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O meu objetivo com a fotografia é dar vontade às pessoas de ir ver o espetáculo. Independentemente do que está na fotografia, de se estar a contar a história do espetáculo. Por isso, já aconteceu algumas vezes, que isso é o maior elogio que me podem fazer: "Olha, eu fui ver uma peça por causa de fotos tuas".

Na passada sexta, 27 de março, dia mundial do teatro, o Teatro São Luiz, auspiciado em Lisboa, abriu as portas a toda a comunidade com a inauguração da exposição "A Luz que Ficou". Um retrato íntimo do São Luiz, da fotógrafa Estelle Valente. São 200 fotografias patentes no interior e no exterior do teatro, até 19 de julho, numa mostra que acompanha 10 anos de presença da fotógrafa no São Luiz e oferece um olhar singular sobre a vida do teatro. Vamos conhecer melhor Estelle, uma fotógrafa portuguesa de olhar inquieto, nascida em França, portanto é luso-francesa, que há uma década e meia decidiu trocar uma vida estável como professora universitária de Economia numa universidade de Paris, pela instabilidade de uma profissão ligada às artes, num país que atravessava uma profunda crise económica. Beatriz Batarda chama-lhe a discreta e sábia ladra, que faz nascer novas imagens do sonho dos outros. Olá, Estelle, bem-haja por ter aceitado este meu convite. Bem-vinda à Rádio Observador.

Obrigada pelo convite.

É um grande prazer estar aqui a falar contigo. Tu nasceste em Créteil. Que fica nos arredores de Paris?

Exatamente, é 10 km de Paris.

Muito bem. Tu és filha de emigrantes, a tua família é de Ovar.

Sim, de Ovar.

Emigrantes que tinham ido para lá nos anos 70, em busca de uma vida melhor, claro. Tu és a mais nova de seis irmãos.

Sim.

Mas a única que nasceu lá.

Sim, a história é incrível. Eu tenho muito orgulho no percurso dos meus pais, confesso. Já não estão vivos. Eu sou a única que nasceu em França. Sou a mais nova de seis, três rapazes, três raparigas. A minha mãe fez isso. Os meus pais fizeram isso muito bem.

As contas certinhas.

Exato. E sou a única que está a viver atualmente em Portugal, o que é muito estranho, de facto.

Tu vieste há uns anos. Mas já vinhas, mesmo em novinha, de férias a Portugal.

Claro, sim.

Ias sempre ao norte, para Ovar.

Exatamente. O clássico do verão, em agosto, vinha em Ovar.

E tens, portanto, a dupla nacionalidade. Tu és luso-francesa.

Aliás, eu acho que sou franco-portuguesa.

Franco-portuguesa. É, por teres nascido lá.

Eu acho que sim, não sei. É igual. De facto, eu sou portuguesa.

Mas tens a dupla nacionalidade.

Sim, tenho a dupla.

Muito bem. Eu adoro o teu percurso. Antes de te dedicares à fotografia. Eu gosto do teu percurso, Estelle, porque é feito de sorte. Tiveste uma sorte sempre inédita na tua vida, o que tu devias agradecer todos os dias.

Eu agradeço todos os dias.

Ainda bem. E encontros. Sorte e encontros, porque é isso também. Por vezes temos a sorte de não te encontrares com as pessoas certas ao longo da tua vida, com a Gisèle João, com a Anabela Mota-

Mota Ribeiro

Mota Ribeiro, com pessoas que foste encontrando. A Ida Tavares do São Luiz. Foste encontrando e cruzando com pessoas extraordinárias. Mas também eras boa e elas queriam te desafiar porque sabiam, ou pressentiam, que tu ias tomar conta do recado, mas iam alavancando a tua carreira tão bonita que tens até hoje. Tens uma vida anterior, tens muitas vidas em ti. Mas tens uma vida anterior na economia. Doutoraste em Macroeconomia.

Sim.

E foste professora na Université Paris Diderot.

Paris Diderot. Sim, eu gosto por acaso de contar a minha história, porque eu acho que ela pode inspirar. Inspirar existe em português, a palavra?

Existe, claro que sim.

Inspirar outras pessoas, porque eu acho que não temos que ter só uma vida. E eu era professora de Economia lá na faculdade em França, Macroeconomia, mas não estava feliz. E havia qualquer coisa em mim, não sei muito explicar. Eu sou muito emocional e eu sou pouco racional, de facto. E havia qualquer coisa em mim que me dizia: "Tu vais ser mais feliz em Portugal". E então um dia tive essa oportunidade de vir para cá. Deixei tudo em França, vim cá sem trabalho e fiz tudo aqui.

Não é só isso. Portugal estava numa altura complicada. Estavas em 2010.

Sim. Estava mesmo em crise. Eu lembro na altura. Aliás, toda a gente perguntava: "Mas por que vieste agora?"

"Pourquoi tu t'en vas?"

Exato. É o pior momento, se calhar, para vir para Portugal. Calhou.

Há coisas que não se explicam.

