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Sejam bem-vindos. A viajante desta semana foi se tornando viajante e hoje aproveita todos os períodos de pausa escolar para ir por aí em busca das maravilhas do mundo. É professora de Ciências, já foi a mais de 40 países e hoje está aqui conosco, Alexandra Magalhães. Bem-vinda às Conversas do Fim do Mundo.

Olá, João. Obrigada.

Olá. Nada, a honra é essa. Então como é que começou isto das viagens e do querer ser viajante ou ir se tornando viajante, Alexandra?

Sim. Isto foi algo que foi acontecendo. Fiz a minha primeira viagem aos 18 anos.

18? És do Porto.

Sou do Porto, com certeza. E foi com o meu irmão. Na altura, ele ainda era menor de idade. Fomos visitar uns amigos que viviam no Canadá. E foi assim a primeira experiência, três semanas fora de Portugal, ainda por mais, fora da Europa. Tudo era um bocadinho diferente e achei o máximo. Achei o máximo ir às Cataratas de Niagara e ter algumas experiências por lá. Depois da primeira, claro que vêm as outras e a vontade de conhecer mundo. Comecei a trabalhar, já tinha mais alguma autonomia e alguma liberdade também financeira que me permitia viajar e comecei a fazer aquele tipo de férias de resort. Fui pro México, fui pra República Dominicana e conheci outro tipo de viagem.

Para o bem bom.

Para o bem bom. Se bem que agora não é o meu tipo de viagem, não, de todo. Mas na altura foi bom, foi bom experimentar.

Agência, ia sobretudo através das agências.

Sim. Comprava aqueles pacotes de viagem e ia experimentar. Adorei o primeiro contacto com a água quente da República Dominicana, fazer mergulho. Aquelas atividades que uma pessoa faz quando está nessas situações. Eu sinto que fui fazendo viagens com propósitos diferentes. Mais tarde, eu fiz a minha primeira viagem com um intuito diferente, que foi quando fui pra Londres. Estive lá um mês porque queria aprender a melhorar o meu inglês. Em Portugal escolhi uma escola de línguas.

Essa viagem na adolescência ou idade adulta, já?

Já era adulta. Mas foi uma das que me trouxe mais impacto, porque pra além de a ter feito a solo, embora que com família no destino, eu ficava lá, mas foi a primeira experiência que eu tive de ir pra um avião sozinha, fazer tudo sozinha, ir pra escola, ter as minhas aulas. E agora olhando pra trás-

Sentiste-te a viver num país diferente?

Sim.

Sentiste estrangeira, é isso?

Senti-me estrangeira.

É uma sensação boa, não é?

Mas senti-me em casa. É curioso, porque há países que nos dão essa sensação de nos sentirmos em casa. E a cidade de Londres, em concreto, já fui lá várias vezes e é uma cidade que eu adoro. E que já na altura, e olhando agora um bocadinho pra trás, é giro porque eu durante o dia tinha as aulas lá na escola e ao fim de semana combinava com os meus colegas para irmos passear e conhecer os mercados e conhecer o palácio, etc. Já havia aqui esta vontade de levar pessoas a conhecer também alguns lugares.

Ok.

Interagir com pessoas diferentes, foi muito bom.

Muito bem. Então depois vem a idade adulta e aí começas a viajar com alta intensidade, digamos assim.

Sim, com alta intensidade. Tive outra viagem muito marcante. Esta sim, foi a minha primeira viagem a solo, sem nenhum tipo de suporte no destino, que foi quando eu estava a trabalhar na altura numa empresa, já estava muito cansada daquilo e decidi despedir-me. E no dia a seguir marquei uma viagem pra Tailândia. Onde ia passar três semanas só pra experimentar, só pra ver qual era a sensação de ir pro outro lado do mundo.

Sozinha?

Por minha conta.

Ok.

Sim.

Foste pra resort ou nada?

Não, nada disso.

A aventura mesmo.

A aventura, mas planeei tudo em casa, porque uma coisa que eu adoro fazer é roteiros. E então eu já comecei a viajar logo no momento em que comprei a viagem, porque eu é que escolhia os locais onde eu ia ficar, as cidades que eu ia visitar, consultava a internet pra ter assim algumas dicas. E lembro-me perfeitamente, na véspera da viagem, de estar deitada, olhar pro teto e pensar: "Oh, caraças, é já amanhã. Eu não sei amanhã a esta hora onde é que eu vou estar, com quem é que eu vou estar, a fazer o quê".

Num país longe.

Num país completamente diferente, num continente longe de casa. Acho que foi a melhor coisa que eu fiz até hoje.

Pois. Lembras-te do dia em que aterraste na Tailândia sozinha, Alexandra?

Olha, foi em março. O dia em concreto eu não sei.

Não o dia no calendário, não, mas tens presente o momento, o dia?

