta sul do continente americano. Isso é incrível.
Depois também estive em Ushuaia.
Aventura de uma vida isso. Gostarias de fazer um dia também com a tua moto?
Não, de moto não, se calhar de autocaravana.
Autocaravana?
Mota não é muito prático.
Não gostas muito?
Eu gosto, mas não é muito prático.
Ok. Então, mas conta-me, a primeira foste até lá baixo-
Sim, até Ushuaia
Até Ushuaia. De autocarro.
De autocarro e de avião, porque as distâncias também são longas. E estive lá a ver a fauna dos pinguins e dos lobos-marinhos e tudo mais. E acho que é uma experiência estares ali na última cidade antes da Antártida, na ponta sul do mundo.
É mágico, não é?
É mágico.
É mágico e eles também fazem por isso. Publicitam muito.
Muita publicidade.
É, não é?
Muita publicidade. Também acho que as pessoas que vêm cá de cima do Alasca até a Ushuaia têm aquele ponto de referência, então aquilo também fica com muito mais divulgação.
Boa, muito bem. Há muitas diferenças entre a Patagónia argentina e a Patagónia chilena, Andreia?
Muitas.
É?
Sim. Os argentinos são bem mais simpáticos do que os chilenos.
Ah, é?
A Patagónia argentina é estradas de terra batida, a chilena é asfalto. Pagas quase o triplo do preço de uma refeição no Chile do que na Argentina. Mas em termos de paisagem, cada uma tem as suas coisas.
Portanto, a Argentina dirias que é mais selvagem, é isso?
Sim, eu acho que as pessoas não se aventuram ainda muito, primeiro porque é um país maior.
Sim.
E acho que ainda não se aventuram muito por cidades desconhecidas ali. Há muitos sítios desconhecidos pelo mundo todo. Que as pessoas ainda não se aventuram muito e tentam sempre ir àqueles pontos mais falados, é Ushuaia, ali Buenos Aires. Depois também tens a fronteira com o Brasil, as cascatas. Vão ali àqueles pontos e não pesquisam muito outras.
Mas há muita natureza para ver e muita paisagem para fotografar.
Isso é que é interessante.
Que é isso que tu gostas.
É isso que eu gosto, é destinos remotos e de preferência que nunca ninguém tenha ido, que é difícil.
Sim.
Mas são essas as paisagens.
Já não há muitos sítios no planeta, eu diria que não deve haver já sítios no planeta onde nunca ninguém foi. Ou ainda há?
Olha, não sei.
Estás aí a magicar alguma coisa.
Se calhar a Antártida, mas a Antártida eu acho que não tens tanto turismo pelo preço.
Pois, porque é caro ir lá.
Estamos a falar de viagens, por exemplo, pra nós, na nossa realidade, terias que ir fazer Lisboa-Buenos Aires, Buenos Aires-Ushuaia.
Sim.
Essa é logo a primeira. E depois é longe, é caro, e depois tinhas que apanhar o barco ou ires de avião, que também é super megacaro. Mas estamos a falar em média de € 10 mil por pessoa, oito dias, 10 dias no máximo.
Pois.
E é tocar só ali na pontinha da Antártida, nem sequer entras lá pra dentro.
Isso trocado por capitais europeias, são muitas capitais.
Pela Ásia, então faz a Ásia toda, duas vezes ou três.
É?
Bem gerido.
Porque é barato viajar na Ásia.
Olha, a Tailândia já não está assim tão barato, mas continua a ser barato pra nós. A Índia, então. Índia, Sri Lanka, esses países assim continuam a ser.
Street food super barato.
É pá, street food aí na Índia.
Não aconselhas?
Eu não gostei.
Não?
Não.
Mas por quê? Porque é muito picante?
Olha, primeiro porque eu acho que uma pessoa está sempre: "Ah, vamos ali à Índia". Eu adoro comida indiana, mas aqui em Portugal. Depois na Índia é diferente.