Exatamente. E eu acho que é importante e podemos fazer tudo. Para mim, isso é o mais importante de dizer, é que podemos ser aquilo que nós queremos, no fundo.

Mas tu ainda não vinhas com a meta da fotografia, sequer.

Não, eu nem fotografava em França.

É incrível. Voltando um pouquinho atrás, o teu doutoramento foi sobre Portugal?

Sim, foi.

Em macroeconomia?

Sim.

Um exemplo de Portugal como case study, qualquer coisa?

Posso tentar por tudo.

Podes e deves.

Que é mais fácil para mim também.

Claro que sim.

Vou tentar relembrar mais ou menos. O título do meu doutoramento era "Como reduzir desigualdades de rendimento em Portugal após o euro". E era sobre um programa informático Provavelmente já não existe. Mas sim, a ideia era sempre a macroeconomia, é político-económica.

As políticas económicas de um país.

Exato. Por isso estava já baseada em Portugal.

Que giro. Muito bem, então tu tinhas 33 anos e sentiste um dia que o teu fado era aqui. Tu que adoras fado.

É verdade, é mesmo isso, o meu fado era aqui. É isso que estava a contar há um bocado.

Demoraste uma década a tomar esta decisão.

Sim. Não é fácil, vamos lá ver. Se eu tivesse ficado lá, provavelmente teria um conforto diferente.

Sim, era uma vida mais estável.

Mais estável, mas ainda bem que fui embora.

Tinhas essa inquietude.

Exatamente.

Estavas desassossegada.

Sim.

É muito engraçado. Então fizeste o caminho inverso dos teus pais, emigraste para Portugal.

Sim, às vezes há pessoas que dizem isso, mas de facto foi muito mais difícil para eles e para eles foi mesmo um sacrifício enorme e nunca vou comparar o percurso que eles fizeram e o meu. Mas de alguma forma é bonito ver que fizemos um percurso igual, mas de um lado para o outro.

Voltaste às origens, digamos assim.

Sim.

Às origens da família deles. Exato.

Dos meus pais.

Muito bem. E vieste de comboio, que é outra coisa engraçada. Tu tens medo de andar de avião, ainda hoje tens?

Claro que tenho, eu não ando de avião.

Vieste de comboio, andaste de volta e meia com a Gisela, andaste aqui e acolá.

Uma vez. Ou duas.

Mas custou-te horrores e tiveste que tomar coisas para dormir.

Eu já tentei tudo, mas quando vim, eu acho que era um concerto que era nos Açores ou na Madeira, não me lembro. A equipa da Gisela foi muito querida, eu lembro-me de comprarem uma garrafa de champagne para ver se isso tudo passava, mas não, não dá, não consigo. É assim, se eu tiver que andar de avião, eu ando, mas evito.

Em Alfama, pronto, de todos os sítios, um bairro que dá para respirar, como tu dizes. Tu gostas de simplicidade. Tu tens aquela ideia que já disseste isto algumas vezes: "Alfama para mim é como se fosse uma aldeia".

E é.

As pessoas conhecem-se todas.

Sim, agora infelizmente há menos pessoas.

Mas agora com o aumento do turismo e aquela massificação, não está um bocadinho descaracterizado?

Está, completamente.

Notas isso, não notas?

Sim. Aliás, eu devo ser das poucas pessoas que ainda moram ao lado dos meus amigos, já tiveram que sair.

Foram saindo, exatamente. Os Maria da Mouraria, do Hélder Moutinho e da Bela, onde tu ias muito ouvir, porque tu sempre tiveste esta coisa do fado. Sempre gostaste muito do fado.

Sim. Ainda por cima, morando em Alfama, eu estava mesmo no centro do fado. E então passava noites nas casas de fado.

Que giro. E vinho, tu gostas muito de vinho, também gostavas de sair. É engraçado, tu eras muito tímida.

Sim, ainda sou.

Ainda és, mas disfarças bem.

Teve que ser.

Exatamente. E gostavas, ias para o Miradouro de Santo Estevão, respirar esta paz e este silêncio, quando era possível. Ias com o vinho quando saías à noite, ouvir os fados. É muito engraçado. Mas há uma coisa em ti que é importante: tu não receias a mudança. Tu mudas de área, como mudas de área de trabalho, mudas uma área de residência, com facilidade, o que é giro para uma pessoa tímida.

Sim.

É um horror.

Sim.

Porque gostas disso?

Eu gosto muito é de experimentar coisas novas. Aliás, o meu percurso todo é isso, é de alguma forma brincar. Eu brinco em tudo, é voltar um pouquinho também à infância, poder descobrir coisas novas.

A fotografia foi um bocadinho assim, tu dizes: "Eu sou autodidata".

Isso é importante dizer.

"Eu aprendi a brincar com a máquina".

Exatamente. Eu acho que é a melhor forma de aprender a fotografar.

Mas também é importante, como tu dizes, saber as técnicas, quanto mais não seja para depois transgredi-las.