Sim, lembro-me, lembro perfeitamente que cheguei lá. A primeira coisa que eu fiz quando aterrei no aeroporto de Bangkok, enorme, foi pegar num táxi e ir pro alojamento. Eu pedi pra me levarem pro alojamento, que é pra sentir aquela segurança de: "Ok, agora estou num ponto seguro, cheguei, deixa-me organizar as minhas ideias e depois pensar no que eu vou fazer a seguir". Mas foi uma mistura de sentimentos. Foi a sensação de: "Ok, agora estou por minha conta", mas, por outro lado, "bem, bora lá explorar e ver o que isso tem pra me dar, pra me mostrar".

E aí foste tu pra rua.

É, fui pra rua.

Correu bem essa viagem?

Correu, correu muito bem.

Foi transformadora, já disseste.

Foi uma viagem transformadora, foi uma viagem onde conheci pessoas, nomeadamente pessoas portuguesas, com quem ainda fui tendo algum contacto depois. Mesmo viajando, eu nunca digo sozinha, digo mais a solo, nunca vamos sozinhos. Encontramos sempre pessoas pelo caminho, temos sempre experiências e pessoas que nos dão alguma coisa e que levamos pra vida.

Há muitas pessoas iguais a nós, não é?

Sim, muitas. Sim, e gostei de ter sido à Tailândia, porque é um dos países onde eu sinto que há melhor acolhimento dos turistas.

Ah, ok.

Sempre que nós precisamos de alguma coisa, tem lá alguma pessoa que nos vai ajudar, vai nos dar uma dica, vai facilitar uma situação e, portanto, a segurança, como pra mim é importante, adorei.

Eles vivem, não é? Do turismo e precisam.

Sim.

Precisam de alimentar essa indústria. É um país onde tu sentes que o turismo é muito artificial ou há autenticidade, Alexandra?

Cada vez mais.

Cada vez mais artificial, é isso?

Portanto, cada vez mais as pessoas estão a viajar. Isso leva ao turismo também muitas vezes de massas. Das duas, uma: ou nós vamos nos juntando àqueles roteiros que já estão pré-feitos e vamos fazer aquilo que os outros fazem, ou então vamos ao encontro daquilo que são os nossos gostos pessoais e tentamos fazer atividades diferentes também pra fugir um bocadinho dessa tal-

Massificação e artificialização. O que tu gostas mais enquanto viajante, Alexandra?

Natureza. Adoro natureza, adoro trilhas.

Tu é professora de ciências.

Também. E também gosto de mostrar aos alunos alguns lugares por onde passei. Por exemplo, no sétimo ano damos geologia, eu adoro mostrar-lhes vídeos da Islândia, que é o paraíso dos geólogos. E, por exemplo, da Indonésia, que foi a última viagem que eu fiz de verão este ano, que eu adorei, porque fomos subir vulcões e foi assim uma coisa espetacular.

Boa, então se gostas de natureza, já foste à Costa Rica?

Ainda não. Ainda tantos países estão na lista.

Pois, é verdade. Mas está na tua lista de países a visitar?

Não está no meu top prioridade deste momento, mas está ali na lista.

Então qual é o teu top?

Olha, quero muito ir à Etiópia, à Depressão Danakil, ver aquela zona vulcânica ali do vulcão Erta Ale. E quero muito voltar-

Ao vale do Omo, também?

Ver as tribos também. E quero muito voltar à Indonésia, porque foi o país que até agora acho que me arrebatou.

Foi?

Foi. Quero muito voltar pra ir à ilha de Sumatra, que não tive a oportunidade de ir, pra ver o Krakatoa. Quero voltar a Bali pra subir o Monte Batur, portanto, há aqui muita coisa que tenho ainda pra fazer. E gostava de ir à Colômbia, também está assim na minha lista.

Por quê?

Diversidade, aquela alegria. Não sei, eu associo a Colômbia muito a cor, movimento, a pessoas muito descontraídas e, portanto, também quero aproveitar esse lado mais alegre.

Ok. Portanto, viajas por causa da natureza ou em busca de lugares naturais bonitos, deduzo. És professora de ciências na escola pública em Portugal. Dentro do capítulo natureza, quais são as tuas preferências, Alexandra?

Geologia.

Geologia, pronto.

Sim, geologia.

Calhaus.

Calhaus, tal e qual.

Que me perdoem as professoras. Não, pedras, formações rochosas, é isso.

Certo, adoro. Sim, às vezes há pessoas, o meu irmão, por exemplo, até brinca comigo: "Viemos tão longe só pra ver este calhau?".

Os não geólogos não percebem.

Às vezes.

Às vezes. Ok, então conta-nos calhaus bonitos que tenhas visto pelo mundo, Alexandra.

Olha, eu gosto muito de tudo que é vulcânico. Então posso dizer que adorei quando fui à Irlanda do Norte, ver a Calçada do Gigante, que são aqueles prismas basálticos muito típicos. Na Islândia também.

Há uma amostra pequenina em Portugal, não há?

