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Como é habitual, neste dia da semana recebemos o personal trainer Eduardo Schulz. Olá, Eduardo. Bem-vindo.

Olá, boa tarde.

Na semana passada falamos por aqui de exercícios de força também no feminino para perder peso, mas sei que querias falar também dos exercícios de cardio, porque no fundo vão ficando um bocadinho esquecidos, não é verdade? E, portanto, querias falar também um bocadinho do assunto, porque é possível perder peso com um treino cardio.

Sim, e eu gostava que isso ficasse claro. Apesar de eu reforçar que o treino de força tem mais benefícios na perda de massa gorda e um conjunto de outros benefícios, e daí eu escolher essa estratégia como principal em relação à parte cardiovascular, não vamos agora dizer que o cardiovascular porventura é mau ou que não tem resultados. Terá os seus resultados, naturalmente, se bem que volto a dizer, de uma forma diferente do treino de força, na minha ótica, com menos benefícios, mas ainda assim, para perda de massa gorda e para o condicionamento geral, tem, de facto, os seus resultados. E, portanto, não vamos dizer agora às pessoas que não podem ou não devem fazer cardiovascular.

E como em tudo no que toca ao exercício, convém perceber numa avaliação inicial quais é que podem ser os limites ou não da pessoa para determinado exercício.

Essa para mim é sempre a premissa básica, que é a pessoa saber o que é bom para si, mediante as suas necessidades, os seus objetivos. E identificadas essas condições, poderá passar para o exercício numa fase mais confortável.

Vamos então à estratégia para o cardiovascular.

Muito bem, e tendo em conta que a ideia seria a mesma, vamos imaginar que é uma pessoa que quer, de facto, perder massa gorda. Dentro daquilo que é o cardiovascular, o que poderá fazer de melhor para otimizar essa atividade? E aí os estudos são perentórios, dizendo que atividade cardiovascular mais curta, portanto, durante menos tempo, mas mais intensa, terá mais resultados do que uma atividade mais continuada durante mais tempo e menos intensa também.

Ou seja, estar na passadeira meia hora agarrada à passadeira a andar a uma velocidade baixa não traz tantos benefícios como ter uma passada mais vigorosa, sem mãos.

Durante menos tempo.

Durante menos tempo.

Isso, é verdade. Para já, agarrada à passadeira-

Nunca!

Nunca.

Jamais.

Não é, de facto, a minha opção. Mas entre um programa de exercício continuado e de baixa intensidade e um mais curto, com picos de intensidade variável, garantidamente que esta segunda opção terá mais vantagens no que diz respeito à perda de massa gorda. Agora, como essa avaliação é importante, é saber até que ponto é que eu posso ir nessa intensidade. E vamos dar um exemplo: uma pessoa que se sente fisicamente bem preparada para estar numa passadeira, por hipótese. Esta intensidade variável pressupõe que faça, por exemplo, um período curto a grande velocidade, se estiver preparada para isso, e depois ter um tempo de recuperação e fazê-lo durante algumas séries. Portanto, é um treino intervalado.

Ou seja, um momento um pouco mais lento e depois um pico mais acelerado e depois desacelera outras vezes.

Ir intervalando.

Esses são os fundamentos do treino intervalado com intensidades variáveis.

A mesma ideia aplica-se, por exemplo, a uma caminhada fora, na rua, à beira-mar ou à beira-rio?

Sim, a premissa é a mesma. Se me sentir preparado e se tiver avaliado nesse sentido, que eu estou em condições para o fazer, imagine-se, por hipótese, uma caminhada e que a pessoa de quando em vez faça uma aceleração nessa mesma caminhada, volte a recuperar e volte em aceleração.

Ou seja, ponha mais intensidade.

Mais intensidade, sim, precisamente. Falamos na caminhada porque é mais intuitivo, mas é feito numa bicicleta, é feito numa máquina de remo. Portanto, tudo o que implique um esforço cardiovascular, é possível introduzir este tipo de atividade.

E as próprias máquinas às vezes têm programas já definidos, não é?

Exatamente. Nalguns ginásios que tenham máquinas um pouquinho mais evoluídas, têm até metodologias de treino que implicam treino intervalado. Portanto, eu só reforço a questão da avaliação prévia para a pessoa saber até onde é que pode ir.

Sim, é muito importante.

E balizar a sua intensidade e a partir daí usufruir.

Agora, deixa-me perguntar-te isso mesmo: como é que nós sabemos qual é o nosso limite antes de desmaiar?

Os olhos reviram. Falando sério, há um teste, chamado teste do VO2 máximo, que permite perceber até que ponto a pessoa pode ir em termos de intensidade, e daí nós tirarmos uma margem para que haja esse conforto e essa segurança.

Sim, como é que se faz esse teste? Desculpa já agora, explica-nos.

Não é fácil explicar em tão curto espaço de tempo, mas ainda assim com um técnico ao lado, porque não é um teste que a pessoa possa fazer a si própria, tem que ter alguém que o acompanhe nisso. É possível determinar então a tal intensidade ótima para aquele exercício e para aquela pessoa.

E tu achas útil, melhor não falarmos nisso aqui, mas achas útil aquele tipo de aparelho que há pessoas que vão para o ginásio todas cheias de aparelhos, relógios, sensores, não sei o quê. Isso vale a pena, pode ajudar de alguma forma?

Ajuda bastante, são aqueles gadgets que hoje em dia ajudam bastante, nomeadamente medidores de frequência cardíaca, que neste tipo de exercícios se torna, não vou dizer mais preponderante do que, mas muito preponderante a pessoa acompanhar aquilo que é a sua frequência cardíaca, porque até neste tipo de exercícios é um dos fatores influenciáveis pela intensidade. E portanto, é bom a pessoa monitorizar o que está a fazer, por uma questão de segurança e conforto, claro.

O Eduardo Schulz está sempre conosco à quinta-feira, temos encontro marcado para a semana. Eduardo, obrigada.

Obrigado, bom treino.

Obrigado.

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