Exatamente, eu digo sempre isso, conhecer as regras para poder fugir delas. Mas eu aprendi sozinha, por isso houve alguma insegurança em relação ao meu trabalho. Agora um bocadinho menos.

Sim.

Mas estou sempre insegura em relação ao meu trabalho.

Mas isso é bom. Eu acho que isso é bom. É como a pessoa não ter medo. "Não tenho medo de nada". Não, isso é mau, porque o medo dá-te adrenalina e dá para suplantar. É bom a pessoa ter algum receio. Eu pergunto sempre aos atores, por exemplo: "Ainda tens nervosinho quando entras no palco?" "Tenho, mas ao fim de 40 anos de carreira, sim." E acho que isso dá-nos energia para estar ali, ter cuidado. É o mínimo. Muito bem, e também os poetry slams e quando tu ias ouvir poesia, também gostas muito de poesia, não é?

Sim.

As tuas imagens são poesia.

Obrigada.

São mesmo.

Quando vim para Lisboa tinha uma sede de cultura. Queria mesmo aproveitar, já que estava cá. Soif de culture.

É engraçado, porque ias a estas sessões de fados e de poesias. Começaste a levar a máquina, porque era uma maneira de não estares tão sozinha.

É verdade, era a minha companhia.

Dava-te uma segurança.

Sim.

E foi muito importante para o teu crescimento.

Sem dúvida.

Deixou aqui a fotografia como uma necessidade tua, física, quase.

Sim.

É muito giro isso, como te apareceu.

A máquina foi mesmo a minha companhia no dia a dia para poder sair à noite. Ainda bem, porque deu-me segurança para poder sair sozinha também, porque já não era uma mulher sozinha a beber um copo de vinho, era uma mulher que estava a fotografar e se calhar as pessoas não olhavam para mim da mesma forma. E sim, cresci e comecei a fotografar muito. E depois há um encontro que mudou o meu percurso todo.

Já lá vamos. Antes disso, ao sol de Lisboa. Tu adoras a nossa luz, não é?

As pessoas não dão valor.

Não dão.

E eu tenho muita pena. Eu que venho de Paris, que é muito cinzento comparado com aqui.

É quase Londres. Não é, um bom exemplo, Londres é pior.

Mas é muito parecido. Lisboa tem uma luz fantástica e é mesmo diferente. E daquilo que eu percebi, tem muito a ver com o reflexo dos azulejos.

É.

E por isso tem uma cor muito diferente das outras.

Eu vi uma exposição, Stela, há uns anos, ali no Torreão Poente do Terreiro do Paço, que era exatamente sobre a luz de Lisboa. Mas era uma coisa que juntava artistas, pintores e também muitos físicos que faziam e que provavam por A mais B, porque é que a nossa luz, as cidades europeias esta é melhor, Atenas era a única concorrente com Lisboa, mas depois Lisboa, como tem esta espécie das colinas, do anfiteatro, em relação ao rio, que reflete. Quando não é azulejos, é as fachadas que são clarinhas, os branquinhos, quando se vê ali na tua zona de Alfama, vê-se brancas. E tudo aquilo faz um reflexo que é medido e é X% mais do que qualquer outra capital europeia. Há uma razão física para, de facto, a luz de Lisboa ser única na Europa. É extraordinário isso.

É muito bonito.

Não é só a nossa percepção, é verdade.

É verdade.

E de facto é muito bonito. E tu és apaixonada pelo sol de Lisboa.

Sim, e muda uma vida.

A luz mudou-te, é verdade.

A importância do sol mudou mesmo a minha vida.

É incrível. As artes, tu desde sempre estiveste muito ligada às artes. Tu em Paris chegaste a ser vocalista de uma banda.

Mas quem é que não teve uma banda aos 20 e tal anos?

Banda de garagem, como dizia eu antes.

Sim, exatamente. Mas foi muito bom, foram quase três anos. E tentámos aqui em Portugal. Eu lembro que fomos bater às editoras todas para ver se alguém queria aceitar o nosso álbum. Ninguém aceitou.

Uma pena. Estavas neste Cap Magellan, esta associação de lusodescendentes que promovia e organizava estes concertos dos Resistência, que foram aos Enith, e de lá a ir não perdiam. Tu gostavas muito disso.

Sim, foi aí que descobri também com essa associação. Eu estive lá 15 anos também, onde fiz tudo. Quando estamos no meio, quando estamos ativos, temos de fazer tudo, mas deu-me a conhecer um Portugal que de facto não conhecia quando vinha cá de férias durante o verão. E isso foi muito importante também para o meu percurso.

E também rádio, tiveste alguns projetos de rádio.

Fiz rádio, sim, durante oito anos.

A rádio era importante pra ti?

À noite. É incrível.

É uma companhia, é aquela coisa.

Sim, eu não estava sozinha, éramos vários, mas era muito bonito.

A máquina quando começaste a fotografar já aqui em Lisboa, estes primeiros trabalhos, guardas tudo? Tens arquivo disso tudo?

Tenho.

E tens vergonha ou não? Ou orgulhas?