Há, ali perto de Santarém. Estive lá antes do Natal. Aquilo está um bocadinho ao abandono, porque nota-se que pra além dos prismas, tem assim um pouco de vegetação que não foi limpa, portanto, nota-se que aquilo não é sequer considerado quase um ponto turístico ou um ponto a observar.

Pois, tratamos mal o pouco que temos. Meus senhores, vamos lá tratar bem do que temos.

Sim, é bom.

Então gostas de ver formações rochosas, portanto essas estão nos prismas na Irlanda do Norte.

Sim, na Irlanda do Norte. Depois a Islândia tem aquela praia de areia negra que agora foi destruída um pouco em parte pelo mar. Mas também tem lá esses prismas.

Ah, deterioraram?

Sim, vamos ver.

Demora tempo.

Sim. E, por exemplo, a Indonésia, fiquei fascinadíssima com a subida ao Monte Bromo, ver a cratera do vulcão. Nunca tinha visto uma assim em primeira mão.

Que está em atividade.

Está em atividade.

Viste lava incandescente?

Não chegamos a ver lava incandescente, aí só vimos basicamente vapores a sair da cratera, mas tivemos a oportunidade de ir ao Ijen, que é um vulcão que também fica ali em Java, onde há o fenômeno da lava azul. Aquilo não é lava, são compostos de enxofre que entram em contato com o ar e dão aquela sensação de lava azul porque estão a escorrer. Mas é um fenômeno que dá pra ver só à noite e portanto nós fizemos a caminhada à meia-noite, começamos à meia-noite e fomos ver esse fenômeno com máscaras de fumo, com óculos próprios. Foi assim uma aventura.

Lava azul.

É, o fenômeno lava azul.

Lava azul, muito bem. Tu utilizas as tuas viagens como matéria de ensino, Alexandra?

Sempre que possível, porque eu gosto de, acima de tudo, inspirar os alunos a verem um bocadinho mais do que aquilo que está nos livros.

Pois.

Portanto, o mundo é enorme. O mundo pode-se dizer que é um grande livro que está à disposição de todos nós.

Uma bela imagem.

E acima de tudo, gosto de dizer aos alunos que se eu pude e consigo fazer isto, vocês também podem. E portanto, mostro-lhes vídeos. Por exemplo, os gêiseres da Islândia. É espetacular. Quando estamos a dar o vulcanismo secundário, mostrar-lhe os gêiseres que eu vi ali em primeira pessoa. Portanto, se eu vi, eles também podem ver. E gosto muito de utilizar sempre imagens que eu própria recolho pra lhes mostrar aquilo que existe.

Muito bem. Os miúdos hoje em dia vivem em sobreestimulação permanente.

Sério. Sim.

Tu não vens acentuar ainda mais esse fenômeno, Alexandra?

Não, eu tento relacionar sempre aquilo que mostro com o que nós estamos a falar naquele momento.

E dás contexto, não é?

E dou contexto e falo como é que eu me senti, porque isso também acaba por inspirá-los a querer um dia fazer diferente.

Contas a experiência.

Sim, conto. E eles são muito curiosos em relação a isso, que às vezes perguntam: "Ó professora, qual é o país que mais gostou?" Eles próprios já sabem que eu tenho este gosto por viajar e fazem essas perguntas.

E a resposta para essa pergunta: professora, qual foi o país que mais gostou até agora? Qual foi?

Neste momento, a Indonésia. Antes era a Tailândia, agora a Indonésia. Sim.

Ok. Por tudo aquilo que disseste à pouco.

Reúne tudo aquilo que eu gosto. Primeiro, é um país seguro, tem praia, tem natureza, tem pessoas simpáticas, tem boa comida, portanto, reúne tudo aquilo que eu gosto num país.

Engraçado que nos anos 90 era um país maldito em Portugal, por causa da nossa relação com Timor.

Sim.

Mas quem já tinha estado na Indonésia dizia: "Atenção, porque o país..." Aliás, vale para a Indonésia como vale para todos os países. O país não é o regime. Nunca é.

Exatamente.

O regime normalmente é sempre o pior dos países, não é?

Sim, mas aquilo que eu reparei na Indonésia foi sempre pessoas supersimpáticas. E sorridentes, e quando nos viam, muitas vezes até queriam tirar fotografias, porque olham para os turistas em certas cidades.

E tu és exótica. Desculpa. És. Olho azul, cabeleira ruiva.

Sim. Não dá para passar muito despercebida. Ainda por cima é um país muçulmano, onde as mulheres maioritariamente andam tapadas. É um bocadinho diferente. E depois percebi que a Indonésia também tem aquele lugar que toda a gente gosta e eu fui lá perceber por que as pessoas gostam, que é Bali. Porque há lá uma zona que é Ubud, que é supertranquila, que é muito dada à espiritualidade, onde se vê, por exemplo, as pessoas de manhãzinha a começarem a colocar os incensos e as flores nas ruas. Lá eles são hindus.

Há uma vibe.