Partilha, Andreia, anda lá, adjetiva lá isso tudo.
Só de olhares ali pra aquela comida onde está a ser feita, eu acho que é o sítio em si. Até podia ser boa.
É na rua, com muita gente a passar.
Olha, eu vou te dar um exemplo. Houve uma vez na Índia que apetecia-me carne, e eles não comem carne, são vegetarianos. É raro conseguires um sítio com carne. E havia um restaurante que tinha frango assado, e eu pedi frango assado, já não me lembro. Eu tenho ideia que aquilo era gato.
Ah, não! A sério?
Tenho quase certeza.
Por quê?
Tenho quase certeza. Pela textura. E há coisas que tu não sabes identificar.
Estarias suggestionada?
Não sei.
Mas como é que se pode saber que é gato? Já provaste gato na vida?
Não, mas já provei muitas vezes frango.
Portanto, frango não era.
Não, frango tenho a certeza que não era.
Ok, e a tua intuição diz-te que era gato.
Tenho quase certeza.
Ah, não, que horror!
Ainda pensei assim: "Será coelho?" Mas depois também não como muito coelho, mas tenho quase certeza que é gato. Eu sou muito esquisita com as comidas.
É?
Eu acho que é o mais difícil pra mim. É o mais difícil. Nas viagens eu acho que é.
Emagreces muito.
Não emagreço, mas por exemplo Às vezes estou uma semana a comer fruta, só vejo fruta pra comer.
Pois.
Não como mais nada. Ou às vezes, se tiver alguma coisa com arroz, às vezes como só o arroz.
Só o arroz. Eu entendo isso. Estou contigo.
Obrigada.
De nada. Olha, falamos há pouco de atravessar o continente americano de moto ou de autocaravana, que é o que tu queres fazer. Também já viajaste pela América Central e pela América do Sul. Correto? Fotografaste vulcões ativos. Aliás, tens uma fotografia que foi premiada, não é?
Foi premiada agora na Bolsa de Turismo de Lisboa, que houve agora ali na FIL.
Na FIL, em Lisboa.
E já foi premiada agora também pelo Fine Arts Photography Awards. E foi uma fotografia tirada na Guatemala em fevereiro deste ano. E aquilo é maravilhoso.
Maravilhoso, aquilo é o vulcão ou o país?
Tudo.
A Guatemala.
Acho que quem tiver a oportunidade de ir à Guatemala, não deixe de ir.
Por quê?
Eu acho que é uma experiência. Tu sentes a Terra ali.
Como assim?
Tu vês, por exemplo, chegas à Guatemala e uma das atrações deles neste momento é o vulcão Fuego, que está em erupção de 20 em 20 minutos, mais ou menos, ou de 40 em 40 minutos, há 20 anos. E tu durante o dia tens várias vezes atividade vulcânica do vulcão, a expelir lava e a expelir a fumaça do vulcão. Agora imagina estares a 2 km em linha reta do vulcão, à noite. Acho que é uma experiência de vida.
É o fascínio do perigo?
Não, porque aquilo depois às tantas não é perigoso.
Não?
Não. Estás a uma distância de segurança.
Mas pode de repente fazer uma erupção violenta.
Claro. Mas assim como pode, estás cá em baixo.
E lá vai a Andreia e todos os mortais desta pra melhor.
Aconteceu em 2018.
Aconteceu?
Aconteceu.
Quando, em 2018?
Quando houve aquela erupção grande. Já não acontecia há algum tempo, então alguém decidiu fazer um hotel mesmo na base do vulcão. E as coisas não correram bem. Foi quando houve aquela erupção enorme da última vez e as cinzas chegaram à cidade da Guatemala, que também não está muito distante, estamos a falar se calhar de 100 km. Para cinzas, não é nada de especial.
Sim.