Temos de ser sinceros. Eu sou sempre sincera. Tenho um bocadinho de vergonha, para não dizer muito. Mas há uma coisa que eu também aceitei ao longo dos anos e é muito importante: é natural errar e é bom errar. E agora aceito melhor os meus erros. Mas obviamente no início estava a começar e autodidata, havia muitos erros.

Esta oitava arte da fotografia, por que a fotografia é tão especial, Estelle, em relação às outras artes? À literatura, ao cinema, ao teatro.

Não sei se é em relação às outras, mas pelo menos é a arte, a fotografia, que me permite transmitir as minhas emoções. Ainda não encontrei outra forma, se calhar vou encontrar, como te já disse que gosto de experimentar coisas. Mas sim, é a minha forma de falar com as pessoas e transmitir a minha poesia com as pessoas.

Comunicar. Muito bem. 2012, temos o grande momento decisivo. A Gisela João. Ouviste uma voz única. Ela não era conhecida na altura ainda, estamos a falar há 14 anos. Ouviste uma voz e pensaste: "Uau, esta mulher, esta voz, que coisa extraordinária". Combinaste com ela estas fotografias que tu lhe tiraste, aliás, lindas de morrer. Eu vi algumas. Inclusive o primeiro álbum dela, a capa é tirada por ti a fotografia?

Não, a capa não é. Eu conheci a Gisela antes de ela editar o primeiro álbum. Ela estava a cantar numa casa de fado e obviamente eu ouvia a Gisela e é impossível não ficar "uau".

Exatamente. Fascinado.

Eu fiquei logo: "O que é isso?" Ainda por cima ela é pequenina como eu, por isso é engraçado o vozeirão tão grande sair daquele corpo. E a Gisela tem essa coisa que é muito querida.

E é muito terra a terra ela. É muito humilde.

Mas eu acho que somos muito parecidas em muita coisa também. Essa ligação vem de algumas histórias que nós temos em comum, mas de facto ela viu que eu estava a fotografar e um dia combinamos fazer, para brincar mais uma vez, uma sessão fotográfica num hotel em ruínas, que era de um amigo meu.

Aquela que ela está sentada de lado.

Exatamente. E era só para brincar e eu não sabia, ela estava a editar o primeiro álbum dela e ela já tinha fotos para o primeiro álbum. Só que ela me ligou um dia a dizer: "Olha, Stella, gostei tanto das fotos. Será que posso incluir essas fotos também no álbum?" E eu, obviamente, fiquei muito emocionada. E há uma fotografia, de facto, que é importante, que ela está com uma camisa de lanche solta, a fumar num prédio em ruínas, está dentro do álbum.

De ténis. É muito gira essa foto.

Eu gosto muito dessa foto. Essa foto mudou a minha vida, de facto, porque ela foi capa de várias revistas, foi capa do Y e isso mudou, obviamente, o meu percurso.

É engraçado, porque as pessoas todas dizem, Estelle, e com razão, que aquela fotografia mudou para muita gente o olhar sobre o fado, sobre o lado feminino, sobre o boémio, sobre a sensualidade, uma estética nova. Tu desconstrois o fado e a própria figura dela com aquela fotografia. É fora do normal de tudo que a gente está habituado a ver no fado.

Na altura, sim. Agora, se calhar, nem tanto.

É muito giro.

É muito giro, mas isso é porque ela é assim. Eu não conseguiria fazer isso com outra pessoa.

São feitas.

Não, de facto, eu acho que naquela altura-

É a tua musa.

É, e será sempre.

É extraordinário. É a pessoa que mais fotografaste e que melhor conheces. E ela diz de ti: "Olhar as fotografias da Estelle é olhar o mundo através do coração dela e descobrir que há beleza em todo o lado. É só a pessoa escolher ver essa beleza". É muito bonito isso.

Eu não consigo ouvir coisas assim, senão começo a chorar. Já há quase um mês eu choro todos os dias.

E há dois anos houve esta exposição, Gisela João, 10 anos.

Sim, é verdade.

Incrível. Que passou por Lisboa e pelo Porto. No fundo, entraste no mundo profissional da fotografia através da música que tu mais gostavas, o fado. Cá está outro ponto de sorte e de conjugação dos astros na tua vida. Falámos do encontro com a Gisela João, que de facto mudou completamente a tua vida. E há outro encontro também muito importante, que se deu em 2015, com a Aida Tavares. Ela era diretora do Teatro Municipal de São Luís e viu algumas fotografias tuas, com certeza, e convidou-te então a fazer uma série de retratos de mulheres, que era um ano em que as figuras femininas dominavam a programação no Teatro Municipal. Umas fotografias de mulheres para o teatro. E de facto, tornaste então, males havidos tu, quase uma década fotógrafa oficial do Teatro Municipal São Luís. Com mais de duas centenas de produções de diferentes companhias e criadores. Tiveste que fazer a revista também?

Sim, que também é muito importante.

Também editaste e, portanto, o contínuo contacto com este universo teatral, descobriste um janelão extraordinário ao pé do Dino Inverno, que passou a ser o teu foco de luz.