É, e há uma vibe muito diferente. E eu agora percebo por que as pessoas gostam de Bali, porque realmente eu adorei Bali.

Surf e ioga.

É.

Ok, muito bem. Olha, tenho aqui um recado para dar.

Diz-me.

Se anda a sonhar com a próxima viagem, este pode ser o sinal que precisa. Com os Real Deals Day da KLM, pode descobrir Amsterdão, explorar o Kilimanjaro ou experimentar algo novo em Joanesburgo, Pequim e Los Angeles com preços especiais por tempo limitado. As oportunidades estão no ar, mas não duram para sempre. Vá a klm.pt, veja todos os destinos e reserve já o seu voo. Alexandra, estamos quase a chegar ao final da primeira parte. Vamos abrir o álbum de viagem.

Ok.

Então, guardas contigo algum objeto que tenhas trazido das tuas viagens e que seja o objeto ou muito especial?

Sim. Sempre que vou para vários lugares, gosto de trazer amostras de areia.

Boa. Pronto, a professora de Ciências, só podia ser areia.

Coloco nos fresquinhos e depois gosto até de mostrar aos alunos, mas também para ver as diferenças das tonalidades das cores da areia.

Ok. Qual é a tonalidade mais vistosa que tens por lá na tua coleção de frascos? Que tem quantos exemplares?

Não tenho assim muitos. Eu só comecei a fazer isto recentemente. E às vezes esqueço. Às vezes estou num lugar e esqueço. Mas está tudo certo. É de voltar lá.

Sim. Não vens com areia nos bolsos, pois não?

Não. Arrisco pôr num saquinho, nem que seja um saquinho daqueles que arranjo no supermercado, e trago.

Mas quantas tens? Quantos frascos de areia?

Devo ter para aí uns sete ou oito. Ainda não tenho assim muito. É recente.

A mais vistosa ou aquela mais...

A mais dourada do deserto do Saara. Um castanho dourado. A mais escura do Monte Bromo, que é vulcânica, na Indonésia. Mas a mais clarinha de todas é das Phi Phi.

Das ilhas Phi Phi?

Isso.

Boa. É como nos postais? Água cristalina, areia branca.

Sim, e as Maldivas a mesma coisa. Também é superbranquinha aquela areia.

Muito bem. Estamos à conversa com a professora de Ciências, Alexandra Magalhães, como o nosso herói das viagens, Fernando Magalhães. Fazemos aqui uma curta pausa, regressamos já a seguir. Até já. Estamos de regresso para a segunda parte das Conversas do Fim do Mundo, esta semana com a professora de Ciências Alexandra Magalhães, a professora Alexandra, ou Alexandra.

Só Alexandra.

Só Alexandra. Já foi a mais de 40 países. Alexandra, o que é que aconteceu na Namíbia?

Essa viagem foi uma viagem que eu diria que foi surreal. E foi surreal por quê? Porque foi toda organizada por mim.

Portanto, tinha tudo para correr mal, é isso?

É. Eu costumo dizer que África tem uma coisa muito gira, que são as leis de Murphy que estão sempre a trabalhar. E então, nesse ano, meu irmão estava a trabalhar em Angola e eu e uma amiga fomos ter com ele e optamos por fazer uma viagem por alguns lugares de Angola e depois fazermos uma viagem mais curtinha na Namíbia.

Ok.

Só que tudo começou a empancar logo desde os primeiros momentos da viagem.

Então.

Chegamos ao aeroporto de Windhoek, era meio-dia, mais ou menos, achávamos que íamos ter lá o nosso carro à espera, que era um jipe que nós tínhamos reservado, só que houve um problema qualquer com a reserva e tivemos seis horas no aeroporto à espera que nos atribuíssem um carro.

Ui.

Ao fim de seis horas, não nos atribuíram um carro qualquer, atribuíram-nos um Toyota Corolla, daqueles tipo banheira, para irmos para o deserto e para irmos fazer um safári.

Tipo banheira, portanto devia ser um carro para aí dos anos 90, é isso? Ou 80?

Não, mas é daqueles muito compridos. Quando imaginas fazer um safári e aquele carro não está lá, de certeza absoluta. Ao fim de seis horas foi o carro que nos atribuíram.

E vocês aceitaram.

Que remédio, não havia outro. Todos os rent-a-cars tinham os carros esgotadíssimos e nós tivemos que aceitar. Só que sair do aeroporto às 18h já é praticamente de noite.

Pois.

E nós tínhamos ainda uma viagem de 600 km para chegar ao nosso lodge, que era já muito próximo de Sossusvlei, do deserto. A primeira coisa que fazem quando nós saímos do aeroporto, o rent-a-car leva-nos a ver um vídeo: tudo o que não deves fazer na Namíbia. Primeira coisa: não conduzir mais do que três horas seguidas. Segunda: cuidado com o excesso de velocidade. E a terceira é não conduzir à noite. E quando aparece o não conduzir à noite, aparece a imagem de um grande elefante a aparecer à frente de um carro e o carro com os faróis a iluminar o elefante.

