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Entre corredores de fruta acabada de colher, o cheiro intenso a citrinos e o ritmo acelerado de uma linha de produção, há números que contam uma história maior do que parece. "O Observador" esteve em Almancil, no Algarve, na fábrica da Cooperativa Agrícola de Citricultores do Algarve, onde o Lidl Portugal reuniu produtores, parceiros, governo e representantes do setor agrícola para assinalar um marco. Em 2025, ajudou a exportar 28 mil toneladas de frutas e legumes portugueses para vários mercados europeus. E o ambiente é de celebração, mas também de ambição. A manhã começou numa visita guiada aos bastidores daquela que já é uma das grandes protagonistas da exportação agrícola portuguesa: a laranja do Algarve. José Oliveira, presidente da Cooperativa Agrícola de Citricultores do Algarve, recorda que tudo começou em 2020, quase em modo experimental. Na altura, foram exportadas 600 toneladas de citrinos. Hoje, são cerca de 6 mil toneladas a chegar aos mercados europeus. O segredo é a sorte de termos a melhor laranja.
Ter um incremento destes não é fácil, as exigências são muito grandes. Nós não podemos colocar produto no mercado europeu, estamos a falar do mercado alemão, em primeiro lugar, e depois do mercado francês, mas fundamentalmente do mercado alemão. O que lá vai tem que ser mesmo qualidade. E o nosso produto é vendido no mercado europeu, fruto da sua qualidade. Nem pensar em irmos para os mercados internacionais a tentar vender na base do preço. Não é possível. Nós, Portugal, temos uma dimensão muito pequena, a produção de laranja portuguesa é muito pequena comparativamente com os outros países produtores, portanto, não tínhamos qualquer possibilidade na competição do preço. Temos a sorte de ter, de facto, o melhor produto, a melhor laranja, que é reconhecida pelo consumidor. Estamos crentes, até pelo que o próprio Lidl nos tem dito e colocado, que se tivéssemos, em vez de 6 mil toneladas, disponibilidade para fornecer 8 ou 9 mil, eles têm uma rede de lojas suficientemente grande na Europa para colocarmos lá o produto. Assim nós consigamos aumentar a produção, de maneira a chegar a esses valores.
E talvez a palavra-chave deste encontro seja crescimento, porque aquilo que começou como uma parceria comercial, transformou-se numa estratégia mais ampla de valorização da produção nacional. Há mais de 10 anos que o Lidl trabalha com produtores portugueses para levar frutas e legumes nacionais às prateleiras de vários países europeus. Hoje, já chega a mercados exigentes como Alemanha, Reino Unido, França e muitos outros. E para Gonçalo dos Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh, não há dúvidas: a parceria com o Lidl é mesmo fundamental para impulsionar as exportações e facilitar todo o processo.
Nós começámos esta parceria em 2014, com uma experiência, na altura, de pera rocha, e depois fomos alargando a outros produtos e, portanto, a Portugal Fresh, como é uma associação empresarial para a promoção das frutas, legumes e flores de Portugal, nós já vínhamos com trajeto bastante ascendente a nível das exportações desde 2010 e este projeto reforçou muito as nossas exportações, porque temos uma equipa em Portugal do Lidl que nos facilita e ajuda muito o planeamento das exportações de vários produtos. Agora já estamos a falar de uma série de produtos completamente diferenciados, embora nós começamos sempre, e a Portugal Fresh surgiu em 2010, quando o setor valia 780 milhões de euros em exportações, e o ano passado fechamos com 2,6 mil milhões. Ou seja, é mais do que o triplo do valor nestes últimos 15 anos, o que demonstra muito a dinâmica que os empresários portugueses tiveram.
Ao longo do ano 2025, foram exportadas 17 variedades diferentes de frutas e legumes produzidos de norte a sul do país. E os números ajudam-nos a perceber a dimensão desta operação. A grande estrela continua a ser a Pera Rocha do Oeste DOP, com cerca de 11 mil toneladas exportadas. Segue-se a laranja do Algarve, com mais de 6 mil toneladas, e depois vêm produtos como a couve coração, frutos vermelhos, como amoras, framboesas e mirtilos, e ainda frutas de caroço, como ameixas e pêssegos. Mas mais do que quantidade, o discurso aqui é de consistência. Bruno Pereira, Chief Merchandising Officer do Lidl Portugal, sublinha que estas exportações só são possíveis porque existe qualidade, capacidade de produção e confiança entre produtores e distribuição. E isso torna-se particularmente importante numa altura em que o setor agroalimentar ganha um peso estratégico.