E o meu estúdio de fotografia, o que é absolutamente incrível.

De facto, é uma luz de morrer.

É lindo. A melhor luz de Lisboa é naquele janelão.

Além de ser muito bonito o próprio janelão em si, e a gente pode ver muitas dessas fotos, cá está, nesta exposição, neste caso, até na rua. Se o teatro estiver fechado, até pode ver cá fora. Há coisas muito curiosas desta tua relação com o teatro. Como eu disse, mais de 200 produções que tu foste lá vendo. Chegaste a entrar numa peça até com o Ivo Canelas, uma vez, há uns anos.

Não é bem entrei.

Entraste na produção.

Mais ou menos.

Na sala Mário Viegas.

Vou tentar explicar. É a pior vergonha da minha vida, de facto. Mas não faz mal, faz parte da vida. Mas vou explicar.

Mas antes, vou só dizer uma coisa, que tu tens a vantagem de estar a fotografar nos ensaios, portanto, podes entrar, sair. Não é com o público, portanto, tens liberdade. Isso é extraordinário. Fazer ângulos que as pessoas nunca verão.

Exatamente, isso é sorte. Os fotógrafos de teatro podem fotografar no ensaio geral. E foi o caso dessa peça que era do Romeu Costa, se não me engano. Mas era com o Pedro Gil.

E com o Ivo Canelas?

Com o Ivo Canelas. Ou ao contrário, agora não me lembro.

Grandes atores.

Grandes atores. Estava a fotografar o ensaio geral, era no Mário Viegas e, de facto...

Sala estúdio.

Como é que eu consigo dizer isso em português? O palco estava no meio.

Sim. E as pessoas à volta, a plateia, digamos assim.

Exatamente. Estava à volta. E eu estava à volta, de alguma forma. E as luzes estavam normais, não sei o quê.

A uma certain, tu olhas para ele.

Já não me lembro se foi o Pedro Gil ou se foi o Ivo Canelas que olha para mim e que diz: "Não tenhas medo". E eu respondo assim à força toda: "Eu não tenho medo de nada". E não percebi que era a primeira-

E continuas a tirar a foto.

Não, eu nem percebi que era o início da peça.

Exato, já era uma fala do teatro.

E eu: "Oh, meu Deus do céu!" E depois percebi porque eles continuaram a falar.

O outro respondeu, o Pedro Gil respondeu por aí fora. Aí tu pensaste: "Meu Deus, eu meti-me no texto".

Toda a gente começou a rir e eu: "Oh, meu Deus". Mas foi bom, porque eu lembro que o encenador, Romeu, veio ter comigo uma semana ou depois, já não me lembro, ou um mês depois, e disse: "Ainda bem que aconteceu no ensaio geral, porque percebemos que o Ivo Canela não podia olhar para alguém quando estava a dizer isso".

Senão a pessoa entra.

Porque senão a pessoa pensa que era para ela.

É convidada a entrar, exato. Foi muito bom.

Foi horrível.

Não, foi ótimo. E há outra coisa também boa que tem a parte do São Luiz, que foi muito importante para ti, Estelle, é o movimento. Eu adoro as tuas fotografias de bailado, da Companhia Nacional de Bailado, adoro isso. E é o movimento, também tem a dança, não é só a peça. E tu disseste: "Descobri que também podia fotografar a dança". E é das coisas mais difíceis que há, mas é das coisas mais fascinantes que há. São talvez as tuas fotos que tu preferes.

Eu nunca fotografei a CNB, a Companhia Nacional. De facto, o Teatro São Luiz tem dança.

Com o Vítor Hugo Pontes, que fez vários trabalhos. Fantásticos.

Sim, o Vítor.

Extraordinário, as fotografias com ele são lindas de morrer.

Sim. Eu gosto muito do movimento e confesso que gosto muito de fotografar dança.

Pronto, a Anabela Mota Ribeiro viu também as tuas coisas e disse: "Olha, eu estou a fazer um livro por Saramago e tal, 20 anos do Prêmio Nobel", estamos a falar em 2018, ele ganha em 98. "Gostavas de ir cinco dias para Lanzarote, para a casa dele, morar na casa dele, fazer as fotos com uma carta branca, faz o que quiseres." Estelle, cá está, é a tua sorte.

Não é incrível isso?

Estelle, isso é um dedo de Deus, é um beijo de Deus.

E eu que não gosto de andar de avião. E foi das coisas mais bonitas.

Cinco dias na casa de Saramago.

E estava sozinha. Foi uma experiência mesmo.

Inesquecível.

Sim, muito, mesmo.

E tiraste fotos lindas e estiveste num meio lunar, aquilo é a lua, completamente.

Não sei se já foste a Lanzarote.

Não, ainda não fui a Lanzarote. Gostava de ir. Mas tenho a noção disso, que é uma coisa estilo Ira Marques. É uma paisagem lunar.

E o silêncio é mesmo muito bonito.

Muito tranquilo. E percebeste porque é que o Saramago escolheu aquela ilha para viver.