Ok.

E foi aí que realmente começou a crescer aquele nervoso miudinho de: "E agora?"

Vocês pensaram: "Isto fazemos o pleno, não é?"

Podíamos ter optado por dormir uma noite em Windhoek e ir só na noite seguinte. Mas pensamos: "Não, eu acho que isto vai correr bem e acho que vamos fazer à estrada." Eu liguei na altura para a senhora do lodge.

Os portugueses e o improviso. Há uma atração fatal.

E o melhor desta viagem é que fomos sem seguro de viagem. Nunca se vai para fora da Europa sem seguro de viagem e muito menos para a África.

Bom conselho, esse.

A partir daí é organizar sempre viagens com seguro. E na altura liguei à senhora do lodge e disse assim à senhora: "Olhe, nós vamos agora sair de Windhoek, daqui a mais ou menos umas seis horas nós chegamos aí." E a senhora só disse: "Só agora é que vão sair de Windhoek? Olhem que vocês não vão conseguir andar a mais de 70 km/hh, porque as estradas são muito más, são todas em gravilha. Olha que Deus vos ajude." E assim que a senhora me disse que Deus nos ajude, eu pensei: "Ok, eu não sei se isto é assim tão bom quanto parece."

Sim.

Lá fomos, fizemos o terreno.

E então?

Saímos de Windhoek. Windhoek ainda era uma cidade desenvolvida, tudo tranquilo. Assim que saímos de Windhoek, para começar a ir pelas estradas secundárias em direção ao deserto, não víamos nada.

Tinham um GPS?

Tínhamos um GPS, mas não víamos nada à nossa volta. Era tudo escuro, só víamos algumas montanhas e umas árvores. Sabíamos que os animais andariam por ali. Não tínhamos comunicações, porque o telefone estava sem rede. Eu posso dizer que foi o momento da minha vida em que eu senti que era mesmo pequenina. Ninguém sabia onde é que nós estávamos. Tínhamos ali um longo caminho, a gravilha sempre ali a bater nas jantes e a fazer aquele barulho difícil.

Nos pára-lamas.

E nós fomos naquela do confia, porque se furasse um pneu-

E de repente sentiste o jantar de um leão

Não, mas pensei assim: se nos fura um pneu, nós nem podemos sair do carro, não é recomendado para não mudar o pneu. É de noite, os animais andam à solta e foi uma sensação mesmo de-

E então, o que fizeram? Continuaram viagem?

Continuamos a viagem.

Continuaram?

Continuamos, com certeza. Continuamos, fomos conversando. Às vezes ficávamos mais em silêncio, mas fomos continuando até que chegamos ao lodge e a senhora de braços abertos. "Finalmente, vocês chegaram." Já passava da meia-noite.

Duraram seis horas.

E então aí já fomos dormir descansadinhos para o que ia acontecer depois nos dias seguintes.

Isso quantos quilómetros fizeram?

600 mais ou menos. Em total, 600.

Mesmo assim, 600 km em seis horas.

À volta disso.

Trataram mal aquele Toyota Corolla.

Essa parte eu não quero comentar.

Porque isso significa que foram a 100 km/h, não é a velocidade média.

Menos um bocadinho. Se calhar foi menos um bocadinho.

Boa. Namíbia é um país giro, não é?

Namíbia é um país espetacular. É um país muito civilizado, para aquilo que eu conheço de África.

Tem herança alemã, não é?

Foi colonizado exatamente pelos alemães, então está tudo muito bem sinalizado.

E não é um país muito sobrepovoado. E com todos os problemas que isso acarreta.

Quase não se vê ninguém nas ruas. Somos capazes de andar umas retas muito longas, quilómetros e quilómetros em que não vemos uma pessoa.

Ok. E encontros imediatos do terceiro grau com animais de grande porte, Alexandra, isso houve ou não houve?

Isso também foi uma situação muito gira.

Também lá na Namíbia?

Também na Namíbia.

Pronto, vamos afastar os ouvintes todos da Namíbia.

Não, eu recomendo muito.

Ou então não, vão pensar: "Bem, tenho que ir à Namíbia, porque lá acontecem coisas fantásticas." Conta.

Recomendo muito, mas fazer as coisas com outro tipo de organização. Nós quisemos ir ao Etosha, porque era a primeira vez que eu ia fazer um safári, ia ser minha amiga.

O parque natural.

Exatamente. Só que o Etosha é gigante. Nós tivemos que ir lá dois dias, porque não conseguimos ver os leões no primeiro dia, então quisemos ir no segundo. Mas no primeiro dia, o parque tem várias entradas, quisemos entrar pela entrada mais próxima do nosso hotel e depois fomos andando e fluindo com o dia, até chegarmos à saída do parque que nos ia levar ao encontro daquela tribo, os Himba, aqueles que se pintam com aquelas argilas e têm aquela tonalidade avermelhada. E foi supers giro, ainda estivemos lá a tirar fotografias e tudo mais. O parque, entretanto, já tinha fechado e nós colocámos no GPS que era hora de regressar ao hotel. Só que não tínhamos pensado é que tínhamos que contornar o parque todo por fora. Assim que colocamos no GPS as coordenadas para o hotel, dava-nos cinco horas e tal.