E a coisa não correu bem. O governo da Guatemala diz que só morreram 10 pessoas, mas não, morreram bem mais.
Pois. Então mas conta-me lá como é que é estar perto de um vulcão. Perto, sendo que perto é, dizias há instantes, era 2 km, não é?
Em linha reta.
Em linha reta.
Ou seja, visualmente estás a 2 km. Eu acho que é maravilhoso estares ali. Acho que não há outra forma de sentires a natureza com o poder da natureza, o poder do planeta Terra.
E ouve-se? Faz barulho?
Faz um barulho estrondoso.
Faz? O quê? É?
É, é quase assim.
Uau!
Faz muito bem, depois de repente
E pensas: "Vou desta pra melhor." Não?
Não, vens logo cá pra fora.
Mas ouve a gente a rir, imagino, não é?
Não, mas é toda a gente. Uau! Mas todos, em coro.
Sim.
Toda a gente tem essa reação.
Essa manifestação de espanto.
É. Acho que toda a gente que tiver a oportunidade, seja na Guatemala ou qualquer outro vulcão ativo, o mais perto agora neste momento até está na Islândia, que eu acho que não é possível visitar pra turismo, já foi. Mas acho que toda a gente que tenha essa oportunidade é ir. A Indonésia também tem montes de vulcões.
Também tem vulcões, também já fotografaste vulcões, mas esses estão adormecidos, não é? Estão ativos na Indonésia?
Sim.
Boa.
Mas não vi lava.
Pois, porque tu tens uma fotografia, eu vi uma fotografia tua só de fumos, não é?
Sim.
Giríssima, enquadrada assim no meio das árvores. Boa fotografia.
Essa foi na Indonésia.
Essa foi na Indonésia, exatamente.
Essa só sai fumo, não sai lava. O vulcão atrás é que está a expelir lava, mas está exatamente no oposto à cratera, portanto, não dá pra ver daquele ponto onde eu tirei essa fotografia na Indonésia. O vulcão na Guatemala estás precisamente de frente pra cratera. E depois também tentei fotografar outro vulcão na Indonésia que também estava a expelir lava, mas o tempo estava nublado.
Ah, OK.
Depois tem dessas coisas a fotografia de paisagem.
Pois, exatamente. Olha, qual é o paraíso dos fotógrafos de paisagem? É a Islândia?
Eu acho que o mais perto é a Islândia.
Islândia. Já lá foste?
Já fui.
E é fantástico, não é?
É fantástico, sim. Mas acho que também põem aquilo uma cotação muito alta.
É? Por quê?
Eu não sei. Eu gostei da Islândia, mas acho que tens que estar muito tempo. É uma ilha, está muito a norte. O tempo é muito imprevisível, é muito instável. Hoje está sol, amanhã está frio, depois está nuvens. E pra fotografia de paisagem, às vezes não tens muito tempo. Não estás ali seis meses na Islândia à procura da foto perfeita.
Pois. E há uma vida à tua espera, não é?
Não dá pra estar ali seis meses à espera da foto ideal.
Mas ainda assim é um sítio incrível, não é?
Sim.
É muito dramático, não é?
Muito dramático. Fiz a Islândia toda de autocaravana também, dei a volta toda.
Aquela Circle Road.
Sim. Tem paisagens incríveis, tem de tudo. Tem todas as estações do ano num dia. Só que pra fotografia de paisagem, às vezes é um bocadinho instável.
Pois. Qual foi o sítio mais bonito onde já andaste a fotografar, Andreia? Terá sido a Costa Rica? Não.
Olha, na Costa Rica eu já fotografava, mas acho que ainda não tinha esta consciência que tenho hoje, nem da fotografia, nem das viagens. Talvez das viagens, porque fiz muito mais viagens depois da Costa Rica. A Costa Rica foi logo dos primeiros países que eu viajei sozinha. Fiz também a Costa Rica toda de carro. Adorei a Costa Rica, mas em termos fotográficos, tenho ideia que é um bom país pra fotografia, mas não tenho boas fotografias da Costa Rica. Porque isto é tudo um processo. A malta acha que é sprint. Não, aqui é uma maratona. Fotografia é uma maratona de vida.