Sem dúvida.

Muito bem. Este projeto que tu fizeste em Lanzarote, no fundo, iniciou esta tua paixão, que tu gostas do fotografar a ausência, o que já não existe.

Sim. É o meu objetivo. Quando comecei a fotografar, era mesmo isso que eu queria. Aliás, eu costumo dizer que eu gosto de fotografar o que não existe, porque eu acho que não há mais poético do que isso. E aliás, eu fujo à realidade. A realidade em si não me interessa. Eu gosto é de acrescentar o meu universo às fotos. Mas, de facto, eu tenho um projeto último, ainda não fiz, mas quando eu fizer, acabou a fotografia para mim e passa outra coisa e não faz mal, e faz parte. Eu queria fazer alguma coisa ligada à ausência e fazer um projeto que era fotografar a ausência. Também acho que não há mais poético. Também porque os meus pais já não estão vivos e seria, de alguma forma, uma homenagem a eles. Mas ainda falta, ainda não consegui encontrar a ideia.

Mas é um projeto que tu tens aí no teu bucket list.

Exatamente. Já tenho feito muitos riscos do meu bucket list ou dos meus sonhos.

Exato.

E um deles é a exposição no São Luiz, mas era mesmo um sonho.

Boa. E essa está concretizada e agora pode ver, não se esqueça, até dia 19 de julho, vale muito a pena passar por lá, pelo Chiado, só para ver o trabalho, a imaginação e os mundos da Estelle, os universos da Estelle. Ou alguém que te falta fotografar e gostavas muito de fotografar ainda?

Confesso que em termos de pessoa, ninguém.

Ok.

Não, mentira.

Diz.

Mas nunca vai acontecer.

Mas diz.

Eu sei que ele nunca vai aceitar. O Miguel Esteves Cardoso. É o único.

Por que nunca vai aceitar?

Porque ele não gosta de ser fotografado. Eu sei.

Pronto, OK.

Mas, a priori, ninguém. Eu adoro o livro "O Amor é Ferido" dele. Perdoa-me o meu título. Mas eu não tenho esse fascínio de fotografar pessoas conhecidas. Aliás, eu acho que até foi uma força, porque eu já fotografei muitas pessoas muito conhecidas, mas como eu venho de França, eu tenho essa distância, porque eu não tenho as mesmas referências do que aqui. Por isso, alguém que pode ser muito famoso aqui, eu não conheço. E isso ainda bem, porque senão ainda ficava mais nervosa, de alguma forma. Por isso, em termos de pessoas, ninguém. O que eu ainda gostaria de fotografar? É o que eu disse.

Se calhar o teu processo de ausência, exatamente o teu projeto. Portanto, agora estás ligada também ao Teatro Variedades, não é? Fazes fotografia para eles e concertos também, quando pedem, contratam-te. Muito bem. Falaste já deste teu Remanence, do efêmero à memória, nos estúdios Victor Cordon, esta residência do ano passado.

Desculpa estar a interromper.

Não, o tempo é teu.

De alguma forma, as fotos que estão no São Luiz, não vou dizer que é meu passado, mas de alguma forma é alguma coisa mais passada para mim. E o que está nos estúdios Victor Cordon, para mim, é o futuro.

Que giro. São dois momentos.

E eu acho que é até giro as pessoas-

Complementam-se.

Exatamente.

Então começar pelo São Luiz e depois ir ao Remanence, que vem o futuro.

Exato.

Muito bem. A tua autoridade, já falámos disso, aprendeste a brincar com a câmera. Uma vida pode conter várias vidas, falámos disto. As três histórias de uma fotografia. O que é isto que tu dizes, que uma fotografia tem três histórias. Tem sempre de contar três histórias. Que histórias são estas?

Eu digo isso porque há a história do que está a acontecer à frente, a realidade. Depois, há o meu olhar sobre essa realidade.

O que tu queres transmitir.

O que eu quero transmitir. E depois já a história que a pessoa que está a ver a fotografia vai imaginar. E é muito engraçado, porque muitas vezes essas três histórias não têm nada a ver uma com a outra.

São diferentes todas. Não é?

Isso é muito engraçado.

Uma foto pode trazer três mundos.

Sim. Aliás, há alguns anos eu criei um blog que se chama Les Ombres du Temps. Devia voltar a reativar isso.

Este é o tal onde convidavas as pessoas para comentarem fotos tuas.

Sim, e era muito engraçado porque o que as pessoas escreviam não tinha nada a ver com aquilo que eu tinha fotografado. É muito bonito.

Muito bem. Apontes as técnicas, é engraçado, porque tu, preto e branco, sobretudo, ângulos pouco habituais. Ainda andas à procura da tua cor, como tu dizes?

Não, já encontrei. Já está.

Então diz-me.

Sim, por isso fotografava muito a preto e branco. Agora confesso que quase nunca fotografo a preto e branco.

Demoraste uns anos a encontrar o teu preto e branco. É tão bonito dizeres isso.

É verdade, porque há vários preto e brancos. Com mais contraste e menos.