Nós procuramos apoiar através da presença e do acesso aos diferentes mercados onde estamos presentes. Agora, realmente, a fileira tem mostrado uma forma consolidada e muito sustentada, qualidade não só nos produtos, todos nós, portugueses, temos muito orgulho nos nossos produtos nacionais, mas também qualidade em termos de entrega de logística, de serviço, de embalamento, tudo. Toda a proposta de valor é uma proposta de valor muito sólida e de uma qualidade muito elevada e só isso pode explicar sucesso em mercados bastante exigentes. Desde fevereiro 2020 até o final de 2025, multiplicámos por 10 as exportações de citrinos do Algarve. Nós estamos disponíveis pra continuar a apoiar a exportação de citrinos do Algarve. Esperamos ansiosamente pelo novo investimento que irá ocorrer em Loulé, que será muito importante para consolidar esta capacidade produtiva futura e certamente que as organizações de produtores algarvias podem continuar conosco pra continuarmos a crescer nos citrinos.
O evento contou também com a presença do ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, que sublinhou o papel da agricultura na economia e na coesão territorial. Num contexto internacional marcado por instabilidade, conflitos e pressão sobre cadeias de abastecimento, garantir produção interna e escoamento torna-se cada vez mais estratégico pra EuropaE é aqui que entra o papel das exportações e da agricultura como um pilar fundamental da União Europeia.
Comer e beber nunca vai passar de moda e por isso é que a segurança alimentar, que é comida no prato, é absolutamente essencial. Essa palavra simples significa que a agricultura é estratégica, é estruturante e é um pilar que não nos podemos esquecer. Agricultura também é defesa. Agricultura, defesa e energia são três pilares na União Europeia, como nós demos conta, e temos dado conta, sobretudo com dificuldades e guerras, que são absolutamente essenciais. E por isso estamos a trabalhar na melhoria do rendimento do agricultor, na renovação geracional e também no aumento de competitividade e modernização da nossa agricultura.
Os dados já são bastante satisfatórios, mas o objetivo é continuar a crescer.
O bolo total nosso, de frutas e legumes, aumentou exponencialmente. Em 2025, foram 2.600 milhões de euros, quando há 10 anos eram cerca de 780 milhões de euros. E, portanto, neste momento, as exportações correspondem a 2.600 milhões de euros, mas temos o objetivo de as reforçar e de as aumentar.
E há também novidades. 2025 marcou o reforço de novas categorias na estratégia de exportação do Lidl. A batata portuguesa começou a ser exportada, já conta com cerca de 220 toneladas. O kiwi também teve um crescimento expressivo, passou de 20 para 119 toneladas exportadas, sinais de que há espaço para novos produtos portugueses conquistarem mercado. Tudo isto num momento particularmente positivo para o setor agroalimentar português, que já representa cerca de 13% das exportações nacionais. É por isso que eventos como este reúnem produtores, indústria, distribuição e governo à mesma mesa. Do lado do Lidl, a mensagem é clara: a empresa quer posicionar-se não apenas como compradora, mas como facilitadora da exportação portuguesa. Uma função particularmente relevante num setor onde muitos produtores, sozinhos, dificilmente conseguiriam alcançar esta dimensão europeia. Entre caixas de citrinos prontas a seguir viagem, fica a sensação de que estas exportações transportam mais do que fruta e legumes. Transportam também uma ideia de país. Um país que produz, que exporta e que tenta afirmar-se pela qualidade daquilo que nasce da terra. De Portugal para a Europa, com a ajuda do Lidl Portugal, seguem 28 mil toneladas de produtos portugueses. Mas para muitos produtores, o mais importante talvez seja saber que há mercado para continuar a crescer e que podem contar com o apoio do Lidl.