Tu és daqueles fotógrafos que gosta de pôr o tripé, fazer o enquadramento perfeito, esperar pelas condições.
Esperar pelas condições, tens que esperar.
Tens que esperar, não é assim?
Não tens que gostar de acordar cedo, mas tens que acordar. Não tens que gostar de deitar tarde, mas tens que estar acordado até tarde. Não gostas de apanhar frio, mas tens que apanhar. Não gostas de escuro, mas também tens que estar no escuro. Fotógrafo de paisagem tem que ter aquele carisma de sofredor.
Tem que ter sacrifício. Então és uma fã do Ansel Adams?
Ansel Adams, Cristina Minda Maisa, Coley Brown, vários.
Muito bem. Olha, mas não me disseste qual foi o sítio mais bonito.
Olha, eu acho que foi a Patagónia.
Patagónia?
Sim. Tem tudo. Tem glaciares, tem montanhas, tem lagoas, tem vida selvagem. É longe.
E não tem elementos humanos, não é?
Não tem.
Que isso é muito importante para os fotógrafos de paisagem.
Tens ali um hotel ou outro perdidos ali, por exemplo, em Torres del Paine, mas estão muito distantes uns dos outros. Aquilo andas quilómetros e quilómetros e não tens nada. Quer dizer, tens natureza, tens fauna. Tens muita coisa. Não tens é elementos humanos. E às vezes nem pessoas, o que é fantástico.
Olha, não sentes às vezes uma certa frustração ou alguma deceção em estares a fotografar ou de fotografiares coisas que já tanta gente fotografou durante tanto tempo? Não sei, acho que às vezes não te gera esse sentimento: "Vou fazer esta foto. Mas já está feita".
É muito difícil tu chegares a um ponto, que ainda por cima agora com as redes sociais ficou muito mais divulgado. Porque acontece e os fotógrafos em parte têm culpa disso, mas acho que faz parte e tens que criar portfólio e se essa imagem não aparecer por algum motivo, tens que tentar outra composição na imagem para que seja o mesmo sítio, mas outra foto. Porque não é a paisagem que faz a foto. Ou seja, tu chegas a um sítio e normalmente a malta começa logo a tirar fotos com os telemóveis e não, tens que ter calma. Deixa ver, encontra o teu ponto certo, inclui coisas, tira coisas da imagem e vai dar uma foto. Claro, há fotos clássicas, que tu vais fazer na mesma, iguais às dos outros, mas tenta fazer outras fotos diferentes, outras composições, meter coisas na imagem, tirar coisas da imagem. Eu acho que é esse o caminho.
O caminho. Muito bem. É um jogo de paciência, não é?
Muita paciência. Porque a foto começa antes. A foto antes de ser feita, começa antes. Tens que planear o dia certo, a estação do ano. Ou seja, para não chegares lá e aquilo estar tudo cheio de nuvens. Se não queres nuvens, tens que tentar planear de forma que vás na estação certa para não teres nuvens, a hora do nascer do sol ou do pôr do sol. Não podes chegar lá ao meio-dia. Quer dizer, poder podes, mas aí eu acho que já é um registo, não é uma fotografia, é um registo fotográfico. Acho que há aqui uma diferença.
As fotografias feitas a meio do dia.
É aquela fotografia turista. A não ser que tenhas a intenção.
Portanto, tu procuras a golden hour, a hora dourada.
Eu e todos os fotógrafos.
É a melhor luz, não é?
É a melhor luz.
3200 kelvins. Eu estudei essa coisa da fotografia.
Tens curso de fotografia?
Estudei na faculdade, fiz ainda no tempo do analógico. Portanto, revelação em papel.