Com grão ou sem grão, isso tudo faz parte.

Sim, claro. E eu edito as minhas fotos também. Mas agora acho que já tenho a minha cor, já sei.

Que é o quê? Como é que a definirias?

Não sei.

Em vez de ser Yves Klein, é a cor Esther van Dulken.

Seria uma cor, eu não sei como é que poderia...

Sépia? Azicon? Cinzento? Gris?

Não. De alguma forma são tons de pintura. Vou dizer isso, não sei se corresponde à realidade.

Mas variados?

Sim.

Como se fosse pastel?

Não, justamente.

Óleo?

Não. Eu gosto mais castanhos, mais verdes.

Tu adoras sombras.

Sim, claro.

Ok. Bom, já encontrei a cor, isso é bom. Não sei usar luz artificial, é uma coisa que tu dizes. Gosta de brincar com as sombras. Gosta também que recorra múltiplas exposições. Traga o movimento, compatibilize imagens nítidas com outras que são arrastadas. Isto vê-se também nesta exposição, e está muito bonito.

Sim, na última, sim, também.

As fotos não são o que nós vemos. É muito importante tu dizeres isso, é giro.

Sim, porque, aliás-

É um erro comum. As pessoas dizerem: "Ah, não, eu posso tirar uma foto igual à dela". Não, não podes.

Sim, isso é outra história. Eu quando tiro uma foto, gosto de pensar que o outro fotógrafo, no mesmo lugar, vai fazer a mesma coisa. E para mim isso é importante.

Muito importante.

E há outra coisa, que quando estou a fotografar teatro ou espetáculos, o meu objetivo com a fotografia é dar vontade às pessoas de ir ver o espetáculo, independentemente do que está na fotografia, o que se está a contar a história do espetáculo. Por isso, já aconteceu algumas vezes, que isso é o maior elogio que me podem fazer: "Olha, eu fui ver uma peça por causa de fotos tuas". Agora, a questão é que como eu mudo um pouquinho as minhas cores e que não é bem a realidade, às vezes as pessoas, o que está na fotografia-

Podem ir ao engano.

Mas não faz mal, porque o mais importante é que já entraram no teatro e para mim isso é muito importante.

Claro que sim. Então, quantas vezes não vemos trailers de filmes antes de ir ver e depois afinal não tem muito a ver com a coisa? E fomos à mesma.

E eu gosto também de desconstruir a ideia que o teatro é algo elitista. E eu antes de fotografar teatro, nunca tinha entrado num teatro. Tinha entrado na escola, em França, e por isso eu descobri o teatro através da fotografia.

Então pronto, é muito importante. Encontro entre a quinta e a oitava arte, muito importante. 200 fotografias no interior e no exterior, a luz que ficou, o retrato íntimo de São Luiz. A luz que ficou é aquilo que permanece depois de cada aplauso, a memória do que se deposita nos rostos, nos espaços, nos gestos. E talvez seja isso a luz que ficou em mim. Pronto, é esta a exposição muito bonita, uma década como fotógrafa residente. Imagino que tenhas selecionado muito, porque deves ter milhares e milhares de fotos.

Sim.

E foi uma grande seleção.

Sim. Primeiro, eu tenho que agradecer ao São Luiz pela liberdade que me deram. Eu estive a contar hoje, por acaso. Dentro do São Luiz, há mais de 80 fotografias, só dentro. Lá fora, tem cento e tal retratos. E eu escolhi cada fotografia e eu imaginei cada fotografia para cada espaço. E o São Luiz aceitou tudo o que eu propus. E eu não sei se algum teatro já deu tanta visibilidade à fotografia. Quero imaginar que não, porque eu invadi o espaço. Por isso também essa exposição, não sei se posso.

Deves e podes.

Porque há dois objetivos importantes. Primeiro, não é uma retrospectiva de 10 anos, é mesmo a minha escolha pessoal, afetiva, artística sobre o teatro. Por isso, espetáculos não aparecem e não é por mal, é mesmo uma escolha subjetiva. Primeiro, eu queria homenagear as pessoas que passaram pelo São Luiz ou que ainda estão lá. Era muito importante que sejam encenadores, atores, pessoas que trabalham lá, equipes que estão lá. Eu queria pôr essas pessoas ao mesmo nível, por isso essa parede que mistura pessoas famosas, atores.

Exatamente. Técnicos.

Penso na Lívia, que trabalhava há não sei quantos anos no São Luiz como dona de limpeza, e que ficou tão feliz por estar ali na parede, e que eu fotografei da mesma forma do que o outro. Isso pra mim era muito importante, porque toda mundo faz o teatro, não é só os atores ou encenadores. E depois, eu queria também com essa exposição, que as pessoas descobrissem partes do teatro que não conhecem. Por isso, há uma parte dentro do teatro.

É, porque isso tem três núcleos. Este primeiro que está na rua, com esses retratos em preto e branco, todos no mesmo janelão.

Foram tirados, sim.

A segunda parte ocupa os espaços de circulação pública do teatro.