De viagem.

Tinha tal quilómetros, porque tínhamos que contornar o parque todo. Chegamos ao hotel perto da meia-noite, jantamos, dormimos. Na manhã seguinte, ok, vamos outra vez ao parque. Desta vez vamos mesmo ao amanhecer e temos que ter cuidado porque o parque fecha ao entardecer. Assim que o sol se põe, o parque fecha. Chegámos lá logo no início da manhã e pensar: "Não, desta vez nós já sabemos, portanto nós vamos entrar e sair pela mesma saída, não vamos fazer como ontem." Só que deixamo-nos ir também ao longo do dia e deixamos o tempo fluir, até que começamos a ver que estava a anoitecer. E quando vimos os quilómetros que faltavam para chegar a essa nossa entrada, ainda faltavam cerca de 70. O que fizemos e que não se pode fazer é acelerar a velocidade dentro do parque. O limite é 30 km/h, mas nós tivemos que acelerar bastante mais para que o parque não estivesse fechado.

É perigoso, porque isso causa muita agitação entre os animais.

Claro que sim, podíamos ter tido ali algumas situações mais-

O Parque Etosha tem um grande lago, não é?

Tem um grande lago, que eu já nem me recordo se nós na altura chegamos a ir a esse lago, porque aquilo é tão grande que nós tivemos que fazer opções e às vezes víamos um animal por ali e lá íamos por aquele caminho. Deixávamo-nos assim guiar um bocadinho. E então nesse regresso para a entrada-

A alta velocidade

A alta velocidade, eu lembro-me que vimos um rinoceronte que estava assim do lado direito e entretanto travamos e eu disse ao meu irmão: "Olha, parem um bocadinho que eu vou tirar uma fotografia." Só foi o tempo de baixar a cabeça para tirar a máquina fotográfica, apontar para o rinoceronte.

Estavas dentro do carro?

Dentro do carro, todos, claro. E assim que olho para o rinoceronte, ele começa a dar com os cascos no chão e a vir na nossa direção. E eu só me lembro do meu irmão pôr prego a fundo no acelerador e termos começado a andar rápido com o carro e o rinoceronte atrás de nós.

Ainda vos perseguiu?

Perseguiu durante pelo menos uns segundos, mas perseguiu.

Mas parecem uma eternidade, não é?

Sim. E é assim, agora me sorris-

Já era de noite ou a lusco fusco?

Não, era assim lusco fusco. Fim de tarde. E então aquela situação foi assim muita adrenalina.

Os coraçõezinhos dispararam.

Sim, muito mesmo. Entretanto, o nosso objectivo era chegar à entrada do parque e quando chegamos à entrada do parque, o parque estava fechado.

E então?

E então, o que é que vamos fazer? Vamos ficar aqui dentro do parque com os animais à solta ou vamos esperar que venha alguma alma caridosa e que nos tire daqui. Qual foi a sorte?

Qual foi a ilegalidade que cometeram desta vez?

Qual foi a sorte?

Ah, houve uma sorte.

Houve uma sorte, que foi sair. Nesse momento, estava a sair uma carrinho da manutenção e nós nem pensamos, colamo-nos à carrinho e quando ela saiu, nós fomos logo a seguir. Ainda estivemos a ouvir um bocadinho lá o segurança do parque a falar-nos que devíamos ter saído mais cedo, mas de resto foi tudo tranquilo.

Ok, muito bem. Não foi a tua única experiência africana, digamos assim.

Não. Em África, para além de Angola e Namíbia, já fui ao Egito, Cabo Verde, Marrocos várias vezes. Não fui a muitos países.

É um continente que te diz ou nem por isso?

Gosto muito, só que uma pessoa que vai para África tem que levar uma mindset muito diferente de uma pessoa que vai para a Ásia.

Sim.

Porque em África nada acontece ao nosso ritmo.

Ok.

A África tem um ritmo muito próprio.

É o deles, não é?

É o deles, tal e qual. E nós é que somos os estrangeiros e nós é que temos que nos adaptar. As coisas não acontecem quando nós queremos, é quando acontecem.

Quando dizes que tem um ritmo diferente, é concretamente o quê, Alexandra?

Olha, em tudo. Nos transportes, as pessoas, a forma como fazem as coisas muito mais devagar. É toda uma vibe ali muito-

Vão vivendo e vão trabalhando.

Exatamente. Enquanto que na Ásia, não, eles são todos muito rápidos a fazer as coisas e é tudo muito eficaz, transportes, aviões, etc. Em África, tudo vai se fazendo. E, portanto, uma pessoa tem que ir já com essa mentalidade e predisposição para conhecer. E para se deixar levar também, porque não somos nós que vamos mudar nada. O país é que nos vai mudar a nós, portanto, temos que ir com a humildade também de nos deixarmos ser transformados.