Pois, eu não tenho fotografia analógica, nem nunca fiz.
Já ninguém faz.
Mas, por exemplo, a minha mãe fazia na minha casa de banho a revelação analógica.
Uau!
Quando eu tinha sete, oito anos.
Então ainda tens máquina de ampliar?
Eu não tenho.
A tua mãe tem?
Minha mãe é capaz de ter ainda.
Isso é incrível.
Mas eu ficava fascinada quando aquilo aparecia a imagem.
Espetacular.
É, aquilo era tipo magia.
Aquilo é fechar-te numa câmera escura, a revelar.
Aquilo era na minha casa de banho, com os alguidarzinhos, íamos ter lá a foto com aquela pinçazinha.
Aquilo é terapêutico.
Terapêutico, não sei.
É terapêutico. Posso dizer que é terapêutico. Eu passei muitas tardes na câmera escura, até me esquecia de almoçar, porque aquilo é mesmo terapêutico. Encontrar o tempo certo de projeção da luz. Dois segundos não é o mesmo que dois segundos e meio.
Eu com seis, sete anos não tinha essa perceção. Eu só via a imagem a aparecer e achava aquilo o máximo.
Depois é 10 segundos mais um filtro, mais contraste, menos contraste. Enfim, olha, é todo um mundo.
É o que se faz hoje nos programas de edição.
Exatamente. Só que é sentadinho, agarrado a um rato.
É exatamente a mesma coisa. Mais luz, menos luz, mais sombra, menos sombra, mais temperatura.
Menos contraste. É fantástico. O que se pode fazer com uma imagem. Olha, México de carro, como é que é? Conta lá.
Olha, eu adorei o México. Acho que foi dos países também assim mais... eu adoro países latinos.
Latinos?
É. Eu não sei se é por causa da nossa relação também. Mas são pessoas divertidas, têm sempre música em todo lado. Pronto, a única coisa do México é que está assim meio turístico, com aqueles resorts gigantes ali na zona de Cancún, que é o que é.
Tu fizeste carro durante quanto tempo o México?
Uma semana. Dez dias. Entrei pela Cidade do México, depois apanhei um voo para Cancún e apanhei em Cancún um carro e fiz tudo até à costa do Belize, de carro. Mas aquela zona ali de Cancún, Tulum Chichén Itzá.
E ias à procura de algo especial no México?
Fui ver o México.
Ver o México.
Fui conhecer o México, as pessoas do México.
E ficaste bem impressionada?
Muito impressionada. Fiquei. Superacolhedoras, supersimpáticas, mesmo nos hotéis mais pequenos. Eu tendo sempre ficar em residenciais para ajudar também o turismo, a economia local, não ficar naqueles resorts de não sei quantas pessoas.
Pois.
Eu gostei bastante do México. Gostei mais de Cuba, talvez pela proximidade das pessoas.
Tu gostas de tudo.
Eu gosto de tudo. Também gostei da Índia.
És easy going, como se costuma dizer.
É só ir.
É só ir. Mas olha, já tiveste alguma deceção em viagem? Um sítio, um país ou um lugar que disseste: "Olha, é isto? É só isto? Então eu vim para aqui só para ver isto?"
Não, eu gosto de viajar. Assim de repente, não. Eu acho que não. E lembraria-me se fosse assim, mas não. Até mesmo nas Maldivas, que já estive nas Maldivas, tentei sempre ir à cidade da capital de Malé, que ninguém vai. Deixar as pessoas que vão, mas tentar sempre ficar. Eu acho que há sempre qualquer coisa nos países, qualquer coisa de diferente, que te chama e as pessoas e a cultura.
Claro que há.
Acho que há sempre particularidades daquele país que acho que vão enquadrar no teu estilo de viagem. Depois é montar a viagem em função disso.
Pois, e se virmos uma coisa diferente, já ganhámos a viagem, não é?