Quando vão ver um espetáculo, vão poder ver as fotos.

Muitas cores ótimas. E a terceira parte é quase secreta. Essa só se tem acesso através das visitas guiadas.

E comigo.

Exatamente, com a Estelle a guiar.

Sim, a ideia era mesmo isso, por exemplo.

Que aí tem o palco, os bastidores, as cabines de projeção, os corredores técnicos. Qualquer pessoa não pode entrar lá, obviamente. Tem que ser guiada.

Ainda por cima, há questões de segurança, também é complicado.

É muito bonito isso, essa ideia é ótima.

Por isso é que quis pôr mesmo fotografia em sítios muito estranhos. Porque eu queria que as pessoas descobrissem também o Teatro São Luiz com essa exposição. Por isso, vai haver visitas guiadas duas vezes por mês. As datas estão todas no site do São Luiz, tem que se inscrever antes.

Já sabe, e já agora deixa aqui a dica: publicos@teatrosãoluiz.pt. E já 12 de abril vai haver uma, nos sábados 16 e 23 de maio, no sábado, 13 e domingo, 28 de junho, e em julho também, dia 11 e dia 18, esses dois sábados. As visitas são guiadas e tem que se haver a marcação prévia. Pela Estelle. Isso é que vale a pena.

Acho preciso ser por mim, porque assim eu posso contar também as histórias das fotografias.

Isso é ótimo. E depois, e atenção, esta exposição não termina aqui, ela mesmo nesta folha de sala, tens no fim um QR code. Quem está a ver a exposição, fotografe-se a ver a exposição, porque quiçá não vai entrar na próxima exposição sobre as pessoas que viram a exposição.

Eu gosto de uma coisa, não sei como é que se diz em português, mise en abyme, que é uma coisa de entrar, não sei como é que é de explicar.

Eu sei a expressão, eu sei que eu conheço. É também, de repente, surpreender com uma coisa fora da caixa.

Sim, a ideia era criar uma exposição da exposição, porque eu gosto dessa coisa de criar coisas. Por isso, eu convido cada pessoa que for ver a minha exposição a tirar fotografias da exposição dentro do teatro ou fora, e enviar-me a mim. Aliás, há um QR code pra enviar, porque daqui vai nascer um outro objeto artístico, e isso também acho bonito.

E livro, tu não vais editar um livro?

Não, toda gente diz isso.

E não vais? Não tens nada previsto?

Por enquanto não há nada previsto.

E vais voltar a Paris, eu sei.

Não.

Não? Não há nenhum projeto de voltar a Paris agora?

Não, infelizmente, só se alguém me diz.

Ainda não te disseram. Diz.

Há duas coisas também. Para mim, é mesmo um sonho o que está a acontecer pra mim.

Sim, caramba. Mereces.

Não sei se mereço, mas eu queria retribuir como eu posso, tudo isso que é tão bonito pra mim. Por isso, também vai haver dois outros momentos, até final de julho no São Luiz. Um deles é no dia dos anos do Teatro São Luiz, espero não me enganar, eu acho que é dia 22 de maio, eu vou oferecer retratos. Isso significa que as pessoas vão poder se inscrever.

Ah, que ótimo.

E eu vou fazer sessões exatamente no janelão, exatamente onde eu tirei as fotografias dos atores, no mesmo sítio.

Aquelas fotografias são extraordinárias. Eu estou a ver o Edmundo Sardinha e estou a ver todas aquelas. A Olga Roriz está linda. O Ricardo Dias Pereira. Tu tens coisas muito diferentes. O Jorge Salavisa, extraordinária aquela foto. O Camané.

Sim, mas então as pessoas se quiserem viver isso têm que se inscrever antes. E também vou fazer outra coisa, grátis também, que vai ser uma oficina de fotografia de cena, um workshop.

Isto é 25 de junho.

Exatamente.

Também gratuito, mediante marcação.

Sim, mediante marcação. E as pessoas que vão poder assistir à oficina, vão poder fotografar um ensaio geral, o que é um luxo incrível.

Um luxo.

Sim, pronto, já disse.

É só presentes, é tudo presentes.

E se eu pudesse dar mais presentes, confesso que dava.

És uma querida, és uma generosa mulher.

Não, mas pronto.

E podemos seguir-te nas redes sempre. Estelle Valente Photography existe e continua ativo este Instagram ou não?

Sim, sim. Eu sou péssima nas redes, confesso.

Aí pode-se ver sempre o teu trabalho, que é muito bom. Mas fica então esta dica. Nosso tempo acabou, infelizmente, mas a luz que ficou, já sabe, um retrato íntimo no São Luiz, de fotografias de Estelle Valente, que vai estar até 19 de julho aqui dentro e fora do Teatro São Luiz. Já sabe que há visitas guiadas, veja nas redes, inscreva-se, porque a visita é guiada por ela e por isso vai ganhar muito com isso. Bem-hajas, Estelle, e até a próxima. Parabéns pelo teu trabalho. Muito interessado. Obrigado.

Obrigada.