Claro. Houve algum país que já te tenha levado as mãos aos cabelos?

Não. Senti frustração, porque quando fui para Cabo Verde, também numa viagem a solo, em 2024, eu voei para Santiago e queria muito ir à Ilha do Fogo, para subir o Vulcão do Fogo. Levava tudo, o equipamento todo. E quando chego ao aeroporto e estou lá para aí umas cinco horas e ao fim de cinco horas é que nos dizem que o voo foi cancelado, quando andavam a cancelar todos os voos domésticos nessa altura. Fiquei frustrada, porque o objectivo da minha viagem era o Fogo. Mas lá está, adaptei planos, conheci pessoas diferentes, que até depois começaram a fazer parte dessa minha viagem e fiquei a conhecer Santiago melhor do que conheceria se tivesse ido ao Fogo, portanto, valeu pela experiência.

Muito bem. Vale sempre a pena, não vale?

Vale sempre a pena.

Não há viagens más.

Não.

Quer dizer, há só aquelas traumáticas. Mas a grosso modo, a maior parte das viagens, nós tiramos sempre qualquer coisa positiva delas.

É que mesmo as más ou alguma que possa correr menos bem, nós tiramos sempre alguma lição. E portanto, só por isso já vale a pena.

Sobretudo se a seguir a essa má viagem vier uma boa viagem.

Claro, e vierem muitas.

Exato. Depois aí temos uma história boa para contar, não é?

Exatamente.

Muito bem. Estamos à conversa com Alexandra Magalhães. Vamos fazer checkout, Alexandra.

Bora.

Então vou pedir-te para completares as habituais frases: na minha mala vai sempre...

Olha, vai sempre o meu diário de bordo, que é um caderno, onde eu gosto de escrever em momentos, às vezes, mais parados das viagens ou quando vou a solo, escrevo muito quando vou almoçar ou jantar, ou quando estou ali a fazer só uma pausa para café.

Ok. Notas de viagem, reflexões de viagem?

Reflexões, notas e, por exemplo, sensações. Às vezes há pequenos detalhes que se eu não apontar, eu nunca mais na vida me vou lembrar.

Por exemplo?

Eu lembro-me de estar, por exemplo, num restaurante na Tailândia, nessa primeira viagem que eu fiz, e o funcionário ver-me a escrever. Eu estava a escrever e o funcionário ficou tão admirado que ele disse: "Olhe, estou a olhar para si e parece que está a receber alguma mensagem e a escrever aquilo que alguém lhe está a transmitir". E foi chamar outro funcionário lá dentro para me verem a escrever. Eu pensei: "Bem, isto é uma coisa estranha". Mas pronto, são pequenos detalhes ou sensações. Por exemplo, qual foi a sensação de estar nas ilhas Phi Phi sozinha a jantar em frente ao mar, aquele silêncio absoluto, e eu estar ali a sentir-me tão bem e a pensar: "Isto é mesmo a minha cara". São pequenos momentos que se não ficarem registados, rapidamente, com o tempo vão acabar por passar despercebidos.

Muito bem. Sairão um dia em livro?

Quem sabe?

Quem sabe? Olha, a viagem com mais peripécias que realizei até hoje.

Angola e Namíbia.

Foi?

Sem dúvida.

Angola, gostaste do país?

Olha, gostei muito de Angola.

Namíbia, sim, gostaste, não é?

Namíbia, sim, gostei. Também gostei muito de Angola.

Apesar das aventuras.

Certo. E Angola nós fomos também com um propósito, que foi ir às raízes da família da minha melhor amiga, que na altura foi comigo nessa viagem, e portanto, irmos às raízes dela, onde tinha nascido a mãe, onde tinham vivido os avós. E portanto, Angola também teve muito essa-

Carga emocional

...essa carga, sim.

Ela encontrou as suas raízes.

Encontrou, sim senhor, e a casa onde tinha vivido.

Um momento emocionante, então.

Sim, foi muito giro.

Boa. E é bom partilhá-lo, não é?

É, claro que sim. Eu acho que as viagens, pelo menos para mim, têm sempre algum propósito, mais não seja me encontrar mais um bocadinho ou de ir buscar mais alguma coisa que eu queria muito ver e que já há muito tempo estava na minha lista. Tem sempre algum propósito e não só ir e conhecer.

Boa. O carimbo de passaporte ou o visto mais difícil de obter até hoje?

Angola.

Mas espera aí, deixa só fazer uma-

Diz-me.

Eu estou aqui a saltar. Foi Angola que teve muitas peripécias, por quê?

Olha, Angola também teve algumas peripécias. Uma delas posso dizer que foi já ser perto da meia-noite e nós estarmos em Cacuso, que é uma terra no fim do mundo, não termos onde dormir e o único hotel ou residencial que estava disponível tinha era um ecossistema lá dentro. Portanto, tivemos que dormir vestidos e tudo.