Sim.
Boa. Vamos fazer check-out, Andreia?
Vamos.
Então vou pedir-te para completares as habituais frases: na minha mala vai sempre...
Equipamento fotográfico. Nem é a câmera, é equipamento fotográfico.
Ui, montes de lentes, filtros.
São 15 quilos.
Quinze quilos? Quantas lentes? Viajas com quantas lentes habitualmente?
Depende da viagem, mas normalmente entre três a quatro. Duas máquinas, tripé, GoPro, drone, filtros.
Uau!
Computador, discos externos, baterias. Portanto, é equipamento fotográfico.
Credo.
Às vezes levo mais equipamento fotográfico do que roupa.
Do que roupa, era isso que eu ia dizer. Já te aconteceu ficar perdido o equipamento?
Não, porque vem sempre comigo. Se há coisa que é sagrada. Se o equipamento não embarca, eu também não embarco.
Ui. A viagem com mais peripécias que realizei até hoje?
A Índia, sem dúvida. Foi a viagem que tens que ter o plano A, o B, o C e às vezes ainda o D, nem aí algumas situações.
Tudo pode acontecer. O carimbo de passaporte ou visto mais difícil de obter?
Olha, eu diria, por incrível que pareça, o Camboja.
Por quê?
Porque eu estava na fronteira com a Tailândia. Tu passas, eu fui de autocarro, e tu passas uma zona que não é de ninguém. Já não estás na Tailândia, mas ainda não estás no Camboja, estamos a mais ou menos um quilômetro e passas a pé. E chegando à fronteira com o Camboja, o senhor polícia indicou que queria o meu relógio, queria comprar o meu relógio e já estava com o meu passaporte. E tivemos uma hora e meia, ele a querer comprar o meu relógio e eu a querer o meu passaporte, e a fronteira ia fechar. E eu já não podia voltar para a Tailândia. Primeiro, não tinha passaporte.
Pois.
E porque a fronteira da Tailândia também já estava fechada. E ele: "Olha, se não me dás o teu relógio, se não me vendes o teu relógio, eu não dou o passaporte". E tivemos uma hora nisto, uma hora e meia nisto.
E como é que acabou?
Acabou comigo com o relógio e com o passaporte, mas foi uma árdua tarefa.
Mas era um relógio assim tão especial?
Não, era um daqueles da Police.
Um relógio normal.
Um relógio normal, mas ele queria o meu relógio e eu não queria lhe dar o meu relógio, mas precisava do passaporte. Eu disse: "Bem, já estou mesmo a ver que vou ter que dar o meu relógio".
Ganhaste. Boa. A recordação de viagem mais cara?
Olha, acho que foi na Patagônia que precisei de comprar uma camisola, porque as minhas estavam uma desgraça com aquele pó todo e acho que dei quase 100 e tal euros por uma camisola de capuz, por necessidade, mas tinha de ser.
Para vencer o frio.
Para vencer o frio.
Que é muito acentuada à noite. Arrefece muito à noite na Patagônia, não é?
Sim, mas também, por exemplo, se fores ver as auroras boreais na Noruega, também estamos a falar de ou, por exemplo, no Salar de Uyuni, -20 graus. Estares ali com os pezinhos dentro d'água e -20 graus é qualquer coisa.
Pois é, já estou com frio. Olha, a refeição mais estranha, qual foi?
Foi essa da Índia.
Da Índia. O frango que não era frango.
O frango que eu acho que era gato. Nunca vou saber, mas eu tenho quase certeza que era. Frango não era, isso é garantido.
Olha, para terminar, gostava de viajar com...?
Christina Mittermeier ou Colby Brown, que são dois fotógrafos.
De paisagem?
Colby Brown de fotografia de paisagem e a Christina Mittermeier uma conservista de fotografia de populações da Amazônia e de fotografias subaquáticas, e está a fazer um trabalho de conservação fantástico dos oceanos e acho que era o ponto alto.
Da tua vida?
Bem, não era o ponto alto da vida, mas era um dos pontos altos.
Boa. Então boa sorte nesse objetivo.
Vamos ver. Ela já não faz expedições. O Colby Brown ainda faz, mas ela já não faz.
Manda um e-mail.
Vou mandar.
Escreve. Tudo pode acontecer. Manda o barra para dentro, Andreia.
Verdade.
Olha, chegamos ao fim. Qual foi a música que escolheste?
Yvette Sangal.
Aha! Vamos tirar o pé do chão.
"País Tropical".
"País Tropical".
Agora fica na dúvida se é tirar o pé do chão. "País Tropical".
Que é uma frase que ela diz muito: "Tira o pé do chão".
É.
Muito bem. És uma pessoa muito festiva?
Não sou muito festiva, mas gosto muito de música.
Boa. E gostas de música alegre?
Muito, sim.
Aí está. "País Tropical", a escolha de Andreia Costa no fecho da conversa do "Fim do Mundo" desta semana. Andreia, muito obrigado.
Obrigada eu, João.
Boa viagem para a...?
Tailândia.
Tailândia.
Este ano vai ser. Um bom ano de viagens.
Boa, muito bem. Andreia Costa foi a convidada desta semana das Conversas do Fim do Mundo. Já sabem, estamos de regresso para a semana. Sejam bons e boas viagens.
Eu moro num país tropical. Abençoado por Deus e bonito por natureza. Que beleza! Fevereiro tem Carnaval. Eu tenho um fusca e um violão. Eu sou Flamengo e tenho uma nega. Sai do chão, Maraca! Eu moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Que beleza! Fevereiro dizem que tem Carnaval. Eu tenho um fusca e um violão. Eu sou Flamengo e tenho uma nega chamada Tereza. Samba, samba, eu posso não ser um bem de luta. Pois é. Mas lá em casa o namorado, o gato, o papagaio, todo mundo me respeita. Pois é. Por quê? Essa é a razão da simpatia, do poder. Sai do chão! Eu moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Que beleza! Fevereiro tem Carnaval. Eu tenho um fusca e um violão. Eu sou Flamengo e tenho uma nega chamada Tereza. Eu sou Flamengo e tenho uma nega chamada Tereza. Eu sou Fla-Fla, ela é Meie. Eu sou Fla-Fla, ela é Meie. Eu sou Fla-Fla, ela é Meie. Eu sou Fla-Fla, ela é Meie. Eu sou Fla-Fla, ela é Meie. Eu sou Fla-Fla, ela é Meie. Eu sou Fla-Fla, ela é Meie. Eu sou Fla-Fla, ela é Meie. Bate na palma da mão! Alegria, alegria! Tudo que eu quero nessa vida, toda vida, é amar você. Amar você. O seu amor é como uma chama acesa que me arde de prazer. De prazer. Tudo que eu quero nessa vida, a vida, é amar você. Amar você. O seu amor é como uma chama acesa que me arde de prazer. Eu já falei com Deus, eu já falei com Deus que não vou te deixar. Vou te levar pra onde for, qualquer lugar. Já fiz de tudo! Maraca diz! Arerê, um love, love, love com você. Arerê, um love, love, love com você. Arerê, dançar junto é o meu dever. Arerê, um love, love, love com você. Cai, cai, cai. Cai, cai, cai, cai. Sobe! Tudo, tudo, vai rolar. Arerê, um love, love, love com você. Arerê, um love, love, love com você. Muito obrigada, minha gente! Arerê, um love, love, love com você. O Maraca é meu! Obrigada, Rio de Janeiro. Tchau, gente. Obrigada, minha gente. Fiquem com Deus. Tchau, gente. Valeu, Maraca. Valeu, galera. Tchau, gente. Gracias a Gustavo. Tchau!