Um ecossistema?

Sim, tinha ali alguns bichinhos saltitantes. Foi assim toda uma panóplia de diversidade.

Tiveram que improvisar uma redoma para dormir.

Foi. Foi assim.

Dormiram só uma noite, não foi?

Só uma noite, e estávamos desortes pelas 5h da manhã para nos pormos a andar.

Com ou sem pequeno-almoço?

Na altura, com pequeno-almoço, mas também comeu o essencial só para ir embora.

Ok. O carimbo de passaporte foi então o de Angola.

Foi Angola, porque naquela altura era preciso carta de chamada, era preciso comprovativo de subsistência, era preciso uma data de burocracias.

Ok. A recordação de viagem mais cara, qual foi, Alexandra?

Olha, foi no Egito, quando eu me entusiasmei. No norte de África há muito aquela tradição de nos levarem para lojas, ou de especiarias, ou de chás, ou de tapetes.

Regatear tudo, não é? Chega uma altura que a pessoa já não tem paciência para aquilo.

Certo. No Egito fomos a uma loja de chás e eu entusiasmei-me. "Chá de romã, chá de manga, que giro". Quando vou a pagar 50 € em chá eu penso: "Eu devo estar maluca". Se fosse numa peça de arte ou assim, alguma coisa que eu valorizasse mais. Agora, chá? Achei um exagero.

E é muito chá, não é?

É muito. E eu nem sequer sou daquelas pessoas mais bebedoras de chá, mas na altura entusiasmei-me.

Foste pelo cheiro. É bom, não é?

Sim.

Olha, a refeição mais estranha, qual foi?

Olha, a refeição mais estranha foi cartilagens de galinha panadas.

O que é isso?

Foi assim uma coisa estranha, porque estávamos em Krabi, perto do aeroporto, numa zona em que não havia praticamente turismo. Então os menus não estavam em inglês, as pessoas não falavam inglês, e quando vimos aquilo no menu pensamos: "Olha, vai ser isto". Só depois de comer. Nem é pelo petisco em si, foi depois pensar de onde é que isto vem. Porque eu não estou a imaginar as pessoas a desossarem o frango e tirarem as cartilagens todas. Portanto, eu preferi nem pensar. E foi uma experiência muito engraçada.

É saboroso? Vale a pena comer?

É saboroso.

Ok, pronto. Gostava de viajar com?

Olha, eu gostava de viajar com as minhas amigas mais próximas. Fazer um grupinho só com as minhas amigas próximas. Eu tenho a oportunidade, felizmente, de viajar com o meu irmão, com a minha mãe, com algumas amigas pontualmente, mas juntá-las todas para uma viagem inesquecível. Portanto, fica já aqui também a dica, que vou desafiá-las em breve.

Boa. E o destino, qual é?

Olha, ainda não sei. Ainda não pensei qual seria o destino, mas que tivesse assim alguns desafios também. Natureza, praia.

Então Costa Rica.

Por exemplo.

Olha, não é? Paraíso da natureza.

Sim.

Muito bem. Alexandra, chegamos ao fim. Qual foi a música que escolheste para fechar a nossa conversa?

Olha, a música que eu escolhi é uma música recente que eu conheci antes de ir pra Malta, portanto, o mês passado, e chama-se "Deixa-me Ir", que é dos Cetolaem. E escolhi esta música porque a mensagem principal da música é deixa-me ir pra me encontrar. E é exatamente aquilo que eu sinto com as viagens. Eu quando vou, não vou para conhecer o mundo, mas vou para me conhecer um bocadinho melhor e fazer um longo caminho dentro de mim, porque quando eu volto já não sou a mesma.

É verdade. Muito bem. Vamos então ouvir esse "Deixa-me Ir" dos Cetolaem. Alexandra, muito obrigado.

Obrigada, João.

Foi um gosto. Continua a inspirar os teus alunos. Aperta com eles.

Obrigada.

Estamos de regresso dans os oito dias, já sabem, sejam bons e boas viagens.

Quero ver o sol nascer sem medo do anoitecer e perceber que cada fim é um começo dentro de mim. Deixa-me ir, preciso andar. Levo a saudade, deixo o lugar. Rir para não chorar, chorar para me curar. Só volto quando um dia me encontrar. Quero sentir o peso leve do vento. Lavar a alma nas margens do tempo. Aprender que a dor também floresce quando a gente larga e esquece. Deixa-me ir, preciso andar. Levo a saudade, deixo o lugar. Rir para não chorar, chorar para me curar. Só volto quando um dia me encontrar. De repente, tudo é lembrança. O quente tornou-se morno e distante. E mesmo na perda, há esperança. Um brilho apagado, mas constante. Deixa-me ir, preciso andar sem correntes, sem destino a traçar. Se eu não voltar, não é o fim. É porque fiz caminho dentro de mim.